Um Brinde Para Nunca Crescermos.
1 Capítulo 1
Vila Oculta da Folha, uma grande cidade. E claro, como todas as vilas, temos seus altos e baixos. No momento a presidente Tsunade, não está se dando muito bem com os negócios da Vila, e anda muito irritada com o País do Fogo, deixando algumas ruas soltas por aí e sem os cuidados necessários. Ela pode parecer um monstro quando está irritada, consegue ter uma força inacreditável que destrói tudo, e assim, assustando metade dos cidadãos. Mas, ela não é sempre assim. Como toda mulher, tem seu lado doce, mas é com muito custo e dificuldade que ela demonstra isso. E para deixá-la pior que isso, temos Uzumaki Naruto e Jiraya, um garoto e um homem com capacidades incríveis de deixá-la explodindo de raiva.
— Eu estou pedindo dinheiro há mais de uma semana'ttebayo!
— Como quer que eu arranje tempo para você, Naruto?!
— Você é a presidente, você tem o tanto de dinheiro que quer e o tempo também.
— Dinheiro, Naruto? Ela perde o dinheiro apostando em tudo. — intrometeu-se Jiraya.
Antes que Naruto pudesse dizer qualquer outra coisa, foi arremessado da sala da mulher e sem que pudesse sequer se levantar do chão, Jiraya foi arremessado em cima dele. Tsunade não esperou nenhuma outra reação deles e fechou a porta em suas faces, deixando bem claro sua raiva.
— Por que ela sempre faz isso'ttebayo? — perguntou o loiro.
— Sinceramente, Naruto? Não sei. Sempre foi assim.
Os dois se levantaram do chão e emburrados.
Tsunade bancava todos os cidadãos da Vila que não possuíam a idade correta para começar a trabalhar, e que não tivessem nenhum familiar por perto também. Mandava a ANBU, polícia da cidade, entregar o dinheiro na porta da casa de cada um, e Naruto sabia disso, porém fazia questão de ir lá cobrar da mulher e deixá-la irritada.
O garoto possuía olhos azuis, um cabelo liso e espetado, com três riscos, um baixo do outro nos dois lados da bochecha, era visto como um garoto rebelde por toda parte. Mas isso não vem ao caso, afinal, todo adolescente é assim, pelo menos em Konoha. Naruto sempre foi solitário, os pais mortos e sem ninguém explicar nada sobre o que aconteceu, e de vez em quando, agiam como se ele não existia e quando agiam, tratavam-no como se fosse uma aberração. Ele cresceu com essa tristeza dentro de si, tentando chamar atenção de todos que podia, fazendo bagunça, irritando as pessoas e todo o resto. Mas com o tempo, Naruto cresceu. Conheceu pessoas que o mudaram e ficaram presentes em sua vida, ajudando-o no que precisasse. E vamos mencionar que Naruto era hiperativo ao extremo, gostava de gritar. Assim que estava na frente de sua pequena casa, olhou para o céu azul, depois para o Sol, e logo depois para a porta, abriu a mesma e adentrou aquele local que parecia estar de ponta cabeça; roupas e sapatos jogados pelos cantos, caixas de leite vencida, potes de ramen sujando o chão, a cama desarrumada e tudo o que se podia imaginar. Naruto passou por toda aquela bagunça como se não fosse nada e se jogou na cama, pensando em como seria voltar para a escola amanhã, depois de ficar quase duas semanas fora.
O Shopping de Konoha era um dos orgulhos da cidade, apesar de inaugurado há pouco tempo, por ser realmente uma obra grandiosa, não só da vila, como do País do Fogo e sendo assim se tornou um dos "points" de Konoha, em especial entre os jovens por conter diversas atrações. O mesmo havia sido planejado pela presidente do país, Tsunade, a qual possuía um grande carinho pelos estudantes.
— O Shopping ficou lindo, não, Sakura? — perguntou Ino.
— Ah, ficou sim. Tsunade-sama ajudou a fazer um belo trabalho. — concordou Sakura.
A pequena de cabelos coloridos sorriu, mas sem demonstrar muito interesse. Seu olhar era frio, sem muitas emoções. Era uma menininha fútil, mimada por seus pais, que portanto odiava quando não conseguia o que queria, quando seus objetivos não eram alcançados. Enquanto seus cabelos em um tom rosa pastel contrastavam com o verde esmeralda de seus grandes olhos, a pele branca, levemente rosada, a deixava com um ar angelical. Uma bonequinha, poderíamos assim dizer, especialmente por ser magra e delicada, com um sorriso meigo sempre em seus lábios rosados. Junto com sua amiga, era uma das meninas mais populares da Academia Estudantil. Sempre cheias de olhares. Sakura definitivamente era como uma das princesinhas de Konoha, junto com Ino.
— Ino, o que acha de eu usar aquele perfume Fahrenheit?
— Me poupe, Sakura, é masculino.
— O que tem demais? — perguntou, confusa — É tão...
— Bom. — completou a amiga — Eu sei, mas, vamos deixar isso para os homens.
Sakura deu de ombros, e as duas caminharam até a sessão de esmaltes.
Enquanto isso, na mansão Uchiha, tudo ocorria "perfeitamente bem".
— Espero que nos chame de novo, Sasuke-kun.
O garoto olhou as belas mulheres saindo do seu apartamento e apenas acenou, continuou as olhando até pegarem um taxi e irem embora de vez. Será que as chamaria de novo? Ou escolheria outras menos selvagens? Por que era isso que aquelas foram, simplesmente loucas na cama. Sasuke até gostou, na verdade, sempre gostou de garotas assim, que o deixavam totalmente cansado. Mas estava querendo mais calmas na próxima, fazer com mais tranquilidade, sentir melhor, às vezes era bom. Apesar de, realmente, preferir dar uns bons tapas na hora do sexo. Respirou fundo. Pensando bastante no que iria fazer naquele momento, e observando bem a situação, Naruto diria "Como pode ter essa sorte com mulheres e ainda não ligar? Você é um imbecil'dattebayo", riu disso. E era verdade. Sasuke não ligava para tantas garotas ao seu redor, já havia se acostumado com isso, mas, também sabia que se ficasse sem elas, iria ficar apavorado. Levantou-se da cama e se espreguiçou, o corpo do garoto era realmente de se deixar qualquer garota em cima. Foi direto para o banheiro, precisava de um banho, Sasuke estava cheirando a sexo. Também estava pensando nisso como se fosse o 8° pecado capital, se Itachi visse toda aquela bagunça no apartamento, ia ouvir altos xingamentos. Ligou o chuveiro e deixou que a água caísse sob seu corpo, estava meio morna, era uma sensação boa. Lavou seu cabelo negro e espetado, logo em seguida o corpo todo. Assim que terminou, saiu do banheiro, perfumado e...
— UCHIHA SASUKE!
Olhou desesperado pelo quarto e não viu ninguém, mas refletiu melhor na voz e pronto, quem ele menos queria que chegasse, chegou, seu irmão mais velho. Estava sem camisa e com a toalha enrolada em volta do pescoço, mas estava com shorts. Respirou bem fundo, tentando se preparar psicologicamente para o demônio em que Uchiha Itachi estava se transformando e tentando entrar no quarto, mas a porta estava trancada.
— Já vou abrir, nii-san. — disse com uma voz doce.
Assim que Sasuke abriu a porta, Itachi voou em cima do irmão mais novo. Os dois caíram no chão, Itachi por cima e segurando os ombros de Sasuke, batendo-o contra o piso. Estava mais do que furioso.
— VOCÊ É UM I R R E S P O N S Á V E L, UM INÚTIL. EU SAIO POR T R Ê S DIAS, E O QUE VOCÊ FAZ, SASUKE? O QUE VOCÊ FAZ? ME FALA! — berrava as palavras pausadamente, e a cada palavra ele batia o corpo de Sasuke no chão.
— Eu só queria aproveitar! — tentou se explicar.
— APROVEITAR ASSIM? SEU INÚTIL! INÚTIL!
Sasuke tentava sair de baixo de Itachi, mas em nenhum momento tentou encostar no irmão para ele sair de cima, sabia que Itachi tinha o quádruplo da sua força e apenas um soco, morreria.
— Wow gente! Que isso?!
Deidara, um dos amigos dos dois que moravam no mesmo apartamento, observava a situação, havia chegado da rua com Itachi. O garoto se considerava um artista, mas apenas fazia esculturas de argila, só que um mistério que ninguém entendia era que o garoto conseguia fazer suas argilas explodirem. Continuou olhando para os dois, achando a cena engraçada.
— CUSTA ME AJUDAR, DEIDARA-SAN? CUSTA? — gritou Sasuke, se contorcendo no chão.
— AGORA VOCÊ ME CHAMA COM "SAN" NÉ? SEU SAFADO! — falou, rindo alto.
— OUSE ENTRAR NISSO E EU TE MATO, DEIDARA. — retrucou Itachi.
Os dois garotos no chão começaram a rolar pelo quarto, um tentando parar e o outro querendo espancar.
— A arte... É uma explosão! — falou Deidara, saindo do quarto, aos risos.
— CHEGUEI!
Naruto estava deitado na cama, atravessado na mesma, com a cabeça pendurada e a mão quase encostada no chão, estava sonhando até, dormindo profundamente. Mas saiu desse sono ao escutar o "cheguei" de Jiraya em alto e bom som vindo da janela escancarada. O loiro capotou da cama, caindo no chão e se embolando nas roupas jogadas.
— QUAL O SEU PROBLEMA'TTEBAYO? — berrou Naruto.
— Uhh, vejo que te acordei, Naruto.
— NÃO, CLARO QUE NÃO. EU ESTAVA TREINANDO PARA MORRER.
— Já pensou se realmente conseguisse? — disse o homem, empolgado.
— Muito engraçado. — retrucou o garoto.
Jiraya pulou da janela para a cama, e da cama para o chão, que no caso, nas costas de Naruto.
— AHHH! ERO-SENNIN! SAI DE CIMA.
— Pare de me chamar de pervertido.
— Você diz como se não fosse'ttebayo.
— Mas eu não sou, só recolho informações sobre os lugares.
— SAI!
— Calma, não se altere. — riu.
Saiu de cima de Naruto e começou a perambular pela casa, observando aquela sujeira. Jiraya tinha um cabelo branco grande até as costas e bagunçado, tinha um físico ótimo para um cara de 50 anos. E sempre procurava ficar com mulheres mais jovens, ia normalmente em puteiros procurá-las e como sempre roubava dinheiro do garoto para pagá-las. Era conhecido por Jiraya, o Sannin Lendário. Não que ele realmente fosse isso, mas sim por suas grandes histórias nos livros em que publicava a cada mes, e nas histórias era visto como o "Rei dos Sapos". Um de seus enormes fãs era Hatake Kakashi, que comprava do homem antes que ele publicasse. Era alto, sempre andava com umas roupas grandes, se achando um sábio. Mas sua frustração era Naruto, que só o via como um velho pervertido.
— O que você quer?! — perguntou o menino, se levantando do chão.
— Oh, nada, só vim bater um papo.
— Até parece'ttebayo. — rebateu — Fale o que você quer.
Jiraya se virou para o garoto, com os olhos brilhando, pronto para pedir algo extremamente importante, querendo demonstrar que aquilo dependia de tudo na sua vida. Mas Naruto o interrompeu antes que ele começasse:
— Não vou ajudar você com a baa-chan.
O brilho dos olhos do homem desapareceram, e ele olhou Naruto com desgosto.
— É assim que você retribui todos os anos em que lhe ajudei? — perguntou, parecendo magoado.
— Pelo amor de Deus, Ero-Sennin! Todo mundo sabe que ela não te aceitaria'dattebayo.
— Mas que falta de esperança é essa?
Naruto revirou os olhos.
— Como quer que eu o ajude'dattebayo?
— Uhh, vai ajudar?
— Primeiro diga como.
Ele respirou fundo.
— Descubra primeiro o tamanho dos seios dela. — respondeu o velho, com um sorriso malicioso.
— O QUÊ?! — gritou Naruto.
— Qual o problema? Está na hora de você virar homem, sabia?!
— MAS ELA É COMO UMA MÃE PRA MIM, NÃO VOU OLHAR OS SEIOS DELA'TTEBAYO.
— É uma ordem, seu idiota.
— Me obrigue então. — Naruto cruzou os braços.
— O papai vai ter que te levar arrastado pelo chão?
— Você é um imbecil'ttebayo.
— Ah, então não ajude, mal-criado.
— OLHA O QUE O ERO-SENNIN TÁ ME PEDINDO!
Jiraya pegou uma das caixas de leite vencida e mandou no cabelo loiro de Naruto, acertando sem querer, na testa, deixando uma manchinha vermelha. Naruto voou para cima do velho, querendo arrancar cada fio de cabelo branco que ele possuía, e não era pouco. Jiraya ria da situação como um louco, mas ao mesmo tempo estava enraivecido por Naruto não o ajudar. Queria dar de presente um sutiã lindo para Tsunade, mas não sabia o número daqueles seios gigantes que ela tinha e isso o deixava louco.
— Pergunte à Sakura-chan! Elas são mais próximas, ela deve saber.
— Sakura-chan? Sua namoradinha?!
Naruto ficou parecendo um tomate ao ouvir aquilo, e isso o irritou mais.
— Ela não é minha namoradinha'ttebayo!
— Ohhh, não? E aquele pôster ali de uma mulher pelada e com a foto da Sakura no rosto?
O pôster estava atrás da porta do quarto do garoto, uma mulher com um corpo sexy e de biquíni, com uma foto mal recortada do rosto de Sakura no local do rosto da mulher.
— IDIOTA! — esbravejou o loiro, voltando a brigar com Jiraya pelo quarto.
Uma enorme pilha de papéis o esperava na sala dos professores. Eram relatórios, esquemas de aula e provas a serem corrigidas ou revisadas. Tudo estaria por conta de Hatake Kakashi, já que Kurenai havia pedido para que o rapaz a substituísse durante alguns dias nas aulas de História, as quais a mesma lecionava. Os fios de cabelo prateado eram bagunçados pelos dedos do professor enquanto ele se espreguiçava pelo corredor da Academia Estudantil. Aparentemente estava sozinho por aquele setor do prédio, e assim, abriu a porta da sala praticamente se arrastando. Em cima da mesa central encontrava-se a enorme papelada, e ao lado um embrulho escrito "Kakashi". Sua sobrancelha direita se arqueou, intrigado com o tal pacote. Quando finalmente caiu a ficha, era o traçado e letra de Jiraya, seu amado escritor e Sannin Lendário. "O novo livro", era só isso que vinha em sua mente. Em um pulo o professor já estava com o livro em mãos, abrindo-o com empolgação, mas ainda sim uma delicadeza invejável. Como se as folhas de papel fossem da seda mais fina, e precisassem de todo cuidado ao serem manuseadas. "Cheiro de livro novo." Ah, como amava esse cheiro. Em uma onda de prazer imensurável, sentou-se na cadeira e passou a lê-lo. Os olhos passavam pelas letras impressas com tamanha velocidade, que soava impossível alguém ler tão rapidamente. Era como se apenas estivesse olhando para as palavras, sem as compreender de fato.
— EU NÃO ACREDITO! Não! Isso é... FANTÁSTICO!
As palavras saíam de sua boca como se jamais tivessem sido pensadas antes de pronunciadas.
Mais algumas páginas eram avançadas, juntamente com os minutos, enquanto Kakashi deveria era estar era terminando seu relatório. Porém, para ele, era impossível resistir a qualquer uma das histórias de Jiraya. Era simplesmente uma tarefa inalcançável para ele.
— NÃO ACREDITO QUE O MESTRE DA SEDUÇÃO FEZ UMA COISA DESSAS!
Mais um comentário alto, como um trovão, era proferido junto de uma gargalhada. Porém, logo que se lembrava dos papéis que deveria assinar e revisar, o olhar melancólico de sempre retornava. Como se fossem duas personalidades em um homem só. Kakashi era conhecido por ser extremamente misterioso, pouco se sabia sobre a família dele. E era um dos melhores professores da escola, também uma incógnita para muitos, além de, obviamente, motivo de fantasia para algumas alunas. E para um aluno específico, assim como Jiraya, Kakashi era apenas mais um idiota pervertido.
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