Um Amor Muda Tudo
34 Unconditional- One love changes everything Part I
POV NATHALIE
O frio e o desespero que eu senti naquele momento não está registrado em nenhum livro, a mistura de indecisão e certeza nunca esteve no um corpo ao mesmo tempo.
A voz da minha mãe ecoava em todo meu consciente, só e somente ela conseguia me fazer lutar, eu sempre a via como a mulher mais forte, e eu queria ser como ela, sabia que se eu resistisse um pouco mais eu conseguiria meu objetivo. E o meu objetivo era sair viva e levar os meus comigo, nunca quis colocá-los nessa situação, mas parece que em algumas situações isso é inevitável. Pode até soar um com um pouco de egoísmo da minha parte, mas vê-los aqui me deu mais impulso para enfrentá-la.
E eu sabia que conseguiria, e para isso eu precisava dá só mais um passo em frente, só não queria que terminasse dessa forma, eu nunca fui amante do simples, gosto de coisas complexas. E Nas Kamal foi mais complexo dos meus desafios, eu sabia do potencial dela e das minhas limitações, e ela sabia das minhas fraquezas, não todas, mas as três principais estavam bem ali na nossa frente e na mira dela, e eu não poderia deixar que nada saísse diferente do que eu planejei
Precisava de um fim, e os mocinhos sempre merecem um final feliz, os malvados não.
Por um curto período de tempo eu me imaginei numa atmosfera totalmente diferente, um jardim com crianças correndo em volta de balanços e gangorras, com balas e algodão de doce nas mãos, felizes em seus lares adotivos, mas nem de longe eu fui essa criança, eu estava de casa em casa até o dia que fugi da última família, eu já tinha idade suficiente de morar sozinha e nas ruas eu aprendi a me defender, mas algo aguçou a minha curiosidade, conhecer a mulher que alguém me falou, da pior forma possível.
Ao contrário do que pensaram ela conseguiu me libertar do meu próprio casulo e no fundo éramos tão parecidas, não só fisicamente mas na forma de agir e de lutar pelo que acreditamos ser correto, e foi nesse momento que eu entendi o porque nunca fui adotada definitivamente, o destino queria que eu a encontrasse para que eu mesma descobrisse de quem havia herdado tanta força.
O barulho do tiro fez todos despertarem do transe, acredito que por um instante fizemos uma autoanálise de uma das piores sensações, perder alguém.
Momentos mais cedo.
— O que deu em você? Porque você atirou? — Ele gritou com uma voz alterada.
— Eu não tive escolha!
— Sempre temos uma escolha Keaton, não cabia a você decidir isso agora.
— Reade se eu não atirasse ela atiraria na Nathalie ou na Tasha, você não queria perder nenhuma das duas. Diz que eu estou errado? — Pediu ele ainda com a arma em punho.
— Rapazes parem com essa discursão, precisamos sair daqui. — Patterson tentou apaziguar. — As duas precisam da gente.
— A Patterson tem razão Reade, vamos tirá-las daqui. — Pediu Keaton.
Tasha ainda se encontrava no chão, abaixada ao lado de Nathalie as duas estavam em choque repassando as últimas cenas na mente. Foi por muito pouco.
— Ei filha, você está bem? — Tasha observava que a filha estava tentando falar algo. — Nathalie fala comigo por favor!
— Ma... Mãe! — A garota estava paralisada olhando para cima, a respiração estava descontrolada pelo que viveu anteriormente e pelo peso que comprimia seu ar.
— Eu vou tirar você daí! — Disse Tasha estendendo uma das mãos. — Você está machucada?
— Mãe estou bem. Pelo menos eu acho. — Disse ela com dificuldades.
— Você está sangrando! Onde se machucou? — Perguntou Tasha preocupada.
— Não é meu, o sangue é dela. — Avisou Nathalie. — Só está difícil de respirar com ela em cima de mim.
— Certo, vou dá um jeito nisso. — Disse Tasha olhando bem a cena, tentando entender por onde começar. — Ei... Reade, me ajude com o corpo da Nas. — Pediu ela e Reade prontamente fez o que Tasha pediu.
— Mãe, ela está morta? — A garota observava fixamente o corpo ao seu lado.
— Está Nathalie, ela não pode fazer mais nada contra você ou contra mim.
— Eu não queria que fosse dessa forma. — Disse a garota ainda estática.
— Eu sei filha. Mas, não foi sua culpa.
— Foi você quem atirou? — Questionou a garota.
— Não foi o Keaton.
— Por que?
— Porque ela iria atirar em você, e não poderíamos deixar isso acontecer.
— Vamos sair daqui, por favor. — Pediu a garota se levantando.
— Tasha o jatinho está pronto, vocês devem ir. Eu vou cuidar de tudo aqui. — A morena apenas acenou com a cabeça. — Me desculpe, eu não iria arriscar a vida de vocês, eu precisei atirar nela. — Keaton tentou se justificar.
— Tudo bem Keaton, estamos bem, você fez o que deveria ser feito.
— Tem um médico que vai examinar vocês, seu braço precisa de um curativo Tasha. Me avise quando estiverem em NY. — Pediu ele e ela apenas acenou.
Os quatro já estavam acomodados na aeronave com destino a NY. Reade observava as reações de Tasha a cada segundo o corpo da morena estremecia em alerta, ela estava ainda processando tudo o que aconteceu nas últimas horas. A latina não conseguia pregar os olhos um só segundo, a todo instante verificava se a filha estava bem.
Reade estava preocupado com a mulher, uma hora ela iria explodir, aquilo lhe trazia uma sensação de impotência, saber que não iria conseguir fazer nada para diminuir os traumas vividos pelas duas.
— Ei Tash, você precisa descansar. Amor por favor só tenta descansar um pouco.
— Estou bem, você precisa de algo? — Questionou ela.
— Sim! Que você pare um pouco, desde de que saímos você não descansou por nenhum momento.
— Reade estou tentando processar tudo o que aconteceu nas últimas 12 horas, e não, não estou bem, não me pergunte esse tipo de coisa. — Disse ela, e sem querer soou um pouco grossa.
— Tudo bem, me desculpe.
— Eu vou ver como ela está. — Disse Tasha se levantando novamente.
O voo foi um pouco mais longo do que o esperado, Tasha se levantava a todo momento para ver se Nathalie estava precisando de algo.
A garota estava na poltrona ao lado de Patterson que não tirava os olhos da janela lembrando-se do que aconteceu.
— Ei, Tasha você precisa descansar.
— Eu só vim ver como ela está Patterson. — Disse a morena.
— Está dormindo ainda, da mesma forma que estava a alguns minutos atrás.
— Tudo foi tão rápido, parecia um pesadelo. — Disse a morena encostada na porta. — Por pouco eu não a perdi.
— Não consegue dormir porque está pensando no que aconteceu com Nathalie? A Nas morreu! — Afirmou a loira. — Ela não pode fazer nada contra nenhum de nós.
— Ela estava tão perto de atirar na minha filha, um tiro errado e todos nós morreríamos naquela explosão.
— m- Mas o Keaton fez o que tinha que ser feito. Ele estava com ela na mira, e se não tivesse feito isso não estaríamos aqui, indo para casa. Vivos.
— Você tem razão! É coisa da minha cabeça.
— Não é nada disso, é o seu instinto super protetor, você é mãe e o seu primeiro instinto com certeza seria proteger a sua filha. Vem cá! — A loira puxou a amiga para um abraço. Nós vamos ficar bem, vai levar um tempo, mas vamos ficar bem.
— Patterson obrigada por tudo, eu não sei como faria sem vocês. — Tasha falou ainda abraçada a amiga.
— Não precisa me agradecer. Agora porque você não vai descansar um pouco, ainda temos mais duas horas de voo, eu fico aqui com ela.
Tasha concordou e foi em direção as poltronas onde Reade estava lendo um livro, ele parecia totalmente concentrado no que estava fazendo.
— Reade ainda acordado? — Disse ao se aproximar dele. —Me desculpe pela forma que falei, eu não deveria ter falado daquele jeito. Eu não estou sabendo como lidar com tudo isso.
— Ei tudo bem, estamos todos apreensivos mas vamos conseguir sair dessa. — Desse ele olhando-a de forma carinhosa. — Como a Nathalie está?
— Dormindo, o médico receitou alguns ansiolíticos, acho que fizeram efeito.
— Isso é muito bom, ela precisava se acalmar. Ei baby, deita aqui. — Ele sinalizou a poltrona ao lado dele.
Ela sentou-se apoiando sua cabeça no seu ombro, enquanto entrelaçava suas mãos na dele.
— Eu quase te perdi hoje e eu quase perdi a Nathalie, eu não posso perder você, não posso perder nenhum de vocês. — Disse ela chorosa.
— Tash o que aconteceu hoje... — Reade tentou falar mas foi interrompido.
— Não Reade, o que aconteceu hoje não pode nunca mais acontecer, eu não aguento essas coisas. — Disse ela contendo um soluço. — Quando estivermos em casa precisam me prometer que não vão mais arriscar a vida, nenhum de vocês, entendeu?
— Entendi, vamos ficar todos vivos e juntos! Eu prometo, e prometo também que vou cuidar de vocês até o fim da minha vida. — Disse ele depositando um beijo no topo da cabeça dela.
— Reade, eu te amo! Obrigada por tudo, acho que eu nunca vou saber como agradecer o suficiente.
— Você é a mulher mais forte que eu já conheci, e me sinto sortudo por ter você na minha vida. — Se derreteu Reade. — Eu também te amo!
Tasha adormeceu um pouco e só foi acordada por Reade quando estavam pousando, aquilo não parecia real, estavam voltando para casa vivos de mais uma, depois de tantas que já passaram.
Ela enfim estava em casa, com o marido e os filhos, foi ali que ela teve a certeza de que tudo acabou, tudo ficaria bem. Ela estava rodeada das pessoas que amava e que eram as mais importantes para ela.
— Nathalie você chegou! Então é verdade que a mamãe e o papai foram te buscar? — Ryan pulou nos braços da irmã assim que a porta foi aberta.
— É sim garoto, a mamãe e o papai foram me buscar. Eu estava morrendo de saudades de você. — Disse ela colocando o irmão no colo. — Como você está grande?
— Eu estava com saudades também. Eu cresci porque faz tempo que você não me ver, precisa ver meus dinossauros, o papai comprou alguns, você precisa brincar com eles.
— Eu vou adorar brincar com você, mas eu preciso de um banho a viagem foi longa, mas amanhã prometo brincar com você, pode ser?
— Pode! A garoto confirmou saltitante indo para colo do pai.
— Ryan porque não me ajuda com o jantar enquanto sua mãe e a Nathalie se organizam. — Reade sugeriu a criança, indo em direção a cozinha. — Patterson você fica para jantar conosco?
— Não Reade, eu preciso ir. — A loira respondeu.
— Porque você precisa ir? Patterson janta com a gente. — Sugeriu Nathalie, vendo que a loira organizava suas coisas.
— Eu volto amanhã com mais calma, acredito que todos nós queremos descansar. — Explicou ela. — Boa noite!
— Me avisa quando chegar? — Pediu Nathalie e ela apenas acenou.
Patterson se despediu enquanto Tasha acompanhava toda aquela cena sem dizer uma palavra.
— Eu sei o que vai dizer mãe! Pode perguntar. — A garota se trocava no quarto enquanto Tasha estava sentada na cama lhe esperando.
— Eu nem sei por onde começar, tenho tantas coisas se passando na minha cabeça. Porque a CIA filha?
— Você mesma me disse, faça tudo o que for preciso para ficar viva, e eu fiz. — Disse ela sem encarar a mãe. — Era a única forma que eu tinha para me defender.
— Era sua única opção?
— Naquele momento sim, só não imaginava que iria tomar essa proporção. E foi a chance que eu tive de limpar meu nome, o Weitz iria me incriminar pela morte da Madeline, foi a forma mais segura, era isso ou ir a julgamento e não teríamos chances. — Ela se aproximou da mãe. — Eram só alguns documentos e depois...
— Depois você se tornou uma arma secreta deles? — Tasha foi direta.
— Eu não sabia que vocês também estariam investigando o John até o dia da festa. Tudo era muito simples, conseguir a confissão dele e pronto, até descobrir o real motivo da Nas por trás daquilo tudo.
— Arriscou sua vida Nathalie, muitas vezes. Da última vez que nos vimos você já estava com eles?
— Sim, mas não pretendia chegar até esse ponto. Foi só depois do acidente que eu realmente descobri do que se tratava.
— Eu quase enlouqueci com aquela notícia. — Disse Tasha de olhos fechados relembrando aquela sensação ruim.
— Eu nem imagino o que você passou. Mas Mãe eu amadureci tanto depois da CIA, depois que realmente eu descobri algo que sou boa, eu sou incrível fazendo isso. E todos lá viam isso. — Confessou ela.
— O problema desse trabalho é que, em algum momento você vai fazer algo que não concordas
— Eu já fiz tantas coisas, mas eu não consigo me sentir mal, muito pelo contrário, eu penso nas pessoas que eu ajudei. — Confessou Nathalie. — Tem noção do plano do John e quantas pessoas corriam perigo de morrer por conta dele?
— E quantas pessoas você precisou matar para continuar a missão?
— O Ted, apenas ele. — Disse a garota.
— Ameaçou machucar uma criança Nathalie! Usou isso para conseguir essas informações. — Tasha aparentava estar irritada ao conversar sobre isso.
— Mas eu não pretendia fazer nada com aquela garota, eu nunca teria essa coragem.
— E se você precisasse? Se a Nas ou o Keaton te pedisse para torturar aquela criança, você iria fazer?
— Não sei... Essa não é a resposta que você queria, mas eu não sei o que iria fazer. — Falou a garota sinceramente.
— Eu ouvi muito sobre você Nathalie... — Tasha agora parecia mais calma.
— De como eu me pareço com você?
— Também, isso também.
— Eu tenho orgulho de ser sua filha sabia?
— A CIA é coisa de gente que arrisca tudo, que não tem nada a perder.
— Eu sei disso, porém aquilo me fazia está viva! Você também não se sentia assim?
— E você tem uma vida aqui, tem a mim e ao Reade, e tem o seu irmão. E também tem coisas para descobrir aqui, não abra mão de ser feliz, o trabalho não vai te fazer feliz para sempre, eu só percebi isso tarde demais e quase perdi o amor da minha vida, não cometa o mesmo erro que eu.
— Ainda estamos falando sobre o trabalho? — A garota perguntou desconfiada.
— Você já entendeu o que eu quis dizer. — Tasha sorriu para a filha.
— Meninas, hora do jantar! — Reade apareceu na porta do quarto, não conseguia esconder a felicidade que estava sentido ao vê todos em casa, de certa forma bem. Tudo ficaria bem logo.
Tasha foi a primeira a ir em direção à mesa com Ryan nos braços, Nathalie estava logo atrás, e o abraçou sinceramente.
— Ei Sr. R? Obrigada por tudo. — Disse ela ainda abraçada a ele.
— Obrigado por voltar, espero que não pense em ir embora. É bom ter você em casa novamente filha. — Disse Reade.
— Tudo o que eu preciso está bem aqui. Eu não me vejo em outro lugar.
O jantar ocorreu bem, em alguns momentos Tasha e Reade trocavam alguns olhares, ele conseguia enxergar que mesmo exausta ela estava feliz. Tudo o que ela mais pediu durante as noites em claro estava se tornando real, sua filha estava de volta.
— Eu vou dormir, querem ajuda na cozinha? — Nathalie foi a primeira a se levantar
— Não, pode ir descansar. — Reade falou. — Nós damos conta por aqui.
— Nathalie quero dormir com você, eu posso mamãe? — Perguntou o garoto que estava sentado ao lado da mãe.
— Sua irmã está cansada Ryan. Amanhã você pode ficar mais tempo com ela.
— Mãe não tem problema mãe! Eu vou adorar matar a saudade dele. — Disse ela feliz assanhando o cabelo do irmão.
— Então tudo bem! — Disse Tasha ajudando o filho a descer. — Boa noite. Tasha se despediu dos filhos.
Os dois estavam na cama de pijamas, Nathalie já tinha contado algumas histórias para o garoto. Mas ela não conseguia dormir.
— Nana não consegue dormir? — Perguntou o garotinho olhando pra ela.
— Ryan você ainda está acordado?
— É porque você está com medo de dormir? Pode usar meu ursinho. — Disse o garoto de forma inocente.
— Isso é coisa do papai não é? — Perguntou Nathalie de forma divertida.
— Ele me disse que quando estiver com medo é só abraçar algo que te lembra felicidade.
— Então eu posso abraçar você? Você me lembra felicidade. — Disse ela abraçando bem forte o irmão.
— Pode! Eu amo você.
— Também amo você meu anjinho, eu senti sua falta.
— O tio Rich disse que você estava treinando pra virar uma ninja justiceira. É verdade? —
Nathalie acabou gargalhando da forma o garoto falou.
— Mais ou menos isso, quando você estiver maior eu conto.
— Eu já sou grande Naná! — O garoto falou emburrado.
— Então quando estiver grande do meu tamanho tudo bem? — O garotinho concordou. — Agora vamos dormir.
Tasha passou pelo quarto dos filhos e ficou feliz pela cena que viu, os seus dois amores juntos, como ela torceu para ver aquela cena de novo, aquele momento lhe trouxe paz, e ela estava começando a se sentir viva novamente. As coisas estavam tomando um novo rumo.
Já era manhã em NY e a família estava reunida em volta da mesa para tomar café da manhã.
— Nathalie, Reade e eu vamos deixar o Ryan na escola e depois vamos assinar alguns papéis no sioc, tudo bem em ficar sozinha por algumas horas? — Tasha falou enquanto terminava o café da manhã.
— Mãe sem problemas, eu estou bem. — Disse Nathalie tomando mais um pouco do seu suco de laranja.
— A tia Patterson vem aqui em casa, eu ouvi a Nathalie falando ao telefone.
— É mesmo? — Questionou Reade curioso.
— Vocês não tinham que levar essa criança na escola? — A garota quase se entalou com o suco.
— Vamos! Ryan não está esquecendo de nada? — Tasha já estava na porta com Reade esperando o garoto. — Filha qualquer coisa ligue.
— Pode deixar!
(...)
— Ei você realmente veio! — Nathalie cumprimentou Patterson assim que abriu a porta.
— Eu disse que viria. Como você está se sentindo? — Perguntou a loira largando a bolsa em algum lugar da sala.
— Na medida do possível bem, deveria ter ficado para o jantar, o Reade fez a famosa pasta italiana dele.
— Eu queria que você aproveitasse o momento com a sua família. Fazia tempo que precisam de um momento feliz.
— E nós não precisávamos? Senti sua falta. — A loira ficou um momento em silêncio tentando processar o que tinha ouvido.
— Nathalie, eu procurei alguns especialistas em estresse pós traumático, acho que você poderia conversar com algum. — Disse Patterson mostrando alguns encartes.
— Acha melhor do que ir às compras? — Sugeriu ela de forma divertida.
— Como? — Questionou a loira sem entender a pergunta.
— Estou brincando com você, é claro que eu vou.
— Tasha e Reade já saíram?
— Foram deixar o Ryan na escola e iriam no escritório assinar alguns papéis, enquanto isso eu fico com uma babá eletrônica.
— É justo, vai ter que trabalhar a confiança deles.
— Ainda precisamos resolver aquele assunto, antes que eles voltem. — sugeriu a loira.
— Sim, eu já vi alguns locais, porém preciso que você veja se vai gostar antes de reservar. — As duas sentaram para tomar café da manhã enquanto observavam os locais escolhidos por Nathalie.
— Eu gostei desse lugar, porém acho muito grande, não temos tantas pessoas. Esse aqui eu só gostei do lago. — Ela apontou para as fotos no computador. — Acho que a Tasha iria gostar do jardim tem mais opções, mais à praia também é linda.
— Então decidimos pela praia? — Questionou Nathalie.
— Acho justo a praia. — Respondeu Patterson. — Então fechado! Qual o próximo item da lista?
— Os convidados e as bebidas.
— Isso é com o Rich Nathalie. Nossa parte é só o local é decoração.
As duas continuaram discutindo ao longo da manhã os itens daquela lista enorme, tudo teria que sair perfeito e em total sigilo.
Os meses estavam se passando, e conforme isso acontecia Nathalie se mostrava melhor a cada dia, ela começou a frenquentar as seções de terapia e tentava se manter afastada de tudo o que lembrava o seu passado, recebeu ligações de Keaton algumas vezes mas só para saber se a garota estava bem ou se precisava de algo.
Durante a licença que tinham pedido do FBI, Reade e Tasha finalmente puderam curtir um momento com a família, prefeririam um lugar calmo, onde passaram duas semanas com Nathalie e Ryan se divertindo com muito sol nas praias mexicanas.
Enquanto isso no FBI de NY Patterson e o restante da equipe trabalhavam na resolução de casos diários do escritório, a vida deles estava tomando o rumo certo dessa vez.
De malas prontas a família estava de volta a NY após dias divertidos juntos.
— Realmente vamos ter que voltar? A vida aqui é tão pacata. — Reclamou Nathalie só colocar a última mala no carro.
— Eu também me divertir bastante Nathalie. — Respondeu Reade. — Porém temos que voltar a realidade do trabalho e você da faculdade.
— Mamãe, mamãe o papai disse que poderíamos comprar um desses cavalos, e que sempre que vocês tiverem uma folga poderíamos ficar aqui. — Falou Ryan animado enquanto se despedida da paisagem.
— Foi mesmo? — Tasha olhou incrédula para Reade. — Vai comprar um cavalo de presente para o Ryan?
— O que? — Ele fingiu não ter intendido só pra provocá-la. — Ele gostou dos cavalos, e você me disse que na infância também gostava.
— Podemos conversar sobre isso depois? E, Nathalie já pensou sobre a vaga para ensinar matemática as crianças?
— Eu prefiro campo de tiro como terapia.
— Nathalie já conversamos sobre isso, a psicóloga falou que você precisa de uma atividade que não necessite tanto esforço.
— E quem disse que ensinar não vai exigir esforço?
— Pense no assunto, por favor. Você vai amar aquelas crianças. — Falou Tasha animada.
— Tudo bem, vou pensar.
— E falando em pensar temos um trato Nathalie. — Disse Reade sem tirar os olhos da estrada. — Hoje à noite você vai ficar com o Natan e eu e sua mãe vamos ao jantar dos ex alunos.
— Eu tenho uma programação legal com o meu irmãozinho hoje, vamos passar a noite assistindo filmes de dinossauros e comendo bastante pipoca.
— Só não fiquem acordados até tarde.
— Mãe quando você ficou assim tão cheia de regras?
— É uma crítica Nathalie? — Tasha perguntou de forma divertida arqueando uma das sobrancelhas.
— Não, foi só uma observação mesmo.
Ao chegarem em casa os três foram desarrumar as malas enquanto Ryan assistia aos seus desenhos favoritos. Nathalie trocou algumas mensagem com Patterson durante o dia e logo à noite chegou, Reade e Tasha foram para o jantar planejado enquanto os filhos se divertiam assistindo.
— Nossa amor como você está linda. — Falou Reade ao observar sua mulher.
— São os seus olhos, e eu adorei o seu convite. — Disse Tasha entrelaçando os dedos aos de Reade.
— Parece até que é a primeira vez que saímos juntos.
— De certa forma é sim, quanto tempo faz que não saímos?
— Sem nos preocuparmos com filhos e armas disparando? Faz muito tempo Tash. E eu estou muito feliz em dividir esses momentos. — Disse ele depositando um beijo suave nos lábios dela.
O jantar foi divertido, Reade encontrou alguns amigos da época do ginásio com os quis conversou um pouco, Tasha estava muito feliz, dançou muitas musicas ao lado de Reade, conheceu alguns amigos dele da roça do colégio, riu de algumas histórias contadas por eles. Tudo estava perfeito e eles mereciam muito aquele momento.
.
— Reade eu estou me divertindo bastante, mas eu adoraria me aproveitar de você, ou melhor, com você. — Tasha sorria mordendo a boca, como sempre fazia quando queria provocá-lo.
— Tenho certeza que a essa hora podemos aproveitar bastante a nossa casa sem nos preocuparmos com barulhos. As crianças já devem está dormindo.
Reade e Tasha se despediram dos demais, o caminho de volta para casa foi acompanhada de musicas latinas, as preferidas dela, vez o outra Reade tirava os olhos da estrada para admira-la.
Ao chegarem em casa em casa Tasha tratou de ver como estavam os filhos e por sorte já estavam dormindo, a casa estava arrumada e sem sinais de guerra, o que era uma vitória se tratando de Ryan, o garoto era um verdadeiro furacão.
Ao chegar no seu quarto ela viu Reade admirando uma fotos dos dois, durante uma viagem que fizeram a algum tempo atrás.
— Eu lembro dessa viagem. — Ela seguiu a passos calmos em direção a cama onde Reade estava sentado. — Eu estava grávida do Ryan e ainda nem sabia, estava tão feliz nesse dia.
— Eu lembro como você se divertiu na praia. Acho que deveríamos ir algum dia, não nessa praia, mas outra, quem sabe numa viagem de lua de mel.
— Tá me pedindo em casamento Reade! — Ela falou o abraçando.
— Eu já te pedi varias vezes, vou te pedir de novo: Natasha Zapata quer se casar comigo?
— Claro que sim! — Disse ela animada. — Eu não me vejo feliz se você não estiver presente, se os nossos filhos não estiverem presentes.
Ele a puxou para o seu colo distribuindo beijos no seu pescoço, ela deixou que ele conduzisse aquela noite, com direito a muitas trocas de carinhos enquanto Reade retirava peça por peça dela, despindo não só o seu corpo como a sua alma. Ela o tinha para si, só Tasha sabia cada parte do corpo dele que mais causava arrepios, ali naquele momento eram só eles.
Cada vez que ele tocava uma parte do corpo dela e se conectavam novas ondas de prazer percorriam o corpo dos dois, cada arrepio e cada gemido que saiam deles era a resposta de quão apaixonados eram um pelo outro.
Tasha estava deitada sobre ele, enquanto recebia os carinhos dele, sentiu sua respiração ficando cada vez mais suave, e pôde então contemplar aquele homem maravilhoso, que não era só seu parceiro de cama mas também de uma vida, com altos e baixos que os faziam mais fortes a cada dia.
— Bom dia minha vida! — Reade a cumprimentou com um beijo assim que acordou. — Uma pena a noite ter passado tão rápido.
— Eu tenho a impressão que todas as vezes que estamos juntos as horas passam rápido só de implicância. — Tasha soltou uma gargalhada.
— Ainda estão dormindo? Os dois? — Reade estava impressionado.
— Sim, por isso que está um silêncio nessa casa. Preciso saber se você planejou algo para o próximo feriado, é quatro de julho e gostaria de fazer algo diferente esse ano. É a primeira vez que vamos comemorar os quatro juntos.
— Tenho sim, pode deixar comigo! — Disse ele se animando só de lembrar.
— Eu vou saber do que se trata ou só no dia Reade?
— Talvez você possa descobrir antes meu amor. — Reade retribuiu o beijo, demorando um pouco mais.
Os dois foram interrompidos por Ryan que foi o primeiro a acordar.
— Bom dia! — Ele falou indo direto pro colo do pai.
— Bom dia garotão. Se comportaram bem ontem à noite? Você não deu trabalho a sua irmã não foi?
— Sim eu me comportei e sim foi divertido
— Ficaram assistindo até tarde eu suponho! — Falou Tasha abraçando o filho.
— Não foi até tarde assim. — Nathalie sentou na mesa ainda sonolenta. — Assistimos a filmes de dinossauros, até sonhei com eles
— Bom dia filha! — Disse Tasha lhe cumprimentando com um beijo.
— Bom dia, vocês se divertiram ontem? — Perguntou Nathalie.
— Foi maravilhoso! — Tasha sorriu para Reade lembrando-se da noite passada.
— Que bom, eu vou seguir o conselho dos dois, vou até a escola hoje à tarde. Vou começar com as monitorias do segundo ano.
— Isso é uma boa notícia Nathalie. Você pode ficar com o Ryan quando você largar? — Ela afirmou que sim. — A a noite trazemos o jantar.
— Combinado!
Reade saiu mais cedo para o escritório enquanto Tasha iria depois com os filhos. Ele precisava resolver algumas pendências dos protocolos solicitados.
Tasha já estava pronta a alguns minutos, porém a filha estava esperando mais que o normal.
— Nathalie você já está pronta? Não quero chegar atrasada. — Reclamou ela.
— Estou só me trocando, só mais cinco minutos!
— Ok! Só mais cinco.
Enquanto Nathalie estava trocando de roupa seu celular tocou, como quem estava no outro lado da linha não iria desistir ela resolveu atender, afinal já era a quarta tentativa de contato.
— Oi aconteceu algo? — Perguntou ela assim que atendeu.
— Já está na escola? — Questionou a loira.
— Não! — A garota estava tentando não chamar atenção.
— Sua mãe ainda está aí?
— Sim, ela ainda está.
— Seja discreta. Precisamos antecipar as coisas, acha que conseguimos finalizar nosso plano em menos de trinta dias?
— Olha só, você está me pedindo pra correr contra o relógio?
— Basicamente! Mas é por uma boa causa.
— Eu sei que é, vamos precisar nos esforçar bastante. — Respondeu a garota conferindo se a mãe ainda estava na sala.
— Eu já fiz a transferência do dinheiro, agora é só torcer para que ela não descubra nada.
— Eu sei esconder bem as coisas, deixa comigo.
— Boa aula Nathalie e juízo garota.
— Você já roubou ele. — Respondeu Nathalie ouvindo uma gargalhada de Patterson no outro lado da linha.
(...)
— Filha vamos? Estamos atrasadas! — Gritou Tasha do corretor.
— Vamos estou pronta. — Respondeu ela pegando a bolsa.
— Quem era ao telefone? — Tasha perguntou porém já desconfiava da resposta.
— Era da escola. Porque?
— Nada! Foi só uma pergunta. — Pergunta que Tasha não aceitou muito bem a resposta.
Quatro meses depois Nathalie tinha diminuído as visitas ao psicologo, estava se saindo muito bem com as crianças no colégio , uma área que ela jamais pensou em ficar, de uma forma interessante aquelas crianças estavam lhe fazendo mudar, isso estava sendo notado por todos tanto na sua casa como pelos seus amigos. Ela desenvolveu alguns laços com alguns colegas de trabalho, as vezes saiam juntos no final de semana.
Era véspera de quatro de Julho, estavam todos no restaurante onde tinham feito reserva para comemorarem a chegada do feriado, Tasha e Reade com os filhos, Kurt e Jane com a pequena Isis, Patterson e Rich.
O grupo estava animado após um dia cansativo de trabalho, cada um teria programado seu feriado de forma diferente. Depois de muita conversa animada e algumas garrafas de vinho o grupo se despediu, já estava tarde e Ryan e Ísis já dormia no colo dos pais.
— Reade para onde vamos no feriado? Você está fazendo muito mistério! — Tasha falou assim que chegaram do jantar.
— Eu gosto de mistério. — Brincou ele.
— Engraçadinho devo me preocupar?
— Com o feriado? Claro que não.
— É o primeiro feriado que estamos todos juntos como uma família, queria planejar algo legal.
— Confia em mim? — Questionou Reade com os braços envoltos na cintura dela.
— Claro que sim!
— Então vamos dormir, amanhã nós resolvemos isso. — Ele tentou desviar dos questionamentos dela.
— Reade? — Tasha insistiu.
— Você não vai se arrepender, só confia em mim tudo bem?
— Tudo bem! — Tasha se deu por vencida.
— Então vamos dormir. — Ele depositou um beijo nos cabelos dela.
Reade a abraçou bem forte, já era comum as noites de sono calmas, agora sim Tasha estava começando a dormir bem.
Ao acordar, ele já não estava na cama, era feriado e ele deveria está na cozinha preparando o café da manhã, a casa estava bem silenciosa então era sinal que os outros ainda estavam dormindo.
Ao lado dela estava uma rosa vermelha e um bilhete escrito por Reade: “Hoje o seu dia vai ser incrível. Te amo, R.”
Ela se banhou e foi até a cozinha, não encontrou ninguém lá, ele deveria ter ido até a padaria.
— Já acordou, porque? — Nathalie lhe surpreendeu fazendo-a quase pular de susto.
— Nathalie quer me matar de susto? — Disse Tasha parando no corredor.
— Bom dia Tasha, dormiu bem? — Perguntou Patterson saindo da dispensa.
— Patterson madrugou ou dormiu aqui? — Tasha perguntou arqueando umas das sobrancelhas.
— Vou fazer o café. A loira falou ignorando totalmente a pergunta da amiga.
— Vocês sabem do Reade? Deveríamos está na estrada já.
— Iríamos viajar? — Nathalie ae fez de desentendida.
— Sim, vamos aproveitar o feriado juntos, em família.
— Ele deve ter ido comprar algo mãe.
— Mas ele deveria ter avisado, não gosto dessas coisas.
— Tasha toma um café que eu vou tentar encontrar ele, eu sempre acho as pessoas não é Nathalie?
— Se tem alguém que pode encontrar ele é você. — Falou de forma humorada.
Duas horas já tinham se passado e Reade não atendia o telefone, Tasha já estava começando a ficar preocupada imaginando o que poderia ter acontecido.
— Mãe pode parar de andar de um lado pro outro, vai fazer um buraco no chão. — Pediu a garota pausando a música que tocava no seu celular.
— Você sabe de algo não é Nathalie? Está muito calma, me fala alguma coisa. — Tasha praticamente implorou.
— Fica calma, confia em mim?
— Você é a segunda pessoa que me pergunta isso em menos de 24 horas, isso não é normal.
— Confia ou não confia mãe?
— Confio! — Disse sentando no sofá e verificando o celular novamente.
— Então, fica calma e relaxa. É sua única opção hoje.
— Mamãe, o papai mandou entregar. — Ryan lhe entregou um buquê de rosas vermelhas com outro bilhete.
“Eu sempre me desejei felicidade, mas nunca pensei que seria digno de um amor tão incrível, de ter uma mulher tão maravilhosa ao meu lado e uma família perfeita. Quer ser a mulher da minha vida? Se você disser sim, não vai ter mais volta. Me encontre nesse endereço.”
CONTINUA...
Fale com o autor