Um Amor Na Terra De Ooo
4 Capítulo 4 - Susto
Notas iniciais
Acordei disposta, e até feliz pelo que tinha acontecido a uns poucos dias atrás com Marcy. Levantei cedo, tomei uma ducha, e vesti short's e uma blusa branca simples, com um moletom por cima. Amarrei o cabelo em um rabo de cavalo habitual, pus meus tênis e passei na cozinha. Peguei uma cesta de piquenique e enchi com bolinhos de canela, maçãs, morangos e mirtilos, assim como garrafas com suco de laranja.
Sai do Reino Doce, e decidi que deveria me divertir um pouco já que era fim de semana, e eu não tinha uma folga a várias semanas. Demorei um pouco e fui até a casa de Marceline, na obscura caverna. Bati na porta e falei alto:
-Marceline? Você está aí?
Nada ouvi, e tornei a bater na porta e chamar pelo seu nome. Quando pensei que ela estava passando o fim de semana na Noitosfera, ouvi ela gritando:
-Já vai, já vai, que droga!
A porta se abriu e uma Marcy de cabelo bagunçado, regata e calças folgadas, um tanto impaciente, atendeu aos meus chamados.
-Oi Marcy, sinto muito, te acordei? -Falei.
Ela me olhou com surpresa e vergonha, e instantaneamente ficou ruborizada. Ela pigarreou, e foi flutuando pra dentro de casa, gesticulando para eu segui-la. Ela falou:
-Não, não, eu já estava acordando... espera aqui enquanto eu me arrumo, ok?
Assenti e sentei no sofá, que parecia uma pedra moldada em sofá. Fiz uma careta e ela voltou flutuando e falou:
-Ah desculpe, é que eu quase não sento nesse sofá, vem aqui e senta no pufe mesmo.
Sorri, sentei no pufe e pus a cesta numa mesinha. Ouvi ela dizendo lá de cima:
-Olha, e não mexe em nada, ok? Tenho umas paradas bem sinistras na minha casa que é melhor você não tocar.
-Tudo bem, vá tomar seu banho de uma vez -Falei, dando uma risadinha.
Ouvi a porta batendo e o chuveiro sendo ligado, e aproveitei para olhar a casa dela. Eu nunca tinha ido à casa de Marceline, a não ser com Finn e Jake uma vez ou outra, era a primeira vez que eu ficava sozinha com Marcy na casa dela. Observei os móveis, simples e despojados, porém parecia não haver muitos toques pessoais como fotos e lembranças de família. Decidi então subir as escadas para o segundo andar, aonde havia o quarto dela, o closet e o banheiro aonde ela tomava banho. Ouvi ela cantando no chuveiro, e segurei uma risada. No quarto dela havia uma grande caixa de som, seu baixo, e uma estante de livros. Notei uma escrivaninha no canto do quarto, e sentei lá para ver se havia algo em especial. Havia uma foto emoldurava de nós duas juntas, papéis amassados e outros rascunhos de prováveis letras de músicas que ela compunha. Nesse momento, ouvi o chuveiro desligar e outro barulho começar, o que parecia ser de um secador de cabelo. Me apressei e tentei abrir uma gaveta, que estava emperrada. Puxei-a com força, e esta caiu no chão com um barulho alto, e eu deixei escapar um gritinho. Agradeci por Marceline estar ocupada secando os cabelos e olhei o que havia caído no chão: algumas fotos, uma palheta e uma coisa estranha... parecia uma gosma cor-de-rosa, com cheiro doce. Exatamente quando fui pegar a coisa indefinida rosa, a porta do banheiro se abriu de supetão, e Marceline saiu de lá usando jeans surrados, uma regata vermelha e uma jaqueta. Ela me viu na primeira tentativa, e eu só pude arregalar os olhos e falar baixinho:
-Oh my glob!
Marceline olhou para o chão, arregalou os olhos e flutuou rapidamente até ali, falando:
-Ah meu deus, o que você viu? Não pode ficar se metendo na vida dos outros, Jujuba! Me devolve isso! -Disse ela puxando a gosma da minha mão, que por estranho que pareça, se esticava.
-NÃO! -Falei de supetão.
-ME DEVOLVE!
-NÃO ANTES DE VOCÊ ME FALAR O QUE É ISSO!
Comecei a correr pelo quarto dela, e ela foi atrás de mim, gritando de raiva. Corri para o andar de baixo, e assim para fora, e quando ela quase me alcançou, tropeçamos e a coisa caiu do lado de fora da caverna.
-É MINHA! -Falou Marceline.
Sem perceber, Marcy começou a se queimar, e a criar bolhas na pele. Saíra ao sol sem proteção. Ela uivava de dor, e eu, apavorada, segurei sua mão e a puxei para dentro da sombra da caverna. Olhei para ela com muito medo. Esquecemos que ela queimava ao sol. Por uma brincadeira minha, ela se feriu, e não podia me sentir pior. Olhei pra ela com lágrimas se brotando, e gaguejei:
-D-desculpa, eu... Não sei o que deu em mim, me desculpe Marceline.
-Tudo bem, espera lá no meu quarto enquanto eu passo meu hidratante de vampiros.
Ainda me sentindo mal e chorando, segui-a até seu quarto, e sentei na sua cama. Observei ela passando uma mistura de frutinhas no rosto e depois jogando água, e parecia que nada havia acontecido. Ela flutuou até mim, e me abraçou. Não sabia o que dizer, eu tinha feito ela se machucar. Ela me abraçou e senti seu cheiro gostoso e profundo, indescritível. Ela segurou meu rosto em suas mãos e me olhou nos olhos, falando:
-Tá tudo bem, Bonnie. Eu estou bem, não precisa chorar por isso, sua chorona sentimental. Viu? Tudo bem.
Olhei em seus olhos, profundos e negros, com um leve brilho para ofuscar meus pensamentos. Parei de chorar aos poucos, e acabei apenas soluçando sentada no colo de Marcy. Nem percebi como parei ali, apenas aconteceu. Ela então falou como quem tentava ser paciente:
-Quer saber o que é aquilo?
Assenti em resposta.
Aquilo é uma mecha de cabelo seu. Finn partiu pra outra, e deixou eu ficar com a mecha do seu cabelo que ele guardava a tanto tempo. Feliz agora? -Falou, enrubescendo.
Ela desviou o olhar, e toquei seu rosto brevemente apenas para ela olhar pra mim, e dei-lhe um selinho nos lábios. Ela imediatamente ficou vermelha, assim como eu. Desviamos o olhar, e depois de uns minutos, enfim saímos para nosso piquenique coletivo, as duas juntas de mãos dadas.
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