Um Amor Complicado.

24 Capítulo 24 - Parte I


Notas iniciais
Olá pessoal! Sim, eu sei que dessa vez eu extrapolei na demora, sei que não respondi nenhum review e sei que vocês estão putas e putos da vida comigo. Eu também não vou dar nenhuma nova desculpa, apenas posso dizer que... Bom, o ENEM está cada vez chegando mais perto, assim como os outros vestibulares que prestarei. Espero que entendam! Estou postando só a primeira parte do capítulo, porque a segunda parte ainda não está pronta. Quando estiver, postarei! XD Boa leitura!

Capítulo 24 (Parte 1)

POV Zoro

Chego ao apartamento completamente cansado, depois de um dia inteiro de atividades físicas. A única coisa que consigo pensar é que seria ótimo se eu fosse movido a pilhas de carga infinita.

– Tadaima!* — anuncio, deixando meu par de tênis na entrada. Entro no apartamento e deixo minha mochila no sofá, me controlando para não deitar ali e dormir.

– Okaeri!* — responde Sanji. Quando olho por cima do balcão que separa a cozinha da sala de jantar, não o vejo. Dou a volta e encontro-o ajoelhado procurando algo dentro do armário, embaixo da pia.

– O que está fazendo, Ero-Cook? – pergunto, curioso.

– Estou tentando consertar esse sifão. – responde, limpando o suor da testa com as costas da mão. Estranhamente, sua franja está presa para trás. – De repente começou a vasar água para dentro do gabinete.

– Desde quando você entende de encanamentos? – pergunto. Ele dá de ombros.

– Desde nunca. – fala, e eu seguro uma gargalhada. – Mas você também é uma bosta nesse tipo de coisa, então se der uma risadinha, te chuto.

Caio na gargalhada, sentindo ainda a persistente dor nas costelas, e por isso tento recuperar meu fôlego.

– É por isso que eu nem tentaria arrumar, Ero-Cook... – falo, vendo seu rosto corado de vergonha. – O Franky não mora muito longe. Por que não pediu ajuda?

– Não te interessa. – responde, irritado.

Que fofo.

Ele desiste de tentar consertar o vazamento e se levanta, suspirando. Ando até a geladeira e tiro a garrafa d’água, bebendo um bom copo.

– Então? O que fez de bom? – pergunto, encostando o quadril na borda da pia e cruzando os braços. Ele coça o próprio pescoço.

– Fiquei no restaurante o dia inteiro, e no final da tarde passei no ginásio para treinar um pouco. Fazia tempo, então estou com as pernas um pouco doloridas. – diz ele, tocando a coxa direita.

– Foi divertido? – pergunto. Ele me olha novamente, e vejo seus olhos azuis brilharem e um sorriso crescer em seu rosto.

– Sim. Bastante. – responde. Sorrio de volta, sentindo meu coração acelerado por sua causa. Nossa, que gay. – E você? O que fez?

– Fiquei na loja um tempo, e depois fui para a fisioterapia. – respondo-o, lembrando-me de como sentia meus músculos rangerem com os alongamentos. Honestamente, nunca pensei que alongamentos fossem tão dolorosos.

– Ah, é. Você ainda não pode treinar, né? – pergunta. Eu assinto.

– É. Não posso treinar com Mihawk e nem ir para a academia. – falo.

Sanji suspira.

– Pelo menos agora você vai descansar. Eu ainda vou para o clube... – diz.

Uma decepção me corrói por dentro.

– Por quê? – pergunto, já triste.

– Como assim?

– É sábado, Sanji. Por que tem que ir lá hoje? – pergunto, quase deprimido.

– Não é que eu precise...

– Então fica em casa. – peço. Dou dois passos para frente e abraço-o, sentindo o cheiro de seu cabelo. – Fiquei o dia inteiro pensando em como poderia ficar com você hoje. Você não?

Sanji não me responde. Apenas sinto suas mãos em minhas costas, abraçando-me apertado mas com cuidado.

– Faz uma semana que a gente mal se vê. Todos os dias, nós só tivemos tempo de fazer os curativos. – solto. – Você trabalhou todos os dias, mais de dezesseis horas por dia.

– Eu odeio admitir, mas... Eu estou morrendo de exaustão. Não aguento mais. Quero dormir, descansar. Essa semana foi tão tensa que eu não consegui nem comer direito.

– Percebi. – respondo, tirando-lhe uma risada fraca. – Eu também estou exausto.

– Está com fome? – pergunta. Eu nego.

– Comi antes de voltar para casa.

– Eu também. – responde. – Quero tomar banho.

Afasto-me um pouco dele para poder olhar seu rosto.

– Aceito seu convite.

Ele me olha com completa confusão quando eu seguro seu pulso e começo a puxá-lo na direção do banheiro.

– O quê!? Ei, Zoro! Pare de me puxar! – manda, mas é óbvio que eu nem ligo. – Eu não te convidei para nada!

Chegamos no banheiro, e eu finalmente me viro para encará-lo novamente.

– Então, eu faço isso. – falo, subindo minha mão por seu braço. – Ero-Cook, quer uma pequena ajuda para lavar as costas?

Ele cora e entra no banheiro, olhando para trás em seguida.

– Entre logo, idiota. – fala, corado. Sorrio e entro no banheiro, fechando a porta atrás de mim.

Ainda de costas, vejo-o tirar a camiseta, levantando os braços para passa-la sobre a cabeça. Fito suas costas, as quais não toco há exatos sete dias.

Aproveito para tirar minhas roupas, deixando só a cueca. Lentamente e com cuidado para não sentir mais dores, abaixo-me para pegar duas toalhas no armário. Ouço o som da banheira sendo enchida e me levanto.

– Ero-Cook, você... – começo, mas perco minha linha de pensamento ao vê-lo desnudo, mexendo no cabelo para soltar a parte da frente.

Sua pele parece brilhar. É normal uma pessoa parecer brilhar?

– O que foi? Não vai tirar a cinta? – pergunta.

– Eu... Estou um pouco receoso. Sei que quando tira-la, vai começar a doer muito mais. Essa cinta apertada me alivia. – falo, colocando os braços para trás para alcançar o fecho. – Mas para tomar banho eu preciso tirar, infelizmente.

Tiro a peça e dobro-a no sentido das talas, deixando-as sobre a pia.

– Ai. – reclamo ao respirar sem a cinta.

– Vem logo. Estou quase dormindo em pé. – fala puxando-me pelo braço.

Sem nem ao menos me deixar pensar, ele liga o chuveiro e me coloca embaixo, já se colocando atrás de mim.

– Você vai me ajudar!? – pergunto, surpreso.

– Shh. Preciso de concentração para lavar suas costas. – fala, e eu seguro um riso. – É sério. Assim, você vai poder usar a banheira primeiro.

– É por ordem de necessidade? – brinco. Ele ri, já começando a ensaboar minhas costas.

Abaixo a cabeça e coloco minhas mãos na parede. Sinto a água batendo diretamente em meu pescoço, e a sensação me relaxa ao ponto de eu fechar os olhos e ficar no limite entre a consciência e o sono.

Sinto as mãos de Sanji acariciando minha cicatriz das costas, descendo até minha lombar e subindo até meus ombros novamente. Aos poucos, minha cueca vai se encharcando.

– Zoro? Está acordado ainda? – pergunta. Eu assinto, mas na realidade, não sei.

A partir daí uma névoa cobre minha mente e meu cérebro só consegue captar sensações.

– Uau. Acho que só o seu corpo está presente. – ouço, bem longe.

Sinto meu pescoço ser acariciado, em seguida meu tronco e meus braços. A água morna cai sobre mim, arrepiando-me.

– Vou lavar seu cabelo. – ouço, e abaixo um pouco a cabeça.

Quando começo a sentir seus dedos esfregando minha cabeça, quase caio no sono total.

– Nossa. Eu estou muito relaxado, Ero-Cook. – resmungo, levantando a cabeça novamente.

– Se você dormir aqui, eu não vou te socorrer. – diz ele. Eu sorrio, sonolento.

– E eu finjo que acredito. – respondo. Minha voz sai mais rouca por conta do sono. Apresso-me para terminar meu banho. Penduro a cueca molhada atrás da porta e corro para a banheira.

Ao sentir a água quente em volta de todo o meu corpo, meus músculos relaxam ainda mais. É quase como se eu tivesse virado uma gelatina.

– Zoro, não dorme. Você vai se afogar. – avisa Sanji.

Tento expulsar a névoa do sono da minha mente, e finalmente consigo.

Vejo Sanji já com o cabelo cheio de espuma, ensaboando o corpo. Mais uma vez, é como se sua pele brilhasse: completamente convidativa ao meu toque e todos os outros sentidos.

– Será que eu usei LSD sem perceber? – pergunto, coçando os olhos. Ouço o som de sua risada. – É sério. Eu estou vendo você brilhar. Será que é por causa da água?

– Eu não brilho, Marimo. Está tentando me irritar? – pergunta, mas percebo o tom de brincadeira.

– Não, é sério. Será que o cansaço está afetando meu cérebro nessa intensidade? – pergunto. – Ou eu fui mesmo drogado?

– Drogado de quê? Dipirona? – pergunta, rindo. Eu o olho, captando o exato momento em que ele começa a tirar a espuma do cabelo e do corpo.

– É uma droga também, Ero-Cook. – respondo, observando-o. – Em vários países a farmácia é chamada de drogaria.

– Em quais, por exemplo? – pergunta. Eu encosto a nuca na borda da banheira.

– Não importa. Não quero pensar em nomes difíceis. – solto.

– Bem típico de você, né? – pergunta. Eu ainda abro um sorriso.

– Esse é o poder da minha preguiça.

Mais alguns minutos de silêncio e Sanji termina seu banho.

– Marimo, me deixa entrar. – pede, de pé ao meu lado. Escorrego para o lado e ele se deita ao meu lado, relaxando quase tanto quanto eu.

– É bom, né? – pergunto, olhando para o teto.

– Sim. Eu estava precisando muito disso, para ser sincero. – desabafa.

Tentando trazê-lo para mais perto de mim, coloco meu braço embaixo de seu corpo, abraçando-o pela cintura.

– Marimo...

– Shh. Se você se mexer, vai doer. Muito. – falo, completamente exagerado.

A verdade é que eu só quero sentir que ele está perto de mim. Não o toquei a semana inteira.

– É uma droga ter você nu ao meu lado e não poder fazer nada. – confesso, sorrindo um pouco.

Ele suspira.

– Talvez amanhã, quando acordarmos... – começa. Uma felicidade preenche meu peito. – Se você se comportar direito.

– Você é cruel, Ero-Cook. – respondo. Ele ri.

– Gostou da fisioterapia? – pergunta. Lembro-me de todas as dores que senti, todo o suor pelo esforço, meus gemidos angustiados...

– Não. Nenhum pouco. – respondo. – A fisioterapeuta puxava meus braços devagar, para alongar o peito, mas doía demais. Pelo menos eu sei que isso vai me ajudar.

– Ela é bonita? – pergunta. Eu quase reviro os olhos.

– É, com certeza. – respondo. – Tem peitos enormes, e por causa dos alongamentos, ela os pressiona em mim.

– E você gosta?

– Não dou a mínima para peitos. Eu gosto de bundas, você sabe. – respondo-o.

– Ah... – suspira ele. Ficamos em silêncio por mais alguns segundos, e eu até fecho os olhos. – Então é por isso que você vive assistindo os jogos de vôlei feminino do Brasil!?

Puta merda. Procura uma desculpa, procura uma desculpa, procura uma desculpa!

– O que tem demais nisso? – pergunto. – Não me olha desse jeito. Eu sei muito bem o que você assiste no canal pago.

– Cara de pau. – diz ele.

– Sem vergonha. – respondo.

– Tarado. – xinga.

– Pervertido. – xingo de volta.

– Viciado em bundas.

– Manja tetas.

– Marimo.

– Te amo. – respondo, roubando-lhe um selinho. Acabo dando uma risada, simplesmente por reconhecer que sou realmente cara de pau.

Ele suspira e dá de ombros.

– É, eu também. Fazer o quê.

– Vamos dormir? – sugiro.

– Vamos.

Ele se levanta primeiro, saindo da banheira. Vejo-o se arrepiar e pegar as duas toalhas, enrolando uma no quadril.

Usando a força dos braços, levanto meu corpo e me levanto com cuidado, aceitando a toalha de suas mãos. Seco o rosto, os braços e a parte da frente do meu tronco, também enrolando a toalha na cintura.

Poupando-me do esforço, Sanji puxa a tampa do ralo da banheira.

– Pronto.

– Eu estou quase dormindo de pé. – falo. Ele ri.

Saímos do banheiro e nos secamos rapidamente. Coloco uma cueca e volto para o banheiro para pendurar minha toalha.

– Não vai passar frio? – pergunta ele, repetindo minha ação.

– Se eu começar a sentir frio, você me esquenta. – respondo. Ele me olha e suspira.

– Sorte sua que eu estou com sono. – fala, tirando-me uma risada.

Já me sentindo quase aliviado, prendo a cinta ao redor das costelas e me deito de lado. Sanji se deita também e fica de frente para mim.

Puxo-o na minha direção e abraço seu corpo.

– Nós dormimos separados a semana inteira. Deixa eu aproveitar o momento. – peço. Ele não responde, mas não dá nenhum sinal de que não quer meu abraço.

– Boa noite, Marimo. – murmura.

Eu fecho os olhos e sinto o sono praticamente me engolir.

Acordo no susto, quando ouço um barulho ensurdecedor vindo do criado mudo.

A porra do celular despertando.

Agora sentado e com o coração acelerado, uma irritação toma conta de mim e eu agarro o celular, jogando-o em um arco perfeito na direção da parede. Ele bate, cai no chão e para de tocar.

Imediatamente sinto alívio.

– Celular filho da puta.

– Zoro? – pergunta Sanji, sonolento ao meu lado.

– Não é nada. – respondo, voltando a me deitar. – Era só meu celular. Nunca mais compro iPhone na minha vida. Meu próximo celular vai ser um Nokia tijolinho.

– Hã? Do que você está falando? – pergunta, confuso.

– Nada, Ero-Cook.

Ele vai me esfolar quando descobrir que eu estourei meu celular.

Quando encosto a cabeça no travesseiro, durmo novamente.

Dessa vez, acordo com o celular do Sanji. Levanto-me quase totalmente revigorado, com o humor bem melhor.

Vou até seu celular em cima da penteadeira e para a minha surpresa, é uma ligação.

– Oi. – atendo.

– Zoro? – pergunta Nami, confusa. Eu sorrio sozinho.

– É. Sou eu. – respondo.

Caramba. Vocês já estão íntimos o suficiente para atender os celulares um do outro? – pergunta.

– Não, é que ele está dormindo. – respondo. – O que quer com ele?

Na verdade, eu tentei falar com você antes, mas você não atendia, então eu decidi ligar para o Sanji-kun. – responde ela. – Enfim. Tenho um convite.

– Convite? Para quê? – pergunto, confuso.

– Um casamento de uma amiga.

– A Robin vai se casar!? – pergunto, alto demais. Sanji acorda e vem correndo até mim.

­- Como é!? A Robin-chan vai se casar!? – pergunta, aflito.

– Não, Zoro! – grita ela, no meu ouvido. Coloco o celular no viva-voz. – Por acaso eu tenho só a Robin-chan como amiga?

– Não, mas ela é a mais próxima. – justifico. Ela gargalha, e Sanji suspira.

– Quase morri no coração. Ainda bem. – resmunga.

– Como eu estava dizendo antes, tenho uma amiga que vai se casar. – continua. – O nome dela é Umi. Eu fui convidada, e ela pediu que eu convidasse duas pessoas. Como a Robin não pode ir, eu logo pensei em levar vocês dois... O que acham?

– Somos a segunda opção, então? – pergunto, sorrindo. Ela ri.

– Sim. Mas pensem no lado bom: vão poder me ver a noite inteira com um lindo vestido muito caro. – fala.

– Isso não me deixa entusiasmado. – respondo. – Talvez se o Ero-Cook estivesse usando um vestido desses, eu consideraria...

No mesmo momento eu sinto um tapa na nuca.

– Ai, doeu! – reclamo. Ele me olha, reprovando-me.

– Okay, eu sei que o Sanji-kun ficaria MA-RA-VI-LHO-SO em um vestido de madrinha, mas preciso de homens normais me acompanhando. Pelo menos por hoje. – responde, sendo irônica. Eu me seguro para não gargalhar.

– Tudo bem, nós vamos. Pode nos passar o endereço? – pede Sanji.

– Sim. É... Chácara Hanami.

– E a província? – pergunto. Ela hesita por alguns segundos.

– Akita. – responde.

– Akita? Nami, Akita é praticamente do outro lado do Japão! Nós estamos em Tóquio, sabia? – pergunto. Essa mulher é maluca. Só pode.

– Eu sei, eu sei. Mas eu preciso muito da presença de vocês. Por favor... – pede. Sanji praticamente se derrete com a voz melosa no telefone.

– Sem dúvidas, Nami-swan! – responde, apaixonado.

Merda. Não tenho como me opor.

– Mesmo que passemos cinco horas dentro de um carro, mesmo que em Akita faça um frio do caralho... Fazer o quê. – respondo. Ela quase grita, feliz.

– Então vocês precisam sair daí o mais rápido possível! Quando estiverem chegando, me liguem e eu esperarei na porta. – pede.

– Está tudo bem, Nami-san! Estamos saindo, já! – responde Sanji, entusiasmado. – Beijos!

– Beijos, para os dois.

Quando ela desliga, eu olho Sanji novamente.

– Ela me pareceu... Carinhosa demais. – observo. – Mas não é ruim.

– Você deveria ser assim também. – responde ele.

– O que? Mais carinhoso? – pergunto, sorrindo. Enlaço meus braços em sua cintura nua e beijo seu pescoço. – Quer que eu te mande beijos quando nos falarmos por telefone?

–N-Não me entenda mal. – gagueja.

– Ou queria que eu tivesse peitos? – pergunto. Ele ri.

– Não. Seria bastante estranho.

– É, eu também acho.

– Vamos nos arrumar?

Assinto e solto-o.

Sanji vai até o guarda-roupas e pega duas mochilas na prateleira mais alta.

– Dentro da sua mochila você coloca um terno, uma camisa, uma gravata e um sapato. Não esquece a toalha e o sabonete. Eu vou levar o shampoo. – instrui. Eu apenas acato suas decisões. Ele é muito mais organizado que eu, afinal.

No banheiro, pego minha escova de dentes, creme dental e dois sabonetes novos, além de duas toalhas.

Com pressa, procuro duas cuecas na gaveta e coloco uma delas, vestindo também uma calça jeans e uma camiseta. Visto minha blusa e calço um tênis.

Quando termino tudo, Sanji também está pronto.

– Parece que eu tenho um problema na coluna, com essa cinta embaixo da roupa. – comento, olhando-me minimamente no espelho.

– As costelas são tão importantes quanto, Marimo. – observa ele, colocando a mochila nas costas. – Venha. Eu vou fazer duas marmitas. E a propósito... Por que o seu iPhone está espatifado no chão?

– Porque eu joguei ele na parede com muita força hoje de manhã. – respondo, rindo de mim mesmo. – Fiquei irritado com o despertador.

– Zoro, é um 5S prateado. – diz ele. Eu dou de ombros.

– Não gostava dele, mesmo.

Ele revira os olhos e ri da minha idiotice, já indo em direção à cozinha.

– Eu te espero no carro. – aviso. – Não demore. Não consigo ficar muito tempo longe do seu cheiro.

Incrivelmente, ele cora com a minha provocação. Eu amo quando ele faz isso.

Para não atacá-lo, fecho a porta e chamo o elevador.

Quando chego ao carro, deixo minha mochila no banco de trás e sento-me no assento do carona, já deixando a chave no contato.

Poucos instantes depois, ele chega e se senta ao meu lado.

– Aqui está a comida. Agora são... quase 13:00. Eu começo dirigindo, e quando for mais ou menos 14:30 a gente troca. – sugere. Eu assinto.

– Certo. Só acho que a gente deveria tomar cuidado na rodovia. Você não tem carta, afinal.

– Vou passar bem longe dos postos policiais. – resolve, sorrindo.

Minutos depois...

Com cuidado, alcanço a minha marmita no banco de trás.

– Hm... Ainda está quente. – falo, feliz. Sanji desvia a atenção da estrada por um instante.

– É uma vasilha térmica. – explica.

– Bom, acho que funciona.

Abro a tampa e vejo arroz, curry, dois pedaços bonitos de carne e batatas. O cheiro de tudo chega ao meu nariz e faz minha barriga roncar.

– Uau, Sanji. Que cheiro bom. – elogio. – Vamos ver se o gosto está tão bom quanto o cheiro...

– Está me ofendendo, Marimo. – brinca.

Dou a primeira garfada no arroz e pego um pedaço da carne.

Chego a fechar os olhos para sentir o sabor daquela carne.

– Nossa. Ero-Cook, cada dia eu me apaixono mais por você. De verdade. – falo, indignado. – Que carne é essa?

– É carne de porco, normal.

– Sério? – pergunto. – Meu Deus, parece que eu só comi solas de sapato a minha vida inteira antes de te conhecer.

Ele ri. Sua risada é tão calorosa que acarreta meu sorriso.

– Experimenta o curry. Você vai gostar. – aconselha.

Pego uma porção do curry e levo até a boca.

– Tem saquê. – constato. Ele assente.

– Você é bom com a boca, Zoro. – diz ele. Não deixo de notar a malícia na frase.

– Você não viu nada, Ero-Cook. – respondo. – Bom, faz uma semana que eu não exercito minhas habilidades, então...

– Ero-Marimo. – xinga.

No momento seguinte, a música do rádio é interrompida pelo toque de seu celular. Ele aperta o botão ao lado do rádio e atende.

– Oi.

Sanji-san? – a voz de um homem invade o carro, e eu continuo prestando atenção, ao mesmo tempo que saboreio a comida.

– Ren! – exclama ele, surpreso.

– É, sou eu. Você está ocupado? – pergunta Ren. É estranho, mas consigo ouvir o sorriso em sua voz.

– Eu estou dirigindo, mas sem problemas.

Ótimo. – responde. – Eu não vou tomar muito do seu tempo. Só liguei para avisar que as suas horas dobradas de serviço renderam frutos!

– Horas dobradas? – pergunto, confuso.

– Tsc. – resmunga Sanji. – Ren, o que eu falei sobre manter a boca fechada? Eu estou no viva-voz aqui!

Ah, perdão! Zoro-san está ouvindo?

– Sim, estou. – respondo. – Ren, o que quer dizer com horas dobradas?

Hm... Eu acho que já falei demais por hoje, Zoro-san. O Sanji-san te explica. – diz ele. – Bom final de semana para os dois, e...

Ao fundo, ouço uma voz masculina gritando algo como “Ren, anda logo!”.

Bom, tenho “coisas” a fazer, se é que vocês me entendem. Beijos! – completa, terminando a ligação.

Um silêncio constrangedor se instala dentro do carro.

– Sanji, você... Trabalhou o dobro? – pergunto.

– Não. Eu dobrei o número de clientes. – esclarece. – Para tentar tirar um pouco mais.

– É por isso que você estava tão cansado a semana inteira? – pergunto, ligando os pontos.

– É. Pelo que o Ren disse, vou receber em dobro essa semana também. – fala. Ainda estou surpreso.

– Para quê? E o seu restaurante? – pergunto, confuso. Ele suspira.

– Zoro... – começa, coçando os olhos. – O problema é que...

– O que foi? – pergunto, preocupado. Ele parece sofrer para falar.

– Bom, eu vou dizer por que uma hora você ia ficar sabendo, mas... – recomeça. – Eu preferia ficar quieto.

– O que é? – pergunto.

– A sua fisioterapeuta.

– Eu não fiz nada com ela! Juro! – exclamo. Ele ri.

– Eu sei que não idiota. Deixa eu terminar de falar.

– Certo.

– Como o seu caso é mais delicado, o seu convênio não cobre os equipamentos que você usa na fisioterapia e nem a sua fisioterapeuta, que é especialista em quadros como o seu. – explica. – Então, como você é tão orgulhoso quanto eu, eu estava escondendo, mas... Acho que agora não dá mais.

– Escondendo o quê, Ero-Cook? Você matou alguém? – pergunto, curioso.

– Não! – exclama. – As suas sessões na fisioterapia custam 136.345* ienes. É por isso que eu trabalhei mais essa semana.

– I-Isso... É muito. – falo. – Uma sessão custa tudo isso?

– Sim. – responde.

– E você esperou a semana inteira acabar para me contar?

– Se eu contasse antes, você com certeza pararia de fazer a fisioterapia. Estou errado?

Eu nego com a cabeça.

– De forma alguma.

O fato de ele pagar todas as minhas sessões me deixa irritado, ao mesmo tempo que me sinto extremamente feliz e amado.

– Isso me irrita. – solto. – Você ficou exausto a semana inteira por minha causa. Eu deveria me odiar.

– Eu fiz por que eu quis, Zoro. – responde. – E se você disser isso mais uma vez, chuto sua cara.

Depois de tudo isso, não tenho poder nenhum de contestá-lo.

– Desculpa. E... Obrigado. De verdade. – falo. Ele não me responde.

Coloco minha mão sobre a sua, que se encontra apoiada no câmbio.

– Ero-Cook? Você ouviu? – pergunto. – Obrigado.

– Eu já ouvi. – responde. Na posição em que estou, posso ver suas orelhas vermelhas de vergonha. – Não tem de quê.

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– Nami-san, chegamos. – avisa ele, dessa vez com o celular fora do viva-voz. – Okay, Nami-swan!

Ao desligar, ele suspira.

– Ela disse para nós contornarmos o lugar e entrarmos pela lateral, pela entrada dos funcionários. – fala. Eu assinto, voltando a acelerar o carro.

Ao virar na próxima esquina sombria, conseguimos avistar Nami sob uma luz fraca e amarela.

– Onde deixamos o carro? – pergunto, abaixando o vidro.

– Pode deixar aqui mesmo. É seguro. – responde.

Saímos do carro e pegamos nossas mochilas. Nami parece extremamente feliz.

– Que legal! Tenho dois acompanhantes! – diz ela, quase pulando de alegria. – Vamos, vamos. Vocês têm que colocar as roupas certas.

Entramos no lugar, mas só conseguimos ver uma casa simples e pouco iluminada por fora.

– Aqui é o vestiário dos garçons. Andem logo.

Ela praticamente nos empurra para dentro do vestiário.

Quase caio ao tropeçar no pequeno degrau da entrada, e quando me coloco normalmente de pé, olho para trás. Ela sustenta um olhar de desculpas, mas não parece se sentir nenhum pouco culpada.

– Desculpinha, Zoro-kun! – pede, já caindo fora da minha visão.

Sanji me olha e ri.

– Vem vamos tomar um banho. Estou com fome. – sugere. Eu sorrio.

– Juntos? – pergunto, esperançoso.

– Está maluco? E se alguém ver? Acha que isso daria boa coisa?

– Eu tenho uma ótima solução para esse tipo de coisa, Ero-Cook. – falo, enquanto andamos na direção do banheiro.

– Qual?

– Foda-se. – respondo, sorrindo mais ainda. – Você é campeão de Taekwondo, eu sou o melhor espadachim do mundo... Acho que dá para se defender bem.

– Não quando você está com três costelas quebradas, idiota. – responde, meio corado. – Eu até aprecio a sua ideia, mas INFELIZMENTE não vai dar.

Ao chegarmos no banheiro, vejo vários chuveiros... Sem divisórias.

Até assovio de felicidade.

– Adorei.

– Ah, merda. Vamos terminar isso logo. Quero comer.

– Eu já entendi, Ero-Cook. –solto, malicioso. Dou um beijo em sua bochecha. – Só cuidado para não deixar o sabonete, tá?

Dessa vez, ele cora totalmente e quase acerta uma das minhas pernas com um chute.

– Ero-Marimo.

Penduro minha mochila em um dos ganchos e pego minha toalha e meu sabonete. Sanji me passa o shampoo e eu o coloco na prateleira do meu chuveiro, que é ao lado do chuveiro que ele escolheu. Deixo também meu sabonete.

Por fim, penduro minha toalha ao lado da mochila.

– Pronto.

Começo a me despir, enfiando tudo dentro do bolso da frente da mochila, longe da roupas limpas. Fico só de cueca e a cinta.

Ao meu lado, Sanji também está quase terminando de se despir. Quando vejo-o só de cueca, tento desviar meus olhos para não constrangê-lo.

Ah, merda. Qual é a raiz quadrada de 3,14 mesmo?

– Zoro?

– Espera. Uma semana sem fazer nada com você está me deixando maluco. Tem algum pano preto para tampar meus olhos?

– Não, Zoro. – fala, rindo. – Vai ter que aguentar.

– Tudo bem. Sou um homem adulto. Eu consigo. – digo para mim mesmo.

– É exatamente por nós sermos adultos, né? – suspira, filosofando.

– Não. É por você ser tão sexy, sensual, deliciosamente quente...

– Já entendi! – fala, calando minha boca com a sua mão. – Quando voltarmos para casa a gente vê o que faz, okay? Só... Se acalma.

Seus olhos praticamente me hipnotizam.

– Certo. – falo, mais calmo.

– Isso, bom garoto, Zoro-chan. – fala, como se eu fosse uma criança. Inevitavelmente, meu rosto fica mais quente.

– Já entendi, Senhor Que Nunca Se Excita. – falo, defendendo-me.

– Claro que tenho muito mais autocontrole que você. – diz ele.

Olho-o. Nós dois sabemos que isso é uma grande mentira. Mas, fazer o quê?

Ele manda.

– Bom, deixa eu tirar essa cinta. – murmuro, desviando meu olhar de seu rosto.

Desabotoo a cinta pela lateral e tiro-a, pendurando no gancho. Em seguida, tiro minha cueca e coloco-a no bolso das roupas sujas.

– Pronto. Estou livre.

Tento alongar um pouco os braços e as costas, mas qualquer coisa dói, então desisto.

– Vou primeiro, então. – aviso, dando alguns passos até meu chuveiro. Ligo-o e solto a água quente, a fim de relaxar meus músculos.

Pego um pouco do shampoo e esfrego meus cabelos, tirando toda a espuma logo depois.

– Ero-Cook, cadê o condiciona... – começo, mas acho sua atitude engraçada. – O quê? Vai ficar parado aí me olhando até que horas?

– N-Não é nada disso que você está pensando. – gagueja, corando e desviando o rosto. Ele mecha na mochila e pouco depois arremessa o frasco do condicionador.

– Muito obrigado, Sanji-sama. – falo, irônico. — Sabe, você não precisa só me olhar. Estamos sozinhos.

– Se eu for até aí, nós vamos demorar muito mais para sair desse banheiro coletivo. Então, melhor não. – diz ele, tirando sua cueca.

Banheiro. Coletivo.

Isso significa que a qualquer momento um cara pode entrar e ver o Sanji completamente nu?

– Sanji, a gente precisa ir rápido.

– Que foi?

– Nada, só acelera. – peço. Ele obviamente estranha.

Continua...

Notas finais
*Tadaima! - "Estou em casa!" *Okaeri! - "Bem vindo!" _________________________________________________________________________ Espero que tenham gostado dessa primeira parte, e sim, eu responderei todos os reviews assim que for possível! Tomara que tenham voltado a me amar... KKKKK' Beijos e até a segunda parte!