Um Amor Shinobi
11 Conexão Mental
Notas iniciais
Faziam cinco dias que Hinata estava confinada naquele esconderijo subterrâneo. Cinco dias que ela estava sem notícias dos seus amigos e família. Cinco dias sendo obrigada a ficar deitada naquela mesa de pedra desconfortável e recebendo apenas o "necessário" de comida — que se resumia a um copo de leite e um pão puro quatro vezes por dia. Cinco dias mais próximos da sua possível morte.
E cada dia que se passava se tornava pior.
Hinata não conseguia mais dormir. Toda a vez que fechava os olhos escutava aquela voz chamando seu nome; tinha pesadelos horríveis que pareciam reais demais. A garota acordava gritando todas as noites e, por causa disso, era obrigada a levar uma anestesia pra desmaiar de vez. Ela sentia que alguém ou alguma coisa estava a vigiando o tempo todo, mas na maior parte do tempo ela ficava sozinha naquela cela, tirando as vezes que Katsuo vinha injetar sangue Uzumaki na veia dela e quando Hideki vinha trazer-lhe água e as vezes até mesmo uma refeição extra.
E a cada dia que se passava, Hinata sentia mais... medo.
Ela não entendia por quê esses estranhos calafrios começaram a subir pela sua espinha, não entendia por quê de repente seu coração começava a disparar e ela tinha vontade de sair correndo. Simplesmente não entendia. Mas então percebeu que não era só ela. Hideki, que tinha um auto-controle impecável, parecia um pouco perturbado também. Até que, um dia, ela perguntou:
— O quê está acontecendo?
Ele, que estava de costas, virou-se, de testa franzida.
— Hein?
— Eu sei que você também percebeu...
Hideki ficou quieto por um tempo.
— Sim, eu percebi. Todo mundo anda meio desorientado agora, e eu não sei por quê. Os escravos andam arranjando briga por motivos bobos, acordando á noite e gritando. Lá fora coisas estranhas também andam acontecendo.
— Eh? Que tipo de coisas?
— Fiquei sabendo que do nada uma tempestade caiu sobre Sunagakure, e bom... lá é o deserto, o que é realmente estranho. Um terremoto destruiu centenas de casas e matou muitas pessoas no País do Trovão, e parece que uma guerra foi declarada entre dois países pequenos. O mundo todo parece estar entrando em caos.
Hinata engoliu em seco. Tanta coisa estava acontecendo enquanto ela estava trancafiada...
— Isso é culpa do Akuma, né? — Hideki olhou-a, surpreso. A garota tomou coragem pra falar sobre os pesadelos. — Ele vem falar comigo á noite... Na maioria das vezes eu só ouço uma voz chamar meu nome, mas ultimamente... eu acho que ele começou a falar mais coisas.
— Que tipo de coisas? É importante saber, pra vermos em que estágio o Akuma está. — Hideki disse, agora prestando atenção na garota.
— Eu não consigo entender muito bem o que ele diz, porque é como escutar uma voz debaixo d'água... mas eu posso escutar ele rindo. De resto, eu não consigo entender.
Hideki ficou um tempo quieto, de testa franzida.
— Isso não é nada bom. O Akuma já está querendo se apoderar da sua mente. Você tem que aprender a bloqueá-lo.
— Como?! Eu não sabia que dava pra fazer isso.
— Você tem que criar uma barreira que impeça o Akuma de tentar falar com você. É durante o sono que as almas humanas ficam mais vulneráveis a esse tipo de espírito. Se ele se acostumar com a sua mente, no momento da possessão, o Akuma vai entrar mais fácil no seu corpo. Você deve impedi-lo de falar com você.
— E como eu faço isso? — Hinata queria fazer de tudo pra não ter que escutar aquela voz toda vez que fechava os olhos.
— Você tem que mostrar que a mente é sua e que você está no poder dela. Akuma pode estar conseguindo exercer um poder pela humanidade, mas ainda está preso, por isso não pode se apoderar da mente de alguém. Os bloqueios mentais funcionam de maneiras diferentes de pessoa pra pessoa, mas todos são capazes de fazer um.
— Como por exemplo...?
Hideki colocou a mão no queixo, pensativo.
— Algumas pessoas conseguem bloquear imaginando algum tipo de muro durante os sonhos. Outras vão dormir com coisas boas na cabeça, como imagens da família ou amigos. Existem também as pessoas que vão dormir pensando em alguém que ama. Resumindo, seria bom se você tentasse ir dormir pensando em algo bom.
— Hm... entendido.
— Agora, eu tenho que ir. Katsuo vai vir daqui a pouco injetar sangue Uzumaki em você. — Hideki disse e deu-lhe em copo d'água.
Hinata olhou seu reflexo na água e tomou um susto.
— Meus olhos... eles estão pretos!
— Ah, é mesmo, na verdade seus olhos são brancos... o selo que Katsuo colocou na sua cabeça pra te impedir de usar o Byakugan faz a coloração dos olhos mudar. Vão voltar ao normal quando o selo for liberado. — Hinata terminou de tomar a água e deitou-se na mesa desconfortável. Hideki começou a colocar as algemas nela, mas agora Hinata podia puxá-las que não ia sentir dor, graças á ele. — Hinata, hoje é o dia em que eu vou pra fora pegar mantimentos. Significa que eu vou tentar fazer contato com Konoha.
O coração da Hyuuga começava a palpitar. Finalmente o plano começaria a ser posto em prática.
— Quem é atualmente o líder da parte de Interrogação da Divisão de Inteligência de Konoha? — ele perguntou.
— Hm... Eu não sei, mas acho que a atual líder é a Ino-san. Infelizmente, o antigo líder, Inoichi-san, faleceu durante a guerra.
Hideki tomou uma expressão de surpresa e tristeza, mas não disse nada. Hinata não havia parado pra pensar no grau de parentesco que Hideki tinha com Ino e Inoichi. "Eu deveria ter dito isso com mais delicadeza" ela pensou. Ele terminou de algemar Hinata e disse:
— Tudo bem, vou tentar entrar em contato com ela. Ino tem um bloqueio mental muito bom, mas eu sei como quebrá-lo. Vou mandar a primeira mensagem hoje, e a próxima o mais rápido possível. Vou voltar de madrugada pra trazer notícias. Agora, tente dormir. Lembre-se do que eu disse.
Hideki saiu da cela e fechou a porta. Hinata começou a ficar bastante ansiosa. Finalmente seus amigos iam descobrir onde ela estava e enviar as buscas pra salvá-la. "Não só eu, como Hideki-san também vai ser salvo". A garota ficou deitada pensando em como o homem deve ter sofrido, depois de tanto tempo dentro desse lugar sem ver a família por doze anos (N/A: Hideki tinha 15 anos quando foi feito escravo. Agora ele tem 27).
Hinata ficou sem se mexer imersa em pensamentos. Depois de algum tempo, Katsuo chegou e injetou o sangue Uzumaki nela, o que a fez ficar com sono. Sem perceber, a garota já estava dormindo.
Tudo escuro.
A voz começou a chamá-la. Era um sussurro. Depois se tornou uma voz masculina grave e autoritária. Uma voz não-humana.
Hinata... Hinata... Hinata...
A Hyuuga estava consciente dentro do sono. "Não posso deixá-lo entrar". Hinata imaginou um muro levantando-se á sua volta, os tijolos começando a subir um por um.
A voz cessou, e ela se sentiu aliviada.
Foi quando veio um urro horrível que pareceu explodir os ouvidos dela. O muro foi desfeito, e agora a voz gritava. "Ele conseguiu quebrar meu bloqueio!". A garota tentava pensar em algo bom, mas não conseguia — a voz não a deixava separar seus próprios pensamentos. Ela queria gritar, mas a voz não saía. Ela abaixou-se, enterrou a cabeça nos joelhos e colocou as mãos nos ouvidos. Estava á beira da loucura.
Hinata.
A garota levantou o olhar. Essa voz era diferente. Parecia vir de longe, mas ela reconheceria em qualquer lugar.
Era a voz do Naruto.
Ela começou a se levantar. Engoliu em seco.
— N-naruto-kun? — ela perguntou, a voz baixa.
Por um momento, a única coisa que se ouvia eram os urros de Akuma, e ela pensou que tinha imaginado coisas. Mas escutou de novo, a voz agora estava bem mais nítida:
— Hinata, é você...?
Ela não estava imaginando. Era mesmo a voz dele. Mas isso não era possível. Como conseguiria entrar em contado com ele durante o sono?
Ela não se importava. A voz de Akuma parecia estar ficando mais distante.
— Sim, sou eu!
Novamente, tudo ficou quieto.
— Deve ser minha imaginação... — ela escutou.
— N-não, Naruto-kun, sou eu! Eu estou presa em um abrigo subterrâneo... — a garota sentiu um negócio quando se lembrou que não sabia exatamente onde estava. Hideki não contou a ela por questão de segurança. — Eu preciso de ajuda!
Agora Hinata podia sentir até mesmo a respiração do garoto. Era como se ele estivesse perto — bem perto. A voz dele estava perturbada.
— Como foi que você conseguiu entrar no meu sonho? — ele perguntou.
— Eu não sei! Escute, Naruto-kun... eu consegui um aliado aqui dentro... o nome dele é Yamanaka Hideki. Ele vai se comunicar por telepatia com a Ino-san hoje... pergunte a ela depois pra ver se eu estou mentindo ou não!
— Eu vou fazer isso. — o rapaz pareceu prender a respiração por um momento. — Eu sinto que vou acordar... escute, Hinata... eu vou salvar você! Escutou? Vou salvar você! Então aguente só mais um pouco aí!
— S-sim... — a garota sentia a garganta ficar embargada e as lágrimas acumulavam-se nos olhos. — Venha logo, Naruto-kun... por favor...
Nesse momento, tudo voltou a ficar silencioso. Ele havia acordado.
***
Naruto acordou ofegante e suado. Olhou no relógio ao seu lado, já eram quase sete da manhã, mas ainda parecia ser de madrugada, porque as espessas nuvens negras ainda cobriam Konoha.
Ele estava atordoado. "Não é possível que aquilo tenha sido um simples sonho. Eu não costumo me lembrar de sonhos tão bem depois que acordo".
— É possível que não tenha sido um sonho.
Naruto assustou-se quando Kurama falou de repente.
— Hein? Eu não sabia que você podia ver meus sonhos. — Naruto disse.
— E eu não posso, e é por isso que estou dizendo que não foi um sonho. Acho que a menina entrou em contato com você enquanto dormia. É melhor você ir falar com a Yamanaka.
Naruto jogou as cobertas pro lado, engoliu um café da manhã e vestiu-se o mais rápido que podia. Partiu para a Divisão de Inteligência o mais rápido que pôde. A Divisão agora ficava aberta 24 horas por dia, devido ao que estava acontecendo. Entrou e foi até o balcão da recepção, onde um jounin sonolento tomava uma xícara de café.
— Yamanaka Ino está? — ele perguntou, com pressa.
O jounin demorou um pouco pra olhá-lo.
— Ela está, sim... — o rapaz saiu em disparada pra dentro do prédio, e o jounin assustou-se. — Ei! Você não pode entrar! — mas Naruto já estava longe.
Ele subiu até o andar de Interrogação e encontrou Ino sentada em uma cadeira á frente de uma mesa de ferro, com uma caneca na mão, usando o moletom preto da Divisão e o olhar estranhamente perturbado. Naruto entrou na sala fazendo estrondo e assustando-a.
— Naruto! Ainda não é hora pra entrar! — ela reclamou.
— Ino, é possível que uma pessoa consiga fazer algum tipo de contato com outra pessoa enquanto dorme? — Naruto perguntou, ignorando a reclamação da garota.
Ela olhou-o, sem entender.
— Eh... se as duas pessoas são bastante próximas e ambas estiverem pensando uma na outra, é possível sim... mas isso é bastante raro.
Naruto passou a mão pelos cabelos. Quase era possível ver as engrenagens funcionando no cérebro dele.
— Naruto, tá tudo bem?
Naruto virou-se pra Ino.
— A Hinata falou comigo hoje.
A garota levantou-se e apoiou as mãos na mesa de ferro.
— Por que você não disse logo?!
— O que está acontecendo? — Morino Ibiki apareceu na porta da sala, surpreso.
— Naruto entrou em contato com a Hinata! — Ino disse.
O homem arregalou os olhos, ainda mais surpreso.
— Conte-me exatamente o que aconteceu.
Ibiki e Naruto sentaram-se á mesa, e ele explicou detalhadamente o que havia acontecido. Quando chegou na parte de Hideki, Ino voltou a ter a expressão perturbada de quando Naruto a viu.
— I-isso é impossível... — ela disse.
— Quem é Hideki, Ino? — Naruto perguntou.
Ino engoliu em seco.
— Meu irmão mais velho.
— A história do irmão desaparecido... Inoichi nunca falava pra mim sobre isso. — Ibiki disse. Os dois observavam Ino, meio que pedindo pra ela contar a história. Ela suspirou e começou:
— Hideki era um ninja incrível. Ele conseguiu desenvolver seu Shintenshin no Jutsu muito cedo. Eu era muito pequena, mas eu me lembro do meu pai sempre elogiando muito ele. Hideki entrou na ANBU com apenas quinze anos... eu me lembro da última vez que o vi. — ela baixou a cabeça. — Ele estava numa missão para recuperar um documento importante em Kumogakure. Ele nunca mais voltou. Ficamos meses procurando, quando enfim o deram por morto. Meu pai ficou muito triste com o desaparecimento dele.
Naruto e Ibiki engoliram em seco. Realmente não era uma história muito feliz.
— Mas enfim, Ino. — Ibiki disse. — Você recebeu uma mensagem dele?
Ela assentiu.
— Não deve ter durado mais de dez segundos, mas eu escutei a voz dele em minha mente... ele disse que o esconderijo em que Hinata está confinada fica em uma ilha do leste. Aí a conexão caiu. Deve ser porque ele está muito longe.
— Uma ilha do leste? Já demos um grande passo! Devemos ir pra lá agora! — Naruto disse, animando-se.
— O problema é que existem centenas de ilhas ao leste. Quase dez arquipélagos são encontrados lá. — Ibiki disse.
— E daí? Vamos checar todos eles! — Naruto disse, levantando-se.
Ibiki e Ino entreolharam-se, mas enfim, Ibiki disse para um jounin que estava ao lado de fora da sala:
— Kon, contate Tsunade-sama imediatamente. Ela precisa ficar sabendo dessa informação. Certifique-se de contatar Nara Shikamaru também. Devemos começar a traçar uma estratégia imediatamente.
— Sim! — o jounin disse e saiu ás pressas.
— Parece que finalmente temos uma pista concreta. — Ino falou. — Isso nos dá uma grande chance.
— Uma grande chance? Não seja tão pessimista. — Naruto falou. — Estamos á um passo de encontrar a Hinata.
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