Um Amor Shinobi

32 Uzumaki Akiyo


Notas iniciais
Oisão c: Tentei não demorar pra postar, mas realmente não consegui. As duas últimas semanas foram um horror, porque acabei ficando doente. Fiquei uma semana toda internada no hospital, morrendo de tédio e sendo furada o tempo todo pelos médicos. Nenhuma pessoa tem inspiração num local como esse. De todas as doenças do mundo, adivinha o que fui pegar? Dengue. Foi uma droga mesmo, não sei o que está acontecendo nessa merda de bairro, mas de repente todo mundo começou a ficar "Dengoso" (como a minha irmã mais velha começou a me chamar).. Só que o meu caso foi mais sério, ainda bem que cheguei ao hospital à tempo, se não eu ainda estaria lá. Tomem cuidado, negada. Pegar dengue é tenso. Ah, mudei a sinopse da fic, me digam o que acharam depois :3 Boa leitura

A chuva enfim dera uma trégua, porém as espessas nuvens de tempestade ainda pairavam no céu, ameaçando descarregar-se a qualquer momento. Um vento gelado balançava as árvores, o farfalhar das folhas em conjunto era como uma sinfonia melancólica. Era como se a própria terra soubesse que algo ruim estava prestes a acontecer.

Um largo rio cortava a densa floresta como se fosse uma serpente, as águas tão cristalinas que era possível ver o cascalho no fundo. Tudo parecia aparentemente calmo e vazio ali.

Mas havia uma mancha preta sujando a água límpida, sendo carregada rio abaixo.

A mancha preta era o repugnante sangue de demônio que Hinata tentava a todo custo tirar de suas mãos.

A Hyuuga estava toda manchada daquele sangue nauseante, o cheiro já impregnava suas narinas. Ela tremia e lágrimas finas cobriam seus olhos. A água estava muito fria, mas ela não se importava; jogava-a em suas roupas, seu pescoço, seus cabelos. Sentia-se imunda.

Hinata não tinha a intenção de ter sido tão cruel e fria com a deusa-demônio Shiori. Ela não pretendia matá-la daquele jeito tão horrível, e muito menos via graça naquilo. Era como se houvessem tirado-a de seu próprio corpo, e quando novamente tomou consciência, estava gargalhando e segurando uma cabeça decepada.

Ela sentia como se estivesse sendo controlada por Katsuo de novo. Era como se alguém houvesse arrancado sua consciência e colocado outra coisa lá.

E aquilo era culpa do Akuma.

Hinata tivera o cuidado de não invocar o poder de Akuma novamente ao longo desses três meses, pois ela sabia que aquele poder era ruim. Aquele poder não era nenhum tipo de bênção: era um poder do mal, um pedaço da força do caos. Ela não gostava nenhum pouco daquilo. Treinara a vida toda no intuito de ficar forte por seu próprio mérito, não pelo poder de intermediários — e principalmente quando esse intermediário é o demônio mais perigoso de todos.

A garota tomou um susto quando sentiu alguém colocar a mão delicadamente no seu ombro. Deparou-se com Shizune, que abaixou-se junto à Hinata. A morena tinha uma mistura de preocupação e hesitação no olhar. Os ANBUs estavam fora do seu campo de visão.

– Hinata-chan, precisamos seguir viagem. — Shizune disse com delicadeza.

– Espere... E-eu tenho que me limpar... Estou tão suja... — Hinata disse, gaguejando e tremendo. Os olhos perolados da garota tremiam e ela parecia um ratinho assustado.

Sua perturbação era completamente compreensível. Qualquer um ficaria completamente fora de si se alguém retirasse sua mente de dentro do seu próprio corpo — e aquela não era a primeira vez que isso acontecia com Hinata.

– Hinata... Você já está bem — Shizune disse, agora ainda mais hesitante.

– Não, não estou! Estou manchada de sangue e...

– Olhe para suas mãos — Shizune a interrompeu.

Hinata abaixou o olhar para suas mãos como Shizune pediu. Elas estavam vermelhas e esfoladas do tanto que Hinata as esfregou — mas estavam completamente limpas. A Hyuuga observou suas roupas e não havia mais nenhum vestígio do sangue preto.

Ela arquejou.

– Mas... M-mas eu...

– Acalme-se — Shizune disse com doçura, porém com uma pontada autoridade. — Você não fez nada de errado no fim das contas. Acabou com o inimigo. Pense dessa forma, certo?

Hinata respirou fundo algumas vezes e assentiu. Retirou as mãos da água e percebeu que estavam enrugadas do tempo que ela passou tentando limpá-las. Sacudiu a cabeça devagar. Qual é o seu problema? Recomponha-se! Ela disse para si mesma.

– Você... está certa. — Hinata murmurou. — Arigatou.

Shizune ofereceu-lhe um pequeno sorriso, mas logo sua expressão tomou uma forma séria.

– Mais uma coisa. Não invoque mais o poder de Akuma. Não sabemos o que poderá acontecer se você o fizer...

Hinata engoliu em seco.

– Compreendo. Vamos... Vamos sair daqui — A Hyuuga disse, levantando-se e apertando as mãos em punhos para que elas não tremessem.

O próximo dia foi tranquilo, o que só piorava a tensão.

O grupo fez algumas paradas para dormir e comer, mas de resto continuaram a viajar em direção ao País das Fontes Termais, na maioria do tempo em silêncio. Nenhum dos ninjas tinha ânimo para conversar depois do acontecido no dia anterior. Hinata só pensava em acabar logo com isso.

Lentamente, a paisagem de mata fechada foi dando lugar às planícies e gramados imensos. Eles cruzaram com uma estrada vazia, mas resolveram não segui-la. Esse era o único motivo pelo qual o grupo traçou o percurso por dentro da imensa floresta e não pelas estradas, pois era uma missão sigilosa e nem mesmo civis comuns poderiam vê-los.

Logo as árvores sumiram completamente, deixando-os sem sua proteção, por isso foram obrigados a usar disfarces. Os ANBUs retiraram suas máscaras e todos guardaram suas bandanas, colocaram chapéus de camponeses que cobriam muito bem seus rostos. Quem via de longe certamente iria achar que era um grupo de nômades seguindo para outro país.

Hinata pôde enfim ocupar sua mente com uma distração ao observar a paisagem. Havia altas montanhas salpicadas aqui e ali, os morros completamente cobertos pela grama verde e algumas plantações de arroz que ela conseguia enxergar à quilômetros de distância. De vez em quando apareciam algumas casas e fazendas, algumas árvores solitárias. A paisagem era muito diferente do que se está acostumado a ver em Konoha e em todo o País do Fogo.

Uma simples placa marcava a entrada do País das Fontes Termais. Logo as primeiras casas de banho começaram a surgir, junto com o comércio. O vapor das fontes logo roçou a pele de Hinata, e ela começou a desejar mergulhar em uma delas para relaxar, por pelo menos alguns segundos.

Mas algo estava errado.

– Shizune-san — Hinata chamou quebrando o silêncio que já durava bastante -, se esse é um país turístico, porque está tão vazio?

Era um fato notável. As pousadas e casas de banho coletivo estavam praticamente desertas. Uma ou duas pessoas eram vistas, na maioria os proprietários dos estabelecimentos esperando que algum cliente chegasse, todos seguindo o grupo com o olhar. Não ouvia-se vozes.

– As pessoas estão assustadas. — Shizune disse depois de passar os olhos pelo lugar. — Foram muitos acontecimentos grandes em pouco tempo. Primeiro uma Guerra daquele nível, depois o acontecido em Uzushiogakure. As pessoas não sabem ao certo o que aconteceu lá, mas sentem que há algo errado. Ninguém tem tempo para pensar em diversão. Preferem se esconder em suas casas. — Tudo voltou a ficar silencioso por alguns minutos enquanto eles caminhavam, até que um dos ANBUs cochichou algo no ouvido de Shizune. — Sim, você está certo... Aquele é o lugar que procuramos.

Hinata sentiu um frio na barriga. O grupo começou a se direcionar para uma das pousadas que também era uma casa de banho. Era uma construção tradicional, porém parecia ser maior que as outras. Havia uma placa de "promoção" na entrada.

O grupo entrou no prédio. Havia um balcão na entrada, no qual uma mulher cochilava.

Shizune limpou a garganta e a mulher acordou num pulo. Ela tinha cabelos longos e lisos pretos, olhos azuis e não parecia ter mais de 25 anos. Usava brincos e um colar, um casaco longo sem mangas e uma camisa roxa que deixava bem a mostra seus seios grandes (em questão de tamanho, aquela mulher só perdia para Tsunade).

Ela pareceu empolgar-se com a visão de clientes e sorriu.

– Boa tarde! Vejo que são um grupo grande de viajantes, estou certa? São uma família?

– Receio que não... — Shizune trocou olhares com os outros ANBUs. Hinata estava sendo ocultada, pois bastava que a mulher visse seus olhos brancos para saber que ela era uma Hyuuga. — Você tem vagas?

– Ah, tenho muitas. Acho que deu pra perceber como esse lugar anda vazio. Mas, enfim, tenho vagas para todos vocês!

Ela falava com uma alegria um pouco exagerada, mas Hinata resolveu deixar isso de lado.

– Não queremos apenas fazer reservas. — Shizune disse e se aproximou do balcão, abaixando o tom de voz. — Estamos atrás de Uzumaki Akiyo. Viemos de Konoha por ordens da Hokage — ela disse, mostrando a bandana por dentro do manto.

A mulher passou os olhos por todos do grupo, os olhos semicerrados. Depois soltou uma gargalhada exagerada.

– Akiyo? Sinto muito, não sei quem é essa pessoa.

Shizune a encarou por alguns segundos.

– Você é Akiyo — Ela disse.

A mulher encarou Shizune de volta.

– Hein? Me desculpe, mas meu nome é Watanabe Masaki. É melhor voltarem de onde vieram.

A voz da mulher já não parecia tão alegre assim.

Shizune aproximou-se ainda mais do balcão.

– Escute aqui — A morena disse, levemente exaltada. -, nós viajamos a mando da Hokage Tsunade. Você a conhece muito bem e sabe que ela não nos enviaria aqui sem motivo. E nosso motivo é muito sério. Tenho certeza que a senhora sabe muito bem o que ocorreu em Uzushiogakure, a história do Akuma. Tenho aqui a Jinchuuriki dele, e se você não quiser nos ajudar, vamos ter que forçá-la a isso.

Akiyo encarou Shizune profundamente e, quando voltou a falar, sua voz já não era nenhum pouco alegre e doce.

– Sabia que conhecia você de algum lugar. É a aprendiz da velha, certo? — A mulher levantou-se de sua cadeira com força e fechou os olhos, a expressão completamente diferente, muito mais séria, chegava a lembrar Tsunade. — Sigam-me. Fique claro que eu não estou concordando em ajudar vocês, só quero evitar escândalos.

O grupo seguiu a mulher pousada adentro, entrando em uma sala que ficava atrás do balcão, porém alguns ANBUs permaneceram lá fora para fazer a segurança. Quando ela fechou a porta atrás de si, retirou a peruca de sua cabeça, revelando lindos cabelos vermelhos.

Hinata segurou a respiração.

– Você é mesmo Akiyo? — Ela disse.

Akiyo notou-a pela primeira vez.

– Por que o espanto, meu bem? É pela minha aparência não bater com minha idade? Tsunade não é a única que tem truques. — Ela cruzou os braços e encarou o resto do grupo. — O que a velha quer que eu faça?

– Por que a chama de velha se sua idade é mais avançada que a dela? — Shizune disse, quase que instintivamente.

– Tá querendo arranjar briga, garota?! — Akiyo gritou, já de punhos cerrados. Ela lembrava muito Tsunade.

– Eh, não, de jeito nenhum... — Shizune pigarreou. — Takahashi Katsuo foi o grande responsável por despertar o Akuma e causar aquele grande alvoroço.

– Isso não é novidade — Akiyo murmurou. — Vá direto ao ponto.

– Ele selou o Akuma dentro de Hinata, e Tsunade quer que você analise o Fuuin para encontrar alguma brecha ou algo de útil. Só você é capaz disso.

Akiyo começou a rodear Hinata, analisando-a.

– Você é uma menina bem forte por estar carregando um demônio desse, apesar de ter sangue Uzumaki nas veias.

– Como você sabe sobre o sangue Uzumaki? — Hinata perguntou, sobressaltada.

– Tenho minhas fontes. — Akiyo continuou analisando-a como se fosse uma máquina. — O que eu ganho com isso?

– A recompensa que quiser. — Shizune disse. — A própria Tsunade prometeu.

A ruiva bufou.

– Tsunade vive fazendo promessas e apostas furadas. Não preciso de dinheiro, já tenho meu estabelecimento e estava vivendo muito bem antes dessa guerra inútil. O leste do país virou um campo de batalha, tá tudo quebrado por lá! Isso espantou todos os meus clientes, agora estou no fundo do poço. Ninguém mais pensa em vir até aqui relaxar, só pensam em guerra, guerra, guerra, Madara pra lá, Madara pra cá! Depois que isso acabou pensei que tudo voltaria ao normal, mas de repente chegou esse tal do ex-namorado da Mizukage pra estragar tudo de vez. Ninguém mais vêm até aqui, e eu estou cheia de dívidas!

– Se nos ajudar, talvez o Akuma volte para o lugar de onde veio e as pessoas voltarão a visitar esse país... Você vai voltar a ter clientes — Hinata argumentou.

Akiyo pareceu considerar o argumento.

Talvez. Ninguém garante que vai dar certo. Talvez eu erre no processo e acabe libertando o Akuma aqui mesmo. Eu mesma não gosto de mexer com esse tipo de Fuuin. Muitas vezes fui chamada para selar Bijuus, como o menino Yagura por exemplo ou o Jinchuuriki do Yonbi, mas me mantive na minha... Não gosto de mexer com esses bichos problemáticos.

– Essa não é questão de gostar ou não, é questão de vida ou morte — Hinata disse.

Akiyo olhou bem no fundo dos olhos de Hinata e pareceu ter percebido todo o desespero que ela tentava esconder a todo o custo. As duas tiveram um tipo de conversa silenciosa.

Aquilo pareceu comover a Uzumaki.

– Certo, eu vou ver o que posso fazer. Não estou prometendo nada!

De repente, eles começaram a escutar vozes lá fora.

– Outros clientes? — Shizune disse, de testa franzida.

Até que Hinata percebeu a voz que ela reconheceria em qualquer lugar.

– Eu sei que ela tá aí dentro, me deixa passar! — A voz do loiro estava bastante irritada enquanto os ANBUs tentavam em vão contê-lo.

– Naruto, tente se acalmar — alguém disse, e Hinata pensou que estava ficando louca.

Aquela era a voz do... Hideki?!

Notas finais
Me desculpem se o final ficou um pouco ruim, mas é porque tem umas pessoas chatas me apressando aqui. chatice