Um Amor Quase Impossível
4 Capítulo 3
Lívia narrando...
De manhã Leandro me ligou me chamando para irmos ao cinema, aceitei e dei a ideia de chamarmos a Bruna já que ela andava tão desanimada, mas como o esperado ela não aceitou.
[…]
–Mooor -Falei indo até o Leandro que me esperava encostado em seu carro.
–Oi minha linda -Leandro respondeu e ''colou'' nossos lábios.
–A Bu te mandou um beijo -Falei ao soltá-lo.
–Ela não quis vir? -Perguntou abrindo a porta do carro para mim.
–Não
–Ultimamente ela não tem aceitado sair com a gente -Ele disse entrando no carro.
–Ela esta carente Le, só isso
[...]
–Que filme vamos ver? -Leandro perguntou encarando os cartazes pendurados na parede.
–Deixa eu ver. Pode ser aquele ali -Falei apontando para 31 minutos.
–Então ta, vai lá comprar pipoca enquanto eu vou comprar os ingressos
–OK
Depois de comprarmos entramos na sala e nos sentamos na última fileira e como qualquer pessoa normal comi praticamente toda a pipoca antes mesmo do filme começar.
João narrando...
Sai de casa correndo devido ao meu atraso, iria encontrar a Débora e ela odeia atrasos. Para ajudar ainda trombei com uma garota.
Ela era linda, cabelos longos, olhar marcante e um sorriso de tontear qualquer pessoa.
Controle-se João, você tem namorada -Briguei com o meu inconsciente que insistiu em pensar na garota.
Logo após pagar o sorvete que eu havia derrubado me despedi (querendo ficar) e fui para a praça onde encontraria a Débora, minha namorada.
–Oi -A cumprimentei e lhe dei um selinho.
–Oi amor
–Agora me fale, para que me chamou aqui com tanta urgência? -Perguntei me sentando ao seu lado no banco.
–Arrumei um trabalho para você
–Sério?
–Uhum
–Onde?
–Na revista do meu pai
–E quando eu começo? -Perguntei empolgado.
–Bom, segunda que vem você levará o currículo e provavelmente na outra ele te dará a resposta
–Poxa! Por que demorar tanto? Duas semanas é muita coisa
–Eu sei amor, mas meu pai vai viajar nessa segunda, só na outra poderá te dar uma resposta
–Entendi -Falei desanimado.
–Morzinho, vou fazer umas comprinhas agora, ok? -Disse me beijando.
–OK
Ela se foi e eu continuei ali sentado, sozinho e pensativo.
Você deve estar pensando ''Nossa! Ele não é muito carinhoso com ela, parece que nem a ama''. Pois é, é isso mesmo, eu não amo a Débora. Nosso namoro pra mim é apenas uma troca de favores. Não, não sou cruel e posso provar isso.
Depois que meu irmão nasceu (Daniel) meus pais começaram a brigar constantemente, e em poucos meses a família que para mim era perfeita, se desfez. Meu pai saiu de casa e nunca mais voltou e eu passei a ser o responsável pela família.
A responsabilidade bateu cedo em minha porta e para ajudar em casa tive que trabalhar novo demais, o que me causou muitas noites de insônia. Mesmo trabalhando não abandonei os estudos, ainda tinha esperança de oferecer um futuro melhor ao meu irmão e mãe.
Devido a minha dedicação no ensino médio ganhei uma bolsa de estudos em um dos melhores colégios particulares da cidade e foi lá que conheci a Débora.
No começo não gostava dela pois era aquele tipo patricinha esnobe, mas com o tempo ela acabou se aproximando e ficamos amigos.
No último ano escolar, na formatura sendo mais exato, ela se declarou para mim. Eu não sentia o mesmo, para mim sempre foi apenas amizade e ela entendeu, pelo menos tentou demonstrar isso.
Com o fim das aulas continuamos amigos, nos víamos com menos frequência, mas sempre dávamos um jeito de promover um encontro de amigos e lá a encontrava. À essa altura todos já sabiam de seus sentimentos e davam a maior força para ficarmos juntos, mas não era o que eu queria, então ignorava quaisquer comentário.
Alguns anos depois, eu havia completado 20 anos á duas semanas e estava trabalhando em uma lojinha de computadores da minha rua, quando recebi a notícia de que minha mãe estava no hospital. Depois de horas fazendo vários exames foi diagnosticado que ela havia sofrido um derrame o que a fez ficar impossibilitada de andar e até mesmo a ter problemas na fala.
A notícia caiu como uma bomba na família, o Dan que era adolescente não se conformou e acabou se envolvendo em coisas erradas me dando mais trabalho e dor de cabeça.
Conversei com os médicos que me ajudaram a fazer um orçamento do tratamento e todas as outras coisas que ela precisaria, mas sairia muito caro e com o pouco que ganhava não conseguiria pagar tudo. Eu estava realmente perdido! Foi ai que a Débora entrou na historia.
Depois de sair do hospital combinamos de nos encontrar e eu desabafei, contei meus problemas financeiros e ela se ofereceu para pagar tudo. Como sou muito orgulhoso não aceitei e foi ai que surgiu a tal proposta.
–Tenho uma proposta para você
–Qual? -Perguntei sem entender.
–Eu pago todo o tratamento da sua mãe e em troca, você namora comigo
–Não. Isso não seria certo Débora
–Pare com isso João, vou te ajudar e só quero você. Só isso!
–Mesmo assim, eu não me sentiria bem. Eu estaria te usando
–João -Ela segurou meu rosto e olhou dentro dos meus olhos. Me aceite como sua namorada, o que custa me dar uma chance? Eu te amo e só quero vê-lo feliz
Aquela proposta havia me atordoado, eu sabia que não seria certo, mas que opções eu tinha? Deixar minha mãe morrer sem os cuidados necessários? Ou manter meu orgulho?
Pedi um tempo para pensar e ao ver que não havia outra solução, aceitei.
Passaram-se anos e minha mãe ainda possuia sequelas e precisava de cuidados 24 horas por dia. Eu trabalho e o Daniel estuda, já está no segundo ano do ensino médio, então uma senhora fica responsável por seus cuidados, o que custa uma nota.
Débora ainda paga todo o tratamento mesmo eu tendo "trabalho". Meu salário é pouco e não é garantido, já que dependo de outras pessoas faltarem ou tirarem folga.
Mesmo com toda ajuda e com todo esse tempo que estamos juntos não consegui me apaixonar por ela, é como se algo me bloqueasse a sentir algo além de amizade.
[...]
Sai da praça e fui direto para casa, não estava me sentindo bem, relembrar o passado me fazia mal.
Sentado no sofá abri minha bolsa para pegar meu celular e encontrei uma agenda, tinha certeza que não era minha.
Abri e havia escrito na primeira página Bruna Fontinelli, puxei na memória se eu conhecia alguém com tal nome, mas não veio ninguém até que lembrei da garota que trombei mais cedo, só podia ser ela.
–Caramba como vou entregar isso? -Me perguntei.
Fui folheando as páginas e nas últimas folhas havia escrito um endereço, só podia ser dela. Olhei no relógio e não era tão tarde, daria tempo de ir entregar.
[...]
–Bom pelo que esta escrito o apartamento é esse -Falei olhando para a agenda e o edifício confirmando se estava no local correto.
Como não tinha nenhum porteiro na entrada fui entrando, subi pelo elevador e parei em frente a porta de número 45. Toquei a campainha e ouvi passos.
Espero que seja ela -Pensei-
Ao ver a porta se abrir me deparei com aqueles olhos novamente, era a mesma garota da sorveteria.- Conclui-
Meu coração saltou, que loucura!
Ela estava paralisada e muda o que me fez rir internamente. Confesso ter achado graça não só de sua paralisia, mas também de seu pijama um tanto infantil.
–Ei , esta ai? -Perguntei rindo.
–Ah, oi, eu estou sim -Respondeu enrolada e não consegui segurar. Gargalhei. O que está fazendo aqui?
–Ela perguntou confusa.
–Vim te entregar isso, acho que é seu -Respondi lhe mostrando a agenda.
–Ai meu Deus! Obrigada! Eu estaria perdida se não recuperasse isso de volta -Falou a pegando de minha mão com entusiasmo.
–De nada -Sorri.
–Quer entrar?
–Posso?
–É claro que pode, depois de me salvar acho que pode tudo -Disse rindo aliviada.
Acho que ela não sabe as consequências de se falar "pode tudo" para um homem. Ri com meu pensamento pervertido.
–Licença -Falei entrando.
–Sente -se -Falou apontando para o sofá.
Me sentei em um sofá e ela no outro, notava-se em seu olhar que estava envergonhada.
–Como descobriu que eu moro aqui?
–Esta escrito na agenda, última página
–Nossa! Eu tinha até me esquecido disso -Falou folheando.
–Seu nome é Bruna não é?
–Sim, e o seu...
–João, prazer -Falei esticando a mão para cumprimenta-la.
–O prazer foi meu -Ela disse sorrindo e pegando em minha mão.
E por falar em sorriso, que sorriso era aquele? Ou melhor, que mulher era aquela?!
–Então, vou indo -Falei me levantando.
–Não quer ficar para jantar?
–Não, desculpa. Tenho um compromisso com alguns amigos, sabe como é né, se eu não for tem fight -Disse rindo.
–Ah, claro! Sei como é -Ela riu.
–Estou indo então, beijo
–Tchau e muito obrigada
Ela me levou até a porta e ao fecha-la pude respirar, parecia ter um ninho de pássaros no meu estômago. Sim, borboletas seriam fracas demais para expressar o que estava sentindo.
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