Um Amor Shinobi
5 Desastre
Notas iniciais
Naruto estava atordoado com o que acontecera.
Ele, enfim, recebera alta do hospital. Os ferimentos mais graves haviam sido curados, por isso ele só tinha ferimentos superficiais e não havia motivo para ficar internado. Ele finalmente estava em sua casa — fazia tanto tempo que Naruto não entrava no seu apartamento que ficou até emocionado -, deitado na sua cama. Já eram altas horas da madrugada e ele não conseguia dormir.
Primeiro, pelo que acontecera com o lírio branco que Hinata havia o presenteado e que misteriosamente foi manchado com sangue. Por quê alguém se daria ao trabalho de entrar no seu quarto e fazer algo como aquilo? Sakura já havia dito que não não havia entrado no seu leito e ele acreditava nela. Então, quem?
E também havia aquela presença estranha que ele sentiu no quarto que fora destroçado por Sakura. Ela disse que havia um homem ali, um homem que "deveria estar morto" e que a deixou claramente apavorada. Naruto sentiu uma aura de ódio e poder tão forte naquele quarto que chegou a ficar enjoado. E ainda por cima, Kurama se recusava a dizer o que sabia.
– Qual é, Kurama! Conta logo o quê você acha que é! Nós não somos parceiros? — ele resmungou no fundo de sua mente para Kurama.
A raposa demônio revirou os olhos para o loiro teimoso, mas tinha uma expressão pensativa e sombria.
– Isso não vem ao caso. Se for quem eu penso que é, apenas mencionar o nome da coisa é perigoso. Por isso não vou dizer sem ter certeza.
– Até mencionar o nome... é tão perigoso assim? — Naruto perguntou, alarmado.
Kurama assentiu.
– Se realmente for o que estou achando, nós teremos muitos problemas em breve.
E com esse comentário feliz, Naruto se forçou a adormecer.
***
Hinata teve um sonho muito estranho aquela noite. Ela sonhou que uma voz chamava o seu nome — uma voz tão grave e horrenda que a fazia querer gritar; tão alta e forte que parecia que seus ouvidos iam explodir. A voz era tão real que quando ela acordou pareceu ainda estar ouvindo-a.
Mas quando acordou, quem estava chamando-a era sua irmã, Hanabi. A garota tinha cabelos longos e castanho-escuros, com uma franja de lado. Agora, Hanabi tinha 13 anos e já era uma genin. Tinha uma expressão preocupada no rosto.
– Onee-chan, você estava gritando. Tá tudo bem? — ela perguntou.
– Eu estava? — Hinata passou a mão na testa. — Eu não tive um sonho muito bom. Mas o quê foi?
Hanabi abriu um sorriso.
– Eu estava indo treinar. Você sabe, daqui á um mês começa o Chuunin Shiken.
– É mesmo, você vai participar — Hinata disse. Ontem mesmo, ela era criancinha e agora vai fazer o Chuunin Shiken... como o tempo voa.
– Ainda é muito cedo e eu não quero acordar o papai, fala pra ele que eu fui treinar com o Sensei?
– Tá bom... que horas são?
– Seis horas. Bom, vou indo. Obrigada, Nee-chan.
– De nada. Bom treinamento — Hinata disse enquanto Hanabi saía do seu quarto.
Hinata não queria voltar a dormir por medo de ter que escutar aquela voz novamente, por isso fez sua higiene pessoal e vestiu-se. Ela tomou um rápido café da manhã e saiu para fora da mansão dos Hyuuga.
O sol ainda estava amanhecendo, o céu tinha um tom meio laranja. As ruas estavam vazias e o único som que se ouvia era dos pássaros e alguns latidos e miados. Fora isso, estava tudo completamente quieto e tranquilo. Hinata foi até a ponte que ficava no centro da vila, lugar onde costumava ir quando queria pensar. Mas já tinha alguém lá.
Naruto estava debruçado na grade da ponte olhando o céu com a expressão pensativa. Usava uma camiseta verde e a calça laranja de sempre. A luz do sol fazia o cabelo dourado dele parecer brilhar. Hinata paralisou ao vê-lo e ficou observando-o por um bom tempo na entrada da ponte, e teria ficado ainda mais tempo lá se Naruto não tivesse percebido sua presença.
– Hinata! — ele acenou e sorriu. Ao vê-la, aquela expressão preocupada dele sumiu. — O quê faz aqui tão cedo?
Hinata tomou coragem e foi colocar-se ao lado dele.
– Eu estou sem sono e resolvi andar. — ela disse, não querendo mencionar a voz horrenda do seu sonho.
– Você também? — ele olhou-a, perguntando-se o que a faria perder o sono.
– "Também"? — ela perguntou.
Ele riu.
– É que eu estou cheio de coisa na cabeça. Perdi a vontade de dormir.
– Ah... — ela disse, desesperada para arranjar algo novo pra falar e não parecer uma "sem assunto".
Naruto lembrou-se da flor destruída que Hinata dera e ficou meio triste. Podia parecer besteira, mas aquela flor ganhara um valor sentimental para Naruto. Observando-a agora, Naruto pôde perceber como Hinata parecia uma boneca de porcelana — delicada e frágil. É óbvio que ele sempre achou Hinata bonitinha (um pouco esquisita talvez, mas sempre bonitinha), mas depois de uns tempos ele percebeu que ela ficou bonita de verdade. Ela tinha uma beleza delicada, parecia uma boneca em tamanho real, e toda vez que ele a via, tinha uma vontade quase obsessiva de pegar nos cabelos azuis dela — mas tinha aprendido a se controlar.
Hinata virou-se para ele e Naruto percebeu que estava encarando-a por um bom tempo. Ambos ficaram sem graça com a situação.
– E-então, Naruto-kun... v-você disse que estava com problemas... — Hinata disse numa tentativa de quebrar o gelo.
Naruto tomou uma expressão séria.
– Ah... não é nada importante. — Na verdade, é muito importante sim, mas não quero falar, ele pensou.
– Hm... — quando Naruto ficou de repente sério, ela pensou que ele não queria a presença dela. Droga. Ela pensou que era melhor deixá-lo sozinho. — Eh, Naruto-kun, eu acho que vou voltar pra casa... até mais...
Hinata já ia se distanciando dele, mas antes que pudesse fazê-lo, Naruto segurou-a pela mão. Hinata ficou mais vermelha que um tomate com a reação brusca dele, mas quando viu seu rosto, Naruto estava alarmado com alguma coisa, em posição de alerta.
– Você sentiu isso? — ele falou, olhando em volta, preocupado.
– Hã? E-eu não senti nad...
Hinata não conseguiu terminar de falar, porque Naruto pegou-a no colo com uma rapidez incrível e pulou para longe da ponte. Bem na hora.
Bam!
A ponte que eles estavam a apenas um segundo agora voava em estilhaços para todos os lados. Uma nuvem preta em forma de cogumelo formou-se ali, provando que uma explosão aconteceu.
Naruto pousou no telhado de uma casa, com Hinata ainda no colo. Aconteceu tudo tão rápido que ela sequer conseguiu perceber. Mas quando percebeu o que acabava de ocorrer, ativou seu Byakugan de imediato e mirou o local onde uma vez fora a ponte.
– T-tem alguém... alguma coisa ali! — ela disse.
– Hein? — Naruto perguntou, mas logo viu o que era, pois o vento levou a fumaça e poeira pra longe.
O que estava ali era um homem com a pele bronzeada de mais ou menos quarenta anos, com os cabelos e barba castanho-escuro. Ele era extremamente musculoso e usava uma armadura preta parecida com a de um samurai. Ele tinha uma katana embainhada do lado direito do corpo e os braços cruzados.
Mas o mais intrigante era que ele estava de pé em cima de uma criatura completamente estranha. O bicho deveria ter o tamanho de um prédio de três andares e tinha olhos vermelhos. Parecia um leão, com a cabeça do nobre felino, mas a cauda do bicho era uma cobra verde que se contorcia loucamente. E o animal tinha mais duas cabeças, uma do que parecia ser um dragão, e a outra do que parecia ser um... bode. Sem contar que a criatura tinha asas gigantes de um morcego.
– Que merda é essa?! — Naruto disse, espantado.
– É uma Quimera. — Kurama disse de dentro dele. A raposa tinha os caninos enormes pra fora. — Existiam centenas desses bichos na era do Rikudou, mas o velhote acabou com todos eles, já que essas coisas comem humanos.
Naruto engoliu em seco.
– Eles comem humanos?! Você não disse que o Rikudou matou todos?
– Parece que alguns sobreviveram– Kurama disse. — Naruto, esse negócio vai fazer um estrago enorme na vila. É melhor se preparar.
– Yosshi! — Naruto disse. Ele colocou Hinata no "chão". A garota estava corada pelo fato de ter sido carregada no colo por ele. — Hinata, eu vou ter que lutar. As coisas vão ficar bem feias por aqui, por isso procure se proteger.
Naruto falou aquela última frase com um excesso de preocupação, o que até mesmo ele achou estranho, mas na situação atual, isso não tinha importância.
– E-espere! O homem lá embaixo parece estar preparando um jutsu — ela disse, com os olhos fixos na criatura.
E realmente, o homem estava fazendo alguns selos com as mãos. Quando terminou de fazer, o chão todo da vila tremeu como se um terremoto estivesse ocorrendo, e centenas de criaturas estranhas começaram a emergir do chão — pareciam ser humanoides, com o corpo de couro e garras afiadas, olhos vermelhos e presas que se projetavam para fora da boca.
– Droga! Vou ter que agir rápido! — Naruto rapidamente entrou no Modo Kyuubi, seu corpo envolto pelo chakra amarelo. Ele pulou no chão fazendo um estrondo. — Ei você! Quem você pensa que é pra causar essa bagunça na minha vila?!
O homem montado na Quimera olhou para Naruto. No fundo, ele queria tomar a atenção dele para que Hinata pudesse fugir. O homem observou-o com desinteresse.
– Ah. O heroizinho de Konoha. Eu gostaria de ter uma boa luta com você, mas agora não estou interessado — o homem disse.
– Pois vai ter que se interessar! — ele gritou, levantou uma mão para o ar e mais duas outras mãos de chakra amarelo apareceram, formando a shuriken gigante: — Oodama RasenShuriken!
Naruto lançou a massa giratória de chakra na direção da Quimera, com a intenção de cortá-la ao meio. Mas o que aconteceu foi que o RasenShuriken explodiu antes de sequer encostar na criatura ou no homem.
– Naruto-kun! — Hinata gritou. — Tem um campo de proteção em volta dele!
Ele queria gritar pra que ela se escondesse, mas agradeceu pela informação. Naruto gelou quando percebeu que a atenção do homem voltou-se para Hinata, e principalmente quando ele deu um sorriso de escárnio para ela.
Tenho que mantê-lo distraído, ele pensou.
–-
Sakura estava trabalhando loucamente no hospital, já que ficou de plantão, quando escutou a explosão. Os pacientes ficaram todos alertas.
– O que foi isso? — Ino perguntou, as duas estavam na recepção do hospital.
– Não sei...
Então, o chão começou a tremer. Do teto do hospital começou a cair o revestimento e os pacientes entraram em pânico, gritando e lutando para passar pela saída. Mas lá fora, o que viram foi centenas de criaturas humanoides com as garras de fora prontas pra matar.
Sakura correu para o lado de fora contra a multidão procurando ver o que acontecia. Ela fechou o punho direito e tomou impulso:
– Shannaroo!– ela gritou e enfiou o punho no chão, quebrando o solo e matando todos os bichos que estavam por perto.
Shizune apareceu atrás dela.
– O quê está acontecendo?! — ela perguntou.
– Não é óbvio? A vila está sendo atacada. — disse a voz masculina.
Sasuke apareceu. Ele ainda estava internado no hospital (porque que não se cura tão rápido quanto Naruto), sem a camiseta, já que o seu abdome estava enfaixado. Usava uma calça preta de moletom e estava descalço, já estava com sua kusanagi em mãos e tinha a expressão sem nenhum vestígio de medo ou preocupação.
Na verdade, não tinha vestígio de coisa alguma.
– Mas quem faria isso? — Sakura perguntou.
– Não sei quem foi, mas apareceu numa hora bem estratégica. — dessa vez, foi Kakashi que disse, que apareceu do nada. — A vila está com metade dos ninjas incapacitados. Estamos vulneráveis no momento.
– Eu vou até Tsunade-sama! Sakura, use a Katsuyu para proteger o povo da vila! — Shizune gritou.
– Entendido! — Sakura mordeu o polegar e fez a invocação, e uma lesma gigante branca e azul apareceu. — Katsuyu-sama! Você pode se repartir e se juntar a cada morador da vila? Não tenho tempo pra explicar!
– Tudo bem! — centenas de partes menores começaram a se desprender da lesma maior e foram até os moradores.
Sasuke começou a pular os telhados, decepando todos os bichos que passavam no seu caminho. Sakura o seguiu.
– Aonde você vai? — Sakura perguntou, desferindo socos mortais nas criaturas estranhas que apareciam.
– Vou atrás da raiz do problema — ele disse. — A primeira explosão parece ter acontecido ao norte da vila.
Enquanto eles corriam, toda a vila já estava acordada e desesperada — e todos os shinobis que podiam lutar estavam batalhando, numa mistura estranha de pijamas e armas. Ao longe, eles viram Chouji usar seu Karori Kontororu e ficar num tamanho gigante, esmagando o máximo de criaturas possíveis; viram Neji (que ainda estava debilitado) usar o Kaiten e fazer os bichos voarem pra longe; viram Rock Lee desferir uma série de Konoha Senpu nos inimigos ao lado de Gai e mais muitos outros de seus amigos.
– Ali! — Sakura gritou e apontou para uma estranha e gigante criatura.
Sasuke esperou para chegar mais perto, e de seu olho esquerdo caiu uma gota de sangue:
– Amaterasu!
O fogo negro envolveu a criatura, mas estranhamente, as chamas que deveriam tê-lo matado se dissiparam. Sakura e Sasuke perceberam Naruto e prostraram-se ao dele.
– Naruto! O quê está acontecendo? — Sakura perguntou.
– Eu não sei! Aquele cara ali de repente apareceu e... ei! Pra onde ele foi?
O homem que anteriormente estava de pé em cima da criatura havia sumido, e agora a Quimera estava sozinha — e cheia de raiva. O bicho pulou na direção deles, e cada um dos três desviou para um lado. Sakura foi a primeira a tentar atacar: pulou o mais alto que pôde e desceu, pronta para esmagar a cabeça do bicho com a perna, mas a Quimera desviou do ataque. Uma cratera enorme abriu-se onde Sakura havia desferido o golpe.
A Quimera encheu o peito de ar e cuspiu uma rajada de fogo na direção de Sakura, que estava mais perto. Sasuke moveu se rapidamente e protegeu-a com o seu Susano'o. Este tirou-a de lá e fez os selos, preparando um novo jutsu:
– Katon: Goryuka no Jutsu!– formou-se um dragão de fogo que engoliu a Quimera, mas quando as chamas dissiparam-se, a criatura estava intacta.
– Não adianta! Tem um campo de proteção em volta dessa coisa! — Naruto gritou.
– Por quê você não disse antes? — Sasuke queixou-se.
Naruto deu uma rápida olhada para trás e percebeu que Hinata não estava mais lá. Ótimo, não preciso mais me segurar, ele pensou, já preparando um novo ataque, quando ouviu a voz do homem:
– Tudo bem, já pode parar — o estranho subiu novamente na Quimera. Ele deu um sorriso macabro. — Eu gostaria de continuar essa agradável reunião, mas já consegui o que eu queria.
Os três shinobis presentes viram espantados que o homem segurava no colo uma garota desmaiada e amordaçada. A garota tinha a parte de trás da cabeça sangrando.
O coração de Naruto pareceu parar. A garota desmaiada era Hinata.
– Vou indo agora — o homem disse.
Naruto correu desesperado e cheio de ódio para cima do homem. Mas já era tarde demais.
Ele usou uma técnica de teletransporte e sumiu.
Mas levou Hinata junto.
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