O clima de tensão que se instaurou entre eles era muito grande, era uma deles estavam ali, não poderia existir falhas ali.

— Aqui é o vice-diretor assistente Reade, não invadam o prédio, aguardem as ordens do agente Weller, repito não invadam o prédio. — Alertou ele.

Uma hora mais cedo

— Reade, eu vou fazer tudo o que for possível para trazer a Nathalie e a Tasha em segurança, vamos conseguir mais uma vez, nós nunca falhamos. — Kurt tentava encorajar Reade.

— Confio em você Kurt e confio na nossa equipe, quero que você comande essa operação. — Ele respondeu com dificuldade.

— Pessoal, tenho novidades sobre o sequestrador. — Disse Patterson pelo comunicador a equipe.

— O nome dele Richard Gonzales, ele estava cumprindo pena numa prisão no México, por tráfico de drogas tentativa de assassinato. — Explicou a loira.

— Alguma ligação com a Zapata ou a Nathalie? — Perguntou Jane.

— Ainda não descobri, assim que tiver novidades eu falo com vocês. — Disse ela encerrando a comunicação.

— Agente Reade, FBI de Nova York. — Ele fala mostrando o distintivo ao policial que estava no bloqueio de proteção. — Esses são os agentes Weller e Jane, alguma nova informação?

— Recebemos uma ligação informando sobre o sequestro, alguém ouviu os gritos de socorro e chamou a polícia, até agora nenhuma exigência dele. — O oficial no oitavo distrito informou.

— Certo! Assumimos daqui, uma das reféns é uma agente federal da minha equipe a outra é a filha dela. — O policial assentiu, dando espaço para o FBI trabalhar.

Montaram uma estratégia isolando a rua, atiradores treinados do FBI se dirigiam para a cobertura do prédio da frente, eles eram liderados pelo agente Kurt Weller.

Jane utilizava uma câmera térmica, para conseguir entender o que acontecia dentro da casa e assim poderem ter maiores informações.

— Reade, Kurt? — Chamou Jane pelo comunicador. — O sequestrador está andando de um lado para o outro da casa, tem alguém sentado numa cadeira, mas não consigo ver uma terceira pessoa. Certeza de que a Nathalie está no apartamento?

— Está sim, as câmeras de segurança gravaram ela entrando mais cedo. — Reade respondeu.

— Kurt já chegou na cobertura do prédio? — Jane perguntou.

— Sim, mas ainda vamos montar o equipamento. — Explicou ele.

Os minutos se passavam e Reade estava nervoso sem nenhuma informação, ele não tinha ideia de como Tasha ou Nathalie estavam, e o porque aquele homem estava ali, fazendo tudo aquilo com elas.

Tentaram algumas vezes contato, porém não houve sucesso, o sequestrador não queria falar com eles e nem deixava com que as vítimas falassem; à espera estava sendo dolorosa, acabava com o psicológico de todos, principalmente o dele.

No laboratório Patterson e Rich trabalhavam incessantemente em busca de informações, era perceptível que todos estavam apavorados, os casos da Tasha foram revisados até os que ela atuou quando era da CIA, mas em nenhum conseguiam informações sobre Richard, o time não tinha mas o que pesquisar.

— Patterson? Achei algo! — Disse Rich bem empolgado. — Richard Gonzales foi indiciado por tráfico e a denúncia foi feita pela sua ex namorada que logo depois sumiu, a Zapata é a ex namorada. — Explicou o consultor do FBI.

— Preciso avisar a eles. Ei, pessoal! — Chamou Patterson pelos comunicadores. — Richard é ex namorado da Tasha e pai da Nathalie pelos meus cálculos. Ele fugiu da prisão tem uma semana, e antes parece que recebeu a visita de uma mulher, segundo os guardas a conversa foi bem acalorada e com ameaças.

— Pode ter sido a Nathalie que visitou o Richard? — Perguntou Jane.

— Impossível, a Nathalie estava em Manchester o tempo todo. — Disse Reade. — Em hipótese nenhuma pode ter sido ela, Patterson tem como ver gravações do dia da visita?

— Já estou fazendo isso Reade! — Respondeu ela.

— Weller montou o equipamento? O que você ver dentro do apartamento da Tasha? — Reade estava impaciente.

— Estou ajustando o equipamento! Sim já consigo ter acesso a casa, pessoal. A Tasha está na cadeira, e ele está andando de uma lado para o outro, ela está amarrada a cadeira, parece desacordada.

— Nathalie? Está vendo ela? — Perguntar Jane preocupada.

— Tem alguém caído no sofá, só pode ser a Nathalie, estou aproximando o equipamento. Gente,, ele tem um tipo de detonador na mão. Precisamos agir bem rápido. — Kurt avisou preocupado.

Essa informação deixou todos ainda mais apreensivos, cada segundo parecia uma eternidade, além de que, quanto mais demoravam para tomarem uma atitude mais perigoso ficava para Tasha e sua filha.

Apartamento da Tasha, horas antes

Nathalie você já está vindo para casa? Vem almoçar comigo? — Perguntou Tasha por um aplicativo de mensagens.

Sim, já estou num táxi, chego em alguns minutos.

Tasha visualizou a mensagem da filha e continuou preparando o almoço, ela ainda precisava se arrumar para encontrar com Patterson, ela ouviu a porta abrindo-se de uma maneira brusca.

— Nathalie é você? Estou no quarto terminando de me arrumar. — Ela falou, quando foi surpreendida por uma forte pancada que a fez perder os sentidos e desmaiar.

Ela não sabe ao certo quanto tempo passou desacordada, mas sua cabeça estava bastante dolorida, ao despertar ela viu Nathalie caída no sofá, com alguns machucados no braço, provavelmente ela tentou lutar com aquele homem, que ela não se recordava quem era, ele estava de costas próximo a Nathalie, quando percebeu que Tasha tentava se soltar.

— Ei calminha, não tenta fazer besteira Nath. — Disse ele com uma voz calma. — Espero que tenha sentido muitas saudades.

— Richard? Você está preso... Você estava no México! — Ela falou ainda atordoada.

— Estava preso, eu disse que me vingaria de você, você me fez apodrecer naquela cadeia. — Ele falava apertando a mandíbula dela a forçando encara-lo. — Você não tem ideia do que eu vou fazer com você. — Ele gritava enquanto falava.

— Você estava traficando drogas, eu tentei ajudar você a sair, você só afundava a cada dia, eu não poderia ficar próximo a você e perder todo o meu futuro.

— Você sabia que eu era o caso de investigação e não me alertou, eu saí como “o que entregou todos os envolvidos.” Eu sofri na prisão, eles acabaram com a minha vida lá dentro por sua culpa, era para eu ter te matado quando eu tive a chance. Hoje nada vai dá errado!

Nathalie acordou com dificuldades, sentia bastante dores, devido a luta que teve com Richard, ao ver sua mãe amarrada na cadeira ela só pensou o pior, tentou lutar mas foi em vão, Richard por ser mais forte tinha conseguido neutralizar a garota e aplicar algo que fez sua vista ficar embaçada até que ela adormeceu.

— Mãe! Mãe me perdoa, eu te causei tudo isso. — Ela chorava quando acordou.

— Fica calma, nós vamos sair daqui. — Tasha sussurrava pra filha. — O time já deve estar a caminho.

— Não mãe, me deixa falar, por favor! Eu fui pro México, eu fui atrás dele. — Confessou ela.

— Quando foi isso? Quando você foi?

— Eu menti, não tinha nenhuma visita acadêmica, eu só queria a verdade. — Confessou ela.

Ao ouvir aquilo era como se o mundo de Tasha estivesse desabando, como a Nathalie sabia sobre o pai e não conversou nada com ela? Nathalie falou sobre o pai e a relação com Madeline, sobre como tudo foi planejado.

— Já chega Nathalie! Eu não quero ouvir mais nada que você tenha pra dizer. — Ela falou um pouco irritada pela situação.

— Só me perdoa mãe. Por favor? É culpa minha! — A garota falava chorando.

Richard ouvia aquilo com felicidade, Tasha estava com muita raiva da filha, foi então que ele começou a exigir o que queria.

— Preciso de um acordo de imunidade, você é do FBI e vai conseguir pra mim, peça aos seus amigos, ao seu namorado, você tem uma ligação pra fazer, e eles têm meia hora, se não eu mato a sua filha e depois mato você. — Pediu ele, confiante de que dessa vez o seu plano daria certo.

— Eu não vou pedir nada! Eu não vou ser manipulada por você como no passado, se você realmente quisesse matar uma de nós duas já tinha feito.

— Você não sabe do que eu sou capaz! Tenho uma bomba na casa, e se ela explodir você vai ser responsável.

— Você sempre blefando. — Atacou ela.

Depois de várias trocas de ofensas o primeiro tiro foi ouvido de dentro do prédio, Reade autorizou que os atiradores disparassem depois que Jane avisou pelo comunicador que uma delas estava ferida.

Dois tiros foram disparados do outro prédio e os policiais invadiram. Acharam Richard sem vida e Tasha ainda amarrada a cadeira com a Nathalie sangrando em seu colo.

— Reade pega a Nathalie! — Ela falava entre lágrimas e soluços. — Ela precisa de um médico.

— O que aconteceu aqui? — Ele perguntou enquanto Jane a desamarrava.

— Foi muito rápido, a gente começou a discutir, ele perdeu a paciência e disse que iria nos matar, a Nathalie pulou em cima dele e eu só ouvi os tiros e mais nada. Esse é o pior pesadelo da minha vida. — Sussurrou ela.

— Eu estou aqui com você. Estou com as duas. — Disse Reade com Nathalie nos braços.

— Ele disse que tinha uma bomba aqui no prédio. — Alertou Tasha.

— O esquadrão vai procurar a bomba vamos para o hospital. — Eles falavam enquanto os paramédicos prestavam os primeiros socorros a Nathalie que estava inconsciente.

No hospital eles foram informados que Nathalie perdeu muito sangue e que iria fazer uma cirurgia de urgência, os médicos ainda não sabiam se o tiro tinha se alojado na coluna, mas deixaram cientes de que, se isso acontecesse ela poderia perder alguns movimentos.

O desespero da Tasha só aumentava, as horas de cirugia pareciam uma eternidade, Reade permaneceu ali segurando a mão dela, dando todo o apoio como sempre fez; o médico chegou na sala de espera procurando pelos responsáveis.

— Sra. Zapata? Sou o Dr. Andreys, estou responsável pelo caso da sua filha. — Ele se apresentou. — Foi uma cirurgia muito difícil, a bala estava alojada na coluna, vamos esperar ela acordar para fazermos alguns exames.

— Doutor é grande a possibilidade da Nathalie ficar com alguma sequela? — Reade perguntou apreensivo.

— Sim existe, é uma possibilidade grande! — Confirmou ele. — Estamos torcendo pelo melhor.

— E ela já está no quarto? Podemos vê-la? — Perguntou Tasha.

— Ela está sendo levada para o quarto, mas não vai acordar agora devido a anestesia.

Tasha e Reade agradeceram ao médico, e foram até o quarto vê como a garota estava, Tasha se aproximou da cama e retirou uma mecha do rosto da Nathalie que estava sedada, algumas lágrimas caíram dos seus olhos, ela murmurava baixinho um me perdoa que rasgava toda a sua alma.

Reade não suportou vê-la naquele estado, era de mais tudo o que ela estava passando, e ele não queria que ela passasse por tudo isso sozinha.

— Tash o que realmente aconteceu? — Ele perguntou a consolando.

— Foi minha culpa, eu me neguei a ajudá-lo, eu o provoquei, estava irritada pelo que ouvi, falei o que não deveria e ele atirou, ela entrou na frente da bala. Ela tinha me contado que foi até o México...

— Como assim? — Reade ficou pasmo com tudo o que ouviu.

— Se eu tivesse contado tudo sobre ele ela não teria ido. Ela mentiu, não estava em nada da faculdade, ela foi até o México para confrontá-lo, para ouvir dele a verdade que eu escondi de todos vocês e principalmente dela. — Tasha se culpava por tudo aquilo que aconteceu mais cedo.

— Ei, não foi sua culpa, nem dela. Ele não pode mais machucar as duas, eles está morto ouviu? Eu não mais vou deixar vocês sozinhas.

— Obrigada por ficar aqui comigo. —Ela disse em meio às lágrimas — Eu não vou suportar viver num mundo onde ela não esteja.

— Nós vamos passar por isso juntos! Ela vai ficar bem meu amor, ela é muito forte como você. — Assegurou ele, que iria fazer de tudo para a segurança delas

O noite já dava lugar a madrugada quando Nathalie se mexeu na cama.

— Não, não... Fui eu mãe, me perdoa. — Ela gritava no pesadelo.

Reade foi o primeiro a despertar, se levantou com cuidado pois Tasha dormia no seus braços.

— Nathalie calma, Nathalie. Estamos aqui com você! — Reade abraçava a garota na tentativa de lhe acalmar.

— Minha mãe, cadê ela? — Perguntou ela nervosa.

Ao ouvir aquele barulho Tasha acordou e abraçou a filha, que estava chorando muito.

— Filha estou aqui com você! Calma, eu não vou sair do seu lado meu amor.

— Vou deixar vocês duas conversarem. — Reade disse pegando o casaco parar sair.

— Não Reade, fica aqui com a gente. — A garota insistiu.

— Você precisa de algo filha? Está sentido alguma dor? — Tasha perguntou preocupada, já tinha tirado muitas dúvidas mais cedo com os médicos.

— Eu só não estou sentindo as minhas pernas, está uma sensação estranha no meu corpo. Mas é normal não é? — Perguntou a garota sem imaginar a gravidade do que estava acontecendo.

Tasha e Reade se olharam assustados, sabendo que se realmente aquela dormência no corpo fosse permanente eles teriam um longo caminho para enfrentarem juntos.