Um Baile de Halloween Desastroso - Scorbus

2 Capítulo 2 - Uma Conversa em Família


Notas iniciais
Oi! Agradeço a quem deixou comentários e os favoritos no capítulo anterior. Aqui está o segundo, e ultimo capítulo. Espero que gostem. Bjs :D

A claridade do quarto era suave. As janelas estavam ligeiramente abertas, trazendo a brisa suave da manhã. Ao lado da cama, vasos com vários tipos de flores mágicas se agitavam levemente, mudando de cor conforme o estado emocional do paciente. Tinha sido uma técnica recente, importada dos Estados Unidos, para saberem como as crianças se sentiam.

Naquele momento, os cravos de Albus estavam de um tom lilás, significando que ele ainda não estava muito bem.

O odor típico do hospital entrou por suas narinas. Abriu lentamente os olhos, piscando várias vezes, tentando se habituar à claridade matinal.

Gemeu de dor ao sentir uma pontada nas costas. Havia um peso na cabeça, e tocou de leve, sentindo bandagens. Estava deitado em uma cama de hospital, o teto acima de si encantado com nuvens que se moviam preguiçosamente. Estava na ala infantil, todos os bruxos menores de idade tinham ir para essa área.

Aos poucos, se recordou o que tinha acontecido: o Baile de Halloween, o candelabro, os gritos, o toque desesperado de Scorpius. Tentou se mexer, mas soltou um gemido de dor.

— Você acordou. — Exclamou Ginny, aliviada, se aproximando de seu filho — Como se sente?

— Que aconteceu? — Perguntou, tentando se levantar. Harry correu para seu filho, o ajudando.

— Peeves decidiu pregar uma peça nos alunos. — Comentou James, que abraçava Lily com suavidade, ambos ilesos. Seu rosto revelava uma seriedade não muito comum para Albus e Lily tinha os olhos vermelhos de tanto chorar —Mas não correu muito bem.

— Eu...eu vou chamar os medibruxos. — Informou Ginny, saindo do quarto para que não a vissem chorar. Tinha sido uma das piores noites de sua vida.

Harry estava com ela em casa, sentados no sofá e abraçados, quando tinha sido chamado para uma emergência em Hogwarts.

Seu marido tinha pedido para que não fosse, mas ela tinha sido teimosa e tinha partido primeiro. Ao chegar a Hogwarts, tinha visto o caos, o que não via há muitos anos. Os estudantes agarrados uns aos outros, assustados e chorando. O choque e o desespero eram visíveis em todo o lado.

Com um peso no peito, tendo um mau pressentimento, tinha entrado no Salão. Ignorando as medonhas decorações, tinha olhado em volta e observado os professores relatando aos Aurors o que tinha acontecido.

Tinha visto James e Lily encontrados a uma parede. Pareciam ilesos, mas seus rostos demonstravam um desespero inexplicável. Tinha corrido até eles e os abraçou com força, enquanto perguntava por Albus e a resposta de sua filha a assombraria para o resto de seus dias:

— Está debaixo do candelabro. — Como se estivesse em câmara lenta, se virou e viu Scorpius Malfoy abraçado ao corpo inerte de seu filho, chorando, enquanto chamava por ele. Suas costas ensanguentadas estavam viradas para si e pode ver cravados os cristais do candelabro.

Tinha soltado um grito de desespero, quase desfalecendo nos braços de seu marido, que tinha chegado mesmo a tempo. Não tinha visto a palidez doentia de Harry, que se controlava para não correr até seu filho.

Os medibruxos tinham se dirigido até ele de imediato, Madame Pomfrey explicando o que tinha feito para o ajudar e o estabilizaram, antes de o levarem de urgência para o hospital.

Tinham visto Draco Malfoy se aproximando de seu filho, que não se tinha mexido desde a saída de Albus, e conversado com ele, antes de o levar para fora do Salão Principal.

Os Potters tinham se dirigido para St. Mungus e feito a ficha na recepção. Ginny tinha enviado Patronus à sua família, que tinham aparecido logo que souberam da notícia, ficando sempre a seu lado.

Passado uma eternidade, tinha aparecido um dos medibruxos responsáveis pelo caso de seu filho, lhes informando que Albus estava fora de perigo e que iria acordar durante as próximas horas, deixando-os mais aliviados.

Tinham ficado o resto do tempo ao lado dele, conversando sobre o que tinha acontecido. Harry e Ginny tinham ficado espantados por descobrirem que Albus namorava secretamente o filho de Malfoy.

Lily, que tinha ido buscar umas bebidas ao bar do hospital, tinha descoberto que Draco Malfoy tinha trazido seu filho para um check-up e que estava no quarto ao lado. Tinha descoberto que Scorpius estava em estado de choque, mas que as poções estavam fazendo efeito.

Ginny tinha decidido saber se Scorpius estava bem e tinha ido comprar um pequeno cheesecake ao mundo muggle, com a ajuda de Hermione. "Afinal, ele ajudou meu menino e talvez seja meu futuro genro." — Tinha pensado.

Ao entregar o bolo a Scorpius, reparando em sua palidez doentia, ele lhe tinha agradecido educadamente e perguntado se Albus estava bem. Ela tinha dito que sim, que ele só estava descansando e tinha pedido delicadamente para que ele comesse um pouco, para não ficar debilitado quando o fosse ver. Tinha ficado preocupada ao ver sua debilidade.

Scorpius tinha comido, sob o olhar espantado de seu pai, que lhe tinha dado todas suas comidas preferidas e ele não tinha tocado em nenhuma. Ao saírem do quarto, tinha agradecido a Ginny, que lhe tinha pedido para irem ver Albus depois de ele acordar. Iria ser bom para ambos, e Draco tinha concordado.

Albus, ao ver que seus irmãos estavam bem, queria saber de Scorpius, mas não sabia como perguntar sem que eles desconfiassem. Antes de perder os sentidos, se recordava do desespero de seu namorado. Só lhe queria dizer que estava bem.

Sua mãe entrou com os medibruxos, que o avaliaram, dizendo que não haveria sequelas, para alívio de todos. Antes de sair, um dos medibruxos, um idoso com ar de sabedoria, se virou para ele e comentou:

— Seu namorado está preocupado com você. Posso deixá-lo entrar? — Albus empalideceu, se encolhendo ligeiramente na cama. Ao ver o desconforto de seu filho, Harry falou:

— Ele pode entrar. — O medibruxo saiu e Albus murmurou, envergonhado:

— Pai...— Seu pai sorriu, para o acalmar. Albus não podia se estressar.

— Não se preocupe. — Comentou — A gente depois conversa.

Viram Draco entrando, com uma expressão tensa e, de seguida, Scorpius. Albus murmurou, chocado:

— Scorp? — Seu rosto estava com uma palidez doentia e seu cabelo loiro, sempre impecável, estava despenteado de tanto passar as mãos. Scorpius se aproximou, perguntando:

— Você está bem? Eu....eu pensei que.. — Scorpius não conseguiu continuar.

— Estou bem. — Disse Albus, tentando acalmá-lo — Não precisa de se preocupar.

— Graças a você, Scorpius. — Informou Harry, com seriedade — Se você não tivesse removido o candelabro de cima de meu filho, nesse momento a gente poderia estar chorando a morte de quatro pessoas.

— Harry! — Exclamou Ginny, horrorizada, mas Ron confirmou suas palavras, enquanto entrava no quarto:

— Harry tem razão, Gi. Peeves foi longe demais dessa vez. O Barão está furioso. McGonagall o está procurando pelo castelo. Acho que dessa vez ele vai ser expulso definitivamente de Hogwarts.

— E eles podem fazê-lo? — Perguntou James, espantado — Porque nunca o fizeram antes?

— Porque antes nenhum aluno quase morreu com suas pegadinhas. Peeves era como uma atração do castelo. — Comentou Ginny, inspirando fundo — O baile foi um desastre. Nunca pensei que Peeves tivesse coragem para fazer o que fez! Você poderia ter morrido!

— Foi uma pegadinha que correu muito mal. — Confirmou Ron, que continuou, olhando para Ginny — Todo o mundo quer entrar para ver Al, mas Hermione os está impedindo. Por causa de Malfoy.

— Obrigado, companheiro. — Agradeceu Harry e Ron saiu do quarto.

— Nunca pensei ver Weasley tão....educado. — Comentou Draco, cruzando os braços, parecendo confuso.

— As pessoa mudam. — Disse Ginny, se dirigindo para seu filho e afofando suas almofadas — Mas acho que você sabe disso.

Draco hesitou, antes de responder:

— Você tem razão. — Olharam os rostos apaixonados de Albus e Scorpius, que tinham entrelaçado suas mãos. James pigarreou e perguntou:

— Vocês não tem nada que contar para a gente? — Albus apertou mais a mão de seu namorado, que tinha o rosto tenso e revelou:

— Sim, nós estamos juntos. — Lily soltou um gritinho, entusiasmada, assustando os adultos, e exclamou:

— Eu sempre soube! — James grunhiu e ela exclamou, estendendo a mão para seu irmão — Me passe meus cinco galeões!

Procurando nos bolsos das calças, reclamou para seu irmão:

— Não poderia ter revelado no próximo ano? Me fez perder a aposta! — Entregou as moedas a Lily, que contou e pediu à sua mãe que guardasse dentro de sua bolsa. Seu vestido não tinha bolsos. E nunca tinha pensado em comprar uma bolsa que combinasse. Afinal, seria um simples baile na escola.

Estava linda, como uma princesa, uma trança descendo por suas costas e o vestido azul rodado. Usava uma maquiagem muito suave, que realçava sua beleza. Seria uma bela mulher.

O terno de James também lhe ficava muito bem, realçando os músculos desenvolvidos pelo Quidditch. Seu cabelo negro, tão despenteado como o do pai, estava com uma pequena camada de gel, para tentar que ficasse direito. Mas não estava funcionando muito bem.

— Vocês fizeram uma aposta sobre a gente? — Perguntou Albus, tentando não ficar chocado com a revelação. Eram seus irmãos, afinal. As apostas corriam nas veias dos Weasleys.

— Claro! — Exclamou Lily — James não acreditava que vocês iriam ficar juntos tão cedo, que iriam namorar depois de saírem de Hogwarts, por causa das fofocas.

— Malditas fofocas. — Desabafou James — A gente nunca se livra delas.

Harry observou seus filhos com tristeza. Se não fosse por ser famoso, seus filhos não passariam esses transtornos. Era naqueles momentos que odiava ser "Aquele que matou Voldemort". Se não fosse a profecia de Trelawney, poderia ter tido uma vida normal, e os pais a seu lado. Só queria sentir um abraço de seu pai e um beijo de sua mãe.

— Foi por isso que nunca contou para a gente? — Perguntou, tristemente — Por causa do que os outros iriam dizer? Por medo de serem aceites?

Albus acenou, sem conseguir responder, com um nó na garganta. Ginny se dirigiu para seu filho, se sentou na borda da cama, e falou:

— Meu amor, não importa o que os outros pensam. O que importa é sua felicidade. — Acariciou seu rosto — Você é meu filho e pode amar quem quiser.

Harry assentiu, de olhos marejados. Sempre tentaram dar a seus filhos uma vida normal. Mas Albus estava receoso do que os outros pudessem pensar, não em sua felicidade.

Ginny se virou para Scorpius e agradeceu:

— Obrigada por ter ajudado meu filho. — Ela o puxou para si, o abraçando. Draco observou como a expressão temerosa de seu filho se desanuviava com o toque feminino. Parecia um abraço de uma mãe. Suspirou, percebendo o quanto uma mãe fazia falta na vida de seu filho.

— Fiz o que precisava de fazer. Não podia deixá-lo ali... — Scorpius conseguiu falar, sentindo o calor do abraço de Ginny. Então, era assim o abraço de uma mãe? A sua tinha morrido há muito tempo, vítima de uma maldição de família. Seu pai nunca quisera casar novamente, nem tinha irmãos para partilhar sua dor.

Draco pigarreou, tentando controlar sua emoção e comentou para Harry:

— Parece que a gente vai ter uma pequena conversa, Sr. Potter.

— Pai... — Scorpius começou, preocupado, mas Draco o interrompeu, dizendo:

— Não estou bravo por ter escondido seu relacionamento de mim, Scorpius. — Scorpius respirou fundo, aliviado — Mas eu e o Sr. Potter precisamos de conversar. Será sobre muita coisa, e não só sobre vocês. Você não precisa de se preocupar com o que vossos pais querem. Só precisam de cuidar um do outro.

Albus piscou os olhos, sentindo as lágrimas querendo sair.

— Obrigado, Sr. Malfoy. — Agradeceu, com sinceridade. Lily se aproximou do casal e, com um sorrisinho travesso, cutucou o braço do irmão.

— Isso significa que Scorpius é meu cunhado agora? — Comentou, com uma expressão inocente e Scorpius gaguejou, envergonhado. Albus riu com sua reação. James revirou os olhos e os adultos soltaram uma risada.

— Vamos beber um café? Tenho certeza que Albus e Scorpius querem matar saudades. — Convidou Ginny, inocentemente, ignorando o grito ultrajado de Albus:

— Mãe! — Puxou os filhos para fora, ignorando suas reclamações. Draco e Harry trocaram olhares, divertidos, mas a voz de Ginny ecoou no corredor:

— Harry! Malfoy! Embora, agora!

— Sim, senhora! — Exclamaram e saíram rapidamente do quarto. Albus e Scorpius soltaram umas risadas ao verem o respeito que ambos tinham a Ginny.

Ao ficarem sozinhos, Scorpius apertou a mão de Albus com mais força, não querendo soltá-la tão cedo.

— Quando eu vi você debaixo daquele candelabro, o sangue escorrendo... — Confessou — Tanto sangue, Al! Senti tanto medo! Eu....eu pensei que fosse te perder... — Sua voz falhou e Albus virou o rosto, encostando sua testa na dele e tentou sossegá-lo:

— Está tudo bem, meu amor. Não pense mais nisso. Acabou. — Tocaram no rosto um do outro, antes de trocarem um beijo apaixonado, ignorantes de como os cravos no vaso ao lado começaram a brilhar em tom de rosa suave. Tudo ficaria bem.

FIM


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