Um Amor Muda Tudo
29 Novas Surpresas
A madrugada já se aproximava e a equipe de buscas precisou parar as atividades devido ao mal tempo e a temperatura da água que era muito fria durante a noite, já não tinham condições de procurarem pela vítima, os noticiários em toda Suécia informavam que tudo o que foi possível tinha sido feito, fazendo com que as pessoas que esperavam por um bom desfecho ficassem mais aflitas.
Keaton já estava no caminho de casa, ele pensava em como iria ligar para Tasha para contar o que aconteceu, ele precisaria de uma boa explicação e sabia que a agente iria ficar devastada, pois ele prometeu que cuidaria bem da garota e isso não incluía treinar a Nathalie para ser uma agente da CIA e arriscar sua vida. Sem falar de Reade que nunca aprovou essa história, ele não queria nem imaginar como eles reagiram a tudo; pela primeira vez Keaton ficou sem saber o que fazer.
Em NY Patterson investigava uma nova tatuagem, um homem que orquestrava ataques genocidas. Ele estava no topo da lista dos mais procurados em vários países, mas ninguém conseguia uma foto do rosto apenas o retrato falado pessoas que supostamente já tinham o visto, Patterson tinha convocado todo o time para estarem no laboratório bem cedo, toda a ajuda era necessária para resolverem o caso o quanto antes.
— Patterson qual o caso? — Questionou Reade, ele e Tasha foram os primeiros a chegarem, seguidos de Jane e Kurt.
— Eu e Rich estávamos investigando John Parking já faz um bom tempo, e hoje meu banco de informações me deu novidades sobre ele. — Iniciou ela.
— Vocês conseguiram uma foto de rosto dele? — Perguntou Tasha supresa.
— Ainda não! Estamos perto.
— Eu nunca ouvi falar sobre ele Tasha. — Disse Kurt. — O que você sabe sobre o caso?
— Eu não sei muito Kurt, quando eu trabalhava na CIA eu ouvi muito que ordenou massacres em aldeias de refugiados e a mesquitas na Arábia e no Sudão, os motivos não sabíamos, ele é acusado por crimes de genocídio e está sendo investigado por diversas agências federais e em vários países. Porém isso era tratado pelo alto escalão da CIA, então o que eu sabia era o que o Keaton me informava. — Explicou a morena. — O que você descobriu Patterson?
— Então, John estava já a algum tempo sem dá muitos sinais de vida, mas há duas semanas ele se comunicou com uma jornalista na Suécia.
— Por qual motivo ele faria contato com uma jornalista se ele sempre quis se manter no anonimato? — Perguntou a tatuada que nem piscou durante a explicação.
— Não sei Jane. — Respondeu Patterson. — Mas o fato aqui é que essa jornalista me chamou muita atenção, o nome dela não aparece em nenhum artigo e nem é assinante de nenhuma coluna famosa do país, ela surgiu do nada, com milhares de seguidores que são fãs dos seus comentários.
— Temos fotos dela? — Perguntou Kurt.
— Não! Absolutamente nada.
— Ela seria um fantasma também? Igual o John? — Perguntou Reade.
— Em partes. —Respondeu a cientista.
— Você conseguiu algo sobre a jornalista, foi isso? — Rich perguntava eufórico.
— Mais ou menos. Mas se acharmos a jornalista ela nos levará a ele, o nome dela é Atena Sloan e ela tem blog na internet, há dois dias os noticiários da Suécia anunciaram um grave acidente com uma SUV, o veículo caiu numa ribanceira direto para o mar, mas o corpo não foi achado. O que eles encontraram foi o celular e um colar que disseram ser da jornalista, e é aí que o nosso homem misterioso entra.
— Acham que ele orquestrou isso tudo para matar a jornalista? — Kurt questionou e Reade concordou com essa linha de pensamento.
— Não Kurt, isso foi feito para tirar ela do país sem deixar rastros, a guarda costeira da Suécia é uma das melhores de todo mundo, em acidentes mais graves eles conseguiram achar todos os corpos, pra mim foi encenação, essa jornalista tem algo com o John e deve está ajudando ele no seu próximo ataque. — Comentou a loira.
— Essa é a sua teoria? — Perguntou Tasha.
— Ou isso ou ela trabalha pra CIA e é uma emboscada para pega-lo. — Comentou a cientista com humor. Todos se olharam, tentando entender o que a cientista quis falar com aquele comentário.
— Gente a parte da CIA é brincadeira tá? Eu só acho que a Atena está ajudando ele de alguma forma. — Patterson tentou explicar a própria piada.
— Você só pode ser louca Patterson. — Respondeu Tasha.
— Assim que tiver novidades sobre o caso eu chamo vocês.
Todos voltaram as atividades normais, casos em campo que já faziam parte da rotina deles, enquanto Patterson direcionou toda a sua equipe de laboratório para as pesquisas, ela estava focada em achar a jornalista e o homem misterioso.
Tasha esperou todos se afastarem para rever a reportagem sobre o acidente, algo ali a incomodava, ela repassou algumas vezes o vídeo até que foi surpreendida por Reade no vestiário.
— Ei estava te procurando, você está bem? — Ele disse entendo de surpresa no vestiário.
— Que susto Reade! Estava vendo isso aqui. — Ela mostrou o celular para ele, que assistiu sem entender.
— Sim, o que tem o vídeo? — Questionou Reade sem entender.
— O colar, te lembra algo? — Ela esperou uma resposta dele, mas não houve. — Eu dei esse colar para a Nathalie na última vez que nos vimos, pedi pra ela nunca tirar.
— Ei calma! Já ligou para ela? — Reade tentou tranquiliza-la.
— Já liguei varias vezes, direto na caixa postal.
— A Nathalie está no Canadá a quilômetros de distância do local, o colar é só uma coincidência Tasha, ela ligaria se precisasse.
— Lembra quando você disse que estava com um mal pressentimento? Eu senti o mesmo quando ela foi sequestrada e ignorei totalmente os meus instintos, ela não atende o telefone, Keaton não atende e eu não sei de nada o que está acontecendo. — Ela falou entrando em desespero.
— Tash não deve ser nada, o Keaton ligaria se algo acontecesse certo?
Ela não respondeu mais nada, apenas acenou com cabeça positivamente e o a abraçou. Porém o seu coração estava apertado com toda essa situação.
— Está tudo bem Tasha? — Perguntou Patterson ao entrar no vestiário.
— Está sim! É bobagem minha. — Ela respondeu tentando se convencer disso.
— Se algo estivesse acontecendo com a Nathalie você iria me contar não é? E me pediria ajuda certo? — Questionou a cientista.
— Certo! Eu pediria sim a sua ajuda.
— Patterson não aconteceu nada, e eu preciso ir, o Kurt está me esperando para uma reunião. — Disse Reade deixando-as sozinhas.
Patterson a encarava esperando alguma resposta.
— O que? — Tasha lhe perguntou arqueando uma das sobrancelhas.
— Qual foi a última vez que você falou com ela? — Perguntou a loira.
— Já fazem duas semanas. Ela disse que estava se mudando para outra cidade, mas eu não sei onde é.
— Tasha você precisa ligar pra ela, ela pode está precisando de alguma coisa e eu posso ajudá-la.
— Eu já te disse, não aconteceu nada, ela está bem. Ela nos ligaria se precisasse. — Tasha queria se convencer disso.
Quase uma semana já havia se passado desde o acidente, e Keaton se preparava para voltar para NY, ele queria conversar pessoalmente com Tasha, não achava justo lhe dá aquela notícia por telefone, ele poderia lhe oferecer conforto mesmo que ela não quisesse ou Reade não o deixasse ficar ali. Sabia que teria o ódio de Tasha pelo resto da sua vida.
Ele organizava sua mala quando seu telefone pessoal tocou.
— Keaton falando. — Se alguns segundos e ele só conseguia ouvir a respiração de quem estava no outro lado da linha. — Alô? Quem é?
— Espero quem tenha sentido minha falta nesses dias, é a Atena! — A garota falou sorrindo.
— Garota você é maluca? — Ele bufou irritado. — O que você acha que estava fazendo?
— Vai me agradecer quando souber que eu salvei sua vida e eu seu emprego.
— Onde você está agora? Eu já estava me organizando pra ir até NY conversar com sua mãe.
— Eu nem sai da Suécia, te mandei o meu endereço por mensagem, eu preciso te mostrar algo e precisa ser logo.
Em menos de meia hora Keaton chegou no local indicado. Era uma ótima casa em um dos bairros mais movimentados da cidade, ele encontrou Nathalie com o braço imobilizado e alguns arranhões superficiais no rosto.
— O que aconteceu com você? Como foi esses machucados?
— Foi só um pequeno arranhão para sair do carro, é superficial. — Ela tentou tranquiliza-lo.
Keaton abraçou a garota num ato de alívio em saber que ela estava bem, só ele sabe o que se passou pela sua mente. Após conversarem sobre os últimos dias eles enfim começaram a tratar do plano.
— O que você quer me mostrar? — Questionou Keaton.
— Aja naturalmente e não faça nenhum movimento brusco se não meu plano irá por água abaixo, ok? — Alertou ela que estava fazendo muito suspense.
— Seu plano? — Ele sussurrou entre os dentes sem saber o estava por vir.
Nathalie foi até um dos cômodos da casa, voltando com o personagem que fez Keaton congelar.
— John esse é meu tio Robert, tio esse é o John, um amigo de trabalho que me ajudou depois do acidente. — A garota tratou de apresentar os dois.
— Prazer em lhe conhecer. — John apertou a mão de Keaton. — Uma pena que o Sr. não estava na cidade no momento do acidente, mas está tudo bem com a Atena eu cuidei bem dela.
Keaton direcionou um olhar surpreso para a garota que sorria em satisfação, o seu plano estava indo bem.
— Eu que agradeço por cuidar da minha sobrinha, fiquei muito nervoso quando soube do ocorrido e não conseguia voltar para a cidade.
— Eu vou precisar sair senhor Robert, tenho uns assuntos para resolver. Algum problema se eu deixar vocês sozinhos?
— Não John, fica a vontade, meu tio está aqui e vai cuidar de mim. — Disse a garota.
— Você vai me esperar voltar Atena? — Disse ele se aproximando e lhe dando um abraço.
— Vou esperar você sim, não se preocupe John.
Nathalie esperou que John Parking saísse e minutos depois voltou para a sala onde Keaton a esperava, colocando um bloqueador de sinal no local.
— O que é isso?— Keaton se assustou.
— Um bloqueador de sinal, não tá vendo? Se a casa tiver escutas não vão conseguir nos ouvir.
— Falo de tudo o que está acontecendo.
— Keaton, eu precisava ter a confiança do John para podermos investigá-lo, então ele pediu um artigo e eu estava o ajudando, assim eu conseguiria mais informações. — Nathalie tratou de se explicar.
— Eu nem sei o que falar Nathalie, você viu o quão perigoso isso foi? Forjar um acidente? Eu realmente acreditei que algo tinha acontecido, eu já estava desesperado pensando em como iria contar para a sua mãe. — Disse ele agora mais aliviado. — O cara é um terrorista, um dos mais procurados. Você sabe o que está fazendo?
— Eu sei, e fiz isso para proteger os nossos disfarces. A sua chefe está querendo a sua cabeça numa bandeja, e isso é o mínimo que você sabe.
— Do que você está falando? — Perguntou ele assustado.
— Eu ouvi a Nas comentando que o caso do John Parking seria o seu último, que ela acreditava que você não era capaz de prendê-lo e que na primeira derrapada daria um jeito de você sair. — Keaton ouvia tudo perplexo, não imaginava que aquilo estava acontecendo bem debaixo do seu nariz. — Viu Keaton eu não sou só um rostinho bonito, eu uso bem os meus neurônios.
— Você tem certeza dessa história toda com a Nas?
— Sim, eu tenho.
— Não sei, a Nas sempre me ajudou em tantas coisas.
— Estou fazendo de tudo pra você não se afundar nessa história, agora se não quiser acreditar isso já não é comigo. Só um alerta de spoiler: Eu não vou deixar você afundar e me levar junto, ou você resolve essa história ou eu estou fora.
— Nathalie qual o lance entre você e o John?
— Nada, ele apenas acredita que eu vou consegui maiores informações sobre o novo alvo.
— Vou resolver isso da Nas, até lá será só eu e você nessa história.
— Certo. Vou tentar convencer o John a me dá todos os detalhes do próximo alvo, e aí podemos reduzir o número de vítimas.
— Combinado. E como vamos pega-lo? — Keaton quis saber.
— Eu tenho um plano, um pouco arriscado, mas é um bom plano.
Nathalie contou tudo o que planejava para o seu mentor, o que ele consentiu, se tudo saísse como planejado eles teriam em breve John Parking em algum black site, e resolveriam o problema com a Nas.
Já se passava das 21:00 horas e parece que o pequeno Ryan estava adivinhando, ele não estava querendo colaborar com a mãe, por mais que Tasha o tentasse fazer dormir não estava tendo acordo.
— Você jantou? — Perguntou Reade ao chegar em casa, dando um beijo nela e outro no filho.
— Comi uma salada, eu deixei um pouco pra você. — Ela respondeu bastante cansada.
— Dificuldades em colocar ele pra dormir?
— Hoje ele não está a fim. — Disse fazendo um carinho na cabeça do filho.
— Precisa de ajuda?
— Tudo sob controle. — Ela forçou o riso, e depois de duas histórias infantis contadas o pequeno enfim dormiu.
Tasha acreditava que Reade já estava dormindo pois o dia dele tinha sido bem cansativo, entrou silenciosamente no quarto e com cuidado para não acordar-lo, ela tomou um banho, colocou uma camisola, uma das preferidas de Reade e sentou na ponta da cama, fechando os olhos tentando relaxar, foi quando sentiu duas mãos segurando firme sua cintura e distribuindo beijos pelo seu pescoço.
— Pensei que você já estava dormindo. — Disse ela aproveitando os carinhos dele.
— Dormir seu cuidar da mulher da minha vida? Jamais! Você está precisando relaxar um pouco, e eu vou cuidar disso essa noite.
— Olha, eu estou começando a perder o sono. — Ela disse fechando os olhos e sentindo as carícias que Reade fazia durante a massagem nos ombros.
Essa noite ele escolheu cuidar apenas dela, depositando alguns beijos no seu pescoço e orelha.
— Eu te amo! — Ele sussurrou no ouvido dela algumas vezes.
— Reade. — Ela falou com uma voz arrastada.
Com um movimento rápido se virou para ele o beijando, ele por sua vez intensificou o beijo deles, a fazendo deitar na cama. Depois de uma noite de amor tão linda juntos Reade a observava dormir, ela estava dormindo tão calma, parecia um anjo, e como ele gostava de vê-la assim, foi com essa cena que ele dormiu.
— É pedir de mais pra ficar na cama até tarde? — Ela falou com uma voz sonolenta assim que acordou.
— Bom dia dorminhoca. — Ele virou, ficando por cima dela. — Acho bom você despertar pois o seu chefe não gosta de atrasos.
— Se for por um bom motivo ele não vai ligar. — Disse ela invertendo as posições. — A não ser que você não queira.
Reade a beijou mais uma vez, e ficou um tempo ali abraçado a ela, curtindo aquele momento de paz.
Naquele dia tudo estava estranhamente calmo no escritório do FBI, nenhum caso trabalhoso, ninguém plantando bombas e nem explodindo prédios. O que eles comentaram bastante durante o almoço, era um fato histórico. Estavam em um papo descontraído e animado entre eles.
Na Suécia Keaton e Nathalie tomavam café da manhã enquanto planejavam os próximos passos.
— Preocupada Nathalie? — Perguntou Keaton ao vê-la perdida nos seus pensamentos.
— Não diria preocupada. Ansiosa seria a palavra certa.
— Se tudo der certo, hoje a gente pega o John e assim que ele confessar tudo termina.
— Se não! Vai dá tudo certo. — Corrigiu Nathalie. — Por favor, pensamento positivo no meu plano.
— Desculpe senhora supersticiosa, claro que vai dá tudo certo, você vai tirar de letra eu confio totalmente em você.
— Assim está melhor. É o meu primeiro trabalho solo, não vou decepcionar.
— Eu vou te deixar no café, e vou ficar no furgão só esperando o momento certo. — Avisou Keaton.
— Ao meu sinal vocês entram e pegamos ele.
Nathalie e Keaton repassaram mais uma vez o plano, aparentemente perfeito e sem risco de falhas. Mas será que tudo ocorreria como o esperado?
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