Um Amor Quase Impossível
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Bruna narrando...
Não consegui dormir mais do que uma hora, logo abri meus olhos e vi que lá fora ainda estava tudo escuro. Continuei deitada, mas o sono não veio, então me levantei e fui ao banheiro. Quando voltei olhei pela janela e reparei que a lua estava linda.
Me escorei no batente da janela e fiquei a observando, e claro só ele me vinha a cabeça. Feito doida comecei a conversar.
Música: https://www.youtube.com/watch?v=_BTlp77Eb8E
(Falas intercaladas, Bruna, João, Bruna...)
—Por quê? Por que tinha que ser assim?
—Queria tanto que nada disso tivesse acontecido. Eu poderia ter te conhecido antes, talvez tudo estaria sendo diferente.
—Ah vida é tão difícil!
—Tão confusa
—Por que eu não tiro você da cabeça?
—Por que não posso ser feliz ao seu lado?
—Seus olhos
—Sua boca
—Seu cabelo
—Sua pele macia
—Você por inteiro
—É tão perfeita
—Incrivelmente maravilhoso -Falei sorrindo-
—Queria sentir você mais uma vez
—Seus lábios nos meus
—Sua pele na minha
—Seus olhos me encarando
—Pelo menos um abraço
—E ouvir um eu te amo, mas que dessa vez fosse sincero
—At night when the stars
Light up my room
I sit by myself
Talking to the moon -João cantou-
—Try to get to you
In hopes you're on
The other side
Talking to me too -Bruna-
—Or am I a fool
Who sits alone
Talking to the moon -João-
Suspirei e respirei fundo balançando minha cabeça na tentativa de afasta-lo dos meus pensamentos. Desiludida puxei a cortina tentando escurecer mais o quarto e voltei para cama, com um pouco de custo acabei conseguindo dormir.
No outro dia ...
Acordei desanimada, mas tinha que trabalhar e o pior teria que vê-lo com ela.
Levantei sem a menor vontade, tomei um banho na tentativa de me animar, mas foi em vão. Peguei minha bolsa e fui para a cozinha, tomei o café da manhã sozinha pois a Lívia não estava e logo fui para a revista.
Antes de entrar pedi a Deus forças pra aguentar aquele dia, eu sabia que não iria ser fácil e não podia me dar o luxo de pedir demissão, tenho contas e obrigações. Mas minha vontade era de deixar tudo aquilo ali e sumir, nunca mais ver aquela gente na minha vida.
Quando coloquei os pés em minha sala Paloma veio correndo ao meu encontro e Fernanda apenas nos olhava sem entender nada.
—Amor como você esta? -Paloma perguntou me abraçando-
—Eu estou bem meu anjo -Falei dando um sorriso forçado tentando convence-la daquilo-
—Não é o que parece, olha esse rostinho triste e o tamanho dessas olheiras -Falou apontando para as mesmas-
—Tudo vai ficar bem Pami, eu sempre superei e não vai ser dessa vez que vou desistir
—É assim que se fala
—Alguém pode me explicar o que esta acontecendo? -Fernanda perguntou num tom autoritário-
—Nada do seu interesse queridinha -Paloma foi direta-
—Nossa! Só quero ajudar -Fernanda se fez de vitima-
—Dispensamos sua ajuda, viu -Paloma piscou e ela a fuzilou de raiva-
—Não precisa ser tão grossa Pami, é só uns problemas pessoais Fernanda
Me sentei em meu lugar e comecei a organizar algumas reportagens da revista. Minha matéria já estava um pouco atrasada e não teria muito tempo na próxima semana para isso, já que iria para São Paulo fazer uma reportagem em um aquário.
Estava distraida quando escutei alguém dizer bom dia. Aquela voz eu conhecia muito bem, era ele.
Senti um aperto no peito e minhas mãos tremeram, olhei para frente e ele estava entrando com a Débora. Ela como não é boba, me olhou sorrindo, com um ar superior.
—Vadia! -Pensei-
—Bom dia queridinha -Débora falou se referindo a mim-
—Bom dia dona Débora -Respondi não transparecendo quaisquer tristeza-
—Bom dia Bruna -João falou-
Respirei fundo e por educação e principalmente por obrigação respondi.
—Bom dia senhor João
Quando entraram em sua sala abaixei minha cabeça e respirei aliviada por ter conseguido agir normalmente.
Vamos Bruna, você é forte -Me encorajei-
—Eu odeio ele -Paloma vociferou-
Não falei nada a respeito do comentário dela e voltei aos meus afazeres.
João narrando...
Fechei as cortinas do quarto e me deitei, a vontade de vê-la era grande, mas era melhor dar tempo a ela. Peguei meu celular sobre a mesa de cabiceira e abri a galeria, tinha uma foto nossa de quando saímos pela primeira vez, dormi assim, com o aparelho na mão a olhando.
No outro dia ...
Acordei de mau humor, esfreguei os olhos e vi que ainda segurava o celular. Apertei qualquer tecla e a foto dela ainda estava ali aberta e sorri ao vê-la.
—Ainda vou te provar que te amo Bu, prometo -Falei e joguei o celular na cama-
Mesmo sem vontade me arrumei, hoje seria meu primeiro dia no trabalho. Estava nervoso. Não só por ser o primeiro dia, mas por encontra-la. Peguei minhas coisas e desci para o estacionamento indo direto para a casa da Débora, de lá fomos para a revista.
Ao chegarmos fui seguindo-a até a minha sala, e assim como em todo o caminho até a revista, não me pus a falar sequer um ''A''. Entramos em um elevador e quando ele se abriu vi a Bruna sentada em uma mesa, concentrada em algumas folhas e em seu computador. Débora ao vê-la segurou rapidamente minha mão e saiu me puxando em direção dela. Puxei minha mão a fazendo soltar e continuei a segui-la. Não queria magoar a Bruna ainda mais.
Dei bom dia à todas as meninas que estavam ali e a Débora em tom de provocação olhou diretamente para a Bruna. Com um certo medo também falei com a Bruna, mas suas palavras sairia tão frias e formais, parecia que nunca tínhamos nos visto antes e isso me doeu.
—Parabéns amor! Essa é sua nova sala -Débora sorriu pondo seus braços em volta de meu pescoço-
—Ok Débora -Falei tirando suas mãos e ela bufou-
—Se for ficar assim por causa dela é melhor ir se acostumando, pois vai vê-la todos os dias e ela será sua secretária
—Sério? -Perguntei incrédulo-
—Sério, mas não vai se empolgando não. Se fizer qualquer coisa João, esta me escutando? QUALQUER COISA, sua mãe sofre as consequências, e como sou boazinha a Bruninha também -Ameaçou-
Sem pestanejar ela tirou o telefone do gancho e levou ao ouvido, discando algum número desconhecido para mim. Depois de alguns segundos a atenderam.
—Venha até a sala do João por favor -Ela ordenou-
—Quem você mandou vir aqui? -Perguntei-
—Sua secretária
Em poucos minutos bateram na porta e seguida a mesma se abriu.
—Com licença
Quando olhei para a porta era a Bruna, o que fez meu coração disparar na hora.
—Sente-se aqui -Débora disse apontando para a cadeira ao seu lado-
Bruna fechou a porta calmamente e pois a se sentar ao lado de Débora. Seus olhos marejados e desconfiados mostravam o quão aflita ela estava e aquilo me deixou agoniado.
—Você sempre soube da preferência que meu pai tinha por você aqui dentro da revista, não sabe? Nunca entendi, mas não vem ao caso. Só te chamei aqui para avisa-la que a partir de agora você é a nova secretária do João
Ela me olhou um pouco assustada, mas assentiu com a cabeça.
—É só isso, pode se retirar -Débora falou friamente e Bruna se levantou, pediu licença e se retirou da sala-
—Por que fez isso Débora? -Falei me levantando e dando uma volta pela sala-
—Só fiz o que acho melhor
—Não é justo você fazer isso, a Bruna é frágil. O certo seria afasta-la de mim -Retruquei-
—Ué, pensei que gostaria de sua amada ao seu lado -Falou irônica-
—Você sabe muito bem que por mim ela ficaria sim ao meu lado, mas não desse jeito -Respondi ríspido- O seu problema é comigo e não com ela
—Pelo contrário João, meu problema é com ela -Débora se levantou vindo até mim-
—Por quê? Ela não te fez nada
—Claro que fez, se ela não tivesse aparecido estaríamos bem
—Não, não estaríamos -Gritei- Põe na sua cabeça que eu não te amo e nunca te amei Débora, eu amo a Bruna, somente a Bruna. Será que é tão difícil entender isso?
—Ah que lindinho! Esta todo apaixonadinho -Falou irônica- Escuta aqui João, eu tive meus motivos para fazer isso, mas não pense que poderá se aproveitar disso para ficar com ela. Esta me ouvindo? -Ela disse apontando seu dedo indicador ao meu rosto-
—Como você pode ter mudado tanto de uma hora para outra? -Perguntei indignado e sai de perto, mas ela segurou meu braço-
—Eu não mudei meu amor, só estou cuidando do que é meu -Ela respondeu levando sua mão direita ao meu rosto, o alisando calmamente-
—Você só está fazendo diminuir o que sinto por você
—E o que você sente por mim?
—Amizade, carinho e principalmente gratidão
—Você não me ama nem um pouquinho João? -Ela perguntou me olhando com os olhos lacrimejados me fazendo sentir pena-
—Não do jeito que você quer Débora
Ela olhou para baixo por alguns instantes e logo pegou sua bolsa.
—Preciso ir. Às 15h você deve ir lá em casa
—pra que?
Sem me responder, ela foi saindo da sala apressadamente e eu voltei a minha mesa.
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