Um Amor Quase Impossível
6 Primeiro beijo
Cheguei em casa e Lívia ainda não havia chegado. Joguei minhas coisas no sofá e fui direto para a cozinha, precisava de água.
–Bom, são exatamente 17h -Olhei no relógio e me sentei na bancada. Ainda tenho 3 horas para me arrumar -Falei com o meu eu na tentativa de me acalmar. Após lanchar e limpar o que sujei fui para o meu quarto, me sentei na cama e descansei um pouco. Peguei o notebook que estava sobre a cabeceira e atualizei minhas redes sociais. Isso me distraiu e quando me toquei já eram 18:30, então resolvi me arrumar. Depois de bagunçar todo o meu guarda-roupa encontrei um vestido rosado, com alguns babados e um scarpin preto. Levei a roupa para o banheiro e entrei no banho, depois de vestida fiz uma maquiagem marcante preta, bem noite mesmo e às 19:45h já estava pronta. Sentei-me no sofá da sala o esperando, até liguei a televisão, mas não prestei atenção em nada que estava passando. Passado 10 minutos a campainha tocou, levantei-me correndo e fui até a porta, ajeitei minha roupa e abri.–Oi -João falou sorrindo.–Oi -Sorri olhando dentro de seus olhos. Já falei que ele tem os olhos lindos? Se não, que fiquei bem claro neste momento.–Pra você -Ele disse me entregando uma caixa de bombons.–Ah obrigada! -Sorri pegando a caixa de suas mãos.–Podemos ir?–Aham, só vou pegar minha bolsa–OK Fui até o quarto, peguei minha bolsa em cima da cama, dei uma última olhada no espelho e voltei até a porta a trancando e descemos.–Entre -Ele disse abrindo a porta do carro para mim.–Obrigada -Sorri e entrei. Ele deu a volta e entrou do outro lado.–Você está linda -Me elogiou me deixando corada.–Vou falar o que mais falo quando estou com você ''obrigada'' -Rimos juntos e fiquei sem graça. O caminho foi silencioso, acho que ambos estávamos envergonhados. Eu até ameacei a puxar algum assunto, mas voltei atrás e permaneci em silêncio. Logo que chegamos me assustei. Estávamos em um restaurante daquele de novela sabe? Por fora notava-se o nível das pessoas que frequentavam aquele local. Naquele momento já estava me sentindo deslocada. Com muita gentileza ele fez questão de abrir a porta do carro para mim, sorri e ele segurou minha mão me conduzindo para dentro do estabelecimento que como imaginei estava cheio de pessoas da alta sociedade.–Gosta daqui? -Ele perguntou acenando para o garçom.–É bem bonito, mas nunca vim -Fui sincera.–Pela sua cara você não gostou não é mesmo?–Não é que eu não tenha gostado, é que eu não estou acostumada a vir nesse tipo de lugar -Respondi sem graça.–Entendo–O que vão querer? -O garçom perguntou ao parar ao lado de nossa mesa.–Nada senhor, já estamos de saída–O que? -Sussurrei sem entender.–Se você não se sente bem aqui vamos para outro lugar -Ele disse se levantando-–Não precisa–Anda vamos -Ele teimou. Levantei-me rindo e saímos do restaurante.–Vou leva-la para um lugar muito melhor e que eu adoro -Ele sorriu.–Não ficou chateado comigo? -Perguntei receosa.–Claro que não, pra confessar eu nem gosto muito de lá, só te levei pois pensei que gostasse–Nossa! -Ri. Ele parou o carro, olhei para fora e estávamos em frente a praia, que surpresa!–Será que acertei dessa vez? -Ele perguntou e se virou me encarando.–Sim, eu amo praia -Sorri.–Uffa -Ele suspirou aliviado e eu ri. De repente notei que ele estava me olhando, como de praxe minhas bochechas coraram. Ele se aproximou mais um pouco, já estávamos bem perto quando algo fez barulho do lado de fora então nos afastamos e saímos do carro.–Vem comigo -Ele disse segurando minha mão e puxando-me pela areia. Fomos para um quiosque todo iluminado e que tocava uma música alta, mas bem animada.–Sorvete ou quer outra coisa?–Sorvete, você sabe que eu amo -Respondi rindo.–Vícios ai ai -Ele riu. Compramos o sorvete e fomos andando pela praia. Estava vazia, poucas pessoas passavam pela orla a essa hora.–Aff não esta dando certo andar na areia com esse sapato -Falei tirando o salto.–Continua linda mesmo estando baixinha -Ele disse rindo-–Bobo -Falei lhe dando língua. Sentamos na areia de frente pro mar que estava calmo, deixando o clima romântico. O silêncio entre a gente e o som das ondas se quebrando era perfeito para o momento.–Você é tão diferente -João quebrou o silêncio me fazendo o olhar.–Diferente? Como assim?–Sei lá, você é simples, não se importa tanto com o que pensam e é mais cabeça–Ah obrigada -Desviei meu olhar do dele e sorri.–Ei! Olhei para ele e ele rapidamente passou seu dedo sujo de sorvete em meu nariz e saiu correndo.–Ah seu filho da puta! -Xinguei me levantando e indo atrás dele.–Quero ver me pegar -Ele gritou.–Me aguarde Quando finalmente o alcancei, o segurei pela camisa e o impacto fez com que caíssemos na areia e por alguns instantes, ali, deitados, ele por cima de mim me encarando e eu envergonhada sem tirar os olhos de seus lábios avermelhados desejei senti-lo. Sua respiração estava acelerada e meu coração disparou, parecia que iria sair pela boca a qualquer momento, meu estômago então, parecia estar em festa. No momento que tentei me levantar senti suas mãos em minha cintura me fazendo deitar na areia novamente.
–Preciso fazer isso -Ele disse encostando seus lábios nos meus. Não tive outra reação a não ser corresponder o beijo, que sensação incrível me invadiu, aqueles lábios macios tocando os meus me fez ir aos céus. Nos afastamos, mas ainda nos olhávamos sem nos mexer, automaticamente um sorriso se formou em nossos rostos e voltamos a nos beijar.–Você é incrível -Falei me deitando ao seu lado.–Não mais que você — Ele disse se virando para meu lado e colocando uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha.–Com você estou sentindo algo que nunca senti por ninguém -Admiti.–Também esta acontecendo isso comigo, é incrível como que quando estou junto de você parece não existir mais nada, é apenas eu e você. Nos beijamos novamente e continuamos ali deitados na areia até o celular dele tocar, sem muito vontade ele o pegou no bolso e não muito contente atendeu.–Preciso ir -Ele disse se levantando.–Aconteceu algo? -Perguntei preocupada.–Não, é só meu irmão que quer ajuda em um trabalho–Ata -Falei um pouco decepcionada. Me levantei e voltamos para o carro. No caminho fomos em silêncio e logo estávamos na porta do meu apartamento.–Posso passar aqui amanhã? -Ele perguntou ao parar o carro.–Uhum -Concordei sorrindo.–Até amanhã linda–Até -Falei abrindo a porta do carro.–Não vai me dar um beijo? O beijei e sai, quando subi ele deu partida e se foi. Mesmo não terminando a noite do jeito que queria estava feliz, com vontade de sair gritando para liberar tudo que estava aqui dentro. Entrei no meu apartamento bem devagar para não fazer barulho, estava tudo escuro com certeza a Lívia já estava dormindo. Fui para meu quarto, joguei minhas coisa sobre a cama, peguei meu pijama e entrei para o banho. Debaixo d'água fiquei relembrando cada segundo que passei com ele. Não tinha volta mesmo, estava perdidamente apaixonada!
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