Um Amor Sem Limites
7 O beijo
Notas iniciais
Ficamos nos olhando por segundos depois que aquilo acabou enquanto Melissa batia palmas gargalhando.
Ao mesmo tempo viramo-nos de volta a comida. Eu não tinha mais vontade de comer. Ele me beijou!
O silêncio tomou conta do almoço.
- A comida está ótima, não é? – Maria disse.
Eu concordei com a cabeça enquanto, finalmente, a conversa recomeçou.
Eu não parava quieta. Minhas mãos suavam, minhas pernas tremiam. Não! Não posso! Isso é de mentira!
Melissa estava feliz, pelo menos! Não estava prestando muita atenção na conversa, mas sabia que era sobre barcos.
Ah claro! Eles têm um iate e eu não sabia. Com quem estou me metendo?
- Você gostaria amor? – perguntou Thiago.
-Ãn, o que? –eu respondi.
Todos deram risada.
- Estávamos comentando sobre um passeio de iate depois do almoço. Você gostaria? – Thiago repetiu.
- Sem problemas... Por mim, tudo bem... – eu respondi.
Acabamos de comer e então íamos ao grande e incrível passeio que eu temia, mas Thiago, com certeza, inventou algo, no qual eu não entendi, e a desculpa era que precisávamos passar na casa dele antes.
Despedimo-nos e saímos dali de mãos dadas.
Achei que íamos entrar no carro e ele viria conversando comigo até a casa dele, como fez para irmos ao restaurante, porém, ele ficou em silêncio o tempo todo.
Chegando a sua casa, Thiago disse que precisava pegar algumas coisas para levar ao pai dele e perguntou se eu queria deixar minha bolsa dentro da casa para que eu não tivesse o perigo de deixa-la cair na água. Eu aceitei, esperando no carro.
Depois de alguns minutos, Thiago voltou e eu resolvi o encarar.
- Porque está sem falar comigo? – eu perguntei.
- Não estou sem falar contigo. – ele respondeu.
- Você ficou o caminho inteiro sem falar nada e quer que eu acredite que está tudo bem? – perguntei.
- Droga! – ele gritou.
- O que há com você? – gritei de volta.
- Desculpe-me. O carro. O carro não quer dar a partida. Está morto. – ele desesperou-se.
- Ok, agora temos tempo de sobra. – sorri — Pode falar o que está acontecendo? – disse com pressa.
- Não está acontecendo nada. – ele disse nervoso e saiu para ver o que acontecia com o carro. Sai atrás dele.
- Por favor, dá para me contar? – eu implorei.
- Tá legal, quer saber o que está acontecendo comigo? Eu vou te dizer. – ele respirou fundo e olhou para mim com a boca aberta.
- Fale – eu disse o encorajando.
De repente, ele puxou-me para ele e me beijou novamente. Eu retribui sem saber o que fazer. Ele beijava-me lentamente e docemente, como se estivesse mesmo querendo aquilo há muito tempo. Eu gostava disso. Gostava de tê-lo perto de mim. E quando se afastou disse:
- É isso. Isso que está acontecendo comigo. Não disse uma palavra por que eu não queria isso. Eu queria te beijar. E eu juro por tudo o que há mais sagrado nesse mundo, que é o que eu mais quero agora.
Eu o empurrei forte. Não podia acreditar nas palavras que ele me dirigia. Eu não podia me apaixonar por ele... Ele é muito lindo e mentiroso. Mentiu para os pais, me fez passar por sua falsa namorada, e agora quer que eu acredite que o que diz é verdade?
- Você é um mentiroso! Não quero que chegue perto de mim. O que há de errado com você? O que quer com tudo isso? Que eu me apaixone para depois me dar um fora? Como quer que eu acredite em você e no que está dizendo depois de tudo o que me fez mentir, por uma razão idiota e besta.
- Manuella...
- Para! Eu não quero ouvir você. E nunca mais apareça na minha frente, entendeu?
Andei em direção a porta de sua casa e a abri. Procurei pela sala. Depois na cozinha. E então fui direto ao seu quarto. Peguei a minha bolsa e sai dali.
Ele me esperava na porta.
-Manu... – ele disse, tentando se explicar.
- Não me diga nada. – eu disse nervosa. – Nunca mais me dirija a palavra!
- Para com isso! – ele gritou. – Eu te ouvi e agora você vai me ouvir! Pensa que eu não sei que também sente algo por mim? Sim, eu menti para os meus pais, mas porque foi preciso. Você não entende e nunca vai...
- Você não precisa mentir e você sabe disso! Seus pais não ficariam nada felizes se descobrirem que você mentiu! – eu disse usando os gritos e interrompendo os seus. – Você faz isso por diversão, não é? Acha que é engraçado mentir para as pessoas!
- Fique quieta! – ele gritou novamente. Ele respirou fundo e recomeçou. – Você não sabe o que está dizendo. Não sabe o quanto sofri depois que meu irmão faleceu e então os meus pais ficaram no meu pé.
- Sim, eu sei sim como você deve ter ficado, por que eu sei exatamente como é perder uma pessoa. Eu perdi os meus pais há dois dias em um acidente de carro! Como acha que eu me sinto? Como acha que é perder as duas únicas pessoas que te criaram, e te fizeram chegar até onde você está? – respirei fundo e segurei o choro – Eu não tenho família. Nunca conheci nenhum dos meus tios. Nunca conheci os meus avos, por que todos morreram no dia em que eu nasci, quando vinham todos em um mesmo avião, me ver, e esse avião caiu.
Sem conseguir segurar o choro, perdi a visão de seu rosto quando as lagrimas tomaram conta de meus olhos.
- Manuella, não, não chora. Desculpe-me. – ele me abraçou. – Vêm, vamos entrar um pouco.
Eu o segui até o sofá da sala. Quando percebi que estava sozinha ali, chorando, chamei por seu nome e ele apareceu da porta da cozinha com uma água com açúcar.
- Não, não, eu não quero. Não precisa disso. – eu disse, enxugando as lágrimas.
-Manu, me desculpa ele sentou ao meu lado. Eu não sabia de tudo isso. Disse-me que estava melhor e eu achei que realmente estava bem... Desculpa-me.
- Tudo bem, eu estou melhor sim. Mas, algo me lembrou e... Desculpe-me. E quer me contar sobre... Seu irmão? – eu disse envergonhada por ter chorado em sua frente.
- Meu irmão morreu de câncer, há dois anos. Meus pais ficaram inconformados. Eles sabiam que Diego tinha herdado o câncer de minha mãe e ela chorou por quatro meses inteiros. Não saia do quarto e eu e meu pai tivemos que nos virar com Melissa, que tinha três anos. Melissa ficava chateada pela mãe não aparecer, e por muitas vezes ela chegava a achar que estávamos mentindo e falava que nossa mãe tinha ido ver onde o Diego estava. Ter lidado com aquilo para mim foi muito difícil, e ter que mentir para Melissa dizendo que Diego estava de viagem, foi mais difícil ainda.
“Quando Melissa descobriu o que realmente havia acontecido com Diego, eu e meu pai forçamos minha mãe a lidar com essa situação também. Desde então, meus pais ficam no meu pé, querendo que eu me case logo, por que acham que minha mãe não tem muito tempo e que meu pai não ira conseguir ficar com Melissa.
- Sim, eu entendi. Mas por que você teria que se casar? – eu perguntei.
- Eles dizem que não querem que eu acabe sozinho. Querem partir sabendo que estarei bem, e que Melissa, se precisar vai ter com quem ficar.
- Eu lamento por toda essa história Thiago, sinceramente. Mas acho que não há motivos para que você minta. O que precisa fazer é conversar. Precisa conversar com eles e dizer que as coisas não são assim. Você não pode conhecer uma garota, se apaixonar e casar no dia seguinte. Essas coisas levam tempo, e eles precisam entender. – eu disse.
- Eu sei. Mas eles parecem tão tristes quando eles me dizem tudo isso que não tenho coragem de falar o que penso. Apenas concordar. – ele me disse.
Não sabia o que dizer a ele. Era realmente uma história delicada, agora eu entendia os pais dele, mas ainda não acho que esse seja o motivo para que ele minta.
— Quer ir para casa, não é? – ele perguntou.
— Está sem carro. – eu respondi sorrindo.
— É, esqueci-me dessa. – ele disse. – Não se preocupe, temos a tarde toda para tentar arrumar. Vou ver o que posso fazer.
Ele levantou e foi em direção à porta.
- Ah, fique a vontade! – ele disse a mim.
Depois que ele foi embora me senti a vontade para chorar o quanto eu quisesse, mas acho que a vergonha do que tinha acabado de fazer ainda estava pelo meu corpo. Agora eu encontrava-me um pouco confusa. Será que é realmente verdade o que ele me disse?
Fiquei pensando ali por um bom tempo e enfim resolvi beber aquele copo d’ água.
Notas finais
Um beijo.
Fale com o autor