Notas iniciais
Eu me preparava pra ir pra escola. E hoje era o dia da Gabi levar comida. Oba.
Coloquei uma calça jeans, uma blusa e um moletom, e fiz minha maquiagem de sempre: só um lápis de olho. Penteei os cabelos com a menor pressa e me arrastei pra fora de casa com a minha irmã no meu pé.
Eu tenho uma irmã mais nova, a Ana. Acho que meus pais deram esse nome pra que quando a gente aprontasse eles gritassem "Ô ANA E JÚLIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA" no ritmo de Ana Júlia.
To viajando.
Enfim, a Ana é a criatura mais chata do mundo — depois da Gabriele, claro -, mas eu amo ela. Só quem tem irmã mais nova sente isso.
Como eu moro praticamente do lado da escola, cheguei em três minutinhos e fui até onde as meninas estavam.
- Oie — falei desanimada.
- Oi... — elas responderam.
Só tinha a Gabi e a Sinara por enquanto, mas consegui ver a Yasho chegando. Claro, ela tava com o celular na mão, pra variar.
- O que vai ter de comida hoje? — perguntei indiretamente de forma direta pra Gabi.
- Doritos. — respondeu ela baixinho.
- E aí? — cumprimentou Yasho sem tirar os olhos do celular. — Cadê a Tay?
- Sei lá.
Logo ao dizer isso uma sombra gigantenorme aparece.
- Cu. — cumprimenta a Nicole, pessoa mais alta do mundo logo depois do Altogusto (o nome dele é augusto, mas ele tem um tipo de gigantismo e por isso tem 1.85 de altura com 14 anos).
Todas ficam em silêncio e o sinal para ir para a aula toca.
- O que tem agora? — pergunto.
- Matemática. — responde Sinara.
- Ah, que merda, eu não quero ir.
- Acho que ninguém quer.
- Acha? — brinca Tay.
- Vamos lá — a Nicole força. Eu ia colocar a palavra Incentiva, mas ela forçou a gente a ir pra aula mesmo.
Afe.
Então a gente sobe, e temos a aula mais chata do universo.
- Podemos afirmar que X mais sete é quatorze, sendo que X é igual a dez?
- Sim. — todos respondem.
A nova professora era um lixo. Ela não sabia ensinar, e só fazia passar exercícios. Que merda.
Copio todo o exemplo que ela passa com a maior preguiça do mundo, quando uma bolinha de papel bate na minha cabeça.
- Ai, doeu! — reclamei.
Não tinha doído nada.
- Desculpa aí, Júlia — disse o Claudinei. Esse cara me irrita.
- Claudinei, para de tacar essas bolinhas nas pessoas, coisa chata! — reclamou o Mathias.
Esqueci de falar que o Mathias é o nosso representante... E eu sou a suplente. Foi ele quem escolheu.
Nosso representante é deuso.
O sinal, graças a Deus, toca.
- Uhuuuuuuuu! — toda a classe comemora.
Rapidamente a professora escreve no quadro negro “Lição de casa página 81, do 1 ao 20. Copiar e responder”.
ME SEGURA PRA EU NÃO METER A MÃO NA CARA DESSA DESGRAÇADA.
Nem anotei.
Pego meu celular e começo a mandar mensagens pra Yasho.
“Copia pra mim?” peço.
“Vou tirar foto GJHDFSIK” responde ela.
Sigo seus passos e tiro fotos do quadro negro.
Logo a professora de Educação Física entra na sala e nos encaminhamos para o ginásio.
[...]
- Júlia, me ajuda a pegar as bolas? — pergunta Mathias com um molho de chaves nas mãos.
- QUÊ?
- As bolas de vôlei! — ele fala rindo.
- Ah, tá... Posso, sim.
Lá vamos nós.
- Júlia, me responde uma coisa? — pergunta Mathias.
- Aham. — falo com a maior naturalidade.
- Tipo... É sobre namoro.
Gelei.
- Fala.
- Eu queria pedir a Ester em namoro. O que você acha?
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