Um Amor de Verão
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Capítulo 2
Anteriormente em “Um Amor de Verão”:
– Oi Edu. Preciso falar com você.
– É Luiza, eu preciso falar com você também. – falou de forma grosseira.
– Tá, mas não precisa ser grosseiro. Estou falando com você numa boa.
– Ok, quero terminar com você, Luiza. Não tá dando certo e aqui tem meninas mil vezes mais bonitas e legais que você.
– Uau. Como você é um cavalheiro. – falei ironicamente. – A melhor forma de terminar com alguém é chamar ela implicitamente de feia, concordo.
– Dane-se, estamos acabados. Tchau. – e desligou.
Confesso que não era bem isso que eu esperava. Pensei que eu iria falar coisas como “eu ainda te amo, mas não está dando certo” ou até “precisamos nos libertar” e até mesmo “só quero que você possa ser feliz”. Pensei que ele iria até chorar e eu também, mas pelo visto chorar não era algo que passava por sua cabeça.
Só que passava pela minha. E logo depois que ouvi o barulho do telefone desligado, algumas lágrimas acabaram caindo e atravessando meu rosto. Afinal, eu não queria que tudo acabasse em 25 segundos, com um dane-se no final. E acho que meus amigos também não, pois fui surpreendida por Sofia, Paula e Bella no meu quarto.
– Ei, não precisa chorar. – disse Sofia correndo até meu encontro. Aí mesmo que eu comecei a chorar descontroladamente. É algo intuitivo, alguém fala “não chora” e a vontade de chorar vem com força total.
– Ele foi um mega babaca comigo, vocês tinham que ter ouvido as coisas que ele falou. – falei em meio de soluços.
– O que ele disse? – perguntou Bella, a menos sensível.
– ISABELLA! – e aí ela foi repreendida por Sofia e Paula.
– O que? O cara não é um babaca? Agora é nossa chance de detonar com tudo que ele fez e disse. – disse, tentando se explicar.
– Primeiro eu liguei pra ele, dizendo que precisava falar com ele. E ele veio todo com “é, preciso falar com você também” da forma mais escrota possível. Tipo SUPER babaca. E eu falei para ele que ele estava sendo babaca, mas ele falou que queria terminar porque na escola dele há meninas mais bonitas e legais do que eu.
– Com certeza, parece o Warner de Legalmente Loira misturado com o idiota do Mr. Big de Sex and the City. Eu nunca aprovei a Carrie ter ficado com esse mané. – disse Sofia usando seus conhecimentos de namorados babacas da ficção.
– É, o pior é que nem na ficção tudo é perfeito. Tem MUITA coisa perfeita, mas não é 100%. A verdade é que sempre vão ter uns idiotas na nossa frente e devemos tomar uma decisão. Ou sofrer por ele ou passar por cima desse obstáculo que fica bem no meio do caminho da felicidade. – disse Paula.
– Que isso, filosofou. Palmas para essa belíssima frase que merece estar no nosso livro de Filosofia. – disse Isabella e então batemos palmas para a nova filósofa, entre várias risadas. É por essas e outras que amo minhas amigas.
– Ai gente – choraminguei – eu quero um namorado legal! Eu quero um Noah de Diário de uma Paixão que me escreva 365 cartas de amor. Ou um Landon que case comigo mesmo eu estando com leucemia ou um Damon de The Vampire Diaries, porque ele é o Damon e ele é perfeito.
– Vira essa boca pra lá, garota. Fica falando de doença, ai você pega a bendita doença e pra piorar, não vai vir nenhum menino pra sua porta querendo casar com você. – disse Isabella sendo insensível novamente.
– É verdade amiga. Isso foi insensível – disse Sofia jogando uma almofada na cara de Bella – mas temos que encarar que caras como Noah, Landon e Damon só existem na ficção e o que sobra pra gente nessa bendita cidade são os meninos da escola que não são nada bonitos.
– Ah gente, fala sério, o Daniel é um gato. – disse Paula.
– O QUE? – perguntei espantada – Desde quando você tem uma queda pelo Dani? Ele é... O Daniel!
– Desde que ele começou a ficar um gato! Você foi a única que não percebeu porque só tinha olhos para aquele mané. Mas ele começou a frequentar a minha academia, usa lentes, tirou o aparelho e agora ele tá cuidando daquele cabelo loiro dele.
– É verdade amiga, mas não o acho tão gato assim. – disse Isabella – O Matheus, amigo do Dani, é mais bonito. E para melhorar: ele é mais alto que eu!
– Eu devo estar cega ou algo parecido, não acho nenhum dos dois bonitos. Nem ele nem o resto dos amigos do Daniel. E o Daniel não é nem um pouco gato, para mim ele sempre vai ser meu companheiro da meleca do maternal. – expliquei, ainda incrédula por todas estarem falando o quanto nossos amigos são bonitos. – Você não concorda comigo, Sofia?
– Na verdade, eles são até bonitinhos. – ela falou se escondendo por detrás de uma almofada, com medo de eu atirar a almofada que estava no meu colo na cara dela.
– Quem é bonitinho?
E todas nós fomos surpreendidas por Daniel, Matheus e Arthur no meu quarto.
– O que vocês estão fazendo aqui? – perguntei tentando ajeitar o meu cabelo todo bagunçado pelas almofadas que foram atiradas contra minha cabeça.
– A gente veio te dar apoio moral. – falou Daniel. – Mas pelo visto você já está tendo bastante apoio das meninas.
– É... Mas sentem aqui... A gente só estava conversando. – falei meio constrangida com aquele momento awkward.
– Já sei! Tive uma super ideia! A gente poderia ir à locadora e alugar uns filmes. E depois pedir umas pizzas. – disse Isabella.
– Ô espertona, a gente tem prova na segunda-feira de Física. Temos que estudar. – disse Paula, sempre pensando na escola em primeiro lugar.
– Ah Paulinha, hoje é sexta, a gente estuda no final de semana. Deixa a gente ter uma sexta-feira digna. – disse Daniel. E o “Paulinha” deixou Paula toda corada, fazendo as meninas rirem.
– Ok, ok, mas depois não reclamem da nota.
Os meninos foram para a sala nos esperar, enquanto nos arrumávamos. Troquei a roupa feia do uniforme por um short jeans com uma camiseta azul e um tênis estampado. As meninas colocaram uma maquiagem leve, ajeitaram os cabelos e fizeram todo o possível para ficarem bonitas para os meninos. Além de mim, somente Sofia não estava se importando em ficar tão bonita para eles.
– Vamos? – perguntei ao chegar à sala junto com as meninas.
– Tava aqui pensando – falou Matheus – como nós sete caberemos na Lucy?
Ah, antes que eu me esqueça, Lucy é o Uno de Arthur. Obviamente é em homenagem aos Beatles e sua música que eu particularmente gosto, Lucy In The Sky Of Diamonds. E Penny Lane é o Clio de Dani. Só os dois têm idade suficiente para dirigir e únicos que tem um carro.
– A gente pode se espremer muito. O que pode dar errado?
Então nos esprememos bastante dentro da minúscula Lucy. Arthur foi dirigindo, enquanto Paula e Daniel dividiam o banco do carona e eu, Matheus, Sofia e Isabella tentamos sentar direito no banco de trás, sem sucesso obviamente. E para piorar, eu tive que sentar metade no banco e metade na perna de Isabella.
– Arthur, acelera que a gorda da Luiza está em cima de mim! – gritou Isabella.
Além de o ar condicionado estar com problemas, o som estava ruim e ninguém estava nem um pouco confortável nos bancos. Arthur tentou acelerar um pouco, ai tudo que podia dar errado deu. Ouvimos as sirenes e Arthur teve que encostar o veículo no acostamento.
– Senhores, por favor, saiam do carro. – disse um policial, batendo no vidro.
– Ai Jesus, eu sou muito nova pra ser presa. – choramingou Sofia enquanto saíamos do carro.
– Então, Arthur Silveira – disse o policial olhando para a carteira de motorista de Arthur. – Você sabe que não poderia estar carregando tanta gente no carro, não é?
– Então seu policial, saber eu sabia, mas era uma situação de emergência. – disse Arthur tentando dar uma enrolada.
– Que situação de emergência? – perguntou o policial. Pude ver que seu nome era Peçanha. Ele era meio gordo, com as gordurinhas saltando para fora da calça. A barba grisalha estava para fazer e sua careca brilhava.
– É que minha amiga aqui tava com um problema – ele disse me empurrando para sua frente.
– Qual problema, senhorita? – e Peçanha foi ríspido e grosso.
– Err... É que eu estou sangrando. Muito! – falei o que veio primeiro na cabeça.
– Sangrando? Mas por que não chamou a emergência? E não estou vendo sangue nenhum.
– É que não dá pra ver, é aqui em baixo, ai Jesus, estou perdendo meu sangue, vou morrer. – comecei a gritar e fingir que ia desmaiar. De um lado tinha um policial com os olhos arregalados, de outro 3 meninos se segurando para não rir e do outro 3 meninas tentando dramatizar.
– Seu policial, deixa a gente levar nossa amiga para o hospital, ela ta morrendo! Você não está vendo? – perguntou Sofia gritando com o policial.
– EU ESTOU VENDO A LUZ! ESTOU VENDO A LUZ! – gritei e me joguei no chão.
– Ok, levem essa maluca para o hospital agora. E nunca mais andem com 7 pessoas dentro de um carro acabado e pequeno como esse. – disse Peçanha meio atordoado.
Matheus e Daniel seguraram meus braços e me colocaram dentro do carro e todos voltaram aos seus lugares. Ao despistarmos Peçanha, todos nós tivemos um ataque de riso.
– Eu estou vendo a luz? – perguntou Sofia ainda rindo. – Onde surgiu isso?
– Sou uma atriz perfeita! – respondi rindo.
E assim seguimos caminho até a locadora Blockbuster, a maior e uma das únicas da cidade. Se não me engano, só há 4 locadoras em Vila Nova, mas a Blockbuster é a melhor, pois os DVDs sempre chegam primeiro.
Entramos pela grande porta de vidro e todos nos olharam. Tudo bem que é difícil não olhar quando 7 adolescentes entram praticamente gritando dentro de uma loja. E só depois de meia hora conseguimos escolher 4 filmes, “Juntos Pelo Acaso”, “Invocação do Mal”, “Minha Mãe É Uma Peça” e “Thor 2”.
Quando estávamos no caixa pagando os filmes e comprando 5 sacos de pipoca, o telefone de Daniel tocou.
– Oi mãe... Sim mãe... Ok, não vou esquecer... Hum, 19 horas? Posso sim... Beijos. – falou Daniel com sua mãe no telefone.
– O que tia Carol queria? – perguntou Matheus.
– Ela pediu para buscar meu primo na rodoviária às 19 horas. Acho que dá tempo de assistir uns dois filmes e ir, o que vocês acham.
– Vai dar tempo, óbvio. – disse Arthur. – Mas a gente conhece esse primo seu?
– Acho que só a Luiza conhece. Lembra dele na minha festa de 6 anos?
Aham, obviamente eu iria lembrar com minha memória ótima que me faz esquecer o que comi no café da manhã.
– Claro que não. Isso tem 11 anos!
– Lembra sim! Ele que contou pra sua mãe que você roubou o saquinho surpresa da Rafaela Mourão.
– CLARO QUE LEMBRO! Eu odeio esse menino, ele me fez ficar de castigo por 5 dias sem minhas Barbies.
– Mas ele deve ter mudado né, Lu? Como você mesma disse, passou-se 11 anos, ele não vai mais delatar pra sua mãe que você rouba saquinho surpresa. – disse Isabella rindo.
– Ele é bem legal, Lu, esquece esse rancor. – disse Daniel. Ok, eu devia esquecer esse rancor sim, mas o menino mal me conhece e já fala o que eu fiz pra minha mãe? Não merece minha amizade.
Com isso, voltei par casa mais quieta, já que não queria conversar sobre o meu passado com esse garoto, mas ninguém conseguia parar de falar sobre ele no carro. Eram perguntas como “Como ele é?” até “Ele gosta de Beatles?” E as únicas coisas que descobri sobre ele era que ele realmente gosta de Beatles, toca numa banda e vai passar as férias conosco.
Ao chegarmos a minha casa, fiz as pipocas e fomos direto para o sofá assistir os filmes. Como as meninas estavam em maioria, escolhemos o filme primeiro. E Juntos por Acaso foi o escolhido.
Esse filme realmente me comoveu muito. É muito bonito ver que os melhores amigos do casal se uniram para cuidar da bebê e acabaram se apaixonando. Confesso que quando Edu terminou, milhares de pensamentos ruins vieram a minha cabeça, mesmo o meu amor por ele não ser tão forte. E uma dessas perguntas foi como eu iria conseguir seguir em frente e conseguir amar. Ao ver esse filme, pude perceber que todos podem seguir em frente e encontrar o amor mesmo em horas tão difíceis. Só espero que eu tenha muita sorte e também consiga.
O segundo filme foi “Invocação do Mal” e confesso que minha tristeza só piorou ao ver esse filme. Tudo bem que senti medo o filme todo e para piorar, os meninos gritavam e nos assustavam mais ainda. Mas comecei a me lembrar de todos os filmes de terror que vi com Edu e ele estava me abraçando para eu não sentir mais medo.
Quando acabamos o filme, já faltavam 15 minutos para o primo de Daniel chegar. Como já estava anoitecendo, somente eu, Paula, Daniel e Arthur fomos buscar o tal primo na rodoviária. Para falar a verdade, minha animação era abaixo de 0.
Ao chegarmos à rodoviária, pude perceber que o movimento nas sextas era bem grande. Já havia deixado minha avó em uma terça e geralmente ficava bem mais vazio. Alguns ônibus já tinham chegado, então vi algumas pessoas se abraçando, crianças com sono depois de longas viagens, homens com maletas, provavelmente viajando a trabalho. E aí alguém me cutucou no ombro.
– O que foi? –perguntei sendo meio grossa e me virando para ver quem era.
– Ah, me desculpa, é que estou procurando meu primo Daniel. Minha tia me ligou e disse que era para eu procurar um grupo de jovens.
E então eu olhei para pessoa. Era um menino, não, melhor, era um homem. Com 1 metro e 80 provavelmente. Tinha cabelos de um castanho escuro, mas não preto, era um castanho muito bonito. Seus grandes olhos também possuíam essa cor. Usava um par de óculos quadrados, mas que não o deixavam com cara de intelectual nem nada disso e sim complementavam seu rosto. Suas sobrancelhas eram medianas, nem finas nem tão grossas, e muito bonitas, sem nenhum pelo entre as duas. E seus lábios, ah seus lábios, avermelhados e carnudos. Usava um casaco marrom escuro largo, com uma camisa xadrez dentro de uma camisa dos Beatles de malha. Usa calça estava um pouco surrada, mas não era aquele surrado feito em loja e sim de tanto ser utilizada. E eu não conseguia parar de encará-lo.
– Rodrigo! – gritou Daniel me tirando de meus pensamentos sobre como esse homem me tirava o fôlego.
– Oi Daniel. Você pode, er... Me dar uma ajudinha aqui? – perguntou o tal Rodrigo depois do abraço familiar entre eles.
– Claro, me desculpa, é que quase não te reconheci. Antes que eu me esqueça, esses são meus amigos. E você vai conviver muito com eles durante esse verão, então vá se acostumando. – falou Daniel, dando uma risadinha.
– Oi galera, me chamo Rodrigo. – falou se apresentando e mostrando seu lindo sorriso. Em uma escala de 0 a 10, seu sorriso atingia um 11 de tanto que chamava atenção. Era indescritível.
– Esses são o Arthur, a Paula e a Luiza. – disse Daniel apontando para cada um de nós.
– Você não vai acreditar no que acabei de me lembrar, cara. Daquela sua amiga ou sei lá o que chamada Luiza. – disse Rodrigo rindo. Pera aí, eu era a Luiza.
– Quem? – perguntou Daniel, mesmo já sabendo que ele se referia a mim.
– Uma que ia a todas as suas festas quando éramos pequenos e nos infernizava em todas. Lembra quando ela roubou os saquinhos surpresa? – falou rindo.
– Er... Prazer, Luiza a menina chata que rouba doce. — falei, causando um grande constrangimento entre nós.
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