Um Amor Sem Limites

26 “Você sabe quem realmente eu sou?”


Levantei-me nervosa e me troquei rapidamente. Estava determinada a ir até aquela casa e enfrentar aquela família. Eles realmente sabiam quem eu era? Melissa sabe da verdade? Melissa sabia que tem uma irmã?

Peguei a bolsa, o diário e a foto. Eu sabia exatamente o que fazer.

Era tarde, muito tarde. A maioria das pessoas que iriam a casa de alguém a essa hora da noite, seria para dar uma noticia realmente urgente.

Mas o que eu queria era urgente, e eles teriam que me perdoar.

Bati na porta e ninguém apareceu. Toquei a campainha e novamente, ninguém. Resolvi então pegar o celular e ligar para Thiago.

Estava a ponto de apertar o botão chamar e Rafael atendeu a porta dizendo:

— Seja o que você queira pode voltar amanhã...

Tive a impressão de que ele não vira nem quem estava na porta.

— Não! Eu não posso, e eu não esperarei até amanhã Rafael. eu disse empurrando a porta, para abri-la novamente.

Rafael abriu bem os olhos e me perguntou o que estava fazendo ali, naquele momento. E então eu disse que era algo muito urgente e precisava conversar com ele e com Maria Clara.

Depois que ele deixou-me entrar, pediu para que eu esperasse um momento até que ele chamasse Maria.

Eu estava nervosa e entediada, mas sabia que apesar da raiva e tristeza, minha mãe estava certa: eles cuidaram muito bem de Melissa.

Quando Maria Clara e Rafael chegaram juntos, Maria foi direto ao ponto e perguntou-me o que era de tão urgente.

Eu não sei o porquê daquilo, mas ao pensar bem e ver o rosto dos dois sentados a minha frente e com cara de preocupados me fez repensar a ação de querer confronta-los. Eu comecei a desconfiar que eles não soubessem quem eu realmente era.

— É sobre Melissa... eu disse enfim.

— Ela te ligou? Maria perguntou.

— Não... eu respirei fundo, mas mesmo assim, o que eu queria não saiu. Porque Melissa tem de ter uma governanta?

Rafael respirou fundo e Maria olhou profundamente em seus olhos. Ou eles iriam jogar as cartas na mesa, ou iriam me perguntar se eu havia descoberto.

— Melissa é um pouco complicada... começou Rafael.

— Ela é adotada, e nós temos medo... Medo de deixar que ela saia para a rua e descubra. Medo de ela nos confrontar e perguntar o porquê de termos mentido a tanto tempo... completou Maria.

— Por que nunca contaram a verdade a ela? eu perguntei.

— A história de Melissa, é um pouco complicada. Ela é um grande favor que prestamos a um casal de amigos muito gratos, eu imagino. disse Rafael.

Minha vontade era de contar a verdade, de dizer que esse casal morreu, e que eu... Eu, a garota que estava na frente deles, era a irmã escondida de Melissa. Mas esperei eles me contarem a sua versão.

Enfim, os dois se abriram comigo e me contaram exatamente o que acontecera. A história era a mesma do diário, o que me dava mais certeza de que Melissa era mesmo a minha irmã.

Eles me contaram que em certo dia, o casal chegou aqui com a criança nas mãos. E pediam desesperadamente por ajuda. Diziam que não tinham condições de criar a filha e mais o bebê que havia chegado. A mãe, dizia Maria, parecia triste e magoada. Ela pedia que nunca contassem ao bebê a verdadeira história, pois temiam que a garotinha ficasse com raiva.

Eu entendia que Maria e Rafael atentassem o pedido da mãe, e até agora não tivessem contado a verdade. Mas sabia que esse pedido, pela minha mãe, foi muito errado.

— Mas porque toda essa curiosidade Manuella? perguntou Rafael.

Não estava pronta para essa. Tinha ido até ali, porque queria confrontar a família, queria gritar e exigir que Melissa viesse embora comigo. Mas depois de ouvir a história, eu não tinha coragem de fazer isso com eles.

— Eu perdi o emprego hoje... Por culpa do filho de vocês! eu deixei bem claro. E então, lembrei-me do que havíamos conversado de manhã, e lembrei que me disseram que Melissa vinha sendo impossível com as governantas. Então queria saber, se eu, poderia tentar...

Notas finais
Um beijo, amanhã têm mais.