Um Amor Shinobi

15 Juramento de Sangue


Notas iniciais
GENTEEE me desculpem a demora pra postar o cap ;-; mas é que, como é fim de ano, estou completamente atolada de coisas pra fazer e quase não tive tempo de entrar no PC D: RECEBI DUAS RECOMENDAÇÕES *O* gleidson uzumaki & Uzumaki Geovanna:::sintam-se abraçados, seus lindos *u* Muito obrigada mesmo pelas recomendações, fiquei feliz bagarai

"Eu sou uma falha.

Falhei na missão mais importante da minha vida.

Falhei com meus companheiros, deixando-os morrer.

Falhei com meu clã.

Falhei com todos que eu amava.

Falhei por ter deixado ser capturado.

Sim, eu falhei. Não há mais volta.

Sou uma falha irreversível que sequer merecia estar vivo.

O único sentimento que supera tais falhas... é o meu ódio."

***

Yamanaka Hideki já fora um homem bom, gentil, compreensivo, confiável. Mas esse Hideki não mais existia. Ele agora era um homem frio, cruel, calculista, assassino. Ele tornara-se algo escuro por causa de seu profundo ódio que minava sua mente dia após dia. E ele apenas se sentiria saciado no momento em que conseguisse matar o alguém que era a fonte desse ódio.

E foi assim por doze anos. Até que uma pequena faísca de luz apareceu dentro de tanta escuridão.

E essa faísca chamava-se Hyuuga Hinata.

A garota era gentil e delicada, mas ao mesmo tempo forte e determinada. Ela estava presa, nas mãos de um homem cruel e terrivelmente forte, seu futuro estava praticamente destinado a ser a Jinchuuriki do Akuma. Mas a garota não perdia as esperanças. Mesmo estando ficando doente por causa das injeções de sangue Uzumaki; mesmo estando com um selo assassino em sua cabeça; mesmo estando em péssimas condições de confinamento, ela não perdia as esperanças.

Mas o quê a motivava? Ele não conseguia entender.

No começo, a garota não passava de uma peça no plano de Hideki para destruir Katsuo, mas acabou tornando-se mais do que isso. O Yamanaka lembrou-se do homem que costumava ser antigamente. Lembrou-se de coisas como bondade e perdão. Lembrou-se que nem tudo na vida resumia-se apenas em ódio. E, por causa disso, ele decidiu que ajudaria Hinata não só pelo seu plano, mas porque ela não merecia ser apenas uma arma vazia, apenas um receptáculo para o poder de Akuma. Ele recusava-se a pensar que aquela garota estava destinada a ter um futuro tão horrível.

Hideki percebia que a garota tinha sonhos com seus amigos, desejando vê-los com todas as suas forças. Ela, inclusive, costumava falar enquanto dormia. O estranho é que Hinata só murmurava um nome:

Naruto.

Todas as noites, depois de receber uma dose de morfina, a garota murmurava esse nome algumas vezes. Depois de um tempo, Hideki ficou com certa curiosidade, mas sabia que jamais iria ver quem era essa pessoa. Porque ele não voltaria para Konoha; não depois de tudo o que fez.

Hideki estava com esses devaneios na cabeça enquanto cuidava de alguns problemas irritantes dos escravos, quando percebeu um mínimo tremor que fez cair um pouco de poeira do teto. Para a maioria foi imperceptível, mas esse poderia ser um sinal. Já faziam dois dias desde que ele enviara a mensagem para Ino; era impossível desconsiderarem aquela informação.

Retirou-se para dentro de uma sala vazia, fechando a porta ao entrar. Encostou-se na parede da sala, fechando os olhos para se concentrar. Sentiu novamente um tremor, e junto com ele conseguiu detectar sete fontes de chakra, uma delas era especialmente grande.

O resgate enfim chegou.

Hideki saiu da sala alarmado, mas manteve uma máscara perfeita de indiferença para não desconfiarem. Passou pelo corredor que levava á cela da Hyuuga, pressionou a porta de pedra e adentrou. Hinata estava alarmada. Ela já havia percebido.

– Chegou a hora. — ele disse.

O homem foi até a mesa de pedra em que ela encontrava-se deitada, retirou as algemas e correntes que a mantinham presa. A garota levantou-se um pouco trêmula e Hideki podia ver que ela tinha febre, mas não havia tempo para cuidar dela agora.

– Você se lembra do percurso que tem que fazer, não é? — ele perguntou, e Hinata assentiu. — Ótimo. Lembre-se de tudo que eu lhe disse. Eu vou te dar cobertura para que possa fugir sem ser vista. Temos que ser rápidos.

– Sim. Hideki-san. — a garota curvou-se para ele. — Arigatou. Por tudo.

Ela estava um pouco corada, mas ainda tinha um pequeno sorriso na face. Hideki apenas assentiu, mas no fundo estava feliz. À quanto tempo alguém não o agradecia por algo?

Então, a garota olhou para algo atrás dele, de olhos arregalados cheios de surpresa e pavor. O homem foi virar-se para ver o que tinha ali, mas não conseguiu. Uma dor dilacerante atingiu-o.

Hideki olhou para baixo; a lâmina de uma katana ensanguentada encontrava-se cravada em seus tórax. Sua visão ficou turva, respirar de repente tornou-se tarefa quase impossível. Ele sentiu suas forças esvaindo-se de seu corpo. Suas pernas ficaram bambas e ele caiu no chão. A última coisa que Hideki escutou foi:

– Você falhou outra vez, Yamanaka.

***

O grupo de shinobis lutava contra aquele exército de mortos-vivos.

Quando se diz "morto-vivo", pensa-se em um ser humano em decomposição, cambaleante, sem senso de direção. Mas esses eram diferentes. Em decomposição sim, mas eles eram rápidos e bastante fortes para alguém que está só na carne podre. E o pior é que aquelas coisas já estavam mortas, por isso toda vez que eram derrubados, voltavam a levantar-se e recomeçavam a lutar.

– Isso não tem fim! — Sakura gritou, enquanto desferia um soco mortal na cabeça de um dos bichos.

– Vamos ficar a vida toda aqui, que vai ser impossível ganhar deles — Neji disse. — Eles não passam de um bando de mortos que estão gastando nosso tempo. Temos que ir atrás da Hinata-sama.

– O quê está acontecendo aqui? — uma voz conhecida falou.

Shikamaru, Ino e Chouji surgiram. Ino usava o sobretudo preto da Divisão de Inteligência e os coletes chuunin de Shikamaru e Chouji agora tinham um tom mais escuro, mostrando que agora ambos eram jounins.

– Como foi que vocês sabiam que estávamos aqui? — TenTen perguntou.

– Não sabíamos. Estávamos voltando para o continente quando vimos uma explosão aqui e corremos pra ver do que se tratava. — Shikamaru disse.

Os shinobis explicaram tudo que havia acontecido até agora.

– Neji tem razão, devemos procurar o esconderijo logo. — Shikamaru falou, mas antes que terminasse a frase, Naruto já avançava por entre a multidão de mortos-vivos em direção ao centro da ilha.

Os outros ninjas foram obrigados a segui-lo, empurrando os mortos. Não adiantava usar um ataque muito grande, já que eles iriam levantar-se de novo e lutar, por isso eram obrigados a usar apenas taijutsu.

– Não vejo nenhuma construção, como é que esse esconderijo pode estar por aqui? — Lee perguntou.

– Provavelmente é um esconderijo subterrâneo. Uma construção nessa ilha chamaria muita atenção. — Shikamaru falou.

– E como vamos achar a entrada? — Chouji perguntou dessa vez.

– Hm, não sei, talvez algum tipo de... — ele não conseguiu responder; foi interrompido.

– Achei! — Naruto gritou.

O grupo dirigiu-se até onde o Uzumaki se encontrava, e viram que ele apontava para um tipo de tampa de fosso feita de pedra e com um desenho entalhado nela. Claramente fora usada recentemente, e só poderia significar que era a entrada.

Os ninjas pretendiam entrar silenciosamente para não causar alarde no esconderijo, mas Naruto estava histérico demais — desferiu um Rasengan no portal e destruiu a pedra, logo depois pulou para dentro. Os outros tiveram apenas que segui-lo.

O lugar era iluminado por tochas e todo feito de pedras, o chão, as paredes e o teto. Era incrivelmente úmido para um lugar que ficava debaixo da terra. Logo que adentraram, uma onda de homens — esses estavam vivos — foram para cima do grupo, mas Naruto derrubou a todos sem sequer fazer muito esforço. Pegou um dos homens pela gola da camisa e gritou:

– Onde está a Hinata?! Responda!

O homem estava meio grogue depois de ter apanhado tanto, mas enfim disse:

– Na parte mais funda... daqui...

Naruto jogou o homem no chão e correu, o grupo seguiu-o. Logo entraram num grande saguão também de pedra, e centenas de homens apareceram ali, na tentativa de interceptá-los, e todos foram derrubados. Naruto desceu vários lances intermináveis de escadas aos pulos (aquele lugar era gigantesco, era muito profundo, parecia um formigueiro de pedra), até que chegou na parte mais funda.

A parte mais funda continha um saguão gigante e vários corredores. O lugar estava estranhamente vazio. Naruto seguiu sua intuição e entrou no maior corredor, que aparentemente levava á uma parede de pedra sem saída, até que ele percebeu as marcas de uma porta na pedra.

O coração do rapaz pareceu paralisar. Ela está lá dentro. Fez pressão na porta que se abriu.

Naruto observou uma sala pequena de pedra, precariamente iluminada por velas e com uma mesa de pedra com algumas correntes jogadas, e a mesa estava manchada de sangue nos cantos.

E encontrou também um homem musculoso e loiro, jogado no chão com uma enorme poça de sangue á sua volta.

HIDEKI! — Ino gritou ao entrar na sala e observar o corpo do homem ali. Ela empurrou Naruto e abaixou-se ao lado do homem, apoiando a cabeça dele em suas pernas. Ela já tinha lágrimas no rosto. Aproximou a cabeça perto dele, e depois disse: — Ele ainda está vivo! Sakura!

A garota de cabelos rosa abaixou-se ao lado de Ino, logo começando o tratamento de emergência. Ino ajudou-a no Ninjutsu Médico, mas logo que Sakura colocou os olhos no ferimento do homem, tomou uma expressão estranha. Elas continuaram tentando curá-lo enquanto Ino chorava, até que Sakura parou de repente e olhou para a amiga ao seu lado com a expressão cheia de compaixão.

Ino olhou-a com a expressão incrédula.

– Por que você parou?! Temos que curá-lo! — ela gritou.

– Ino. — a amiga falou calmamente, olhando-a nos olhos, mas Sakura já queria chorar também. — O ferimento... — antes de terminar de falar, Sakura olhou para a platéia que assistia àquela cena com o olhar furioso, claramente dizendo: "Deem o fora daqui." Eles todos saíram, deixando Ino, Sakura e Naruto, que se recusava a sair. Ela então continuou: — O ferimento foi num ponto vital, Ino. O pulmão esquerdo dele foi perfurado... você sabe o que isso significa... eu sinto muito.

A Yamanaka tinha uma expressão incrédula. As lágrimas não paravam de cair.

– Não! Não pode ser verdade! Meu irmão... não pode... quando nós finalmente... — ela sequer conseguia falar.

As lágrimas acumulavam-se nos olhos de Sakura. As mãos de ambas estavam cobertas de sangue de Hideki. Não havia como ele sobreviver àquele ferimento.

Foi quando elas escutaram um sussurro mínimo.

– Ino...

Hideki estava vivo... tentando falar... mesmo com o pulmão perfurado...

A garota olhou-o, com as mãos em cada lado do rosto dele.

– Hideki-niisan! Você... — ela não conseguiu terminar.

Ele tossiu, e sangue saiu de sua boca com a tosse.

– Pare de chorar... todos sabíamos... que ia acabar assim... — ele disse, com a voz quase imperceptível.

– Não! Você vai ficar bem, Nii-san! A Kaa-chan precisa de você em casa... ela precisa...

– Você se tornou... uma linda mulher... Ino... Me desculpe... Peça desculpas á Kaa-chan... por mim... Prometa...

Ino chorava compulsivamente. Ela havia acabado de perder o pai. Descobrira que seu amado irmão, perdido á tanto tempo estava vivo... e agora, ele estava ali, á beira da morte. O coração da garota pareceu querer explodir. Mas ela assentiu para o irmão, e disse:

– E-eu prometo, Nii-san...

Naruto assistia àquela cena no canto da cela, completamente desconfortável e desejando ter ficado lá fora com os outros. Aquilo era pessoal demais, ele se sentia um completo intruso. Mas o garoto também queria chorar. Ele ainda estava no Modo Kyuubi, por isso conseguia sentir aquela onda de sentimentos. Podia sentir o sofrimento profundo da irmã; podia ver a vida terrível de amargura e ódio que Hideki tivera... e agora que ele podia ser livre, estava naquele estado.

Hideki fez um esforço sobre-humano e virou a cabeça na direção de Naruto, na intenção de olhá-lo. Aquele era o Naruto dos sonhos de Hinata. O rapaz que ela chamava enquanto dormia. Quanto colocou os olhos nele, pôde enfim perceber o que motivava a Hyuuga daquela forma á fazê-la jamais desistir.

Sua motivação era o amor.

Por aquele garoto.

– Naruto. — Hideki falou, assustando o garoto. Ele aproximou-se, abaixando-se junto ás duas garotas. — Salve-a.

Hideki apenas disse isso, nada mais. Mas teve um impacto tão grande que pareceu massacrar Naruto. O loiro cortou a palma da mão, derramando seu sangue, depois pegou na mão de Hideki com força, e assentiu seriamente com a cabeça.

– Eu vou. Juro que vou.

Hideki olhou Naruto no fundo dos olhos, e os dois tiveram um tipo de conversa silenciosa. Logo depois, Hideki voltou a olhar a irmã.

– Me desculpe. — ele disse, fitando-a profundamente.

E nunca mais voltou a falar.

***

Ino continuou dentro da cela junto com Sakura, que dava apoio á amiga. Naruto saiu da sala e fechou a porta de pedra, e o grupo de ninjas dali estavam paralisados, com as cabeças baixas, lamentando o sofrimento de Ino enquanto escutavam o choro da Yamanaka.

Mas, na verdade, o único que conseguia entender a loira era Sasuke. Ele estava mais longe do grupo, encostado na parede do corredor e de braços cruzados. Ele sabia muito bem o quê é perder um irmão que se ama e, pela primeira vez, sentiu certa simpatia por Ino.

– Cadê o Lee? — Naruto perguntou depois de certo tempo, e foi só falar no garoto que ele apareceu.

– Eu fui interrogar um desses caras. Eles me disseram que todos aqui são escravos desse tal Katsuo, mas ninguém sabe pra onde ele foi. — Lee falou.

– Não temos nenhuma pista... devemos procurar por aqui. — Neji falou.

Shikamaru, que estava na sua tradicional posição de meditação, abriu os olhos e disse:

– Na verdade, eu tenho uma ideia de pra onde eles foram.

– Eh? Então, fala logo! — Naruto falou, alarmado.

– Vocês não devem ter percebido, mas aquele portal que o Naruto destruiu tinha algumas gravuras. E a gravura principal era esta. — Shikamaru apontou para o símbolo vermelho em seu colete jounin.

– O que é que tem? — TenTen perguntou.

– Esse é o símbolo do País do Redemoinho, certo? — Naruto disse, lembrando-se de sua conversa com Kushina.

– Exatamente. Pra quem não sabe, o País do Redemoinho era um pequeno país que ficava perto do País do Fogo. O país foi destruído durante as guerras e não existe mais. O Clã Uzumaki é natural de lá. — Shikamaru contou.

– Clã Uzumaki? Eu nem sabia que o Naruto fazia parte de um Clã importante. — Chouji falou.

– Os ninjas de Uzushiogakure no Sato eram muito habilidosos com os Fuuinjutsus, inclusive os do Clã Uzumaki. Foi isso que os levou á destruição.

– O que isso tem a ver com a Hinata? — Lee perguntou.

– Eu apenas liguei os fatos. — Shikamaru continuou. — Experiências com sangue Uzumaki. O símbolo de Uzushiogakure logo na entrada e em vários outros lugares daqui. O menino que vocês encontraram em Amegakure foi uma tentativa de selar o Akuma. Se Katsuo está tentando tornar a Hinata num tipo de Jinchuuriki do Akuma, ele vai precisar de um Fuuin muito poderoso... como os Fuuins dos ninjas Uzumaki. O que significa que Katsuo deve estar atrás dessas técnicas proibidas de Fuuin que os Uzumaki tinham.

– Ele está indo ao País do Redemoinho. — Naruto concluiu.

– Para o templo do Clã Uzumaki, mais especificamente. — Sasuke disse, e tomou a atenção de todos. — O templo deles é cheio de pergaminhos com Fuuins. Eu estive lá. Só pode ser lá que ele quer ir.

Todos os shinobis começaram a agitar-se, dizendo que precisavam chamar os reforços. Naruto resolveu que eles deveriam ir na frente para não perder o rastro. Enquanto discutiam, a porta da cela abriu-se e Sakura que vinha com Ino ao lado saíram de lá.

Todos calaram-se. A loira tinha os olhos inchados e as mãos cheias de sangue, assim como as de Sakura. Todos olhavam apreensivos. Então, ela disse:

– Precisamos encontrar Takahashi Katsuo... e honrar o que meu irmão morreu tentando fazer.

As palavras da Yamanaka ficaram no ar, e estranhamente motivaram o grupo. Enfim, todos partiram para fora do esconderijo, indo em direção ao continente.

Naruto só tinha uma coisa na mente: ele não podia falhar. Tinha que salvar Hinata para honrar o juramento que fizera para Hideki em seu leito de morte.

Ele iria salvá-la á todo custo.

Não podia falhar.

Notas finais
Tamo chegando lá o/ Me desculpem por ter assassinado o Hideki, mas ele teve uma vida tão ruim que a morte foi a melhor salvação. E sem contar que se a história não tivesse nenhuma morte não ia ter graça.