Um Amor Sem Limites
3 Garoto do isqueiro.
Notas iniciais
Acordei um pouco tonta. Larissa estava na cozinha, pelo barulho estava fazendo o café e eu estava enxergando tudo embaçado.
Rolei para o lado em uma tentativa de descobrir onde estava e despenquei. Gritei.
— Manu...? – Larissa gritou e apareceu ao meu lado.
Pisquei várias vezes.
— Estou bem. – eu disse.
Abri os olhos e me levantei. Alguém bateu na porta.
— Quem você chamou? – perguntei assustada.
— Eu? Por que eu?
— Por que você é a única acordada! – sorri.
Andei até a porta sonolenta e a abri rapidamente.
— Thiago! – gritei e fechei a porta.
— Ei, espera. Quero falar com você. – ele empurrou a porta.
— Não podia ligar? – acusei sarcasticamente.
— Ok. Eu podia sim. Mas queria te ver.
— E podia ter avisado! Acabei de acordar! Estou descabelada, com os olhos inchados e de pijama. – quase gritei nervosa.
— Ok, me desculpe, mas agora já estou aqui... Deixe-me entrar...?
— Um minuto.
Virei-me nervosa para arrumar a sala, mas Larissa já tinha arrumado. Corri até os travesseiros e cobertores.
— O que ele faz aqui? – ela cochichou.
— Não sei. – eu cochichei de volta.
Corri com as coisas para meu quarto. Joguei tudo em cima da cama e coloquei uma roupa mais apresentável. Lutei com o cabelo para ser penteado. Escovei os dentes e lavei o rosto.
Corri de volta para a sala e olhei em volta. Tudo limpo, arrumado e cheiroso. Ótimo.
Abri a porta e o recebi.
- Começaremos de novo, então? – ele perguntou.
— Ah, claro. Bom dia! O que faz aqui? – perguntei.
— Posso entrar? – ele perguntou apontando para o sofá.
Andei até o sofá e deixei que ele fechasse a porta.
Ele sentou ao meu lado e perguntou como eu estava.
— Estou bem, — eu respondi. – mas você já perguntou isso a noite passada.
— Na verdade, eu vim até aqui, para te convidar para almoçar comigo.
— Como é que é garoto que acabou de me conhecer? – arregalei os olhos surpresa.
— É, um almoço, com a minha família. – ele respondeu naturalmente.
— Como é que é, garoto que não está me escutando? – arregalei mais os olhos.
— Ei, relaxe. Só como amigos.
— Amigos? Com a sua família? – eu perguntei.
— É uma confusão e eu te explico no caminho. Mas por favor, aceita? – ele olhou-me com cara de carente que precisava de ajuda.
Surpresa e sem respostas, levantei a sobrancelha e arregalei os olhos novamente. E ele riu.
— Olha, sei que nem nos conhecemos direito, mas isso não é nada demais, é só um almoço e preciso que me ajude... – ele respirou fundo e continuou – Meus pais chegam do Rio de Janeiro hoje, e eu não sei por que, mas, para eles, eu já tinha que estar casado... Então...
— Pera, deixe me ver se entendi. Quer que eu vá contigo a um almoço de família, fingir ser sua namorada porque eles te acham velho demais, e você precisa de uma namorada?
— Exatamente.
Abri a boca.
— Quantos anos você tem? – perguntei.
— Vinte e seis. – ele me respondeu.
Abri a boca novamente.
— Você é oito anos mais velho que eu, e quer que eu seja sua namorada “de mentira”?
— Por favor? – ele pediu.
Pensei um pouco. Realmente estava surpresa. Conheci Thiago ontem em uma boate, por culpa de uma porcaria de um isqueiro, e no dia seguinte o garoto, ah, homem, aparece na minha casa, logo depois de eu ter acordado, me convidando para um almoço de família, para que eu finja ser sua namorada oito anos mais nova. Ah, claro, não há problema nenhum nisso. Minha nossa. O que eu faço agora?
-Ah... E tem que ser eu? Você não tem nenhuma outra garota? – perguntei. – Ah, espera. Com certeza você tem!
— É que você... Quero que seja você.
— E por quê?
— Porque gosto de você.
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