Um Amor Complicado.
24 Capítulo 24 - Parte I
Notas iniciais
Capítulo 24 (Parte 1)
POV Zoro
Chego ao apartamento completamente cansado, depois de um dia inteiro de atividades físicas. A única coisa que consigo pensar é que seria ótimo se eu fosse movido a pilhas de carga infinita.
– Tadaima!* — anuncio, deixando meu par de tênis na entrada. Entro no apartamento e deixo minha mochila no sofá, me controlando para não deitar ali e dormir.
– Okaeri!* — responde Sanji. Quando olho por cima do balcão que separa a cozinha da sala de jantar, não o vejo. Dou a volta e encontro-o ajoelhado procurando algo dentro do armário, embaixo da pia.
– O que está fazendo, Ero-Cook? – pergunto, curioso.
– Estou tentando consertar esse sifão. – responde, limpando o suor da testa com as costas da mão. Estranhamente, sua franja está presa para trás. – De repente começou a vasar água para dentro do gabinete.
– Desde quando você entende de encanamentos? – pergunto. Ele dá de ombros.
– Desde nunca. – fala, e eu seguro uma gargalhada. – Mas você também é uma bosta nesse tipo de coisa, então se der uma risadinha, te chuto.
Caio na gargalhada, sentindo ainda a persistente dor nas costelas, e por isso tento recuperar meu fôlego.
– É por isso que eu nem tentaria arrumar, Ero-Cook... – falo, vendo seu rosto corado de vergonha. – O Franky não mora muito longe. Por que não pediu ajuda?
– Não te interessa. – responde, irritado.
Que fofo.
Ele desiste de tentar consertar o vazamento e se levanta, suspirando. Ando até a geladeira e tiro a garrafa d’água, bebendo um bom copo.
– Então? O que fez de bom? – pergunto, encostando o quadril na borda da pia e cruzando os braços. Ele coça o próprio pescoço.
– Fiquei no restaurante o dia inteiro, e no final da tarde passei no ginásio para treinar um pouco. Fazia tempo, então estou com as pernas um pouco doloridas. – diz ele, tocando a coxa direita.
– Foi divertido? – pergunto. Ele me olha novamente, e vejo seus olhos azuis brilharem e um sorriso crescer em seu rosto.
– Sim. Bastante. – responde. Sorrio de volta, sentindo meu coração acelerado por sua causa. Nossa, que gay. – E você? O que fez?
– Fiquei na loja um tempo, e depois fui para a fisioterapia. – respondo-o, lembrando-me de como sentia meus músculos rangerem com os alongamentos. Honestamente, nunca pensei que alongamentos fossem tão dolorosos.
– Ah, é. Você ainda não pode treinar, né? – pergunta. Eu assinto.
– É. Não posso treinar com Mihawk e nem ir para a academia. – falo.
Sanji suspira.
– Pelo menos agora você vai descansar. Eu ainda vou para o clube... – diz.
Uma decepção me corrói por dentro.
– Por quê? – pergunto, já triste.
– Como assim?
– É sábado, Sanji. Por que tem que ir lá hoje? – pergunto, quase deprimido.
– Não é que eu precise...
– Então fica em casa. – peço. Dou dois passos para frente e abraço-o, sentindo o cheiro de seu cabelo. – Fiquei o dia inteiro pensando em como poderia ficar com você hoje. Você não?
Sanji não me responde. Apenas sinto suas mãos em minhas costas, abraçando-me apertado mas com cuidado.
– Faz uma semana que a gente mal se vê. Todos os dias, nós só tivemos tempo de fazer os curativos. – solto. – Você trabalhou todos os dias, mais de dezesseis horas por dia.
– Eu odeio admitir, mas... Eu estou morrendo de exaustão. Não aguento mais. Quero dormir, descansar. Essa semana foi tão tensa que eu não consegui nem comer direito.
– Percebi. – respondo, tirando-lhe uma risada fraca. – Eu também estou exausto.
– Está com fome? – pergunta. Eu nego.
– Comi antes de voltar para casa.
– Eu também. – responde. – Quero tomar banho.
Afasto-me um pouco dele para poder olhar seu rosto.
– Aceito seu convite.
Ele me olha com completa confusão quando eu seguro seu pulso e começo a puxá-lo na direção do banheiro.
– O quê!? Ei, Zoro! Pare de me puxar! – manda, mas é óbvio que eu nem ligo. – Eu não te convidei para nada!
Chegamos no banheiro, e eu finalmente me viro para encará-lo novamente.
– Então, eu faço isso. – falo, subindo minha mão por seu braço. – Ero-Cook, quer uma pequena ajuda para lavar as costas?
Ele cora e entra no banheiro, olhando para trás em seguida.
– Entre logo, idiota. – fala, corado. Sorrio e entro no banheiro, fechando a porta atrás de mim.
Ainda de costas, vejo-o tirar a camiseta, levantando os braços para passa-la sobre a cabeça. Fito suas costas, as quais não toco há exatos sete dias.
Aproveito para tirar minhas roupas, deixando só a cueca. Lentamente e com cuidado para não sentir mais dores, abaixo-me para pegar duas toalhas no armário. Ouço o som da banheira sendo enchida e me levanto.
– Ero-Cook, você... – começo, mas perco minha linha de pensamento ao vê-lo desnudo, mexendo no cabelo para soltar a parte da frente.
Sua pele parece brilhar. É normal uma pessoa parecer brilhar?
– O que foi? Não vai tirar a cinta? – pergunta.
– Eu... Estou um pouco receoso. Sei que quando tira-la, vai começar a doer muito mais. Essa cinta apertada me alivia. – falo, colocando os braços para trás para alcançar o fecho. – Mas para tomar banho eu preciso tirar, infelizmente.
Tiro a peça e dobro-a no sentido das talas, deixando-as sobre a pia.
– Ai. – reclamo ao respirar sem a cinta.
– Vem logo. Estou quase dormindo em pé. – fala puxando-me pelo braço.
Sem nem ao menos me deixar pensar, ele liga o chuveiro e me coloca embaixo, já se colocando atrás de mim.
– Você vai me ajudar!? – pergunto, surpreso.
– Shh. Preciso de concentração para lavar suas costas. – fala, e eu seguro um riso. – É sério. Assim, você vai poder usar a banheira primeiro.
– É por ordem de necessidade? – brinco. Ele ri, já começando a ensaboar minhas costas.
Abaixo a cabeça e coloco minhas mãos na parede. Sinto a água batendo diretamente em meu pescoço, e a sensação me relaxa ao ponto de eu fechar os olhos e ficar no limite entre a consciência e o sono.
Sinto as mãos de Sanji acariciando minha cicatriz das costas, descendo até minha lombar e subindo até meus ombros novamente. Aos poucos, minha cueca vai se encharcando.
– Zoro? Está acordado ainda? – pergunta. Eu assinto, mas na realidade, não sei.
A partir daí uma névoa cobre minha mente e meu cérebro só consegue captar sensações.
– Uau. Acho que só o seu corpo está presente. – ouço, bem longe.
Sinto meu pescoço ser acariciado, em seguida meu tronco e meus braços. A água morna cai sobre mim, arrepiando-me.
– Vou lavar seu cabelo. – ouço, e abaixo um pouco a cabeça.
Quando começo a sentir seus dedos esfregando minha cabeça, quase caio no sono total.
– Nossa. Eu estou muito relaxado, Ero-Cook. – resmungo, levantando a cabeça novamente.
– Se você dormir aqui, eu não vou te socorrer. – diz ele. Eu sorrio, sonolento.
– E eu finjo que acredito. – respondo. Minha voz sai mais rouca por conta do sono. Apresso-me para terminar meu banho. Penduro a cueca molhada atrás da porta e corro para a banheira.
Ao sentir a água quente em volta de todo o meu corpo, meus músculos relaxam ainda mais. É quase como se eu tivesse virado uma gelatina.
– Zoro, não dorme. Você vai se afogar. – avisa Sanji.
Tento expulsar a névoa do sono da minha mente, e finalmente consigo.
Vejo Sanji já com o cabelo cheio de espuma, ensaboando o corpo. Mais uma vez, é como se sua pele brilhasse: completamente convidativa ao meu toque e todos os outros sentidos.
– Será que eu usei LSD sem perceber? – pergunto, coçando os olhos. Ouço o som de sua risada. – É sério. Eu estou vendo você brilhar. Será que é por causa da água?
– Eu não brilho, Marimo. Está tentando me irritar? – pergunta, mas percebo o tom de brincadeira.
– Não, é sério. Será que o cansaço está afetando meu cérebro nessa intensidade? – pergunto. – Ou eu fui mesmo drogado?
– Drogado de quê? Dipirona? – pergunta, rindo. Eu o olho, captando o exato momento em que ele começa a tirar a espuma do cabelo e do corpo.
– É uma droga também, Ero-Cook. – respondo, observando-o. – Em vários países a farmácia é chamada de drogaria.
– Em quais, por exemplo? – pergunta. Eu encosto a nuca na borda da banheira.
– Não importa. Não quero pensar em nomes difíceis. – solto.
– Bem típico de você, né? – pergunta. Eu ainda abro um sorriso.
– Esse é o poder da minha preguiça.
Mais alguns minutos de silêncio e Sanji termina seu banho.
– Marimo, me deixa entrar. – pede, de pé ao meu lado. Escorrego para o lado e ele se deita ao meu lado, relaxando quase tanto quanto eu.
– É bom, né? – pergunto, olhando para o teto.
– Sim. Eu estava precisando muito disso, para ser sincero. – desabafa.
Tentando trazê-lo para mais perto de mim, coloco meu braço embaixo de seu corpo, abraçando-o pela cintura.
– Marimo...
– Shh. Se você se mexer, vai doer. Muito. – falo, completamente exagerado.
A verdade é que eu só quero sentir que ele está perto de mim. Não o toquei a semana inteira.
– É uma droga ter você nu ao meu lado e não poder fazer nada. – confesso, sorrindo um pouco.
Ele suspira.
– Talvez amanhã, quando acordarmos... – começa. Uma felicidade preenche meu peito. – Se você se comportar direito.
– Você é cruel, Ero-Cook. – respondo. Ele ri.
– Gostou da fisioterapia? – pergunta. Lembro-me de todas as dores que senti, todo o suor pelo esforço, meus gemidos angustiados...
– Não. Nenhum pouco. – respondo. – A fisioterapeuta puxava meus braços devagar, para alongar o peito, mas doía demais. Pelo menos eu sei que isso vai me ajudar.
– Ela é bonita? – pergunta. Eu quase reviro os olhos.
– É, com certeza. – respondo. – Tem peitos enormes, e por causa dos alongamentos, ela os pressiona em mim.
– E você gosta?
– Não dou a mínima para peitos. Eu gosto de bundas, você sabe. – respondo-o.
– Ah... – suspira ele. Ficamos em silêncio por mais alguns segundos, e eu até fecho os olhos. – Então é por isso que você vive assistindo os jogos de vôlei feminino do Brasil!?
Puta merda. Procura uma desculpa, procura uma desculpa, procura uma desculpa!
– O que tem demais nisso? – pergunto. – Não me olha desse jeito. Eu sei muito bem o que você assiste no canal pago.
– Cara de pau. – diz ele.
– Sem vergonha. – respondo.
– Tarado. – xinga.
– Pervertido. – xingo de volta.
– Viciado em bundas.
– Manja tetas.
– Marimo.
– Te amo. – respondo, roubando-lhe um selinho. Acabo dando uma risada, simplesmente por reconhecer que sou realmente cara de pau.
Ele suspira e dá de ombros.
– É, eu também. Fazer o quê.
– Vamos dormir? – sugiro.
– Vamos.
Ele se levanta primeiro, saindo da banheira. Vejo-o se arrepiar e pegar as duas toalhas, enrolando uma no quadril.
Usando a força dos braços, levanto meu corpo e me levanto com cuidado, aceitando a toalha de suas mãos. Seco o rosto, os braços e a parte da frente do meu tronco, também enrolando a toalha na cintura.
Poupando-me do esforço, Sanji puxa a tampa do ralo da banheira.
– Pronto.
– Eu estou quase dormindo de pé. – falo. Ele ri.
Saímos do banheiro e nos secamos rapidamente. Coloco uma cueca e volto para o banheiro para pendurar minha toalha.
– Não vai passar frio? – pergunta ele, repetindo minha ação.
– Se eu começar a sentir frio, você me esquenta. – respondo. Ele me olha e suspira.
– Sorte sua que eu estou com sono. – fala, tirando-me uma risada.
Já me sentindo quase aliviado, prendo a cinta ao redor das costelas e me deito de lado. Sanji se deita também e fica de frente para mim.
Puxo-o na minha direção e abraço seu corpo.
– Nós dormimos separados a semana inteira. Deixa eu aproveitar o momento. – peço. Ele não responde, mas não dá nenhum sinal de que não quer meu abraço.
– Boa noite, Marimo. – murmura.
Eu fecho os olhos e sinto o sono praticamente me engolir.
Acordo no susto, quando ouço um barulho ensurdecedor vindo do criado mudo.
A porra do celular despertando.
Agora sentado e com o coração acelerado, uma irritação toma conta de mim e eu agarro o celular, jogando-o em um arco perfeito na direção da parede. Ele bate, cai no chão e para de tocar.
Imediatamente sinto alívio.
– Celular filho da puta.
– Zoro? – pergunta Sanji, sonolento ao meu lado.
– Não é nada. – respondo, voltando a me deitar. – Era só meu celular. Nunca mais compro iPhone na minha vida. Meu próximo celular vai ser um Nokia tijolinho.
– Hã? Do que você está falando? – pergunta, confuso.
– Nada, Ero-Cook.
Ele vai me esfolar quando descobrir que eu estourei meu celular.
Quando encosto a cabeça no travesseiro, durmo novamente.
Dessa vez, acordo com o celular do Sanji. Levanto-me quase totalmente revigorado, com o humor bem melhor.
Vou até seu celular em cima da penteadeira e para a minha surpresa, é uma ligação.
– Oi. – atendo.
– Zoro? – pergunta Nami, confusa. Eu sorrio sozinho.
– É. Sou eu. – respondo.
– Caramba. Vocês já estão íntimos o suficiente para atender os celulares um do outro? – pergunta.
– Não, é que ele está dormindo. – respondo. – O que quer com ele?
– Na verdade, eu tentei falar com você antes, mas você não atendia, então eu decidi ligar para o Sanji-kun. – responde ela. – Enfim. Tenho um convite.
– Convite? Para quê? – pergunto, confuso.
– Um casamento de uma amiga.
– A Robin vai se casar!? – pergunto, alto demais. Sanji acorda e vem correndo até mim.
- Como é!? A Robin-chan vai se casar!? – pergunta, aflito.
– Não, Zoro! – grita ela, no meu ouvido. Coloco o celular no viva-voz. – Por acaso eu tenho só a Robin-chan como amiga?
– Não, mas ela é a mais próxima. – justifico. Ela gargalha, e Sanji suspira.
– Quase morri no coração. Ainda bem. – resmunga.
– Como eu estava dizendo antes, tenho uma amiga que vai se casar. – continua. – O nome dela é Umi. Eu fui convidada, e ela pediu que eu convidasse duas pessoas. Como a Robin não pode ir, eu logo pensei em levar vocês dois... O que acham?
– Somos a segunda opção, então? – pergunto, sorrindo. Ela ri.
– Sim. Mas pensem no lado bom: vão poder me ver a noite inteira com um lindo vestido muito caro. – fala.
– Isso não me deixa entusiasmado. – respondo. – Talvez se o Ero-Cook estivesse usando um vestido desses, eu consideraria...
No mesmo momento eu sinto um tapa na nuca.
– Ai, doeu! – reclamo. Ele me olha, reprovando-me.
– Okay, eu sei que o Sanji-kun ficaria MA-RA-VI-LHO-SO em um vestido de madrinha, mas preciso de homens normais me acompanhando. Pelo menos por hoje. – responde, sendo irônica. Eu me seguro para não gargalhar.
– Tudo bem, nós vamos. Pode nos passar o endereço? – pede Sanji.
– Sim. É... Chácara Hanami.
– E a província? – pergunto. Ela hesita por alguns segundos.
– Akita. – responde.
– Akita? Nami, Akita é praticamente do outro lado do Japão! Nós estamos em Tóquio, sabia? – pergunto. Essa mulher é maluca. Só pode.
– Eu sei, eu sei. Mas eu preciso muito da presença de vocês. Por favor... – pede. Sanji praticamente se derrete com a voz melosa no telefone.
– Sem dúvidas, Nami-swan! – responde, apaixonado.
Merda. Não tenho como me opor.
– Mesmo que passemos cinco horas dentro de um carro, mesmo que em Akita faça um frio do caralho... Fazer o quê. – respondo. Ela quase grita, feliz.
– Então vocês precisam sair daí o mais rápido possível! Quando estiverem chegando, me liguem e eu esperarei na porta. – pede.
– Está tudo bem, Nami-san! Estamos saindo, já! – responde Sanji, entusiasmado. – Beijos!
– Beijos, para os dois.
Quando ela desliga, eu olho Sanji novamente.
– Ela me pareceu... Carinhosa demais. – observo. – Mas não é ruim.
– Você deveria ser assim também. – responde ele.
– O que? Mais carinhoso? – pergunto, sorrindo. Enlaço meus braços em sua cintura nua e beijo seu pescoço. – Quer que eu te mande beijos quando nos falarmos por telefone?
–N-Não me entenda mal. – gagueja.
– Ou queria que eu tivesse peitos? – pergunto. Ele ri.
– Não. Seria bastante estranho.
– É, eu também acho.
– Vamos nos arrumar?
Assinto e solto-o.
Sanji vai até o guarda-roupas e pega duas mochilas na prateleira mais alta.
– Dentro da sua mochila você coloca um terno, uma camisa, uma gravata e um sapato. Não esquece a toalha e o sabonete. Eu vou levar o shampoo. – instrui. Eu apenas acato suas decisões. Ele é muito mais organizado que eu, afinal.
No banheiro, pego minha escova de dentes, creme dental e dois sabonetes novos, além de duas toalhas.
Com pressa, procuro duas cuecas na gaveta e coloco uma delas, vestindo também uma calça jeans e uma camiseta. Visto minha blusa e calço um tênis.
Quando termino tudo, Sanji também está pronto.
– Parece que eu tenho um problema na coluna, com essa cinta embaixo da roupa. – comento, olhando-me minimamente no espelho.
– As costelas são tão importantes quanto, Marimo. – observa ele, colocando a mochila nas costas. – Venha. Eu vou fazer duas marmitas. E a propósito... Por que o seu iPhone está espatifado no chão?
– Porque eu joguei ele na parede com muita força hoje de manhã. – respondo, rindo de mim mesmo. – Fiquei irritado com o despertador.
– Zoro, é um 5S prateado. – diz ele. Eu dou de ombros.
– Não gostava dele, mesmo.
Ele revira os olhos e ri da minha idiotice, já indo em direção à cozinha.
– Eu te espero no carro. – aviso. – Não demore. Não consigo ficar muito tempo longe do seu cheiro.
Incrivelmente, ele cora com a minha provocação. Eu amo quando ele faz isso.
Para não atacá-lo, fecho a porta e chamo o elevador.
Quando chego ao carro, deixo minha mochila no banco de trás e sento-me no assento do carona, já deixando a chave no contato.
Poucos instantes depois, ele chega e se senta ao meu lado.
– Aqui está a comida. Agora são... quase 13:00. Eu começo dirigindo, e quando for mais ou menos 14:30 a gente troca. – sugere. Eu assinto.
– Certo. Só acho que a gente deveria tomar cuidado na rodovia. Você não tem carta, afinal.
– Vou passar bem longe dos postos policiais. – resolve, sorrindo.
Minutos depois...
Com cuidado, alcanço a minha marmita no banco de trás.
– Hm... Ainda está quente. – falo, feliz. Sanji desvia a atenção da estrada por um instante.
– É uma vasilha térmica. – explica.
– Bom, acho que funciona.
Abro a tampa e vejo arroz, curry, dois pedaços bonitos de carne e batatas. O cheiro de tudo chega ao meu nariz e faz minha barriga roncar.
– Uau, Sanji. Que cheiro bom. – elogio. – Vamos ver se o gosto está tão bom quanto o cheiro...
– Está me ofendendo, Marimo. – brinca.
Dou a primeira garfada no arroz e pego um pedaço da carne.
Chego a fechar os olhos para sentir o sabor daquela carne.
– Nossa. Ero-Cook, cada dia eu me apaixono mais por você. De verdade. – falo, indignado. – Que carne é essa?
– É carne de porco, normal.
– Sério? – pergunto. – Meu Deus, parece que eu só comi solas de sapato a minha vida inteira antes de te conhecer.
Ele ri. Sua risada é tão calorosa que acarreta meu sorriso.
– Experimenta o curry. Você vai gostar. – aconselha.
Pego uma porção do curry e levo até a boca.
– Tem saquê. – constato. Ele assente.
– Você é bom com a boca, Zoro. – diz ele. Não deixo de notar a malícia na frase.
– Você não viu nada, Ero-Cook. – respondo. – Bom, faz uma semana que eu não exercito minhas habilidades, então...
– Ero-Marimo. – xinga.
No momento seguinte, a música do rádio é interrompida pelo toque de seu celular. Ele aperta o botão ao lado do rádio e atende.
– Oi.
– Sanji-san? – a voz de um homem invade o carro, e eu continuo prestando atenção, ao mesmo tempo que saboreio a comida.
– Ren! – exclama ele, surpreso.
– É, sou eu. Você está ocupado? – pergunta Ren. É estranho, mas consigo ouvir o sorriso em sua voz.
– Eu estou dirigindo, mas sem problemas.
– Ótimo. – responde. – Eu não vou tomar muito do seu tempo. Só liguei para avisar que as suas horas dobradas de serviço renderam frutos!
– Horas dobradas? – pergunto, confuso.
– Tsc. – resmunga Sanji. – Ren, o que eu falei sobre manter a boca fechada? Eu estou no viva-voz aqui!
– Ah, perdão! Zoro-san está ouvindo?
– Sim, estou. – respondo. – Ren, o que quer dizer com horas dobradas?
– Hm... Eu acho que já falei demais por hoje, Zoro-san. O Sanji-san te explica. – diz ele. – Bom final de semana para os dois, e...
Ao fundo, ouço uma voz masculina gritando algo como “Ren, anda logo!”.
– Bom, tenho “coisas” a fazer, se é que vocês me entendem. Beijos! – completa, terminando a ligação.
Um silêncio constrangedor se instala dentro do carro.
– Sanji, você... Trabalhou o dobro? – pergunto.
– Não. Eu dobrei o número de clientes. – esclarece. – Para tentar tirar um pouco mais.
– É por isso que você estava tão cansado a semana inteira? – pergunto, ligando os pontos.
– É. Pelo que o Ren disse, vou receber em dobro essa semana também. – fala. Ainda estou surpreso.
– Para quê? E o seu restaurante? – pergunto, confuso. Ele suspira.
– Zoro... – começa, coçando os olhos. – O problema é que...
– O que foi? – pergunto, preocupado. Ele parece sofrer para falar.
– Bom, eu vou dizer por que uma hora você ia ficar sabendo, mas... – recomeça. – Eu preferia ficar quieto.
– O que é? – pergunto.
– A sua fisioterapeuta.
– Eu não fiz nada com ela! Juro! – exclamo. Ele ri.
– Eu sei que não idiota. Deixa eu terminar de falar.
– Certo.
– Como o seu caso é mais delicado, o seu convênio não cobre os equipamentos que você usa na fisioterapia e nem a sua fisioterapeuta, que é especialista em quadros como o seu. – explica. – Então, como você é tão orgulhoso quanto eu, eu estava escondendo, mas... Acho que agora não dá mais.
– Escondendo o quê, Ero-Cook? Você matou alguém? – pergunto, curioso.
– Não! – exclama. – As suas sessões na fisioterapia custam 136.345* ienes. É por isso que eu trabalhei mais essa semana.
– I-Isso... É muito. – falo. – Uma sessão custa tudo isso?
– Sim. – responde.
– E você esperou a semana inteira acabar para me contar?
– Se eu contasse antes, você com certeza pararia de fazer a fisioterapia. Estou errado?
Eu nego com a cabeça.
– De forma alguma.
O fato de ele pagar todas as minhas sessões me deixa irritado, ao mesmo tempo que me sinto extremamente feliz e amado.
– Isso me irrita. – solto. – Você ficou exausto a semana inteira por minha causa. Eu deveria me odiar.
– Eu fiz por que eu quis, Zoro. – responde. – E se você disser isso mais uma vez, chuto sua cara.
Depois de tudo isso, não tenho poder nenhum de contestá-lo.
– Desculpa. E... Obrigado. De verdade. – falo. Ele não me responde.
Coloco minha mão sobre a sua, que se encontra apoiada no câmbio.
– Ero-Cook? Você ouviu? – pergunto. – Obrigado.
– Eu já ouvi. – responde. Na posição em que estou, posso ver suas orelhas vermelhas de vergonha. – Não tem de quê.
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– Nami-san, chegamos. – avisa ele, dessa vez com o celular fora do viva-voz. – Okay, Nami-swan!
Ao desligar, ele suspira.
– Ela disse para nós contornarmos o lugar e entrarmos pela lateral, pela entrada dos funcionários. – fala. Eu assinto, voltando a acelerar o carro.
Ao virar na próxima esquina sombria, conseguimos avistar Nami sob uma luz fraca e amarela.
– Onde deixamos o carro? – pergunto, abaixando o vidro.
– Pode deixar aqui mesmo. É seguro. – responde.
Saímos do carro e pegamos nossas mochilas. Nami parece extremamente feliz.
– Que legal! Tenho dois acompanhantes! – diz ela, quase pulando de alegria. – Vamos, vamos. Vocês têm que colocar as roupas certas.
Entramos no lugar, mas só conseguimos ver uma casa simples e pouco iluminada por fora.
– Aqui é o vestiário dos garçons. Andem logo.
Ela praticamente nos empurra para dentro do vestiário.
Quase caio ao tropeçar no pequeno degrau da entrada, e quando me coloco normalmente de pé, olho para trás. Ela sustenta um olhar de desculpas, mas não parece se sentir nenhum pouco culpada.
– Desculpinha, Zoro-kun! – pede, já caindo fora da minha visão.
Sanji me olha e ri.
– Vem vamos tomar um banho. Estou com fome. – sugere. Eu sorrio.
– Juntos? – pergunto, esperançoso.
– Está maluco? E se alguém ver? Acha que isso daria boa coisa?
– Eu tenho uma ótima solução para esse tipo de coisa, Ero-Cook. – falo, enquanto andamos na direção do banheiro.
– Qual?
– Foda-se. – respondo, sorrindo mais ainda. – Você é campeão de Taekwondo, eu sou o melhor espadachim do mundo... Acho que dá para se defender bem.
– Não quando você está com três costelas quebradas, idiota. – responde, meio corado. – Eu até aprecio a sua ideia, mas INFELIZMENTE não vai dar.
Ao chegarmos no banheiro, vejo vários chuveiros... Sem divisórias.
Até assovio de felicidade.
– Adorei.
– Ah, merda. Vamos terminar isso logo. Quero comer.
– Eu já entendi, Ero-Cook. –solto, malicioso. Dou um beijo em sua bochecha. – Só cuidado para não deixar o sabonete, tá?
Dessa vez, ele cora totalmente e quase acerta uma das minhas pernas com um chute.
– Ero-Marimo.
Penduro minha mochila em um dos ganchos e pego minha toalha e meu sabonete. Sanji me passa o shampoo e eu o coloco na prateleira do meu chuveiro, que é ao lado do chuveiro que ele escolheu. Deixo também meu sabonete.
Por fim, penduro minha toalha ao lado da mochila.
– Pronto.
Começo a me despir, enfiando tudo dentro do bolso da frente da mochila, longe da roupas limpas. Fico só de cueca e a cinta.
Ao meu lado, Sanji também está quase terminando de se despir. Quando vejo-o só de cueca, tento desviar meus olhos para não constrangê-lo.
Ah, merda. Qual é a raiz quadrada de 3,14 mesmo?
– Zoro?
– Espera. Uma semana sem fazer nada com você está me deixando maluco. Tem algum pano preto para tampar meus olhos?
– Não, Zoro. – fala, rindo. – Vai ter que aguentar.
– Tudo bem. Sou um homem adulto. Eu consigo. – digo para mim mesmo.
– É exatamente por nós sermos adultos, né? – suspira, filosofando.
– Não. É por você ser tão sexy, sensual, deliciosamente quente...
– Já entendi! – fala, calando minha boca com a sua mão. – Quando voltarmos para casa a gente vê o que faz, okay? Só... Se acalma.
Seus olhos praticamente me hipnotizam.
– Certo. – falo, mais calmo.
– Isso, bom garoto, Zoro-chan. – fala, como se eu fosse uma criança. Inevitavelmente, meu rosto fica mais quente.
– Já entendi, Senhor Que Nunca Se Excita. – falo, defendendo-me.
– Claro que tenho muito mais autocontrole que você. – diz ele.
Olho-o. Nós dois sabemos que isso é uma grande mentira. Mas, fazer o quê?
Ele manda.
– Bom, deixa eu tirar essa cinta. – murmuro, desviando meu olhar de seu rosto.
Desabotoo a cinta pela lateral e tiro-a, pendurando no gancho. Em seguida, tiro minha cueca e coloco-a no bolso das roupas sujas.
– Pronto. Estou livre.
Tento alongar um pouco os braços e as costas, mas qualquer coisa dói, então desisto.
– Vou primeiro, então. – aviso, dando alguns passos até meu chuveiro. Ligo-o e solto a água quente, a fim de relaxar meus músculos.
Pego um pouco do shampoo e esfrego meus cabelos, tirando toda a espuma logo depois.
– Ero-Cook, cadê o condiciona... – começo, mas acho sua atitude engraçada. – O quê? Vai ficar parado aí me olhando até que horas?
– N-Não é nada disso que você está pensando. – gagueja, corando e desviando o rosto. Ele mecha na mochila e pouco depois arremessa o frasco do condicionador.
– Muito obrigado, Sanji-sama. – falo, irônico. — Sabe, você não precisa só me olhar. Estamos sozinhos.
– Se eu for até aí, nós vamos demorar muito mais para sair desse banheiro coletivo. Então, melhor não. – diz ele, tirando sua cueca.
Banheiro. Coletivo.
Isso significa que a qualquer momento um cara pode entrar e ver o Sanji completamente nu?
– Sanji, a gente precisa ir rápido.
– Que foi?
– Nada, só acelera. – peço. Ele obviamente estranha.
Continua...
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