Um Bruxo de Sorte
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Os dois ficaram se olhando até Draco quebrar o silêncio:
– Acho melhor irmos para dentro.
– É, eu também – disse Gina pensando na sala.
Assim se formou a porta e os dois entraram. A sala estava como sempre que eles iam lá: aconchegante, com uma lareira, uns pufes e sofás, a mesa de xadrez e alguns livros. Draco se sentou em um pufe e ficou olhando para Gina enquanto ela se sentava em um outro.
Os ficaram se encarando, Gina tinha muitas perguntas a fazer, mas preferiu ficar calada. Agora a última vez que se encontraram veio na sua mente: o beijo que trocaram, o que Draco disse para ela, como ela ficou triste e chocada por isso. O tempo que ficaram sem se ver...
– Por que me chamou aqui? – perguntou Gina.
– Por que se atrasou? – perguntou Draco.
– Eu perguntei primeiro.
– Só me responde – disse ele olhando nos olhos dela, ela não conseguiu dizer não então contou a ele.
Ela disse exatamente o que aconteceu, ele parecia indiferente, mas pareceu entender. Quando ela terminou de falar Draco disse:
– Ainda bem que me pegou em tempo.
– Ainda bem – repetiu. – Mas agora é sua vez: por que me chamou aqui?
– Não sei exatamente – respondeu Draco dando de ombros.
– Como não sabe? – perguntou novamente.
– Sabe, eu nunca pensei que poderia me sentir assim em relação à alguém – ele olhava em seus olhos, o que fez Gina corar. – Eu sinto que posso confiar em você, mas eu não sei se posso.
– Bom, eu... – mas Draco a interrompeu.
– Weasley, tem coisas que eu nunca iria poder contar a ninguém, ninguém – disse ele fechando os olhos. – Mas não é disso que eu quero falar.
– E do que você quer falar?
– Não sei... – disse ele olhando pra cima. – Eu realmente não sei o que você fez comigo para eu voltar atrás do que disse e pedir pra te ver.
– Ei, eu não fiz nada! – disse ela rindo.
– Eu não sei por que fiz isso – disse ele. – Eu sentia vontade o tempo todo de falar com você.
– Eu também – disse Gina.
– E também aquele... Aquilo que eu fiz com você a última vez que nos vimos – Draco parecia sem graça. – Sabe, eu sou um Malfoy, não queria sair perdendo de uma discussão, então por isso... eu te... beijei.
– Bom, pelo menos você conseguiu o que queria com aquele beijo: você não saiu da minha cabeça um dia – disse Gina tentando quebrar o gelo.
– O mesmo digo para você – disse ele. – Apesar de eu ter te beijado, eu pensava em você Weasley.
– Sabe, Malfoy, acho que se a gente continuar a se ver, a gente podia se chamar pelo primeiro nome – disse ela olhando para ele.
– E o que te faz pensar isso, Weasley? – ele falou o sobrenome dela da mesmo forma que ela havia feito antes.
– Nada demais – falou dando um sorriso.
– Tudo bem, eu te chamo pelo nome, Gina, não é? – disse ele fingindo dúvida.
– Vai fingir que não sabe meu nome agora? – falou ela brincando.
– Não – sorriu ele ao olhar para um tabuleiro. – Quer perder uma partida?
– Acho que não, eu quero ganhar – respondeu. – Accio – e um momento depois a mesa com o xadrez estava entre os dois.
Eles jogaram por mais de uma hora, então Gina olhou para o relógio na parede e faltava quinze minutos para às nove.
– Já é tarde, vou voltar pra Torre – disse levantando.
– É, eu também vou voltar – Draco também se levantou.
Então eles foram até a porta, Gina estava para sair quando Draco disse:
– Espera, tenha uma pergunta.
– Tá bom, fala.
– Por que a hora que eu estava saindo da sala e você me viu, ao invés de me chamar de Malfoy, me chamou pelo nome?
– Eu não sei – disse dando de ombros -, foi automático. Mas agora tenho que ir mesmo – Gina olhou para ele com um olhar pensativo, em dúvida, mas então ela fez uma coisa que ele nunca imaginou: o abraçou.
Ela tinha um abraço tão bom, Draco o retribuiu, colocando seus braços em sua cintura.
– Então tchau, Draco.
– Tchau Gina – respondeu sorrindo.
Ela se desvencilhou dele e saiu, deixando-o para trás com um sorriso bobo. Draco então resolver ir também. Quando estava no segundo andar, se encontrou com Hermione.
– O que você está fazendo por ai uma horas dessas, Malfoy?
– Não te interessa o que eu faço, Granger – respondeu seco.
– Você é patético – disse revirando os olhos.
– Não te perguntei nada! Agora sai da frente, sangue-ruim – disse ele desviando dela.
Não sei como Gina consegue ser amiga dessa sangue-ruim, ela é insuportável! , pensando nisso ele foi para a sala comunal. Quando chegou viu que ela estava cheia, avistou Blas e Pansy, como estava sem sono ele foi até lá para conversar com eles.
– Por onde andou Draco? – perguntou Blas.
– Por ai... – respondeu.
– Draco, você anda passando muito menos tempo conosco – disse Pansy passando a mão no cabelo de Draco. Ele, por sua vez, pegou a mão dela e tirou, ela pareceu não ter gostado muito disso, mas ele não se importava.
– É porque eu tenho mais o que fazer – respondeu ele.
– Então quer dizer que seus amigos são perca de tempo? – ela quase gritava.
– Eles não, você sim.
– O que? Eu não entendi o que quis dizer, Draco – ele não estava nem um pouco afim de ouvir Pansy reclamar então levantou para sair, mas ela o impediu. – Não, Draquinho, fica aqui, não vai embora.
– Olha só para você Pansy! Se humilhando – ele dizia com certo desdém na voz. – Você é muito grudenta e chata, faz muito drama, eu não quero alguém assim! – ao dizer isso ele se levantou e foi para o dormitório, Pansy já tinha começado a chorar, ele odiava essas coisas.
– Por que fez isso, Draco? – ele nem percebeu que Blas tinha ido atrás dele.
– Não fiz nada.
– Claro que fez! – ele cuspiu. – Você humilhou ela.
– Acorda Blas! Foi ela que se humilhou! – disse ele estourando. – Olha o que ela faz! Ela sabe que eu não estou nem ai pra ela e continua se humilhando, pensando que um dia eu vou querer ela.
– Mas mesmo assim! Você não deveria falar com ela desse jeito! Ela gosta de você!
– Mas eu não gosto dela! E você só fala isso porque VOCÊ gosta dela! – gritou ele.
– Eu não gosto não!
– Ah, não gosta? Então por que está sempre com ela? A seguindo como um cachorrinho?
– Eu não... tá, eu faço isso, mas ela nem nota! Não tá nem ai pra mim! Ela só pensa em você! – respondeu ele.
– Então faz ela pensar em você! Vai lá e se declara pra ela, agarra ela, sei lá – disse ele sentando na cama.
– Eu vou então – Blas sorriu e saiu do dormitório e deixou Draco sozinho.
Ele pegou um livro, mas sua atenção não estava nas páginas do livro, mas sim em alguém que estava em alguns andares acima: Gina Weasley. Ela sim, era alguém que não saia de sua mente
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