Um Amor Em Alto Mar

4 Capítulo 4 - Agradável passeio pelo convés


Harry POV’s:

No dia seguinte eu convidei Violet a passear comigo pelo convés. Ela estava simplesmente linda. Com um de seus vestidos longos rodados de cor amarelada num tom bem claro. Um salto (percebi mesmo estando coberto por seu vestido por causa do barulho que fazia enquanto ela pisava) e os cabelos cumpridos e longos soltos. Seu sorriso era incrível, fazia toda a nossa volta parecer um mero detalhe e sua voz, soava como delicados sinos.
–Eu vivo sozinha desde os 15 anos, – ela estava dizendo – desde que meus pais morreram. Eu não tinha nem irmã, nem irmão, nem parentes naquele lugar, então saí de lá e não voltei nunca mais! Então pode se dizer que eu sou uma planta voando ao vento.
Nós rimos.
–Bom, — ela continuou – Harry, nós já andamos 1 quilometro pelo convés e falamos do tempo, como eu fui criada, mas acho que não foi por isso que veio falar comigo, foi?
–Senhora Basile eu...
–Violet! – ela me corrigiu.
–Violet, — me corrigi – eu quero agradecer pelo que fez, não só por me convencer a vir para dentro, mas por sua discrição!
–Não foi nada. – ela disse.
–Olha, — eu continuei – eu sei que deve estar pensando: “ pobre menino rico, oque ele sabe sobre sofrimento! “
–Não, — ela parou se apoiando em uma das cordas, e ela ficou me olhando, oque me fez parar também – Não! Não era oque eu estava pensando! Oque eu estava pensando era: “oque pode ter acontecido a esse menino para achar que não tinha mais saída?”
–Bom, eu – eu disse um pouco pensativo – olha, foi tudo! Foi o meu mundo e as pessoas que pertencem a ele e a inercia da minha vida, oque me leva e me deixa incapaz de impedir isso! – eu a olhei e lhe estendi a mão, mostrando-lhe a aliança de ouro que estava no meu dedo.
–Nossa! – ela disse rindo e pegando minha mão para observar melhor a aliança. – Isso e você ia direto para o fundo! – ela brincou. Mas eu não ri
–500 convites já foram enviados! – continuei. – Toda a sociedade da Filadélfia vai estar lá! E tudo oque eu sinto é como se... É como se eu estivesse no meio de uma sala, gritando com toda a minha força e ninguém conseguisse me ouvir!
–Você a ama? – ela perguntou.
Eu a olhei como se estivesse louca em me perguntar isso.
–Oque perguntou? – perguntei para ter certeza se ouvi certo.
–Você a ama? – ela perguntou novamente.
–Esta sendo indiscreta! Não deveria me perguntar isso! – falei um pouco assustado.
–Hora, é uma simples pergunta, não?! Você a ama ou não? Responda! – ela disse com um lindo sorriso sarcástico em seus lábios carnudos.
Eu ri nervoso.
–Esta nossa conversa não esta muito adequada! – eu disse quase tropeçando nas palavras.
–Porque não apenas responde a pergunta? – ela sorria novamente.
Eu ri nervosamente.
–Mas que absurdo! – eu dizia entre meu riso. – Você não me conhece, eu não conheço você, não podemos ter esse tipo de conversa! Você além de desconhecida é indiscreta e arrogante e eu vou embora agora! – disse apertando sua mão, e ela fazia cara de criança levando bronca. – Senhora Basile! – disse enquanto me despedia e ela revirava os olhos. – Eu vim para agradecer, e já que já agradeci... –ela me interrompeu.
–E insultou! – ela disse ainda sorrindo.
–Hora, você mereceu!
–Certo! –ela disse.
–Certo!
Mas mesmo com a deixa de ir embora eu continuava apertando-lhe a mão em sinal de despedida. Não conseguia simplesmente desviar meus olhos de seu rosto, que ficava tão belo com os cabelos balançando ao vento e com um sorriso tão doce.
–Eu achei que estava indo! – ela disse inclinando a cabeça e rindo confusa.
–E eu estou indo! – eu finalmente soltei sua mão e me virei e comecei a caminhar em sentido contrario, mas logo me virei novamente. – É tão inconveniente! – eu disse para lhe olhar pela ultima vez.
Ela riu alto.
–Espere! – eu me virei novamente em sua direção, pensativo. – Eu não preciso ir! Esta é a minha área do navio, você é que vai! – eu disse apontando para outra direção.
–Ohoo! – ela disse levantando as mãos para se apoiar segurando uma das cordas. — Hora hora hora! Quem esta sendo arrogante agora?
Ri da ironia virando meu rosto, desconfortável. Para tirar-me dessa situação ela mudou de assunto.
–Que coisa idiota tem em mãos? – ela me perguntou, se referindo ao meu livro de desenhos. – É artista por acaso? – ela pegou o meu caderno de minha mão e começou a olhar as folhas e andar. – Quem diria, eles são realmente bons!
Depois ela se sentou em uma das cadeiras e eu me sentei ao seu lado.
Ela virava as folhas e ficava observando os desenhos surpresa.
–É, mas não gostaram muito! Digo, as pessoas da “velha primeira classe”! – eu disse sarcástico.
–Eles não devem ter bom gosto! – ela disse ainda observando os desenhos. – Aposto que lá em Paris gostariam de ver seus trabalhos!
–Você já foi para lá? Você viaja muito para uma po... – me corrigi a tempo. – para uma pessoa com poucos recursos.
Ela riu.
–Anda! Pobre! Pode dizer! – ela disse rindo. – Hora, hora, hora! – ela falou vendo meus desenhos de mulheres nuas.
–Feitos com modelos ao vivo? – ela me perguntou.
–Na verdade ninguém nunca viu esses desenhos! Fiz de prostitutas as escondidas! As pessoas com quem vivo não gostariam nada de saber sobre esse meu passatempo!
Ela foi virando as paginas e depois fez um comentário com uma voz bem baixa e doce.
–Gostou dessa mulher! Você a desenhou varias vezes!
–É, ela tinha belas mãos! – mostrei-a os detalhes. – Tá vendo?
Ela deu um pequeno sorriso.
–Acho que teve um relacionamento amoroso com ela!
–Não, não, não, não, não! Só com as mãos! Ela era uma prostituta perneta!
Ela me olhou franzindo a testa.
–Vê? – mostrei-a o desenho seguinte.
Ela abriu a boca de espanto e eu ri.
Virei a pagina para que ela não ficasse reparando.
–Vê essa senhora? – perguntei. – Ela ia todo dia a um restaurante onde eu ia com a minha família, usando sempre as mesmas joias. Esperando pelo seu amor perdido . A chamavam de “Madame biju”. – ela me olhou fascinada.
–Harry, você tem um dom! Não deveria deixar que te digam oque desenhar ou não, ou se importar com as criticas! De verdade!
Nós ficamos um pouco em silencio. Depois ela cortou o silencio e disse do jeitinho todo carinhoso dela.
–Eu enxergo as pessoas sabia?!
Eu a olhei confuso.
–Eu enxergo você! – ela completou.
Fiquei um pouco sem graça, mas ajeitei minha gravata e sorri, e esperei ela complementar a frase.
–E... – eu disse com um sorriso simpático.
–Você não teria pulado! — ela falou rindo e a fitei com um olhar furioso.