Notas iniciais
Tem um clima ou é só por ficar? Será amor ? Só lendo para descobrir. rs

Voltei para casa, a recém tinha andado 4 quadras mas a "conversa" com aquele menino mexeu comigo, eu não sabia realmente porque eu tinha sido tão grossa se ele foi tão gentil, depois que eu falei aquilo ele seguiu andando de skate e dobrou a esquina, terá ficado bravo ? Eu gostaria de pedir desculpas para ele mas nem conhecia ele, ficaria meio estranho.. Enfim, chegando em casa ouvi vozes altas conversando, homens.. Cheguei na sala de estar e estava meu pai, um homem e o tal Juan..

– Pai quem são esses e o que esse menino está fazendo aqui ?

– Filha esse é o Rafael, ele é meu amigo e esse é o Juan filho dele.

Logo Juan interrompeu e falou:

– Filha ? Ela é sua filha tio Ricardo ?

– Sim Juan, é minha filha essa moça toda linda.

– Poxa em tio, parabéns.

Confesso que fiquei sem graça e agradeci dizendo:

– Você também tá de parabéns "tio Rafael".

Juan riu meio sem graça e meu pai falou:

– hm, alguma coisa vai dar nisso aí em. Risos entre o "tio Rafael" e o meu pai e eu e o Juan sem graça novamente..

Mari narrando: Nossa, aquele menino é bonito mesmo. Disse que iria subir para o meu quarto e subi toda desajeitada, nem caminhar eu lembrava como era, tropecei no ultimo degrau e fiquei vermelha, mais vermelha que uma pimenta. Risos

Então o pai do Juan seria mesmo amigo do meu pai, que estranho. Mas eu ainda estava mal com a morte da minha mãezinha, que saudade que eu estava da dona Beatriz, do seu carinho, do seu cheiro, do seu calor, do seu beijo, ela fazia falta em tudo em cada suspiro que eu dava eu lembrava dela e de como ela me mimava, como eu tinha a agradecer aquela mulher por hoje ser quem eu sou. Já era de noite, tomei um banho e foi o primeiro banho depois da morte dela que eu não me cortei, coloquei um pijama e fui dormir, mas quem disse que eu conseguia ?

Eu estava totalmente desconfortavel com uma dor imensa em um corte do meu braço, um corte profundo e na verdade o mais profundo. Eu já não aguentava mais aquela dor e comecei a chorar, fui até o quarto do meu pai como uma menininha de 6 anos com seu bichinho de pelucia quando teve um pesadelo, cheguei la chorando e ele estava lendo com a luz da comoda ligada.

– Que foi filha ? Porque você está chorando ? Aconteceu alguma coisa ? Fala pro papai meu amor.

– Pai esse corte no meu braço ta doendo muito, eu não aguento mais pai, faz passar como a mamãe fazia por favor.

Ele suspirou sem saber o que fazer, confesso que naquele momento eu não sabia se chorava pela morte da minha mãe e ele não saber o que fazer ou pela dor no braço.

– Deixa eu ver esse corte, Mariana.

Mostrei o corte para ele e ele ficou com uma cara de horror, disse que tinha motivo para doer porque estava muito infeccionado, ele falou que me levaria para o hospital nesse mesmo instante e que eu me arrumasse, eu não aguentava a dor e fui chorando muito para o meu quarto me arrumar, me sentia culpada por ter me cortado e a vontade era se cortar mais para passar tudo aquilo, mas não podia. Me arrumei e fomos ao hospital, chegando lá o médico examinou e perguntou como tinha acontecido aquilo, eu contei para ele e ele ficou bem chocado. Disse que por eu deixar a gilete no chão ela pega varios fungos e me cortando desse jeito eles passam para a pele, naquela hora me senti mais uma vez culpada de tudo. Ele pediu para que eu ficasse em observação e no soro, meu pai teria que trabalhar no outro dia e eu iria faze-lô ficar no hospital a noite toda ? Eu não podia deixar isso, insisti para que ele fosse para casa e ele disse que já tinha sido muito ausente e que não iria sair do meu lado naquele momento e que se eu ficasse na hora do trabalho dele ele deixaria uma pessoa comigo e só iria no trabalho para assinar um papéis e voltaria em menos de uma hora porque era realmente muito necessário, me senti bastante segura naquela hora e concordei, enquanto eu estava no soro ele me fazia cafuné e dizia para eu dormir que ele ficaria me cuidando todo tempo e que não sairia do meu lado, e assim foi.. Adormeci e acordei só de manhã, meu pai estava do meu jeitinho do meu lado e só estava esperando eu acordar, assim que acordei ele falou:

– Bom dia anjo, filha o médico veio aqui e disse que você terá que ficar até de noite ou quem sabe mais até amanhã pois o corte está muito profundo e ele acredita que aqui poderá cuidar disso para você ficar boa logo.

Naquela hora eu não sabia o que falar..

– Mas pai, eu quero ir para casa..

– Logo filha, logo. O pai vai lá no escritório assinar uns papeis que nem eu expliquei para você ontem e deixarei uma pessoa tomando conta de você.

– Quem ?

– Quando ele chegar você vai ver.

Ele ? Fiquei confusa e concordei.

Quando olho para porta lá estava ele, sim ele, o Juan. Vibrei.

Estava todo arrumadinho, perfumado ele estava vestindo uma camisa polo, uma calça de brim branca e um vans, senti alguma coisa querendo me puxar para perto daquele menino mas eu não podia demonstrar.

– É sério isso pai ? Ele ? Prefiro ficar sozinha.

E novamente não sei por que fui grossa.

– É, Mariana seja educada o menino se dispos a vir cuidar de você e você o recebe assim ?

Quando ouvi a palavra "cuidar" deu um frio na barriga, que fofo.

– Desculpa.

– Filha o pai vai lá e volta daqui a umas horinhas, não demoro. Cuida bem da minha menina em rapaz, confio em você.

Juan todo orgulhoso disse:

– Pode deixar tio, vou cuidar direitinho dela. Obrigado pela confiança, pode ir tranquilo.

Estremeci quando ouvi "vou cuidar dela direitinho". Assim que meu pai saiu ele se sentou ao meu lado e começamos a conversar, que menino bem cheiroso, estava pirando mas não podia deixar ele notar.

– Então Mari, porque você fez isso ? Posso te chamar assim, Mari ? Risos. Uma menina tão bonita fazendo isso.

– Pode, perdi minha mãe. -Desabafei-

– Ah princesa, desculpa eu não sabia.

– Não tem problema não.

– Sinto muito, mas você não pode fazer isso, isso não vai levar você a nada, se cortando desse jeito só vai deixar sua mãe triste lá no céu, você é a menina dela e ela quer ver você bem, ela vai estar te cuidando sempre e você tem nós, tem eu.. Não está sozinha.

Quando eu ouvi aquilo, confesso que melhorei um pouco com aquelas palavras, ele estava comigo. Que lindo!

– Obrigada, de verdade. Lindo.

– Lindo ? Risos. Unica pessoa linda aqui é você. -Rimos-

– Desculpa por ontem, eu estava nervosa.

– Não tem problema princesa, Mari se você quiser dormir pode dormir que eu vou ficar aqui com você, esse soro da sono eu sei.

Confesso que não estava com nem um pouco de sono mas me aproveitei da situação e deitei a cabeça no colo dele, ele sorriu, um sorriso tão lindo e tão sincero, a vontade que me dava era puxar ele e roubar um beijo, os olhinhos dele brilhavam.

Acordei umas 2 horas depois e ele ainda estava lá, me fazendo carinho. Sorri e corri a mão pelo seu rosto, ele ficou corado.

– Juan cadê meu pai ?

– Não sei princesa, logo ele chega.

Entrei em desespero e comecei a chorar pensando que tinha acontecido o pior que nem com a mamãe, o Juan me agarrou os dois braços firmes e me abraçou, disse que ficaria tudo bem e mandou eu me sentar, me sentei na minha cadeira e ele do lado, me deitei nele de novo. Me sentia um pouco mais segura, quando meu pai chegou eu ainda estava com os olhos inchados, logo ele se apressou a entrar e me perguntou o que tinha acontecido, eu o abracei e o Juan responde a ele:

– Tio ela ficou nervosa porque você não chegava e ela estava com medo que acontecesse o que aconteceu com a mãe dela.

– Obrigado Juan, filhinha pode ficar calma, o pai nunca mais vai te abandonar, NUNCA mais.

Só o abracei, o Juan estava indo embora e meu pai aproveitou enquanto ele não ia para ir na venda em frente ao hospital para comprar alguma coisa para comer, o Juan estava na porta e eu estava sentindo uma coisa estranha por aquele menino. Uma atração, não sei o que era.

–Juan vem cá. -Sorri maliciosa, queria aquele menino para ser só meu. Ele veio na mesma hora.

– Que foi Mari ?

– Chega mais pertinho.

– Claro -Ele entendeu o recado- .

O puxei e dei um beijo de cinema nele, aquilo foi tão bom, amei.

Depois que se largamos sorrimos, meu pai não havia chegado e dessa vez foi ele que me puxou e me roubou um beijo, que menino perfeito. Estavamos no meio do beijo quando ouvimos a porta se abrir [...]