Um Anjo Para Chamar De Meu
1 Prólogo
Notas iniciais
Os olhos do garoto não acreditavam no que tinham visto. Sua amada estava ali jogada no chão com o corpo imóvel e todo ensanguentado, sem sequer um misero sinal de vida.
O carro cujo havia a atropelado, estava fugindo sem prestar socorro.
— Natália – O pobre garoto correu a seu encontro e tentou pegá-la em seu colo. Ele estava em choque.
Colocou sua cabeça perto do nariz da garota, procurando algum sinal de vida. E para sua surpresa e alívio, ela ainda estava respirando.
— Fique viva, meu amor. Fique viva – Ele suplicava. Ele a amava com toda a alma, e não suportaria se ela partisse.
Apalpou seus bolsos em busca de seu celular, até que o encontrou e discou rapidamente os números da emergência. Passou todas as informações a atendente e ela lhe disse que a ambulância já estava a caminho do local.
— Eles já estão vindo – Ele tranquilizou a menina, que ainda estava com seu corpo imóvel no chão. Ela abriu seus olhos lentamente e o fitou.
— Você vai ficar bem, só não se mova – Ele a alertou.
— Nunca se esqueça Will, eu sempre irei amar você – Ela disse com um fio de voz, ele teve que se concentrar muito para poder ouvir.
— Eu sei meu amor. Mas descanse, você ainda vai poder me dizer isso por muito tempo.
— Não vou, nós sabemos que não vou – Ela insistiu. E nesse momento, Will já não conseguiu segurar suas lágrimas. Ele praguejou o máximo que pode, pois sabia que tudo isso era sua culpa.
— Desculpa. É tudo minha culpa, se eu não...- Ela o interrompeu.
— Nunca mais diga isso – Sua voz falhou por um momento, ela estava tão cansada... – Eu nunca irei me arrepender do que vivemos, esse pouco tempo valeu mais do que a minha vida inteira. Só me prometa que tentará ser feliz- Ela tocou o seu rosto, limpando as lágrimas que ali desciam.
— Você sabe que não vou conseguir – Ele respondeu, levando sua mão junto à dela, segurando apertado. Ele nunca iria esquecer a sensação de como era segurar as mãos dela, as mãos que por tanto tempo ele desejou segurar.
— Vai sim. Só me prometa, eu preciso disso – Ela fechou os olhos por um instante, tentando ganhar forças para aguentar só por mais alguns segundos.
— Eu prometo. Vamos, acorde Natália. Você não pode me deixar – Ela abriu os olhos apenas para proferir suas ultimas palavras:
— Eu amo você, Will – E depois disso, seu coração parou por completo.
Will desabou no chão, estava destruído, tanto por dentro quanto por fora.
Ele nunca se perdoaria, colocou seu desejo a cima da sua responsabilidade, e agora sua amada estava morta. Ele a amou tanto, que desistiu de tudo por ela.
Quando a ambulância chegou, tarde de mais, foi confirmado que já não havia mais vida no corpo da garota.
Will deixou o local sem olhar para trás. Ele não queria ver Natália nessa situação, ele só queria ver ela rindo de alegria mais uma vez. Aquele riso que tanto o cativou.
Ele nunca imaginou que um humano poderia causar esse tipo de confusão em sua vida. Logo ele, que era tão centrado e gostava tanto do que fazia.
Mas ele desistiu de tudo, desistiu do seu bem mais precioso por ela, pois agora ela seria seu bem precioso. E por aquele curto espaço de tempo, ela foi. Mas agora ela estava morta.
Durante o caminho de casa, ele deixou-se vagar para aquele dia novamente, aquele dia que tanto lhe causou horrores e pesadelos durante a noite.
— Esse tipo de prática é totalmente ilegal, Will – Disse Miguel.
— Eu sei. Mas se você pudesse sentir tudo que eu sinto por ela, talvez me entendesse – Will respondeu de cabeça baixa. Ele não sentia vergonha dos seus sentimentos pela pequena garota. Mas estando de frente com um arcanjo, ele sentiu que falhou com o seu trabalho.
— Eu nunca entenderia porque não me deixo levar por tais coisas. Entenda Will, nossa missão é muito maior do que sentimentos mundanos. Espero que você entenda sua punição, apesar de que eu acredito que no momento, é tudo que você mais quer – Will assentiu. Ele estava triste por perder suas tão preciosas asas. Ele adorava voar, mas seria um sacrifício válido, ele estava disposto a abrir mão.
Miguel pegou as assas de Will e as arrancou com as próprias mãos sem dó. O único som do local foram os gritos de dor, sentido pelo anjo em sua frente.
As grandes asas foram jogadas de lado, no chão.
As únicas coisas que Will carregaria com sigo da antiga vida a partir de agora, eram suas lembranças e enormes cicatrizes no lugar onde suas asas costumavam estar.
— Aproveite enquanto pode, Will – Avisou Miguel – Pois sua felicidade ao lado dessa garota, durará menos do que você pode imaginar.
— O que? – Will não entendeu as duras palavras do arcanjo.
— Você costumava ser o anjo da guarda de Natália, mas agora ela está desprotegida.
— Não, ela precisa de outro anjo – Will protestou. Não era justo que ela perdesse sua proteção divina porque ele desistiu de ter suas asas.
— É assim que as coisas são, Will – O arcanjo empurrou-o do céu, e ele caiu na terra, sem suas asas.
Notas finais
Me contem nos comentários.
Beijos e até o próximo capítulo ♥
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