Um Amor que Cura
15 Promessa de Amor
Notas iniciais
Adélia acordou envolvida nos braços de Alberto e foi só se mexer que ele a encheu de beijos.
–Bom dia minha linda. -a voz rouca dele a deixava arrepiada.
–Bom dia. -Adélia se enrolou no pescoço do rapaz.
–Dormiu bem?
–Muito... e você?- Adélia olhou para ele com seus olhos enormes e um sorriso tímido, Alberto não resistiu e a beijou.
–Eu... Dormi... Maravilhosamente...- ele intercalava as respostas entre os beijos.
–Que bom, eu também dormi maravilhosamente.
–E hoje?- Alberto perguntou dando um beijo na testa dela e a apertando mais junto ao seu corpo.
–E hoje oque?
–Temos que começar nossa lua de mel!
–É um pouco tarde não acha? -sorriu delicada.
–Nunca é tarde para o amor Adélia. Vamos levante-se vou mandar avisarem que o restante da semana não trabalharei...
–O restante da semana?- Adélia riu da animação dele.
–Sim e será muito pouco para comemoramos. –Ele disse dando um último beijo nela e se levantando.
Adélia observou o marido e sentiu-se feliz, vencer seus anseios a colocou num lugar onde jamais esperava estar.
–E onde vamos? – ela se ajeitou sentando na cama.
–Surpresa...
–Ah não, eu quero saber!
–Que esposa curiosa eu arrumei. –ele sorriu. –Vou organizar umas coisas e volto logo, nem pense em fugir mocinha, nossa lua de mel está só começando.
***
Algumas horas depois Alberto já tinha providenciado tudo com a ajuda da irmã, ele iria com Adélia para um chalé no interior, estava tão empolgado com a noite anterior, queria levar ela a um lugar especial aproveitar cada segundo. Quando entrou no quarto ela estava pronta e linda como sempre.
–Oi, já posso saber onde vamos? –indagou curiosa.
–Não, será uma surpresa! –Disse a abraçando e a beijando.
–Eu não gosto de surpresas!
–É eu sei bem... Mas essa será maravilhosa!
–E já avisou Joana? Coitada anda as voltas com a neta, vai ficar feliz com o descanso.
–Na verdade eu não tive tempo de avisar, mas ela está lá na cozinha arrumando algumas coisas.
–Ah, então vou falar com ela.
–Ótimo! Diga que após o almoço partimos e voltamos só domingo a tarde, e que ela pode ficar esses dias todos em casa, a arrumadeira pode vim a dar uma organizada por aqui, mas ela deve cuidar da pequena.
Adélia, sorriu, com certeza nunca havia sorrido tanto quando nessas últimas horas.
–Você é um marido incrível, já te falei isso hoje?
Alberto também sorrindo a enlaça ela cintura assumindo um ar brincalhão.
–Nem hoje nem nunca eu acho!
–Oh céus, que esposa relapsa! Então vou te dizer todos os dias começando agora: Alberto, você é um marido incrível!
Ela o puxou ousada, para tomar conta de sua boca com um beijo urgente.
–Eu te amo Adélia! -ele falou ainda com os lábios colados nos delas e soltando repetiu. -Eu te amo muito!
Adélia sentiu-se plena mas não retribuiu o “eu te amo”, pelo menos não com as palavras que saem da boca, mas com as que tinha no coração sabia muito bem o que sentia.
***
Na cozinha Joana se encontrava inquieta.
–O que aconteceu Joana, está parecendo aflita! — Adélia se preocupou assim que a viu.
–Ah menina, problemas e problemas só isso... Mas você minha criança, está com os olhos brilhantes, aconteceu alguma coisa aqui que eu ainda não sei?
–Ah, Joana! Joana você é como se fosse minha mãe, minha mãe de verdade, e eu tenho um amor por você como não tenho por ninguém na minha família...
–Menina eu te digo a mesma coisa...
–Quando me apaixonei por Joab, você me aconselhou que esse amor não me faria bem, pelas diferenças mas não me julgou...
–Claro querida, cada uma sabe das suas escolhas... O que está querendo me contar Adélia?
–Joana, eu nunca vou esquecer o que vivi com Joab, e nem apagar aquele amor, mesmo com todo o sofrimento que gerou... Mas de algum modo hoje sinto algo muito maior... – Adélia segurava as mãos de Joana entre as suas, com os olhos marejados.- Sinto que estou apaixonada novamente.
Joana abriu um sorriso enorme entendo na mesma hora do que se tratava.
–Por Deus! Até que enfim!
–Joana? — Adélia ficou intrigada.
–Minha menina, tenho rezado para que seu casamento não fosse um tormento desde que anunciaram o dito noivado... Queria que se livrasse da dor que sentiu e fizesse uma nova história... Porque a vida não é só uma e sim várias histórias que vamos escrevendo e vivendo, você sabe melhor que eu, uma negra sem instrução.
–Cale-se Joana! Para mim não existem diferenças de raça, cor, classe social ou formação entre nossa relação! Sabe Joana, não existe classificação para enquadrarmos o amor... Nem podemos medir, só sentir. Eu sei que reza por mim, mas fico receosa do que sua irmã diria se soubesse que estou amando Alberto.
–Filha, minha irmã é uma mãe que perdeu um filho, para isso não existe remédio, nem o tempo cura... Não existe como substituir um filho... Mas você querida, você é jovem, não pode encerrar sua vida, se entregou aquele sentimento de corpo e alma, mas o destino quis que não fosse uma história feliz, mas eu sei que Joab não faria diferente, se ele soubesse o final, mesmo assim não mudaria nada.
–Ah Joana, falar dele ainda dói. — a moça enterra o rosto no peito da negra em busca do abraço tão carinhoso e conhecido trocado nos momentos mais dolorosos.
–E essa agora, não está feliz?
–Estou! E muito feliz! Mas parece errado...
–Errado é não abrir seu coração quando o de Alberto já está tão escancarado. E saiba que eu sou a que mais torci para que você se entregasse a seus sentimentos!
Adélia sentiu-se liberta de sua carga de culpa, uma culpa que não merecia carregar.
***
Depois de encaminharem tudo Alberto e Adélia partiram, felizes com a promessa de um amor que se inicia cheio de boas perspectivas.
***
Na capital
Uma velha senhora abre a porta do quarto onde a doente agoniza. As paredes brancas do hospital já observaram muitos partirem sem ter a quem dar um último olhar.
–Onde ele está? – a enferma diz num voz agoniada.
–Está a caminho, parece que chega a noite.
–Quero vê-lo!
–Acalme-se! Ele chagará quando tiver que chegar, agora descanse.
Ela se agitou um pouco mas com efeito do remédio recém-aplicado, logo adormece, seu sono sempre era muito inquieto e por vezes chamava o amado, mas a velha temia que não desse tempo para o reencontro.
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