Um Amor de Inverno
3 Um Floco de Neve Pelo seus Pensamentos
Notas iniciais
Naruto e Hinata, Ino e Neji, Shikamaru e Temari, Tenten e Sai… e eu, me senti uma intrusa no meio de tantos casais. Sabe quando seus amigos te ligam e dizem: Vem vai ser legal! Pode apostar que não vai ser legal e que com certeza todos estaram em casais e você vai segurar vela tão absurdamente que vai chegar a doer. O pior de estar no meio de oito pessoas sendo que todas estão estão formando pares é que você vai sempre ficar de fora dos assuntos e vai se sentir tão ridícula que a diversão vai simplesmente evaporar e o evento que tanto estava esperando vai se transformar no pior dia da minha vida!
Tive que ir de casa ate o centro de Konoha e por todo o local do festival tendo que aturar todos os “eu te amo!” e “você esta tão linda hoje”, perdi as contas de quantas vezes revirei os olhos e quis fugir disso. Eles viravam pra mim apenas quando queriam perguntar se estava tudo bem e se estavam sendo chatos, mas é claro, todos meus amigos estavam namorando e a única que ficou para trás havia sido eu, era obvio que estava tudo bem! Olhem para mim a alegria emana de meus olhos, aff por favor! Mas em vez disso, apenas sorria de lado e afirmava uma vez e depois negava, queria sumir!
– Que tal irmos ate o cais? Soube que tem um monte de gente fazendo os famosos luais de inverno. – disse Ino com toda sua imaginação e bom censo indo por ralo abaixo
– Otima ideia! – e Neji, o mais perfeito príncipe do mundo concordando.
E la fomos nós para um luau romântico e fofo no qual eu estava totalmente deslocada; já na praia a fogueira nos aquecia deixando a brisa gelada vinda do mar passar quase desapercebida. Precisava dar um jeito de sair daquele lugar sem ser chata, mas era melhor estar sozinha do que ter que aguentar aquilo.
– Pessoal vou comprar algo para comer e já volto, qualquer coisa se saírem daqui me mandem sms.
– Beleza. – concordaram em uníssono.
Não dava para disfarçar e é lógico que Ino perceberia que não estava nem um pouco confortável com aquilo e também nem um pouco feliz; eu sempre quis ter alguém, sempre! Mas nunca tive nenhuma sorte, sofrimento era isso que sempre tive em relação aos garotos, realmente estava me cansando de ter que passar por isso, não entendia o por que tinha que passar por isso, era uma boa filha, uma boa aluna, comportada… Sera que era demais pedir por alguém!
Estava olhando para o céu para que as lagrimas não caíssem quando alguém trombou em mim me fazendo cair, entre meios a desculpas me virei para ver de quem se tratava e me espantei ao ver que era ele… Os mesmos olhos negros que haviam me hipnotizado e me tomado a mente o dia todo e a tarde toda, que tinha mechido tanto comigo que estava me fazendo imaginar novamente tudo aquilo que eu estava tentando me livrar de uma vez por todas.
– Me desculpa, eu estava distraído. – ele tinha uma voz tão linda, tão forte.
– Tudo bem.
– Eu te conheço de algum lugar? – ele parecia tão confiante e tinha uma boca tão linda que me concentrar em alguma coisa que ele dizia estava sendo difícil.
– Não sei, no ônibus, na faculdade, não sei… — não podia ser fácil.
– Acho que do ônibus. Me chamo Sasuke, Sasuke Uchiha. – arregalei os olhos ao perceber que ele pertencia a uma das famílias mais ricas e poderosas de Konoha, mas como nunca tinha visto ele por aqui antes? – Algum problema?
– Não, é que eu conheço toda sua famila, mas nunca tinha te visto antes.
– Sou a ovelha negra. – ele sorriu e nesse momento meu coração parou por um instante. – Mas me diz como conhece minha famila?
– Bom eles são famosos empresários, todos os conhecem, mas eu os conheço por que meu pai trabalha para vocês.
– Para eles, eu não faço parte disso, sou de um mundo totalmente diferente dos deles. Mas não quero falar deles, quer dar uma volta?
– Por que não? Vamos.
Eu o encarei por um minuto, ele era lindo, lindo de tirar o fôlego… será que um cara como aquele se interessaria por uma garota como eu? Que já foi rejeitada por tudo quanto é tipo de garoto e que os que se interessavam por mim eram os estranhos e que não tinham nada a ver comigo.
Nos sentamos num lugar meio afastado, onde havia algumas pessoas, a maioria de casais para ver os fogos de artifício, ele se sentou do meu lado passando um copo de chocolate quente com creme e chantili, agradeci e fitei a imensidão negra a frente, a escuridão da noite sempre fora minha amiga, era nessas horas que podia chorar e esbravejar minhas magoas para ninguém me escutar.
– Voce ainda não me disse seu nome.
– Me desculpa, Sakura Haruno.
– Seu nome combina com a cor diferente em seu cabelo. – peguei uma mecha de cabelo que estava caído em meus ombros, ta não havia ninguém que eu conhecesse que tivesse essa estranha falha genética, mas eu gostava de meus cabelos, era o que me diferenciava de todos. – Voce mora aqui há muito tempo?
–Desde sempre. Por que nunca te vi por aqui?
– Eu viajo muito, estou sempre pelo mundo, não paro em nenhuma cidade certa.
– É um viajante sem destino? – brinquei sorrindo, mas ele não correspondeu como eu queria, Sasuke apenas sorriu de canto e fitou o céu escuro de inverno.
– Sou um soldado pronto para servir meus país e as pessoas. – meus olhos quase saltaram das orbis e me senti uma verdadeira idiota, senti minhas bochechas queimarem.
– Me desculpa!
– Não, tudo bem, voce não tinha como adivinhar. Mas eu adoro meu trabalho, é claro que eu tenho um monte de cicatrizes e marcas de bala pelo corpo, mas isso é normal.
– Ai meu deus isso é serio?
– Não, é brincadeira, tenho cicatrizes, mas nunca levei um tiro sequer, em compensação já vi vários amigos meus morrendo bem na minha frente sem eu poder sequer ajudar.
– Eu sinto muito mesmo, deve ser horrível.
– É, mas eu não quero falar sobre isso, se é que me entende.
– Tudo bem.
Ele me encarou do mesmo jeito que havia feito no ônibus e colocou suas mãos nas minhas, ele estava com as mãos geladas e as minhas estavam quentes, esse choque térmico fez com que meus dedos formigassem e se entrelassassem as dedos dele. Suas orbis negras pareciam surpresas e minhas bochechas deviam estar mais vermelhas que uma pimenta; foi então que as lembranças de todos aqueles erros que cometi no passado me tomaram fazendo com que eu voltasse a minha consciência normal. Me afastei delicadamente para não parecer chata e envolvi os joelhos, mas ele se aproximou ainda mais. Eu nem o conhecia, mas já possuía esse desejo de querer ele pra mim, nunca acreditei em amor a primeira vista, pelo contrario tentava não pensar muito nisso, já que esperava tanto por um amor. Mas dessa vez eu não queria fazer as coisas de qualquer jeito, eu queria que pelo menos, so dessa vez, as coisas não fossem por um caminho oposto a tudo que eu imaginei um dia, como sempre ocorrera alias.
Desviei o rosto fazendo ele beijar minha bochecha, o toque de seus lábios quentes em minha pele gelada, pelo vento frio, me fizeram sentir diversas sensações ao mesmo tempo e esse misto provocou-me um estranho arrepio que passou lentamente em todo meu corpo. Nunca sentira aquilo por ninguém, nem por aqueles outros garotos que um dia já disse que amei, mas que no fundo so passaram de um bando de ilusões; Sasuke tinha um jeito diferente, ele não era imaturo ou pensava como uma criança de cinco anos ou como um adolescente de quinze, estávamos no inverno nas areias da única praia próxima que tínhamos, havia um bando de garotas lindas, bem mais lindas do que eu, que passavam na sua frente, mas ele não as olhava. Eu dizia coisas de minha vida, como meus gostos e sensações favoritas e ele me ouvia, ele notou que não queria andar depressa demais e Sasuke entendeu e não fez mais nada depois disso, seus elogios se davam pelos pequenos detalhes que ele via em mim e não a meus peitos ou bunda, ele notou a mudança estranha de cor que meus olhos faziam dependendo da iluminação do local e meu jeito estranho de ficar imaginando mil coisas ao mesmo tempo enquanto focalizo em qualquer ponto que atraia minha atenção.
Qualquer garota, qualquer uma, ele teria qual ele quisesse! Mas ele estava me contando coisas que talvez somente as pessoas mais próximas deles soubessem. Naquele intante eu percebi que estava tabem contando coisas a ele que nunca tinha contado a ninguém, nem mesmo as minhas amigas; ele tinha esse poder, Sasuke possuía esse dom de fazer-nos sentir bem para dissermos o que quiser.
– Entao seus pais não ligam pra voce? – disse depois de uma longa conversa que não tinha fim.
– Exatamente. Eles parecem bem atenciosos a seus clientes, mas eles não passam de dois… — ele fechou os olhos tentando talvez não dizer algo que me fizesse pensar mau dele, mas eu o entendia, pais severos faziam parte de algumas coisas em que éramos semelhantes. – Tudo envolve meu irmão, não sabe o quanto tem sorte por não possuir nenhum irmão.
– Não possuo tanta sorte assim, apesar de não ter irmãos meus pais não me dão muita atenção, não sou muito ligada a eles. Fica cada um na sua.
– Pais, quem ira entende-los.
Estava tudo tão perfeito, a nossa conversa tomava rumos nas quais nenhum outro garoto se interessaria, mas aquele momento durou pouco, Ino apareceu ao longe me chamando que nem uma louca; a verdade era que eu não queria sair dali, não queria me juntar aos casaisinhos apaixonados e deixar alguém que me escutava de verdade, queria ficar ao seu lado e ouvir suas historias. Mas eu não queria fazer algo errado novamente, não queria me entregar rapidmente e fazer com que ele desista fácil de mim também, eu queria que pelo menos uma vez na minha vida, algo desse certo de verdade!
– Preciso ir. – falei com tão disfarçadamente que eu cheguei acreditar que realmente precisava ir.
– Tudo bem, me passa seu celular? – ele me entregou seu celular e eu digitei os números do meu, quando entreguei o aparelho e Sasuke segurou minha mão no mesmo instante, eu o encarei e ele sorriu, sorri para ele… e o beijei no rosto.
– Foi bom te encontrar por aqui.
– Espero te ver mais vezes.
– Eu também, tchau.
E la fui eu, com um misto de felicidade e insegurança em meu rosto, não queria ter partido tão cedo, mas ate que foi bom, isso me fez ficar com mais vontade ainda de conhece-lo.
– Sasuke Uchiha… — disse baixinho. Era um belo nome!
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