Um Belo Errado

5 Talvez a Jade seja a Lolita de alguém!


Notas iniciais
Então, estou postando esse capítulo agora e devo postar outro mais tarde! Aproveitem a história!

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.” – Clarice Lispector.

You're taken over the beat of my body

You just don't let up, don't let up

You're taken over the beat of my body

But you lift me up, lift me up

If you could take my pulse right now

It would feel just like a sledgehammer

So close together

So far apart

You're turning me on

And my body's waiting for your spark

I struggle to contain

The love that's in my veins

And how it circulates

If you could take my pulse right now

It would feel just like a sledgehammer

If you could feel my heartbeat now

It would hit you like a sledgehammer – Sledgehammer – Fifth Harmony

O resto do dia passou como um borrão, não conseguia parar de pensar em Peter e no seu jeito estranho de me tratar, já tinha feito até uma suposição, talvez ele tivesse um irmão gêmeo que é incrivelmente maravilhoso, enquanto ele continua com seu muro de frieza inquebrável.

Dormi profundamente e por incrível que pareça acordei animada, me arrumei de forma decente para o colégio, saia lápis preta, blusa peplum vinho e um cachecol marrom como os meus sapatos de salto alto.

Caminhei para a escola porque eu não tenho um carro, aliás o único que tem um é o meu pai, porém o mesmo está trabalhando e não tem tempo nenhum para me carregar para baixo e para cima, então me conformo em caminhar para onde eu queira ir, cheguei a escola e como sempre os meninos do time de futebol me comeram com os olhos, sabe o que dizem sobre novatas serem tratadas como carne fresca? É a mais pura verdade, em meu antigo colégio não recebia metade desses olhares.

– Oi Jade! Não é seu aniversário, mas está mesmo de parabéns! – Cody, um loirinho bonito do segundo ano.

– E se eu disse que é o meu aniversário? Vai continuar me passando essa cantada barata? – Eu respondi parando e olhando em seus olhos azuis.

– Pra você, eu digo o que quiser ouvir, princesa! – Ele disse saindo sorrateiramente e eu revirei os olhos.

Entrei na sala 8, hoje eu teria aula de literatura com a senhorita Gabriela, a única professora estrangeira do colégio.

– Aguardávamos você Jade! – Ela disse simpática e eu lhe dei um sorriso em resposta.

Me sentei devagar e abri o livro.

– Hoje vamos falar sobre um clássico da literatura, alguém aqui conhece Lolita? – Ela perguntou e minhas bochechas queimaram, eu conhecia muito bem a história, mas o que me deixou intrigada foi a coincidência de Gabriela nos falar sobre Lolita justamente um dia depois de eu beijar um cara de 34 anos.

– “ Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. Meu pecado, minha alma. Lo-li-ta: a ponta da língua faz uma viagem de três passos pelo céu-da-boca abaixo e, no terceiro, bate nos dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã, um metro e trinta e dois a espichar dos soquetes; era Lo, apenas Lo. De calças práticas, era Lola. Na escola, era Dolly. Era Dolores na linha pontilhada onde assinava o nome. Mas nos meus braços era sempre Lolita.” – Gabriela leu um trecho do grosso livro que tinha em suas mãos.

– Alguém pode por favor comentar o que Nabokov quis expressar nesse trecho do livro? – Gabriela perguntou e ninguém respondeu, então eu resolvi falar algo.

– O personagem de Nabokov nada mais é que um apaixonado, o amor ás vezes nos prega peças e ao Nabokov escrever este trecho ele quis nos mostrar que ás vezes o que nos chama a atenção não é bem visto pela sociedade ou até mesmo repreendido, Lolita era uma menina, mas amava como uma adulta, para alguns ela era uma criança, mas para seu amado, ela era apenas Lolita – Eu disse e Gabriela me olhou com os olhos arregalados.

– Nossa Jade! Profundo! – Ela disse batendo palmas e o resto dos alunos me olhou com curiosidade.

– Seria a Jade, a Lolita de alguém? – Kelly, a peste da sala disse e todos caíram na gargalhada, e eu a fuzilei com os olhos.

– Kelly, não é hora de brincadeiras! – Gabriela a repreendeu e ela me jogou beijos, vadia!

O sinal para o intervalo finalmente bateu e eu fui logo encontrar Maria que me abraçou com entusiasmo.

– O que aconteceu? – Eu perguntei curiosa e ela sorriu de lado, no momento eu sabia do que se tratava, paixão com toda certeza!

– Amiga! O Toby quer ficar comigo! – Ela disse com os olhos brilhando, ela disse pra mim que gostava dele, mas não sabia que era tanto assim.

– Tá bom e você disse sim? – Eu perguntei e ela abaixou a cabeça.

– Então... eu não respondi, porque você sabe como meu pai é né? Se ele souber disso tenho certeza que mata o Toby! – Ela disse desanimada e eu fiquei com pena dela.

– Eu posso ajudar de alguma forma? – Perguntei

– Bem, você pode claro... meu pai gosta muito de conversar com você, então eu pensei... se você distraísse meu pai no andar de baixo... e eu o Toby poderíamos ficar sozinhos no meu quarto e não correríamos perigo de sermos pegos no flagra! – Ela disse e minha cabeça doeu só de pensar no tipo de distração da qual Peter aprecia, mas como o lema das melhores amigas é sempre, faça qualquer coisa pela sua amiga, eu resolvi aceitar.

– Tudo bem! – Eu respondi e ela me encheu de beijos.

– Sabia que podia contar com você, então hoje à noite você vai pra minha casa ok? Vou dizer que nós três vamos estudar, leve material escolar e coisas assim! – Ela disse eufórica e eu assenti ainda pensativa.

– Pera aí, você disse hoje? – Eu perguntei e ela me olhou com cara de “não acredito que está perguntando isso”

– Sim, é hoje! Ah já ia esquecendo, te amo! – Ela disse e sumiu na multidão de alunos sem me dar tempo de resposta.

– Eu também te amo, é por isso que aceito suas loucuras! – Eu disse pra mim mesma.

O noite de hoje prometia, disso eu tinha toda certeza!

Notas finais
Por favor responda nos comentários: Gostou do capítulo anterior? No que eu posso melhorar? Por favor me digam preciso saber!