Um Bordel Chamado Olimpo
3 [PRIMEIRA SAGA] Parte III/III: Mudanças
Notas iniciais
Quando a música eletrônica foi desligada e Gash subiu no palco foi recebida com uma onda de vaias e perguntas. "Cadê a Tata?", "Tata! Tata!" e etc. A furry nigga se dirigiu até o meio do palanque, pegando o microfone e batendo repetidas vezes com ele no ombro, causando uma série de barulhos altos e insuportáveis que fez todo mundo calar a boca.
— Agora que esfriaram um pouco esses traseiros pegando fogo, calem a boca e ouçam. — Disse a dona com muita educação. E pra complementar a muito refinada recepção, lambeu a mão. — A Tata sumiu.
Por um segundo, silêncio foi a única coisa. Como se estivessem todos processando as palavras que ela disse. E então, subitamente, todos se desesperaram, passando a gritar, correr e quebrar coisas.
— A Tata sumiu! A Tata sumiu! — Gritava um, chorando copiosamente. A gata conhecia, era o Emo. Ele chorava tanto que parecia um bebê e não demorou muito para ele se jogar no chão e encolher, soluçando e deixando que uma grande quantidade de agua escorresse de todos os cinco buracos que haviam em seu rosto.
Enquanto o pandemônio se alastrava, a gata só bocejou, entediada. Seus dançarinos e dançarinas estavam também em pânico, com medo de serem machucados por aquela confusão.
— EI, EU ACHEI A TATA. ELA TAVA PRESA NO ARMÁRIO. — Gritou Fr3 para ser ouvido, bem atrás da Gash.
Em troca, recebeu um chute na canela.
— Não grita no meu ouvido, porra. — Ela resmungou e então voltou-se para o publico. Tentou fazer aquele barulho de novo com o microfone mas a galera nem notou. Suspirou, irritada, então deu inicio a sua última cartada. — Nyaaaaaaan~! ♥
Imediatamente, todos pararam. E ficaram paralisados. Voltaram-se lentamente para a moça que voltara a lamber a pata, entediada. Eles se aproximaram, chorando.
— Que fofa! Que fofa!
— Pago o que for por você! Sua lindinha!
— Tão exótico~! ♥
— Calem a boca, idiotas. — Mandou, a voz felina ameaçadoramente fofa. E mais ainda os espectadores derreteram. — Droga, me ouçam. Caramba.
De fato, eles ouviam. Só não entendiam. Pareciam hipnotizados. E continuavam avançando, como zumbis assustadores, alguns já tentando subir no palco, babando.
E então Gash se viu empurrada pro lado e Fr3 tomou seu microfone.
— E agora, uma dança! — Gritou, soltando uma musiquinha em inglês no seu display. Começou então a remexer-se, com o cu pegando fogo. — ♫ Gash pedal, Gash pedal ♫
Todo mundo parou no mesmo instante, triste. O que tinha acontecido? Só se deparavam com um moço que dançava muito loucamente, ele não era um deus. E todos desanimaram. E a qualidade pelo qual pagaram?
— Sai daqui, seu merda! — Gritou a furry nigga, chutando o seu escravo com o salto sem nem um pouco de dó. Ele só caiu um pouco pra frente, então ela foi chutando e ofendendo ele até que esse caísse do palco. E todos que riam, ficaram preocupados. A gata voltou pro microfone e continuou. — Acalmem-se, ele está bem! ♥ Bem... Não, exatamente... Mas ele está vivo! ♥ Nyaaaan~!
E a coisa toda recomeçou. Hipnose, zumbis, baba e uma Gash sem saber o que fazer.
De repente, do teto, surgiu uma figura brilhante e purpurinada (em resumo, gay) que desceu graciosamente até parar bem na frente do microfone. Todos pararam de olhar para a gata-moça para ficarem vidrados naquele holofote ambulante (e gay).
— A Gash é indisponível. O motivo? Por ela ser tão boa que só pode ser tocada por deuses! Não há dinheiro que a compre. — Dizia, a voz firme e ainda assim, angelical. E então ela limpou a garganta e disse. — É isso! Toquem nela e terão um fim tão trágico que não acharão nem um fio de cabelo pra enterrarem! Se fodam ai! — Disse, beijando os dedos e mandando para a plateia, piscando em seguida.
A plateia só soube aplaudir, aturdida. E a figura sumiu em meio a uma explosão de purpurina.
— Agora, só pra avisar: acharam a Tata aspirador. Vai ter show! Então, sosseguem esses rabos e sentem! — Dizia ela, feliz por um motivo incompreensível. Ninguém lhe obedeceu, ficaram no mesmo lugar. — AGORA!
E tudo o que se ouviu foi passos rápidos e cadeiras sendo arrastadas.
— Mas, antes de ir... Por favor, alguém acode esse maluco que chorou tanto que até se mijou? — Pediu a dona, com tom de nojo. E como ninguém mais fez menção de ajudar o pobre Emo, Fr3 suspirou e o pegou no colo, todo mijado mesmo. — Leva ele pro Zoony. Acho que ele tem muitas fraldas geriátricas pra emprestar. — Disse, relembrando de como ele quase se mijara mais cedo. — Agora, que o show comece~! ♥
— x —
Todo o enorme salão tinha se escurecido e toda a atenção estava no palco, todos entorpecidos pelas luzes fortes que o iluminavam. Ali rodavam figuras luminosas com desenhos e holofotes de todas as cores que antes focavam-se nas gaiolas penduradas ao teto, onde antes dançarinas e dançarinos com pouca roupa sensualizavam, foram voltados ao majestoso elevado.
Lá havia um poste gigantesco, arranjado com brilhos que reluziam com os focos de luz. E do fundo do palco, por de trás das cortinas, surgiu uma moça de bonitos cabelos castanhos lisos, rosto de olhos puxados e roupas leves, sensuais, mas não muito a mostra. Tata vinha com um andar sensual, rebolando bem os quadris e mexendo os cabelos ao som da música "Fala Mal de Mim" da divina Ludmila (ao qual ninguém mais lembra quem é e vão tudo olhar no google).
As recalcadas tiveram um ataque, os rapazes estancaram e quem estava num meio termo entre eles — tipo Zooni -, fez os dois (o que gerou muitos ataques epiléticos seguidos de paradas bruscas). Tata se direcionou ao poste e então passou a dançar muito bem, como sempre, esfregando-se ao suporte e então, apoiando suas mãos nele, pode fazer manobras absurdas com o corpo que parecia uma gelatina de tão maleável.
Na primeira fila, seu fã número um — se não contássemos Gash — dava um lindo ataque fangirl: gritava e esperneava, ria e chorava, batendo os pés no chão com força e se abanando. Tata quase parou a apresentação para jogar seu sapato em Emo, ele as vezes a envergonhava — ok, quase sempre a envergonhava.
Apesar de ele ser o mais ridículo na matéria de aclama-la, todos ali o faziam. Muito dinheiro era arremessado no palco enquanto ela se apresentava, o público entorpecido pela Tata Aspirador, a puta mais cara. A mais aclamada. A mais, mais.
Logo Tata tinha terminado mais um belíssimo show, fazendo jus ao seu posto de puta mais cara do local. Todos berravam, imploravam por mais e Emo quase subia no palco para arrastar-se aos pés dela. Ainda bem que ele era rico para pagar por ela, se não nunca teria nem uma casquinha — ela brincava com isso, mas realmente curtia o fanboy maluco.
Ela antes de sumir para trás da cortina, mandou um beijinho no ombro para as recalcadas com todo sarcasmo, saindo enquanto fazia a coreografia da musica bem certinho. As moças que a invejavam ficaram para trás arrancando os cabelos de frustração e apenas isso. Quando chegava ao seu destino, notou que a segunda atração chegava. Ali estava Nemesis, entrando com seus olhos de fósforo verde escondidos pelos óculos e roupa zoada de cowboy, cheia de franjas. Mds, ele era muito noob na entrada. Mas por pouco tempo. Ambos fizeram um high five com pressa.
O poste de pole dance já tinha sido retirado e agora só haviam mais um suporte ali. Nemesis se dirigiu até ali enquanto dançava ao som de qualquer musiquinha sexual que tocava, dando umas requebradas, voltas e também fazendo passos de dança sensuais. Pois desde o último momento — onde dançara a lacraia -, ele seduzia as pessoas ali apenas de respirar.
Enquanto a música tocava, ele despia-se eroticamente. Primeiro a blusa de botões, que ele puxou com força até estes pularem para fora, então jogando a camisa para o lado. Depois os sapatos, com movimentos largos com os pés. E então a calça de vaqueiro, que ele puxou para fora apenas apertando o tecido na região das coxas.
As pessoas que estiveram envolvidas com o show de sensualidade então engasgaram. Embaixo daquele belíssimo tecido de pele de vaca, cheinho de manchinhas, havia uma calcinha. Mas não uma calcinha qualquer. Ela era feita de croche, toda branca com uma frase costurada na região da bunda — que era tão farta que a fonte alcançava o tamanho 100 facilmente. E esta era um lindo "Mamãe te ama, Nemesis".
Apesar de muitos continuarem curtindo o show, mesmo rindo, Gash não parecia nem um pouco satisfeita. Estava bem na primeira fila, lambendo a pata com calma, desdenhando tudo. Mesmo quando Nemesis começou a mexer os quadris para frente e para trás com uma das mãos na nuca ela não o olhou. Todas as moças já piravam, principalmente Fizzy que estava babando com a apresentação espetacular, a saliva escorrendo pela flor que tinha na boca.
Agora era hora do verdadeiro espetáculo. Nemesis apontou para a cabine de som e lá Lee se entendeu com os controles e então, de repente, um balde de arco-íris caiu do teto sobre o garoto. Quando ele reapareceu, não havia mais pele sem brilho, óculos escuro de iniciante ou corpo sem graça. Ali estava um rapaz de cabelos branquíssimos em corte emo, um corpo magricelo, pele branquinha e a maior cara de passivo.
Naquele momento, o povo todo parou de aclamar enquanto ele dançava. Todos estavam com cara de "wtf" pois do nada uma gata pulara no palco, miando alto e escandalosamente, agarrando-se as pernas do rapaz e falando coisas indecentes sobre comer sua bunda, como não o perdoaria e etc.
Imediatamente o barraco armou. Fizzy subiu no palco com dificuldade e então puxou a gata pelas patas afim de que ela o soltasse — pois ele era seu -, mas não deu muito certo... Ao fim, os três tiveram que sair depois que Fr3styles apareceu com uma grande placa escrito "Problemas Técnicos".
Todo mundo esqueceu o ocorrido rapidamente quando a música começou a soar de novo e os outros dançarinos a suas posições, os putos e putas a trabalhar. Mesmo que de longe conseguissem ouvir miados absurdamente altos.
— x —
— Durga! — Surgiu um rapaz de cabelos negros e bombado. Seus longos cabelos brilhantes batiam na cintura e ele vestia uma formosa manta da aristocrácia indiana. Tudo isso a fazia derreter. — Desista do Nemesis! Eu lhe darei um castelo, um império e meu amor incondicional. Mesmo as suas celulites, mesmo ao seu passado desastroso. Pois eu amo quando você dá pr- Pois eu amo você! — Consertou.
A moça de cabelos azuis apenas sentiu os olhos lacrimejarem, cheios de lágrimas. Ela estava cansada da vida de prostituta, ela já estava naquela vida a muito tempo. Finalmente ela tivera sorte naquela vida.
Num passe de mágica esqueceu que Nemesis existia e então pulou no colo do rapaz. Este saiu correndo do local enquanto ela ria muito, contente. Sumiram para nunca mais voltar e sua última lembrança era um escrito no espelho.
— x —
— "A culpa é toda do Nemesis, esse viado". — Ditou a gata com a voz esganiçada e felina. Todos estavam reunidos no camarim da dita cuja, pesarosos. — E agora, seu babaca, o que fazemos?
O rapaz recebeu um tapaço na cabeça da garota mas não deu a mínima. Todos ali choravam. Lee e Mad inclusive se abraçavam também, com Madness ainda atracado com a perna da cópia de coreano.
— Como fazemos com as orgias que ela fazia? Não tem ninguém pra fazer isso e vamos perder clientes preciosos se estas não acontecerem...
— EU FAÇO! — Gritou a Tigresa, pulando de um ponto qualquer com uma pose de heroína da Marvel.
— Você sumiu.
— Ah, é. — Imediatamente a figura ruiva/alaranjada sumiu.
Todos voltaram a chorar.
— POIS FAÇA VOCÊ, GASH. VOCÊ NÃO É A RAINHA DAQUI?
— JUSTAMENTE POR ISSO QUE NÃO E...
— Hm... Eu sugiro mandar o Kaka. Assim ele para de ser otário. — Disse Nemesis, num tom absurdamente venenoso. Agora ele vestia-se como um verdadeiro bad boy, mistura de Drácula e Alucard, evitando ataques da gata. Ele gostava do Kaka até descobrir que ele maltratava a moça Fizzy. — Todos de acordo?
Todos concordaram com um burburinho contente. O albino bombado apenas arregalou os olhos em resposta.
— Que Deus proteja a integridade do seu cu, porque nós não vamos. — A nigga ditou, surgindo para ele com olhos ferozes e maldosos. Chutou ele então para uma saída de lixo que levava para o quarto carinhosamente apelidado de "Aqui Cu Vira Boceta".
— x —
— Mas Tata, eu amo ela tanto que dói e blábláblá. — Chorava a pobre dona no colo da sua onee. Chorava mais ainda ao pensar no dinheiro que estava perdendo.
— Então porque terminou com ela? — "De novo", pensou enquanto dava um tapa na cabeça dela.
— Porque eu sou idiota! — Disse com miados sofridos.
Hime olhava o escândalo da moça com sofrimento, lá do balcão de caixa, onde também jogava IMVU. Ela nada falou quando a moça se ergueu com o rosto banhado em lágrimas e então apontou para si.
— EU AINDA VOU TE PEGAR NO FINAL DISSO TUDO, PODE APOSTAR!
E saiu correndo. Para então se trocar e deixar, pelo menos na aparência, o sofrimento. E arrasar com as cocotas e cocotos enquanto estava arrasada — e solteira e forever alone e desesperada.
Tata apenas fez um barulho estranho com a língua, como um tsc e então olhou para a ruiva que estava no balcão.
— Você são tão confusas que me dá vontade de socar a cabeça das duas na parede e chutar vocês até ficarem juntas de novo. — Comentou. — Na verdade, não dou um mês para vocês voltarem e então terminarem de novo.
Hime nada fez além de dar de ombros.
— x —
Fr3styles limpava o corredor, como lhe era ordenado, sendo o condenado que sempre era. Enquanto o fazia, de repente deu-se conta que o camarim da dona estava entreaberto.
Curioso, foi dar uma olhadinha pela fresta, surpreendendo-se com o que viu. Mas não por muito tempo pois a porta logo espatifou-se na sua cara quando a moça chutou a porta.
— TÔ DE VOLTA, BANDO DE PUTA. — Ditou ela, com imperiosidade. — E PRA FICAR. MUAHAHAHAHAHAHAHA.
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