Notas iniciais
-Alberto resolve mostrar que se importa realmente com Adélia e que pretende conhecer melhor essa mulher! Boa leitura!!! ;)

Na casa da madrinha Adélia conversava sobre voltar a estudar e recebeu criticas duras de sua mãe, que estava a passeio lá. Acabaram brigando e ela foi para casa chateada, mas decidida. A noite durante o jantar resolveu iniciar uma conversa.

–E como foi seu dia?

–Foi interessante… -Alberto ficou feliz com a iniciativa dela em puxar conversa.

–Interessante como?

–Tem um projeto novo para uma barragem no interior, e estamos vendo quais as possibilidades, fomos a campo medir e começar a desenhar… — Alberto era um ótimo engenheiro como o pai e amava o que fazia, seus olhos brilhavam enquanto ele ia explicando o esquema de planejamento da barragem. -Nossa acho que me empolguei demais né, devo estar te entediando.

–Não, achei ótimo escutar você falar, apaixonado por seu trabalho.

–Quando eu for conferir a obra vou te levar junto pode ser?

–Sério, eu posso?

–Claro que pode é minha esposa não é?

Adélia notou o olhar intenso que ele lhe dirigiu.

–Então hoje mais cedo você falou sobre eu fazer alguma coisa…

–Então pensou?

–Pensei e resolvi voltar à escola técnica acho que com poucos meses consigo me formar. As aulas são pela manhã, ainda vou ter bastante tempo para organizar a casa com Rejane à tarde, e se fosse possível gostaria de fazer umas aulas de pintura com minha prima. São duas tardes por semana.

–Claro que é possível, quero que você faça o que quiser.

–Obrigada Alberto. – Adélia pousou a sua mão sobre a dele em cima da mesa. –Você nem imagina o bem que isso vai me fazer, sempre quis cuidar dos outros, por isso resolvi fazer a escola técnica.

Alberto sentiu seu corpo todo tremer ao sentir o toque suave dela, e escutar suas palavras reveladas numa voz doce e carregada de sentimentos não pode evitar o pensamento de como seria ter ela em seus braços e sentir suas carícias e o gosto do seu beijo.



***

Mais tarde depois de organizar a cozinha e dispensar a empregada, Adélia encontrou Alberto na biblioteca escutando música.

–Gosta?

–Sim adoro música clássica.

–Então sente-se aqui comigo que vou servir uma taça de vinho.

Adélia sentou-se na poltrona ao lado da do marido enquanto ele servia a bebida.

–Sabe quando eu tinha uns quinze anos eu adorava tocar essas peças no piano.

–Piano, nossa cada dia descubro uma nova coisa sobre você. Hoje ainda descobri seu interesse por pintura…

–Ah são coisas de mulheres que não podem ter uma profissão estimulante como a dos homens.

–Eu sei é uma pena que as mulheres não possam escolher suas profissões como os homens, mas enfermagem ainda é uma boa opção… ou a não ser que você queira ser outra coisa… Talvez uma romancista?!

Adélia ficou inquieta e levantou-se.

–Do que você está falando.

–Calma Adélia! Não quero que você se ofenda, mas quero que tenha conhecimento que se você quisesse ser uma escritora te daria todo o apoio, ainda mais se todos os teus escritos são tão impecáveis quanto o livro que está lendo para mim.

–Não sei do que está falando, eu vou me deitar. -Adélia largou o copo e saiu da sala.

No outro dia Adélia foi à escola técnica e começou os preparativos para na semana seguinte retomar os estudos. Quando chegou em casa, Rejane a esperava.

–Senhora que bom que chegou. — ela torcia o avental entre as mãos.

–O que aconteceu mulher? Que ansiedade é essa?

–Chegou uma encomenda do senhor Alberto está na biblioteca. -

–E o que é?

–Não sei está com um pacote de presente e diz que é para senhora.

–Para mim?

–Sim! Venha- Rejane a puxou pelo braço, fazendo Adélia se apressar.

Na biblioteca encontrou a tal caixa analisou e viu que era alguma coisa pesada.

–Abra senhora.

–Que isso Rejane está mais curiosa que eu. — ela riu da empregada que só faltava saltitar.

Adélia abriu a caixa e encontrou uma máquina de escrever. Ficou paralisada.

–Uma máquina de escrever?!

E com um bilhete de Alberto escrito por ele mesmo, Adélia admirou o contorno das letras no papel e passou os dedos delicados pela caligrafia enquanto lia encantada.



As mais lindas histórias estão dentro de nós mesmo… Conte-me as suas!

Com carinho Alberto



A moça ficou emocionada.

–Senhora, chegou também um convite para um jatar na casa de sua mãe amanhã à noite, e ela pediu para que eu fosse logo cedo para ajudar nos preparativos.

–Sim Rejane, pode ir obrigada. — Adélia retirou a máquina da caixa e colocou na mesa, Alberto realmente estava conseguindo ser um homem muito especial.



***

A noite no jantar ela agradeceu o presente.

–Acho que eu nem merecia algo assim, afinal ontem fui tão arrogante. — na noite passada havia subido e deitado e fingido dormir mesmo quando Alberto chegou e pediu desculpas ela fez que nem escutou.

–Na verdade eu é que não mereço seu agradecimento, porque na verdade estou tentando obter benefícios com esse presente.

–Benefícios?

–Hora, quero garantir minha boa noite de sono para sempre, afinal ontem descobri que ao contrário de antes que com a luz não conseguia dormir, agora é a falta de sua voz que tira meu sono.

Adélia ficou envergonhada pelo elogio.

–Me desculpe por minha atitude na noite de ontem, eu não sei, fico tensa ao falar sobre isso…

–Sobre ser uma ótima escritora?- ela ficou em silêncio. – Adélia!- Alberto pegou a mão da moça entre as suas por cima da mesa. -Não se menospreze por favor, sua história é linda.

–Não é isso… -ela olhou para as suas mãos entrelaçadas. -Eu escrevi a história, mas não queria divulgar isso a mais ninguém entende.

–Sim, mas eu por pior que isso seja eu sou seu marido, e pode confiar em mim. E eu tenho certeza que em outras coisas escritas que não são tão carregadas de lembranças ou sentimentos.

Adélia apertou a mão dele e sorriu.

–Não é nada ruim você ser meu marido, na verdade você tem sido ótimo. E eu adorei seu presente assim que escrever alguma coisa vou ler para você.

–Obrigado. -Alberto largou a mão dela mais ficou olhando em seus olhos profundamente.

Notas finais
Aiii que fofo esse Alberto gentem *-* Beijos