Um Amor Shinobi

37 Um Amor Shinobi - FINAL


Notas iniciais
Olha só quem é a cara de pau que retornou depois de um ano??????? Ah, cara... sério, me desculpem. Eu sou uma pessoa horrível. A fic tava tão abandonada que eu nem sei se alguém ao menos vai ler isso, mas eu preciso postar o último capítulo pra desencargo de consciência. Cara, depois que o mangá de Naruto acabou, essa minha paixão toda pela estória esfriou um pouco... mas agora que o anime TAMBÉM está bem perto de acabar, todos os feels voltaram com força. Nossa. Eu tô bem triste, na verdade - apesar de saber que Boruto terá início e que nossos amados personagens ainda estarão lá (numa nova geração é claro), mas mesmo assim... meu amor por essa saga é muito intenso. Acompanho desde os oito anos, né ~enlouquecia assistindo a SBT~ Mas, enfim... essa onda de sentimentos me trouxe de volta à UAS. Cara, eu nem lembrava do quanto essa fic é boa. É claro, tem várias coisas vergonhosas que eu DEFINITIVAMENTE não teria escrito se pensasse naquela época como penso hoje, mas enfim... é a vida. Realmente, foi muita cara de pau sumir por um ano faltando um mísero capítulo pra acabar. Perdão. Mas tá aí, um cap monstruoso de 6000 palavras como encerramento dessa maravilhosa fic - minha primeira, minha filha mais velha. Aproveitem!

Uchiha Sasuke nunca havia encarado a morte tão de perto.

É claro, ele já desafiara a morte incontáveis vezes. Suas diversas batalhas provavam isso. Mas daquela vez...

Ele, de fato, quase morrera. Chegou perto. Muito perto.

Ele sentiu todas as suas forças se esvaírem; nunca se sentira tão fraco. Cada milímetro de seu corpo ardia.

Sasuke estava praticamente morto. Mas, antes de apagar, ele viu um vulto. Cabelos cor de rosa.

"Eu te amo, Sasuke-kun. Sempre vou amar."

A última ínfima linha de consciência de Sasuke respondeu. Tentou forçar as cordas vocais a funcionarem; não conseguiu. Mas em sua mente, ele respondeu.

"Eu... também..."

Então, Sasuke foi arrancado de sua forma mundana. Foi levado a um lugar transcendental.

Ele sabia que não estava morto. Sabia muito bem. Porém... aquele foi um lugar que o fez pensar. Refletir.

Estar tão perto da morte fez que coisas antes esquecidas no fundo de sua mente reascendessem. Coisas que ele definitivamente precisava encarar. Sasuke havia feito as pazes com Naruto; recebera o perdão da Hokage. Mas alguma coisa ainda estava fora do lugar.

Não era... certo.

Realizar uma porção de missões a mando da Hokage não era suficiente para que seus pecados fossem perdoados; o povo de Konoha ainda lançava olhares tortos na direção de Sasuke. Eles não confiavam nele.

Todos sabiam que o último Uchiha era um psicopata alucinado, sedento de poder que, apesar de ter derrotado Kaguya e Madara, quase matara Naruto no intuito de mergulhar o mundo no completo caos.

Essas pessoas não esqueceriam daquilo tão facilmente.

Sasuke precisava de mais. Precisava realmente apagar a mancha escura de sua personalidade.

Precisava de redenção.

Ele sabia como fazer isso. E sabia que tinha que fazer sozinho.

Por todos.

Por Sakura.

Por ele mesmo.

Ele sabia porquê precisava fazer aquilo sozinho: se continuasse em Konoha, recebendo o carinho dos amigos – de Sakura, mais especificamente -, acabaria se acomodando. E, com isso, os pensamentos escuros voltariam a crescer e domar sua mente.

Sasuke precisava se lavar. Se redimir. Nunca havia percebido o tamanho daquela necessidade anteriormente. A proximidade com a morte – a percepção de que, por toda a sua existência, foram poucas as boas ações que fizera na vida – o fez tomar aquela decisão.

Ficou muito tempo refletindo, com sua consciência ainda flutuando — até que ele percebeu que estava perto de despertar. Aos poucos, voltou a sentir seus membros.

Estava acordado.

Não abriu os olhos. Continuou ali, parado.

Seus sentidos estavam enferrujados; ele demorou um tempo para perceber que estava deitado numa cama macia, a cabeça apoiada num travesseiro. Um cobertor cobria-o até o peito; uma brisa suave acariciava seu rosto.

Seu corpo estava imerso em torpor; ele sentia-se fraco. Sabia que provavelmente deveria estar sentindo dor pelo corpo, mas o efeito de algum analgésico trazia essa sensação de torpor. Era desagradável. Sua garganta estava dolorida de tão seca.

Suas percepções foram retornando.

Ele percebeu que havia alguém sentado ao lado de sua cama.

A pessoa estava em silêncio. Sasuke continuou imóvel. Ele já sabia que estava no hospital – apesar de não fazer ideia de como o trouxeram para lá. Poderia ser algum médico.

Ele escutou uma leve movimentação. Uma respiração tranquila. A pessoa se moveu...

Sasuke sentiu cheiro de maçã.

Ele enfim abriu os olhos devagarinho. No começo, a iluminação lhe causou um pouco de irritação. De fato, estava num quarto hospitalar.

Sua visão focou em Sakura.

Ela estava sentada num banco ao lado da cama; usava as roupas de paciente. Seu braço direito inteiro estava enfaixado, e havia mais curativos pelo rosto e braço esquerdo. Ela estava meio pálida; possuía olheiras, tinham um semblante um pouco doentio.

Estava concentrada em descascar uma maçã com uma kunai.

Aquela cena... era exatamente como à de alguns anos atrás, quando Sasuke estava começando a acumular ódio por Naruto – quando estava prestes a mergulhar na escuridão.

Ela estava lá.

Quando Sasuke estava prestes a fugir de Konoha para se juntar à Orochimaru... Sakura também estava lá.

Quando Sasuke estava completamente mergulhado na escuridão... Sakura estava lá.

Ela sempre esteve lá.

Sempre.

Sempre.

De alguma forma, aquilo fazia uma sensação quente preenchê-lo por dentro; algo que ninguém jamais conseguira fazer antes. E ele também sabia que... apesar de todos os anos mergulhado em escuridão... todas as vezes que Sakura surgia, ele sentia o mesmo.

Porque, de alguma forma, ele sabia que ela sempre estaria lá.

Sakura terminara de descascar a maçã. Ela parou por um momento e soltou um suspiro cansado; parecia abatida. Colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.

Finalmente olhou Sasuke e arregalou os olhos.

— Sasuke-kun! Você acordou! — ela exclamou, num misto de susto e leve euforia. — Ah, puxa, eu estava tão...

Ela se interrompeu no meio da frase. Preocupada era o que ela queria dizer, mas algo estranho a impediu.

Sakura estava tensa depois do que ocorrera, de certa forma. Não sabia o que aconteceria entre os dois dali pra frente. Nem sabia se eles estavam mesmo juntos; não sabia se Sasuke teria mudado quando acordasse.

E mais. Aquela situação... era exatamente igual à de anos atrás. Isso a deixava nervosa; as coisas não acabaram bem da última vez.

— ...você ficou desacordado por muito tempo. — Sakura concluiu enfim, tentando disfarçar. — Deixou Tsunade preocupada. Você ficou desacordado por uma semana. — ela abriu um sorriso acanhado e encarou suas mãos. — Eu também não estava muito melhor... acordei há apenas três dias.

Sasuke não disse nada. Só continuou encarando-a.

Sakura engoliu em seco, sentindo-se constrangida com aquele silêncio.

— N-Nós sobrevivemos! — ela disse o óbvio, sorrindo e coçando a parte de trás da cabeça. — Chega a ser inacreditável. Shizune estava com Katsuyu, que avisou Tsunade-sama sobre nossa situação... por isso, eles chegaram à tempo para nos salvar. Naruto e Hinata-chan também sobreviveram... eles conseguiram aprisionar Amanojaku e Akuma. Por sorte, nenhum habitante do País das Fontes Termais se feriu gravemente durante aquela luta.

Sasuke continuava em silêncio, o que fez Sakura se sentir ainda mais constrangida; portanto, ela decidiu continuar falando para tentar diminuir a tensão.

— Os ninjas sensitivos já deixaram claro que não sentem mais a presença de Akuma em nosso mundo. Aconteceu muita coisa nessa semana que você ficou desacordado... — ela cortou um gomo da maçã e colocou-o na boca. — As coisas estão começando a voltar ao normal. Os desastres naturais cessaram... os vulcões voltaram a adormecer, os furacões se dissiparam... até mesmo as guerras acontecendo entre os países menores já acabaram. Todos estão assinando tratados de paz. A-Acho que, dessa vez, poderemos descansar um pouco... quer dizer, duas guerras seguidas não é para qualquer um, né?

Ela soltou uma risada sem humor, pensativa. Sasuke ainda a fitava; ela evitou seu olhar, um leve rubor na face.

— O-Outra coisa importante aconteceu tamém... Tsunade acabou de anunciar que vai passar adiante o posto de Hokage. — Sasuke também não demonstrou reação. — Muita gente esperava que ela nomearia Naruto, mas Tsunade nomeou Kakashi-sensei como novo Hokage. Ela disse que Naruto ainda é novo demais para assumir esse posto, apesar de ser um herói... eu não posso discordar dela. Não acho que Naruto vai ficar irritado... ainda não falei com ele...

Sasuke ainda encarava-a penetrantemente. Sakura simplesmente não conseguia ler sua expressão — sempre era muito difícil saber o que se passava na mente do Uchiha.

Sakura pigarreou.

— B-Bem, o que eu estou fazendo, tagarelando desse jeito? Você provavelmente está com dores... e-eu vou chamar um médico. — Sakura começava a se levantar. — Normalmente eu mesma faria isso, mas ainda estou muito fraca, então...

Antes que Sakura pudesse sair do lugar, Sasuke segurou-a pelo cotovelo de repente.

Sasuke puxou-a para si, até que o tronco de Sakura caísse em cima dele; a cabeça da garota repousou no peito de Sasuke. Ele a envolveu com os dois braços.

Sakura arregalou os olhos, o rosto corado; seu coração palpitava.

— O-O que está fazendo, Sasuke-kun...?

Ele não respondeu; apenas apertou-a com mais força.

Sakura piscou, sem entender; é claro, os dois já tiveram contato físico bem mais íntimo que isso, mas naquela ocasião não passava de luxúria. Sasuke jamais havia demonstrado carinho e afeto.

É claro, houve aquela vez em que Sasuke salvou-a da morte, contra o exército que Amanojaku invocara enquanto eles perseguiam Hinata. Daquela vez, ele parecia realmente preocupado; e a maneira que a beijou...

Mas, mesmo assim... Sakura simplesmente não entendia.

— Por que você não diz nada? — Sakura murmurou, a voz embargada. — Por que você é tão confuso?

Sakura não conseguia ver a expressão de Sasuke. Ele apenas continuou abraçando-a contra si, encarando o teto.

Sakura apertou os punhos.

Diga alguma coisa, droga!— ela gritou. — Por que você nunca diz nada?!

O queixo de Sakura começara a tremer; ela se sentia tão, tão confusa... um misto de sentimentos a angustiava.

Sasuke continuou em silêncio. Sakura ainda tinha a cabeça repousada em seu peito; não tinha coragem de olhá-lo.

— Eu pensei que você houvesse morrido. — Sasuke enfim falou, a voz baixa e rouca por conta da garganta seca. — Por que se colocou em perigo desnecessário, hein...? Eu mandei Akiyo de tirar de lá...

Sakura arregalou os olhos. Engoliu em seco, tentando segurar as lágrimas.

— C-Como eu poderia te deixar? — sua voz agora era baixa e trêmula. — Eu tinha... que fazer alguma coisa...

Uma das mãos de Sasuke foi lentamente até a cabeça de Sakura. Ela tomou um susto quando sentiu-o fazendo carinho devagar em seus cabelos. A primeira lágrima escapou pelo canto do olho de Sakura.

— Obrigado. — Sasuke sussurrou simplesmente.

Sakura enfim se deixou chorar; ela apertou a camisa de Sasuke, cerrando os olhos. Sasuke continuou fazendo carinho em seus cabelos muito delicadamente.

Sakura não entendia por quê estava chorando. As lágrimas simplesmente caíam e caíam. Durante toda a sua vida, ela esperara por esse momento: sonhara com Sasuke sendo carinhoso ao invés de rude e insensível. Mesmo quando os dois dormiram juntos, aquilo não passava de interesse por parte do Uchiha. Mas agora, talvez... talvez as coisas estivessem mudando...

Passaram-se vários minutos; Sasuke não reclamou pelo fato de Sakura estar ali, chorando em seu peito. Apenas continuou em seu silêncio solene. Aquilo já era muito mais do que ela imaginara em toda a sua vida.

— Sakura. — ele chamou depois de um tempo. — Eu preciso que você me prometa algo.

Sakura limpou o rosto com o punho, soluçando.

— C-Como assim...?

Ele ficou alguns segundos quieto.

— Não morra.

Sakura franziu o cenho; tentou levantar a cabeça para olhá-lo, mas Sasuke impediu, pressionando a cabeça da garota contra seu peito.

— Sasuke-kun...? — ela tentou, mas ele a interrompeu.

— Há algo que eu preciso fazer. — ele continuou. — Não posso continuar em Konoha. Não enquanto eu ainda estiver carregando o peso dos meus pecados. — Sakura arregalou os olhos; ele estava dizendo que ia embora?! — Talvez você não compreenda ou não aceite, mas... agora eu sei o que preciso fazer. E preciso fazer sozinho.

Sakura apertou os lábios com força.

— V-Você... vai embora...?

Sasuke suspirou.

— É por isso que você tem que prometer... que não vai morrer. — Sasuke quase sussurrava agora. — Por toda a minha vida, eu... nunca entendi o que é ter um lar. Mas agora, eu compreendo... um lar é um lugar para onde alguém sabe que sempre poderá voltar. — Sasuke fez uma pausa. — Você é meu lar, Sakura. Porque eu sei que, apesar de tudo... você sempre esteve disposta a me receber.

Sakura voltara a chorar, apertando a blusa de Sasuke com força. Ela simplesmente não conseguia acreditar no que estava ouvindo.

— Mas agora... — Sasuke continuou. — Dessa vez, eu quero voltar para você. Você é a pessoa para quem eu quero voltar.

Sakura soluçou, um sorriso molhado crescendo em seus lábios. Ela sentia como se fogos de artifício estivessem explodindo dentro de si; por quanto tempo vinha esperando por essas palavras?

— I-Idiota... o que v-você está dizendo? — Sakura disse limpando as lágrimas, um sorriso audível em sua voz. — S-Será que você bateu a cabeça com muita força?

Sasuke riu baixinho.

— Provavelmente.

Sakura se encolheu debaixo dos braços de Sasuke, e este continuou envolvendo-a firmemente. Ele fechou os olhos, sentindo o aroma dos cabelos da garota.

Sakura sabia que dizer aquilo provavelmente fora difícil para Sasuke. Ele não era do tipo que se expressa facilmente. Ela também sabia que aquela era provavelmente a primeira e última vez que ele diria esse tipo de coisa. Mas, sinceramente? Ela não se importava.

Não se importava que Sasuke dissesse aquelas simples palavras ao invés de uma declaração pomposa. Não se importava que ele estava praticamente se despedindo. Não se importava que ele não havia dito um "eu te amo" — talvez, ele nunca viesse a dizê-lo.

Mas Sasuke não precisava. Sakura sentia o que ele queria dizer nas entrelinhas.

Ele acabava de dizer que ia embora sozinho, o que significava que Sakura teria que esperar por ele um pouco mais. Mas, apesar de doer um pouco, ela estava feliz.

Porque, dessa vez... ela tinha certeza de que Sasuke iria voltar.

***

Paz.

Era como se os quatro ventos soprassem uma sinfonia pacífica e tranquilizadora. Todos, em toda parte, podiam sentir isso; desde o menor ao maior país; até a mais remota ilha.

Todos sentiam... paz.

A presença esmagadora de Akuma não mas incomodava a humanidade, e não era necessário ser um shinobi para perceber isso. Os céus não estavam mais cobertos com aquela terrível nuvem escura que simbolizava medo; que proporcionava uma sensação esmagadora, sufocante. Os raios de sol, enfim, começavam a passar por entre as terríveis nuvens de medo.

Os ânimos se acalmavam. Aquele estranho frio no estômago que todos, desde o mais novo ao mais velho sentiram, de repente não estava mais lá. Não havia mais pesadelos durante a noite; não havia mais emoções à flor da pele, não havia mais desastres naturais prejudicando e levando a vida de muitos.

O mundo sentia que podia, enfim, suspirar aliviado.

E ninguém no mundo estava mais aliviada que Hyuuga Hinata.

A garota se sentia leve como nunca; se sentia saudável, juvenil. Não havia mais pânico e tristeza constantes. Era como se amarras resistentes finalmente houvessem se partido.

Sua mente, enfim, era sua outra vez. Apenas sua.

— Por que está sorrindo? — Naruto perguntou suavemente.

Hinata apenas balançou a cabeça de leve.

— Nada. — ela murmurou. — Eu só estou... feliz.

Naruto também sorriu, suspirando.

— É... eu também. Acho que nunca estive tão feliz, na verdade...

Hinata assentiu com a cabeça. Ela sabia exatamente como ele se sentia.

Os dois haviam fugido do hospital sem serem vistos – ainda precisavam de cuidados médicos, mas naquele momento aquilo sinceramente não tinha importância. Eles sentiam que precisavam sair daquele local fechado e respirar um pouco de ar puro.

Estavam sentados sobre a cabeça da estátua do Yondaime Hokage, de onde podiam observar toda Konohagakure no Sato. O sol se punha, lançando uma iluminação dourada por toda a parte. Uma brisa suave balançava os cabelos de ambos.

Eles ainda usavam as vestimentas de pacientes; possuíam vários curativos pelo corpo. Hinata repousava sua cabeça no ombro de Naruto, e este tinha o braço ao redor dos ombros de Hinata. Os dois estavam apenas em silêncio, observando.

— Parece que Konoha está finalmente voltando ao normal. — Hinata murmurou. — Percebe? Está numa paz que eu não via há muito tempo...

E aquilo era verdade. Os habitantes de Konoha pareciam felizes, relaxados. Eles podiam ver crianças brincando pra lá e pra cá; o comércio estava voltando a abrir as portas. Alguns habitantes construíam casas novas ou faziam reparos, por conta das recentes invasões e intensas chuvas que causaram muita destruição. Mas, fora isso, todos pareciam revigorados.

— É verdade. — Naruto falou. — Mas, sabe de uma coisa, Hinata? Eu acho que dessa vez é diferente. Estamos entrando numa era de paz jamais vista antes.

Hinata assentiu. Ela sentia o mesmo.

O mundo shinobi nunca esteve em real paz por milênios. Sempre houveram guerras, intrigas – o ciclo do ódio. Mas agora, pela primeira vez... era como se esse ciclo estivesse desfeito. A Aliança Shinobi estava mais forte do que jamais fora; os países estavam em paz e harmonia. Não havia mais nenhum inimigo aterrorizante à espreita.

— E isso é tudo graças à você, Naruto-kun. — Hinata disse.

Naruto acabou corando um pouco e sorriu.

— Mas é claro que não, Hinata... o mérito não é todo meu. Todos os shinobis que participaram da guerra são verdadeiros heróis... até mesmo os que morreram. E esse mérito também é seu, que selou Akuma de volta em sua prisão. — Naruto olhou-a com um sorriso doce. — Você aguentou o pior demônio de todos dentro do seu corpo por todo aquele tempo. Tenho muito orgulho de você, Hinata.

A Hyuuga corou e desviou o olhar, um sorrisinho nos lábios. Ainda era muito tímida quando o assunto era Naruto, apesar de tudo.

— M-Mas isso me trouxe muitos problemas... os membros do meu clã...

Hinata engoliu em seco, de repente sentindo uma onda de tristeza. Tantos membros de seu clã haviam falecido enquanto Akuma tentava forçá-la a ceder...

— Ei, Hinata. A culpa não foi sua. — Naruto falou, segurando o queixo da garota para que ela o olhasse. — Você sabe de quem foi a culpa. Não estou dizendo que isso não é triste, mas... você não deve se sentir culpada por algo que não fez.

Hinata suspirou. Ela sabia que Naruto tinha razão; tinha que enfiar aquelas palavras na cabeça.

Os dois voltaram a ficar em silêncio, admirando a paisagem. O sol se punha mais e mais. Eles estavam num lugar onde a vila inteira poderia vê-los, mas não se importavam mais – aquele relacionamento não era mais um segredo. Todos deveriam saber.

Lá em baixo, os shinobis corriam de lá para cá, agitados, entrando e saindo do prédio do governo. Hinata apertou os lábios.

— A Cerimônia de Posse do Kakashi-sensei será daqui há três dias. Os shinobis estão alvoroçados. — Hinata falou. — Você... não ficou chateado, Naruto-kun?

Ela olhou para Naruto, hesitante.

Naruto abriu um sorriso relaxado.

— Mas é claro que não! Eu entendo as intenções de Tsunade-no-baachan... não me importo. Sei que tudo tem seu tempo, Hinata, por isso serei paciente. Um dia minha hora vai chegar. — ele disse. — Kakashi-sensei é um ótimo shinobi, ele merece ser o Rokudaime Hokage. Estou feliz por ele. Konoha vai estar em boas mãos.

Hinata sorriu, aliviada. Ela já sabia que Naruto não ficaria ressentido, mas mesmo assim, sempre era bom checar.

— Sem contar que eu não sei se ficaria feliz se fosse nomeado Hokage agora... — Naruto afirmou, fazendo Hinata arregalar os olhos. — Quer dizer... caramba, eu já fiz muita coisa em tão pouco tempo! Primeiro, a Quarta Guerra Ninja... Ter que enfrentar Madara, Obito, o Juubi ressuscitado, aquela porcaria de Mugen Tsukuyomi... a maluca da Kaguya... ter que dar umas porradas pro Sasuke cair na real... e agora essa história com o Katsuo, Amanojaku e Akuma? Cacete, eu quero poder relaxar um pouquinho!

Hinata riu do tom de Naruto.

— É... você tem razão, Naruto-kun. — a Hyuuga disse, ainda rindo.

Naruto encarou-a em silêncio. Hinata era tão linda que isso chegava a assustá-lo. Sua pele alva, seus cabelos brilhantes, seus olhos perolados... simplesmente não havia nenhuma outra tão bonita quanto Hinata. E não era apenas isso: ela era linda por dentro e por fora. Gostava de ajudar os outros, era persistente, determinada, corajosa...

Naruto apertou Hinata num abraço e escondeu seu rosto no topo da cabeça da garota.

— E pensar que eu quase te perdi... — Naruto murmurou baixinho.

Hinata corou levemente, apertando os braços de Naruto que estavam ao seu redor.

— Mas não perdeu. — ela disse. — Nem vai perder.

— Não, Hinata, você não entende... — ele disse, afastando-se um pouco sem soltá-la, encarando o vazio. Seus olhos espelhavam angústia. — Eu pensei... eu vi você morrer. E eu simplesmente... eu não pude nem aguentar a ideia. Até mesmo me tornar Hokage sem ter você ao meu lado não fazia sentido...

Naruto arregalou os olhos quando sentiu Hinata encostar seus lábios nos dele, num beijo doce e suave.

Eu estou aqui, Naruto-kun. — ela disse, as bochechas levemente coradas, um lindo sorriso no rosto.

Naruto também sorriu.

— É... que bom que está. — ele suspirou. De repente, arregalou os olhos. — Ei, eu acabo de me lembrar de uma coisa muito séria!

Hinata piscou, ficando preocupada.

— O-O quê?

— Nós nunca tivemos um encontro!

Hinata suspirou aliviada. Ele agiu como se fosse algo realmente sério.

— Uh... é mesmo. Quem pensaria em ter um encontro em tempos como aqueles? — ela murmurou, tentando tranquilizá-lo.

— Mas isso não está certo. Casais precisam ter encontros. — Naruto parecia determinado. — Vamos ter um encontro.

— Quando?

— Hoje! Agora!

Hinata arregalou os olhos; Naruto já começava a se levantar. Hinata segurou-o pelo braço.

— Ei, Naruto-kun, acho melhor não! — ela exclamou. — Nós ainda não estamos completamente recuperados... nem deveríamos ter saído do hospital. Tsunade-sama vai ficar louca se descobrir que estamos passeando por aí.

Naruto engoliu em seco, lembrando por um momento de como Tsunade ficaria furiosa. Ele voltou a se sentar.

— Hm... você está certa. Mas vamos ter nosso encontro o mais rápido possível, certo? — ele disse sorrindo.

— Isso nem é tão urgente, na verdade... — Hinata murmurou.

— Um encontro de verdade.— Naruto continuou, como se não houvesse escutado o que ela disse. — Daqueles que a gente se arruma e vai jantar num restaurante chique... e compra flores... espera, as pessoas ainda compram flores em encontros? — Naruto coçou a cabeça, confuso. — Eh, na verdade eu não tenho muita prática com encontros...

Hinata riu, fazendo-o se sentir meio constrangido.

Ela voltou a encostar sua cabeça no ombro de Naruto.

— Eu não me importo com nada disso, Naruto-kun... ir com você comer rámen no Ichiraku já é suficiente.

— Eh? Sério? — Naruto suspirou, aliviado. — Isso me tranquiliza.

Eles voltaram a ficar em silêncio. O sol estava quase se pondo; o céu começava a escurecer. Hinata encarou Naruto de soslaio; ele ficava realmente bonito sob a luz do sol. Seus cabelos loiros pareciam ser feitos de ouro, e sua pele bronzeada reluzia.

— Ah, Naruto-kun... eu acabo de me lembrar de uma coisa. — ela disse, tomando a atenção do rapaz. — Quando nós lutamos contra Akuma... um pouco depois de eu fazer a transferência de chackra... você disse que tinha algo importante a me dizer. O que era?

— Ah, isso... — Naruto coçou a cabeça.

Ele ficou em silêncio alguns instantes, observando o horizonte.

Então, encarou Hinata.

Seu semblante era sereno. Seus olhos azuis tão penetrantes pareciam ser capazes de hipnotizar.

Naruto a encarava como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo. E, para ele... de fato era.

— Eu te amo. — Naruto enfim disse.

Os olhos de Hinata se arregalaram; seu coração acelerou. Ela ficou boquiaberta, sem reação.

Ele... ele realmente dissera isso?

Naruto riu, achando graça.

— Hina, você é muito chorona... — ele murmurou, limpando uma lágrima que escorrera pela bochecha da garota. Ela mal percebera que começara a chorar.

Hinata piscou, tentando limpar as lágrimas. Seu rosto estava vermelho.

— M-Me desculpe... e-eu só...

Naruto envolveu-a num forte abraço, repousando o queixo no topo da cabeça de Hinata.

— Não precisa dizer nada. — ele sussurrou. — Me desculpe pelo atraso... eu deveria ter dito isso antes.

Hinata abriu o sorriso mais largo de sua vida, abraçando Naruto de volta.

Eles continuaram abraçados ali, até que o sol finalmente desapareceu detrás das montanhas. A sensação de estar nos braços um do outro era perfeita, aconchegante... familiar.

Era como estar em casa.

— Eu quero ter muitos filhos. — Naruto disse de repente, assustando Hinata.

— F-Filhos?! V-Você não acha que é meio cedo para isso...?

— Como assim, cedo? Nós temos a vida toda pela frente! — Naruto disse, entusiasmado. — Não estou dizendo que quero ter filhos agora... Mas... — ele pensou um pouco. — Eu quero ter uma menina.

Hinata ficou um pouco surpresa.

— Uma menina?

— Sim, uma menina. Uma menina forte e bonita. Que se pareça com você. Ela vai ser minha princesa.

Hinata riu baixinho.

— E qual seria o nome dela?

Naruto colocou a mão no queixo, pensativo.

— Hm... Himawari!

Hinata sorriu.

— É um belo nome. — ela ficou em silêncio alguns instantes. No momento, pensava que aquilo não passava de uma brincadeira, por isso resolveu participar. — Sendo assim... eu gostaria de ter um filho.

Naruto piscou.

— Sério? Eu sempre pensei que você preferiria meninas...

— Na verdade, não... — Hinata se aconchegou mais no abraço de Naruto. — Um menino forte... e inteligente. Que tenha a personalidade brilhante como a sua.

— Uma personalidade como a minha? — Naruto engoliu em seco, lembrando-se de como costumava ser quando criança. — O-Olha, sinceramente... eu não sei se gostaria de ter um filho hiperativo como eu era... — Hinata riu. De fato, Naruto sempre foi muito bagunceiro... mas era exatamente isso que ela gostava. — E que nome você daria à esse menino?

Hinata pensou em silêncio por alguns segundos. Sorriu; acabara de encontrar o nome perfeito.

— Boruto.

***

Sakura não conseguia impedir que seu coração doesse.

Ela olhava para baixo, cutucando a cutícula do polegar para ocupar as mãos. Sentia seu coração bater rápido. Estava nervosa, quase agoniada.

Os dois acabavam de chegar à entrada de Konoha. Sasuke usava sua capa preta de viagem. Estava pronto para partir.

Um vento fez com que os cabelos e a capa de Sasuke balançassem. Sakura sentiu um calafrio; era como ter um déjàvu. Ela já estivera ali... ele já estivera ali. Tantos anos atrás, Sakura tentara impedir Sasuke de abandonar a vila. Muitos anos haviam se passado desde então; ambos haviam mudado muito.

E Sasuke procurava mudar ainda mais.

Sakura engoliu em seco.

— O que... o que exatamente você vai fazer? — ela perguntou.

Sasuke encarou-a. Ela já havia feito aquela mesma pergunta algumas centenas de vezes; porém, ele não se sentia irritado. Pelo contrário.

Sasuke havia atendido o pedido de Sakura: ficar em Konoha pelo menos até a Cerimônia de Posse de Kakashi. Eles tiveram três dias.

A Posse de Kakashi ocorrera no dia anterior. Sasuke ficara ainda mais tempo do que o planejado. O sol se punha, dando uma coloração alaranjada em tudo.

Algo dentro de Sasuke não queria partir. Mas ele sabia que era necessário.

— Eu preciso ver o mundo. — Sasuke explicou mais uma vez. — Por toda a minha vida, eu sempre estive concentrado em meus objetivos sombrios. Deixei de observar muitas coisas... preciso dessa chance agora. Só assim eu sei que conseguirei realmente me desprender do meu passado e meus antigos ideais.

Sakura assentiu de leve com a cabeça. Já conhecia essa resposta.

Ela encarou o chão, cruzando os braços. Sorriu tristemente.

— O que aconteceria se eu pedisse pela milésima vez que você me levasse junto...?

Sasuke sorriu suavemente.

— Você sabe que eu não posso. Esse é um caminho que eu devo trilhar sozinho.

Sakura suspirou e finalmente levantou o olhar.

— Certo... Eu já prometi que não vou morrer. Agora é a sua vez de fazer essa promessa. — ela disse. — Não morra. Eu não quero esperar eternamente por um cadáver.

Sasuke riu baixinho.

— Eu não vou morrer. — Sasuke afirmou. — E você não vai esperar eternamente.

Sasuke encarou o horizonte por alguns instantes, para o caminho que levava para fora de Konoha. Outra brisa fez com que as árvores chacoalhassem e os cabelos balançassem.

— Eu vou voltar. — Sasuke disse baixinho, ainda encarando o horizonte. — E, quando eu voltar... aí, sim, te levarei junto comigo.

Sakura arregalou os olhos com aquela afirmação.

Ele voltou a olhá-la. Era visível o quanto ele estava diferente... seu olhar não era mais tão frio. Ele parecia mais... humano.

E foi encarando-o no fundo dos olhos que Sakura finalmente entendeu. Ela viu toda a confusão na mente de Sasuke; ela viu as feridas abertas, que só se curariam com o tempo. Ele mal sabia ao certo quem era.

Sasuke precisava daquela jornada. Ele era como um animal selvagem: ninguém jamais conseguiria prendê-lo numa gaiola. Ele precisava ser livre.

Aquilo, de certa forma, amenizou um pouco a dor em seu coração.

Sakura assentiu de leve, sorrindo.

Sasuke suspirou pesadamente, encarando o céu.

— É a minha hora. — ele falou.

Sakura cruzou os braços outra vez, meio sem jeito. Ela não sabia ao certo o que fazer.

— Hm... ok. Eu vou ficar aqui... hm...

Sakura arregalou os olhos quando sentiu Sasuke dar-lhe um peteleco na testa.

Não foi exatamente um peteleco; ele pressionara o indicador e o dedo médio na testa de Sakura, empurrando sua cabeça de leve.

Até a próxima vez.— ele murmurou, um pequeno sorriso nos lábios.

Sakura piscou, encarando-o. De alguma forma, aquele simples gesto pareceu muito mais significativo do que qualquer outra coisa que pudesse ter feito.

Mas então, de repente, ela sentiu um frio na barriga.

Foi como se o mundo ao redor houvesse entrado em câmera lenta, até que parasse de se mexer completamente; pássaros flutuaram imóveis no ar, pessoas ficaram paralisadas em suas posições. Sakura arregalou os olhos.

— O que é isso...?

A Haruno arregalou os olhos ainda mais quando sentiu os lábios do Uchiha irem de encontro aos dela.

Ele segurava sua face com as duas mãos, tendo que se abaixar um pouco por conta da diferença de altura. Sakura literalmente se sentiu fora do ar. Aquele foi um beijo doce, suave; algo muito mais impactante do que os beijos de tirar o fôlego que Sasuke costumava dar (e houveram muitos desses nesses curtos três dias).

Sakura fechou os olhos e beijou-o de volta. Ela sinceramente não queria que aquele momento acabasse.

Sasuke quebrou o beijo.

— Não se esqueça disso. — ele sussurrou bem perto do rosto dela. — Não se esqueça de mim.

De repente, o mundo voltou ao normal. Sasuke soltou-a e deu um passo para trás; ele agia como se nada houvesse acontecido.

— Tchau. — ele disse, simplesmente, e deu as costas rumo à saída de Konoha.

Sakura continuou paralisada, encarando-o enquanto caminhava. Sakura não viu o pequeno sorriso nos lábios do Uchiha.

— C-Como eu poderia esquecer?! — ela murmurou.

— Bem... isso é nostálgico.

Sakura sentiu seu coração ir na boca quando viu Kakashi surgir do nada ao lado dela.

— K-K-Kakashi-sensei?! V-Você estava...?

O homem mascarado tinha as mãos nos bolsos.

— Eu planejava me despedir... estava fazendo uma cerimônia oficial de honrarias para Yamanaka Hideki. Bem, parece que cheguei tarde. — Kakashi disse, coçando a cabeça. Ele olhou Sakura com estranhamento. — Por que você está tão vermelha?

Sakura piscou, perplexa; não entendia nada.

— V-Você não viu? Não viu nada?

Kakashi arqueou uma sobrancelha, confuso.

— Vi o quê?

Sakura encarou as costas de Sasuke, já longe o suficiente. Mas é claro que ninguém vira nada. Aquele era Uchiha Sasuke, afinal; ele poderia muito bem fazer com que o próprio tempo se dobrasse aos seus caprichos.

Os dois ficaram parados do portão, observando o Uchiha se afastar.

— Esse garoto... não sei se fico aliviado ou preocupado. — Kakashi disse.

— Não há motivos para preocupações, Kakashi-sensei. Ele vai voltar. — Sakura disse, sorrindo levemente.

— Como você pode ter tanta certeza? — Kakashi questionou.

Sakura suspirou.

— Ele vai voltar. — ela disse simplesmente.

Kakashi resolveu não questionar.

— Quer dizer que você vai mesmo embora?

Sasuke parou de andar e encarou Naruto, que estava encostado numa árvore de braços cruzados.

— Eu preciso. — Sasuke murmurou.

Naruto suspirou e fechou os olhos por um momento.

— Sasuke... você na verdade não precisa. As pessoas da vila talvez não entendam agora, mas elas vão mudar. Eu, Sakura-chan, Kakashi-sensei, Tsunade-no-baachan e vários outros sabemos que você mudou...

— Não é por eles, Naruto. — Sasuke o interrompeu. — É por mim. Eu preciso mudar...

Sasuke encarou o chão por um momento, pensativo. Naruto observou-o em silêncio.

O Uchiha definitivamente estava muito diferente do que fora tempos atrás. Seu olhar não era mais aquele poço de tristeza, ódio e escuridão.

E Naruto subitamente entendeu.

O loiro abriu um sorriso.

– Sakura-chan fez um ótimo trabalho com você, hein? — Sasuke arregalou os olhos em surpresa com aquela afirmação. — Ela é o motivo pelo qual você deseja mudar.

O Uchiha piscou e abriu um sorriso pequeno. Ele ficou em silêncio por alguns segundos, o vento balançando sua capa de viagem.

— Ela é boa demais para mim. — Sasuke falou, surpreendendo Naruto. — Preciso me tornar alguém à altura, não concorda?

Naruto sorriu.

"Sakura-chan... você realmente conseguiu alcançar os sentimentos do Sasuke."

Naruto apontou para Sasuke acusadoramente.

— Sim, eu concordo! Você ainda é imbecil demais pra ela. Até hoje não entendo como uma garota boa como Sakura-chan foi gostar de você!

Sasuke revirou os olhos e riu baixinho.

— Mas esse não é o único motivo da minha partida, na verdade... — Sasuke disse, tomando um tom mais sério. — Há algumas coisas me incomodando em relação à Kaguya. Também quero saber como Katsuo conseguiu dominar aquele dragão, Seiryuu... ele com certeza deve ter viajado entre as dimensões.

Naruto arregalou os olhos; não havia pensado nisso.

— Hm... não seria bom se outras pessoas aprendessem essa habilidade de viajar entre as dimensões. — Naruto comentou. — Alguém pode entrar onde não deveria... como a dimensão em que Akuma está aprisionado.

Sasuke assentiu com a cabeça.

— Exatamente. Também planejo aprimorar minhas habilidades com o Rinnegan. Essa coisa de dimensões... seria melhor se alguém pudesse ficar de olho.

Naruto assentiu. Sasuke continuava daquela mesma maneira: sempre muito atento à tudo, muito minucioso. Pelo menos, dessa vez ele tinha as intenções certas.

Sasuke suspirou.

— Vou indo agora. — ele falou. — Vê se consegue cuidar das coisas enquanto eu estiver fora.

Naruto sorriu e arqueou uma sobrancelha.

— Como se eu precisasse da sua ajuda! — Sasuke já ia se virando. — E você, não demore muito! Se não voltar, eu vou atrás de você para te dar uma surra!

Sasuke sorriu, sem se virar.

— Eu vou voltar.

Na verdade, Sakura não estava com toda a razão quando disse que ninguém jamais poderia prendê-lo. De fato, Sasuke era selvagem; precisava de liberdade. Mas, apesar de tudo...

Ele estava preso ao seu lar. E essa era uma prisão que ele sempre teria prazer de voltar.

Sasuke sempre voltaria para Sakura. Sempre.

Não era ela quem sempre o esperou.

Era ele quem sempre voltou para Sakura.

E sempre voltaria.

Sempre.

***

O mundo shinobi é feito de emoções intensas.

Ódio. Tristeza. Amargura. Dor. Escuridão. Felicidade. Perseverança. Coragem...

Amor.

O amor é o que sempre impulsiona tudo. Até mesmo sentimentos negativos têm início pelo amor.

O amor é o que cria os laços tão intensos. Os laços que, agora, unem todo o mundo ninja. Todos os países, vilas, Kages – todos unidos pelo amor.

O amor não pode ser destruído. Não pode ser alterado. O amor é mais forte do que escuridão, ódio, tristeza.

Foi por amor que grandes atos aconteceram. Como Minato e Kushina, que se sacrificaram pelo seu filho – sacrificaram-se com coragem por amor. Ou como Obito que, por amor, acabou tomando os rumos errados. Ou ainda como Naruto e Sasuke – Naruto, por amor ao seu amigo, conseguiu trazê-lo de volta da escuridão para a luz.

Não há nada que possa superar o amor. Nem mesmo demônios adormecidos, ou emoções negativos, ou ambição... nem mesmo a distância. O que o amor une, nada separa.

Naruto sabia que seus dias de paz teriam um fim. O próprio Tianlong avisara: forças adormecidas foram acordadas, e estas perturbariam até a sua prole. Mas Naruto não se importava: por enquanto, queria aproveitar tudo o que podia com Hinata.

Porque nem mesmo o medo pode superar o amor. Nada pode.

Afinal, shinobis são feitos de coragem, perseverança e força. E a única coisa mais forte que o simples amor...

É um amor shinobi.

Notas finais
Então! Esse foi o último capítulo de Um Amor Shinobi. Eu quase chorei escrevendo esse finalzinho. Ai... estou muito sensível, não me toquem~~~ Enfim, muito obrigada para quem acompanhou essa bagaça - e principalmente minhas sinceras desculpas pela demora absurda. Seus comentários me ajudaram muito. Fico feliz por ter escrito essa fic, que me ajudou a evoluir tanto. Mais uma vez obrigada por terem acompanhado essa saga! Agora eu vou ali, chorar num cantinho TT TT (seria muita cara de pau pedir recomendação depois da minha mancada colossal?? :D)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!