Um Amor Muda Tudo
19 Recomeço
A notícia de que a Nathalie não estava sentindo totalmente as pernas, trouxe ainda mais preocupação para Tasha e Reade; eles nos se imaginavam passar por tudo isso. Logo ela que sempre tinha controle de tudo em sua vida, agora via o seu mundo de cabeça pra baixo, ela só queria que tudo ficasse bem, que tudo pudesse voltar ao normal algum dia.
— Tash você está pensando em que? — Perguntou Reade ao vê-la distraída.
— Se a Nathalie realmente não conseguir mais andar? — Questionou demonstrando tristeza. — Eu quero tentar pensar em outras coisas, porém não estou conseguindo, minha mente só me faz imaginar o pior cenário.
— Meu amor vai ficar tudo bem, isso não vai acontecer, os médicos já estão lá dentro examinando ela. — Reade passou a mão pelo ombro de Tasha, aconchegando ela no seu abraço, depois de beijar o topo da sua cabeça, ele murmurou novamente — Vai ficar tudo bem!
Os dois estavam sentados no corredor, próximo à sala onde a Nathalie fazia alguns exames. Quase uma hora depois o médico responsável pelo caso apareceu, ele tinha uma expressão preocupada o que deixava os dois mais aflitos.
— Boa tarde! Vocês devem ser os pais da Nathalie, certo? — Eles se olharam e confirmaram positivamente, e o médico continuou.
— O caso da Nathalie é reversível. — Tasha soltou um suspiro de alívio. — Felizmente ela não teve uma lesão na coluna, o que é surpreende devido a gravidade do caso. Aos poucos os movimentos da parte inferior do corpo dela irão se normalizar, ela vai precisar de algumas seções de fisioterapia e acima de tudo o apoio da família dela. — Explicou o médico. — A recuperação é lenta, mais com algumas seções iremos ter o resultado esperado.
Ele passou mais algumas recomendações, e saiu deixando Reade e Tasha um pouco mais aliviados, logo eles viram Nathalie passar com uma das enfermeiras, ela precisava do apoio de cadeiras de rodas para se locomover, mas seria provisório. Todos estavam confiantes, Tasha acompanhou a filha até o quarto, e lhe ajudou a se acomodar na cama, ela percebia o quanto a garota estava triste.
— Ei filha, vai ficar tudo bem! — Ela tentou animá-la. — Isso tudo vai passar, eu estou bem aqui com você.
— Isso é tão desesperador, eu nunca imaginei passar por isso, mas eu faria tudo de novo para salvar sua vida mãe. Eu não poderia te perder. — Ela falava de forma embargada e Tasha se acomodou na cama, abraçando a sua filha.
— Eu que tive tanto medo de perder você novamente Nathalie, me senti tão impotente naquele momento. — Confessou a morena em lágrimas. — Me perdoa por não proteger você? Se eu pudesse voltar no tempo eu faria tudo diferente minha vida.
— Não se culpe mãe! Muita coisa do que aconteceu foi culpa minha, eu me arrependo muito hoje. A vida tem essa mania de me ensinar as coisas da maneira mais difícil. — Nathalie tentou forçar um riso.
— Olha pra mim filha! — Tasha levantou o rosto da sua filha, e pôde ver seus olhos inundados de lágrimas. — Nós vamos passar por tudo isso juntas, ou melhor juntos, porque tanto eu quanto o Reade estaremos aqui pra você. Nós te amamos!
— E eu também amo muito vocês dois. — Ela enxugou as lágrimas que borravam o rosto da Nathalie.
Reade tinha virado um mero expectador de uma mãe e uma filha que se amavam muito, e transbordavam isso em cada palavra. Era impossível conter as lágrimas nesse momento, ele até tentou, porém falhou nisso.
— Pode vim nos abraçar também Sr. R, aqui cabe mais um! — Disse Nathalie se recuperando um pouco.
Os três compartilhavam do mesmo abraço e numa atmosfera maravilhosa. Existia proteção, carinho e muito amor ali, eles estavam dando início a família que sempre sonharam, não era dessa forma que eles imaginavam que iria acontecer, se há dois anos atrás alguém falasse para algum deles que isso seria real provavelmente nenhum desses acreditariam.
Foram quase vinte e cinco dias de internação, entre fisioterapias e procedimentos para que Nathalie recuperasse os movimentos das pernas. Muitas vezes ela voltava para o quarto desanimada e sentindo muitas dores pelo incomodo causado pelos esforços durante as sessões.
Os amigos do FBI também se reversavam para ajudá-los, sempre que podiam iam passar um tempo com a Nathalie, Tasha estava visivelmente mais magra, por conta da sua rotina cansativa, porém ela não iria sair em nenhum momento do lado da filha.
— Tash onde está o Reade? — Perguntou Patterson enquanto comiam na cantina do hospital, já que Jane e Kurt estavam com a garota.
— Ele falou que estava resolvendo algumas coisas, que só viria a noite. — Respondeu ela.
— Forças! Ela logo vai receber alta, você mesmo me disse que estão progredindo. — Patterson tentava passar apoio emocional para a amiga. — Eu me emocionei com o vídeo que você mandou de uma das sessões.
Patterson falava de um vídeo que a Tasha compartilhou com eles de uma das consultas de Nathalie, quando ela conseguiu dá alguns passos mostrando o quão positiva estava sendo as sessões de fisioterapia.
— Olha mãe, consegui! Eu consegui! Estou andando sem o apoio. — A garota falava com lágrimas indo em direção ao abraço da mãe.
— Vem filha, eu disse que você conseguiria, está vendo meu amor como você é forte? — Lembrou-se Tasha deixando cair algumas lágrimas enquanto conversava com Patterson.
Eram lágrimas de cansaço e também de alegria, pois aquilo tudo estava prestes a terminar. Enquanto conversavam ela recebeu uma mensagem do Reade informando que não poderia ir ao hospital naquele dia, que tinha ficado preso no escritório. Ela respondeu que estava tudo bem, e que qualquer novidade ela informava a ele, a amiga logo se ofereceu para passar a noite com elas, mesmo a Tasha insistindo que não precisava se incomodar, estava tudo sobre controle.
Patterson nem deu ouvidos, além do mais há muito tempo que não tinham uma noite das garotas.
No dia seguinte, já no horário do almoço Reade foi até o hospital, precisava ver como estavam as coisas.
— Ei amor, como está? — Ele a cumprimentou com um beijo.
— Bem! Você parece cansado, dia longo? — Ela perguntou se aconchegando no abraço dele.
— Algumas pendências pra resolver, mas eu estou melhor agora com você. E a Nathalie?
— Está terminando mais uma sessão, estou confiante que logo ela vai sair.
Nathalie voltou de mais uma sessão, mesmo com dores por conta do esforço ela se mostrava muito feliz, conversaram um pouco, Reade brincava com a forma como ela estava reagindo bem, enquanto Tasha os observava. Eles eram os grandes amores da vida dela.
Após 48 horas daquele dia, enfim estavam de malas prontas, Nathalie enfim estava de alta, pronta para ir embora, porém existia um dilema que ainda não tinha sido discutido ainda, elas teriam que voltar para casa, para onde tudo aconteceu.
Elas não sabiam qual seria a sensação de está ali, e reviver tudo aquilo novamente.
— Tasha, vamos? — Reade perguntou enquanto colocava última bolsa na mala. — Está pensando em que amor?
— Você pediu para arrumarem o apartamento e mudarem as coisas do lugar como combinamos? — Ela perguntou preocupada.
— A Patterson cuidou de tudo. — Ele falou entrelaçando os dedos nos dela e beijando a sua mão. — Não se preocupe.
Ajudaram Nathalie a entrar no carro, ela já estava muito bem, mas ainda andava com dificuldades. Reade pegou um caminho totalmente diferente da casa da Tasha e da sua casa também.
— Reade para onde vamos? — Nathalie perguntou intrigada.
— É, eu também quero saber, para onde vamos? — Tasha repetiu a pergunta da filha o encarando.
— Calma, já já vocês vão saber. — Ele falou sorrindo sem tirar os olhos da estrada.
Tasha repousava uma das mãos na perna dele, e sempre olhava pelo espelho para Nathalie, querendo ver como ela estava. No trajeto eles passaram por um parque, com lindas árvores, não tinha muito trânsito, então Reade baixou os vidros do carro, para que pudessem aproveitar a brisa daquela tarde, ele logo estacionou o carro num complexo de apartamentos.
— Reade você está me deixando curiosa, que lugar é esse? — Insistiu Tasha olhando o lugar admirada.
— Venham! Lá dentro eu explico. — Disse ele guiando as duas.
Subiram para o apartamento de número 1232, no décimo segundo andar naquele edifício. Tasha e Nathalie estavam admiradas com o local, todo decorado em tons claros contrastavam com os móveis com estilo rústico na sala que era enorme, alguns quadros, mas um em particular lhe chamou atenção, uma foto dos três em Londres.
— Reade agora me conta, o que é isso tudo?
— Lembra de quando fui visitar vocês? — Questionou ele. — Você lembra o que eu te disse na nossa última noite? Que eu queria muito começar uma nova fase na minha vida, e que você e a Nathalie estavam incluídas nesse novo momento.
As duas ouviam atentas a cada palavra que ele dizia com uma expressão de felicidade, pois sabiam que o que vinha do Reade com certeza era algo bom para elas. Tasha fez sinal para que ele continuasse.
— Continua Reade. — Pediu ela.
— Então, eu procurei alguns apartamentos assim que voltei, dei o meu como entrada, e usei um dinheiro que estava aguardando a um tempo. Esse apartamento é nosso, é onde vamos começar nossa nova vida, eu tinha planejado isso de uma forma mais elaborada, mas as circunstâncias me fizeram enxergar que eu amo vocês, que eu não suportaria perder uma das duas. — Disse ele muito emocionado.
Os três já estavam em lágrimas, mas as surpresas não paravam por aí. Reade se ajoelhou próximo a Tasha, arrumou uma mecha que estava caída nos seus olhos, ela estava de mãos dadas a filha que juntas ouviam atentamente o que ele transmitia com emoção. Com a voz embargada, Reade retirou uma caixa de veludo do bolso, Tasha suspirou de surpresa com o que tinha acabado de ver.
— Nathalie você me autoriza? Quero que você seja testemunha disso.
— Sim! Tenho certeza de que é algo bom. — Respondeu ela feliz.
—- Natasha Zapata quer casar comigo? — Reade enfim fez o tão esperado pedido.
Com as mãos trêmulas e sem conseguir falar de tanta emoção ela o abraçou, Reade selou aquele momento com um beijo terno e cheio de carinho.
— Sim, sim e sim! — Respondeu ela após de desvencilhar de. — Eu aceito ser sua esposa, aceito me casar com você meu amor.
Reade colocou um lindo anel de noivado no seu dedo, e a beijou novamente, os três se abraçaram como uma linda família que estavam se tornando.
Conheceram o resto do apartamento que era maior do que o que moravam antes, com uma vista linda para o parque que tinham visto mais cedo.
Logo à noite caiu, assim que Nathalie adormeceu a bela morena foi até a geladeira pegou duas cervejas e foi até o quarto, Reade estava lendo um livro, quando percebeu que ela o observava.
— Reade... está com sono?
— Se eu estava, não estou mais. — Ele disse sorrindo ao vê-la mordendo o lábio inferior.
— Achei que poderíamos comemorar a nossa nova casa, o nosso noivado e a nossa vida juntos. — Ela falou passando a cerveja pra ele.
— Amei a ideia meu amor!
Ele a beijou, dessa vez de forma mais intensa, como se consumir a boca dela fosse uma necessidade que não pudesse esperar. Os dois comemoraram ao longo da madrugada, não economizaram carinhos e palavras para demonstrar o que sentiam um pelo outro.
Era a paz que ambos precisavam, era essa mesma paz que queriam transmitir para a Nathalie, eles sabiam que ainda tinham muitas coisas para superarem, e também que um sempre apoiaria o outro, pois a felicidade eles já estavam desfrutando.
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