Um Amor Na Terra De Ooo
13 Capítulo 13 - Um novo amigo
Notas iniciais
Princess Blubblegum's POV
Acordei cheia de dores do corpo por ter dormido mal no chão duro. Acordei de um pesadelo. Eu corria de seres demoníacos que tentavam me alcançar, seres fantasmagóricos e sanguinários, de olhos amarelos brilhantes e possessivos. Eram os espíritos dos antigos seres que povoavam Ooo em sua época obscura, pouco depois da Guerra.
Me levantei, suspirei e continuei a andar, agora no escuro natural dos túneis, pois minha tocha havia se apagado. Caminhei por minutos, talvez horas, cantarolando a música que eu havia cantado no dia em que Finn, eu e a minha bela dama de cabelos de ébano havíamos nos divertido tanto. Não parecia grande coisa, mas pra mim, as poucas horas em que eu passava com meus amigos, eram incríveis e maravilhosas. Em pensar que já vivi sem ter esse prazer...
Sem perceber, quase caí num buraco. Me esgueirei para longe da beirada, bati o pé e exclamei:
–Droga! Como vou passar por isso?
Andei até a beirada com cuidado e olhei o fundo. Era tão profundo e escuro que eu sequer conseguia ver o buraco daquele abismo. Tinha por volta dos dois metros de comprimento, e de largura ele se estendia pelos dois cantos da parede.
–Vou precisar pular, não tem nenhuma outra saída...
Corri para trás, peguei impulso e corri em disparada. Meu coração acelerou ainda mais quando pulei. Por um minuto, fiquei suspensa no ar, naquele terrível buraco, e foi como se cada segundo se prolongasse. Quando pisei do outro lado, o chão aos meus pés despencou, e soltei um grito. Me agarrei à beirada do precipício com todas as forças, mas sentia a brisa gélida esgueirando-se entre as minhas pernas. Enquanto eu gemia e tentava inutilmente me levantar para cima, algo adiante da caverna brilhou.
Um pássaro de tamanho mediano, parecido com Manhã, se aproximou. Porém, ele era diferente. Suas penas eram de um tom lindo de laranja, sua cauda em leque era em tons de vermelho e ia se escurecendo até o negro, e sua crista no topo da cabela tinha uma penugem leve, fina e... flamejante. O pássaro, que queimava, não parecia estar se machucando. Pelo contrário, parecia incrivelmente calmo e satisfeito, mesmo suas asas se flamejando com o calor de si próprio. Uma ave do Reino de Fogo? Tão longe?
–A-ajude-me! -Falei em meio aos gemidos das minhas tentativas de subir.
–Irei lhe ajudar, contudo você terá de pagar um preço depois! -Falou a bela ave sem se demorar.
–Tudo bem, mas me levante daqui!
O pássaro se estendeu em toda a sua envergadura, bateu de leve as asas e, com as suas garras, agarrou os meus ombros finos e me elevou até o solo. Arfando, me sentei e vi o pássaro pouco menor que manhã em todo o seu esplendor, entrando em combustão. Ergui uma sobrancelha, percebendo então que estava na presença de uma Fênix, uma rara e mágica criatura do Reino de Fogo. Já havia pesquisado sobre ela antes. Era um pássaro mágico, que renascia das próprias cinzas, e que concedia um desejo. Nunca havia lido sobre uma troca de favores, então esta deveria estar realmente precisando de ajuda.
Um instante depois, um brilho radiante saiu das cinzas frescas e iluminou a caverna novamente. Um pequeno pássaro, com as penas novas, finas e delicadas saiu do montinho de cinzas, balançou o corpo e piou.
–Owwnnn -Exclamei sem perceber.
Estendi o dedo e a pequena ave pulou e se aconchegou ali. Continuei a caminhar com ela, e depois de poucas horas ela havia crescido bastante, quase em seu antigo tamanho. Depois de virar, o pássaro estendeu as asas, abriu os olhos cor de âmbar, e exclamou:
–Bom dia, meu nome é Espairecer.
–Prazer, Bonnibel Bubblegum.
–Sua jornada foi complicada, não?
–E como foi -Dei uma risada fraca e inspirei.
–Logo você vai chegar numa caverna maior, e aí paramos para eu lhe explicar o que eu quero que você me faça em troca, tudo bem?
–Claro.
Pouco depois o que Espairecer falou se realizou, e paramos numa caverna maior, que nem parecia uma caverna de tão grande. Eu mal encontrava o teto, só um restinho dele. Árvores de raízes retorcidas claras e folhas azuis espalhavam-se pela pequena floresta. O chão era coberto por uma relva baixa, densa e macia. Uma trilha se estendia entre as árvores, que cheiravam à xarope de boldo. A luz do ambiente vinha das próprias árvores, que soltavam um brilho fraco.
Fascinada por este ambiente escondido, tornei à perguntar ao belo pássaro empoleirado no meu ombro:
–É aqui que você vive? É lindo!
O pássaro soltou uma risada e respondeu:
–Não não, minha cara. Minha terra natal são os campos ferventes das terras do Reino de Fogo, mas uma criatura me aprisionou aqui, para que eu concedesse desejos apenas à ele. Faz muito tempo que não vejo a luz do sol, os rios de lava, as árvores de fogo e aprecio suas frutas, sinto falta dos meus amigos...
–Sinto muito por isso, deve ser péssimo. Posso ajudar você à escapar de algum jeito?
–É exatamente sobre isso que envolve o meu singelo pedido! Vamos descansar e depois conversamos sobre isso.
Dito isso, o pássaro pulou do meu ombro e começou a voar constantemente na minha frente.
–Siga-me à cabana.
Ele voou entre a trilha até uma árvore central, maior, com o tronco mais retorcido e mais brilhante que as outras. Um galho retorcido pendia junto ao seu grosso e alto tronco, e eu via frutas redondas pouco maiores que laranjas nos galhos mais finos do alto.
A Fênix seguiu por mais uns poucos minutos por uma trilha ao sul da árvore central, que deu origem à uma clareira com uma trilha de pedras e lírios pelo chão. Uma cabana de pedra, pequena porém bonitinha, encontrava-se ao centro da clareira. Tinha janelas quadradas, paredes bege, um telhado simples de telhas, uma porta na entrada e uma chaminé. Flores adornavam o chão ao seu redor, e um laguinho com uma pequena cascata encantava o jardim.
–Entre! Sinta-se em casa, minha cara! -Exclamou Espairecer.
E naquele momento, eu apenas me senti mais longe de casa...
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