Um Amor Complicado.

19 Capítulo 19 - Arrependimento.


Notas iniciais
Olá! Eu voltei! *u* Eu demorei, eu sei T-T Me desculpem! Essa fase da fanfic realmente está sendo difícil. Os dois estão sofrendo tanto T-T Ah, Deus. Enfim. Quero agradecer todo mundo que comentou no último capítulo! Lunista Crowler, Gol D Bianca, Sogequeen, Nowaki, Anne Hyuuga, AzZynhA, Roronoa Aninha, PaumDoLaw, Persephone Oleander, Irial kun, RingoTogehime, Brigadeiro, Yumi e Relunize, muito obrigada pelos reviews de vocês! Eu adorei todos eles *-----* Bom, sem mais delongas, quero dar alguns avisos sobre este capítulo. 1º: No meio do capítulo tem uma frase que eu roubei do Irial kun. Não se preocupem, ele me permitiu u.u kkkkkk 2º: A Persephone Oleander deu a ideia de mostrar como o Zoro se comportaria durante o sexo com uma cliente. Neste capítulo temos a resposta. 3º: Capítulo 18+ Por enquanto é isso. Espero que gostem! huheue Boa leitura!

Capítulo 19

POV Sanji

Zoro sai de meu apartamento. Com raiva, ele me olha e diz alguma coisa que eu não ouço, para logo e seguida segurar Mika pelo pescoço e prendê-la na parede, quase estrangulando-a. Mas não ouço nada.

Ele sai do meu campo de visão assim que entra no elevador. Ainda segurando a toalha em minha cintura, não consigo me mexer um centímetro. Parece que meu corpo se tornou uma estátua de cimento, nem um pouco refinada.

Não consigo nem mesmo piscar, e quando percebo que parei de respirar, já estou enxergando pontos pretos em todo lugar.

Antes de desmaiar, forço-me a respirar e, contrariando a minha vontade de simplesmente deitar ali no chão e me encolher, ando até a porta e fecho-a.

Volto-me para o apartamento, e vejo o notebook aberto, ainda no vídeo. O soco de Zoro ainda lateja e arde em meu rosto. Sinto minha face inchada sob a palma de minha mão, e dentro da minha boca, cada vez mais sangue se reúne.

Tiro a toalha do corpo e coloco sobre a boca, cuspindo todo o sangue junto com a saliva. Com a ponta da língua, consigo sentir um grande corte que vão dos sisos até meus caninos superiores. A dor do corte me faz arquejar. Cuspo ainda mais sangue na toalha.

Ainda com a toalha pressionada contra a boca, começo a sentir raiva de mim mesmo. Raiva, não. Sinto-me enojado de meu próprio corpo.

Aperto o pano com força e afasto-o de meu rosto. Fraco, deixo minha cabeça pender para frente e fito os dedos de meus pés.

Surpreendo-me ao sentir algo molhado atingi-los. Logo em seguida, a sensação de sufocamento em minha garganta torna-se insuportável. Meu peito se contrai num soluço, e eu começo a chorar como uma criança. As lágrimas escorrem do meu rosto sem freio algum, e mesmo que eu as limpe com as mãos ou com a toalha, não adianta.

Meu estômago se embrulha e eu corro para o banheiro, levantando a tampa do vaso sanitário e vomitando tudo o que comi no dia até o momento. A sensação de arrependimento que me assola é dolorosa.

Lavo minha boca e meu rosto. Em seguida, olho-me no espelho sobre a pia.

– Você é podre. – falo, encarando-me. Estou com tanta raiva de mim mesmo que tenho nojo de me olhar. Não acredito no que eu fiz com a minha vida. Não posso crer que fui tão imbecil.

– O que há de errado comigo!? — grito, à beira do desespero. – O rosto do Zoro, a tristeza dele... Como eu fui capaz...?

Eu merecia muito mais que um soco. Merecia muito mais que um corte na parte interna da bochecha.

Olhando meu reflexo, tomo um impulso e soco o espelho.

– Ah, merda! – grito, com tanta força que até machuca minha garganta. – Quebrei o espelho!

O sangue começa a escorrer dos cortes em meus dedos. Eu estou frustrado. Além de toda a merda que eu fiz, ainda soquei a porra do meu espelho. Eu tenho que me foder muito mesmo.

Pego minha toalha de rosto e enrolo minha mão. Corro para o quarto e alcanço meu celular. Toco no primeiro contato da lista.

– Alô?

– Nami-san, é o Sanji. – murmuro, aliviado por ouvir sua voz reconfortante.

– Eu sei, bobo. – responde. Ouço um sorriso em sua voz. – Me ligou para avisar que você e o Zoro voltaram a se falar?

– Eu acho que acabei de decepar meus dedos das mãos. Tem como vir aqui em casa? – pergunto, à beira do desespero. – Eu estou falando sério.

– C-Claro, Sanji-kun. Estarei aí em no máximo dez minutos.

Quando desligo o celular, tenho o mínimo de decência de colocar uma cueca.

Decência... Acho que meu cérebro esqueceu o significado desta palavra há um bom tempo.

Nos dez minutos seguintes, fico deitado na cama, sobre meus lençóis sujos de sêmen por ter transado tantas vezes com a Mika.

Levo a mão boa ao rosto.

– Que imbecil.

Quando Nami-san chega, saio correndo do quarto para abrir a porta.

– Sanji-kun, o quê aconteceu? – pergunta, já adentrando ao apartamento. – Por que estava tão urgente no telefone? Por que seu rosto está inchado deste jeito? E que papo era aquele de você ter decepado os dedos das mãos?

– Hã...

– Primeiro, me responda: o Zoro veio aqui? – pergunta. Eu assinto e baixo os olhos. – O que aconteceu entre vocês dois?

Minha visão fica turva.

– Tem como eu explicar daqui a pouco? É que... Estou ficando um pouco tonto. – falo, vendo as coisas rodarem.

– Oh, meu Deus! Sua boca está branca! Sanji-kun! – exclama, me segurando quando caio para frente. Ela me ajuda a chegar até minha cama e me coloca deitado sobre o colchão. – O Chopper está subindo, okay? Ele teve que falar com o porteiro do seu prédio sobre algo, mas logo estará aqui.

– Entendi.

– Posso ver? – pergunta. Eu estendo a mão enrolada com a toalha. Nami-san desata o nó fraco e a abre, revelando minha mão ensanguentada. – Como diabos você fez isso?

– Eu soquei o espelho... – murmuro.

– Você o quê!? Está maluco, Sanji-kun? – pergunta, preocupada e irritada ao mesmo tempo.

– Cadê o Chopper?

– Cheguei! – ouço. Chopper entra no cômodo e, ao avistar minha mão, entra em desespero. – Quanto sangue! Sanji, o que aconteceu? Preciso suturar você agora mesmo!

– Ele socou a droga de um espelho. – ela responde. Chopper me olha com reprovação, subindo na cama. Ele abre sua maleta e tira alguns pacotes fechados.

– Nami, segura para mim. A agulha de sutura, a linha e a anestesia. – Chopper a entrega os pacotes fechados. – Preciso de um algodão. Sanji os guarda na primeira gaveta da escrivaninha.

Vejo a agulha curva que Chopper tira do pacote, junto com um carretel com pouca linha de sutura escura.

Nami-san volta com o algodão, e Chopper o molha com um pouco de seu álcool. Em seguida, o passa sobre o dorso de minha mão. Ele prepara uma seringa com a anestesia e fura uma veia da minha mão, massageando levemente sobre a picada logo em seguida. Em poucos segundos, não sinto minha mão.

– Para seu azar, eu não ando por aí com o seu tipo de sangue comigo, Sanji. – diz ele, passando a linha pelo buraco da agulha. Uau. Chopper sendo irônico.

– Quando ele terminar, você vai me contar direitinho o que aconteceu aqui. Escutou, Sanji-kun? – pergunta Nami. Eu assinto.

– Tudo o que você quiser saber, Nami-san.

Chopper começa a esterilizar meus dedos com um líquido amarronzado, passando com o algodão. Em seguida, inicia minhas suturas.

Pelo canto do olho, vejo Nami-san indo em direção ao banheiro do quarto.

– Mas... Que droga, Sanji-kun. Tem sangue seu para todo lado. – observa. – Onde você guarda panos e produtos de limpeza?

– Fica na lavanderia. Entre o banheiro de convidados e a cozinha. – ela sai do quarto e desaparece depois da parede.

Observo Chopper trabalhando, sendo extremamente cuidadoso.

– Você não precisa ser tão cuidadoso. Eu bem que merecia sangrar até a morte.

A rena me olha, irritado.

– Não diga besteiras. – pede. – Seja lá o que você tenha feito, não deixarei você acabar com seu corpo para tentar aliviar a culpa que está sentindo.

– Uau... Você realmente me conhece, Chopper. – falo.

– Vou limpar tudo, Sanji-kun. – diz Nami-san, com uma vassoura e uma pá em mãos. Obviamente, ela calçou luvas de borracha.

– Obrigado, Nami-san. Fico te devendo uma.

– Fica mesmo. Vou cobrar.

– Sanji, você conseguiu cortar todos os dedos, com exceção do polegar. – fala Chopper, começando o meu segundo dedo.

– Se queria tanto socar algo, por que não a parede? Ou então os travesseiros, sei lá. – fala Nami-san, de dentro do banheiro.

Suspiro e fecho os olhos. Não. Não pensei nisso, na verdade. Só queria sentir dor.

Acabo adormecendo.

Acordo com dor de cabeça. Sento-me na cama e olho em volta, achando Nami-san ao meu lado, digitando no celular.

Olho para a minha mão e vejo-a completamente costurada, com vários fios escuros cortados. Ainda não consigo senti-la completamente.

– Finalmente acordou. – diz Nami-san. – Eu limpei seu banheiro. E consegui trocar seus lençóis.

– Obrigado.

– Então, pode começar a contar. – fala ela, levantando-se e dando a volta na cama para ficar mais perto de mim.

– Contar?

– Sobre você e o Zoro, idiota. O que aconteceu? – pergunta, curiosa. Ela se ajoelha no chão ao meu lado, com uma mão sobre minha coxa esquerda.

– Eu o traí. Muitas e muitas vezes. – confesso. – E por causa de uma imbecilidade minha, ele me deixou.

– É por isso que ele esmurrou seu rosto? – pergunta. Eu assinto, levando a mão boa à bochecha.

– O que quer dizer com imbecilidade?

Eu hesito, lembrando da cena completamente nítida em minha mente.

“Quis brincar comigo, porque eu era cego? Ou queria me manipular para depois me comer e me deixar? Eu tive a ingenuidade de começar a gostar de você, e para quê? Para encontrar esse vídeo revelando tudo o que você é de verdade. Mentiroso, adúltero e irresponsável.”

No momento em que me bateu, Zoro fez com que eu caísse no chão. Quando olhei para cima, seu rosto era puro ódio, tristeza e confusão.

– Sanji-kun?

– Eu vi um vídeo que um administrador de uma página de romance postou. O Zoro estava dançando valsa com uma mulher de cabelo escuro. – falo, encarando minhas mãos. – E acreditei na informação da descrição, que dizia que eles eram noivos.

– O Zoro te deixou por causa dessa besteira? – pergunta. – Ah, mas eu vou dar uns bons tapas na cara daquele...

– Não, Nami-san. Antes disso acontecer... Eu o traí com pelo menos trinta mulheres, lá no clube. Eu dava a desculpa de ser pelo trabalho, mas na verdade não era nada daquilo. Eu estive mentindo para ele e para mim mesmo o tempo todo. Chegou ao cúmulo de eu nem ao menos enxergá-lo. Ele simplesmente desaparecia da minha memória, quando eu estava com mulheres.

Ela me encara.

– Bom, é... Isso já muda um pouco as coisas. – fala, desviando os olhos. – Então, ele te deixou porque você saiu comendo meio mundo por aí, e depois acreditou que ele era noivo? Ainda não acho que seja motivo suficiente... É que normalmente o Zoro é tão paciente em questão de relações, que é estranho ele ter te batido.

Suspiro e fecho os olhos, tomando coragem.

– Não foi só isso. – falo. Ela me olha. Estou tão tenso e nervoso que chego a gaguejar um pouco.

– Tem mais?

– Q-Quando eu vi aquele vídeo... Eu fiquei com tanta raiva que decidi que teria uma vingança. Chamei uma as minhas clientes mais assíduas e comecei a fazer sexo com ela desde hoje de manhã. Eu só parei para almoçar. – falo. Nami franze o cenho. – Então, eu o chamei para vir aqui, dizendo que tinha algo urgente para falar. E, é óbvio, ele pegou nós dois no flagra.

– Que era o que você queria. – completa. Eu assinto. – Mais alguma coisa?

– Eu... Disse que ele jamais seria capaz de me oferecer tudo o que uma mulher pode ter. – confesso. – Para resumir, eu... Reclamei que ele é homem.

Nami-san se levanta e dá alguns passos pelo quarto, com a mão na boca. Sento-me com os pés para fora da cama. Instantes depois, ela para na minha frente, em pé.

– Tem mais alguma coisa que você queira me contar? – pergunta. Sua voz é ácida, irritada.

Olho para cima, para seu rosto.

– Eu odeio dizer isso, mas... Se eu te contasse tudo o que eu fiz, você nunca mais sequer olharia para mim. – confesso, lembrando das muitas orgias que participei nos quartos do clube, com mais de dez mulheres de uma vez só.

– Ótimo. – fala. Quando fecho os olhos para piscar, levo um tapa no rosto, no lado oposto de onde recebi o soco.

– Ouch... – murmuro, sentindo o lado direito do meu rosto latejar por inteiro.

– Isso é para você aprender a deixar de ser filho da puta, Sanji-kun. – diz ela, irritada como jamais vi antes. Ela realmente está séria. – O que você fez não tem perdão. Honestamente, se eu fosse o Zoro, jamais chegaria perto de você novamente.

Seguro os lençóis com força, rangendo o maxilar.

– Sim, eu sei disso. – solto, com a voz embargada. – Mas...

– “Mas...” porra nenhuma! – interrompe-me. – Você tem uma vaga noção do que você fez? Sanji, ele foi atrás de você quando você estava do outro lado do planeta, só para te dar força e te encorajar! Ele quase perdeu os olhos, porque queria doá-los para você!

Nami-san suspira.

– Todos os dias, quando você foi embora sem avisar, ele quase arrebentava os próprios músculos no treinamento. Sabe por quê? Porque essa é a única maneira que ele encontra de se distrair de qualquer outra dor.

Não consigo responder nada. Estou simplesmente chocado.

– Ele se passa por uma pessoa forte, mas... O Zoro é a pessoa mais sentimental, carinhosa e gentil que eu já conheci. E quando ele gosta de alguém, ele gosta de verdade. Pode até parecer idiotice para você, mas Zoro nunca transou com quem ele não amasse. Com você não foi diferente.

Ela fica alguns segundos sem falar nada, respirando. Quando volta a falar, está mais calma. Sua voz está afetada pelo choro.

– Sabe, uma vez... Eu tinha acabado de terminar com um namoradinho meu, e ele fez amor comigo. Só que ele não me amava da forma como sempre te amou. Zoro ama todos à sua volta, mas de um modo fraternal. Por causa disso, ele faz tudo o que pedimos. Naquele dia, eu estava carente e bêbada. Ele não transou comigo por ser apaixonado por mim. Fez aquilo porque eu precisava.

Encosto os cotovelos em minhas coxas e escondo o rosto em minhas mãos.

– Naquela época, ele já fez tudo ser inesquecível para mim, que sou alguns meses mais nova. Imagino como ele deve ser agora, na cama. Depois de cinco anos... Deve ter melhorado bastante. O que me diz?

– Sim. Ele é muito bom. – confesso. Ela acaba sorrindo e dá um passo para frente, colocando as mãos no meu rosto.

– E você jogou um homem desses fora, Sanji-kun. Consegue pensar na burrice que fez? – pergunta. Tento esconder meu rosto molhado pelas lágrimas, mas ela me segura com força. – Posso ser um pouco mais sincera do que eu já fui?

Eu apenas assinto, preparado para ouvir qualquer coisa.

– Você é um belo de um otário narcisista. Aposto que se acabou com o Zoro na cama, deixou-o fazer o que quisesse com você e se aproveitou o máximo que pôde. Tudo isso para depois reclamar que ele não é macio como uma mulher. – fala, ainda irritada. Ela solta meu rosto, dando outro tapinha na minha bochecha esquerda. – Acorda, meu filho. A mulher da relação sempre foi você. Não concorda?

Ouvindo-a dizer isso, mais um baque me atinge. Nego com a cabeça.

– Eu não era a mulher dele, Nami-san. – falo, soluçando pelo choro. – Nós éramos companheiros, mas eu... Nunca assumi. E agora eu o perdi.

Nami-san coloca meu rosto em sua barriga e me abraça. Correspondo-a e choro em sua roupa, arrependido pela grande cagada que fiz.

– Eu só percebi que estava fazendo as coisas erradas depois que eu o perdi... Por que fui tão burro? Por quê? – pergunto-me. Meu corpo estremece pelo choro, e eu sinto como se meu interior estivesse queimando.

Tudo arde.

– Se você demorar mais, vai perder a hora do trabalho. Vá tomar um banho. – diz ela, acariciando minha cabeça. Eu nego.

– Não quero ir. Se eu for, vou ver o Zoro. – falo. Ela suspira.

– Pretende fugir? – pergunta. – Se quiser, até pode. Depois de tudo o que você fez... Bom, essa seria a atitude normal de um covarde. Sinceramente, não esperava outra reação.

– Sua crueldade é dolorosa, Nami-san. – murmuro.

– Não é crueldade. Estou sendo realista. Quero que você tome jeito. – diz ela. Com um beijo no topo da minha cabeça, ela se distancia e alcança a bolsa sobre o criado-mudo.

– Já vai? – pergunto, fungando.

– Preciso ir. – responde. Eu assinto.

– Obrigado por ter vindo. Depois... Agradeça ao Chopper por mim. – peço. Ela concorda e toma a direção da saída do apartamento.

– Ah, Sanji-kun. Mais uma coisa: não procure mais o Zoro. Vocês foram feitos para ficar longe um do outro. – fala. – Você não é a pessoa certa para ele, assim como ele também não é sua “alma gêmea”.

Eu sei disso. Sei muito bem.

Espero-a sair e vou até o banheiro, para tomar um banho.

No momento em que sinto a água do chuveiro cair em minhas costas, decido que preciso ir ao clube.

POV Zoro

No sofá, espero pacientemente o horário de início das atividades do clube. Pela primeira vez em semanas, estou bebendo meu bom e velho saquê puro.

– Zoro-san! – ouço. Ren vem em minha direção e se senta ao meu lado, sorrindo amigavelmente.

– Konbanwa, Ren. – falo, sorrindo minimamente. – Como vai?

Levo minha garrafa aos lábios e espero sua resposta, que não vem.

– Ren? – quando o olho, ele está me observando, corado. Eu conheço essa feição. Os olhos brilhantes, lábios entreabertos, respiração acelerada. Ele obviamente está excitado.

– Ah, não é nada. Eu vou bem! – responde, sorrindo novamente. – E você?

– É... – respondo, balançando a cabeça para os lados. – Na medida do possível.

– Como assim? – pergunta, preocupado. – Aconteceu alguma coisa? Venho notando você meio cabisbaixo há alguns dias...

Hesito em respondê-lo.

– Desculpa, Ren... Eu não quero falar sobre isso. Não estou mentalmente preparado. – confesso, terminando minha garrafa. – Minha vida está uma bagunça.

Ren cora e desvia os olhos.

– Entendo... Bom, se quiser qualquer ajuda, saiba que estarei disposto a qualquer coisa para te fazer se sentir melhor. – fala, corando e tocando meu ombro. Eu o olho.

Ren é muito fofo. Ele tem as faces femininas, o tipo de rosto que atrai qualquer homem. Pelo que já pude ver, ele é pelo menos dez centímetros mais baixo do que eu, pouco mais de 1,70. Além disso, seu corpo é mais magro, mas definido. Parece tão frágil quanto uma mulher, e cheira tão suave quanto uma.

Se meu coração não estivesse tão destruído, já teria me envolvido com ele há tempos. Além de tudo, é extremamente gentil e doce.

– Muito obrigado. O que acha de dividir as clientes comigo outra vez? – pergunto. Ele sorri, mas nega.

– Eu até gostaria, mas tenho que sair mais cedo hoje. Desculpe-me. – pede.

– Está pedindo desculpas por quê? Não se preocupe, Ren. – respondo. Ele sorri e cora novamente.

Algo está diferente. Ren não cora e nem desvia os olhos com tanta facilidade.

– Mudando de assunto... Zoro-san, o que houve com seus braços? – pergunta, olhando a pele exposta.

Quando olho também, vejo várias veias mais saltadas.

– Ah, isso. É que hoje eu fiz muita musculação. – explico. – Meus músculos estão inflamados.

– Oh, meu Deus! Você precisa ir ao médico! – exclama.

– Não, calma! – falo, segurando um riso. – Quando eu disse que meus músculos estão inflamados, quis dizer que estão inchados. Porque faz poucas horas que parei de malhar.

O alívio passa por seu rosto.

– Ah, que susto.

Vejo os funcionários começarem a se movimentar para abrir o clube.

– Bom, eu já vou indo. Ouvi falar que você está sendo disputado, Zoro-san. Parabéns! – fala. Parece realmente feliz.

– Obrigado. Até amanhã!

Ele apenas assente e se levanta, fazendo uma pequena reverência. Observo seu percurso até a escada que leva à entrada, mas me arrependo amargamente disso. Subindo a escada, Sanji para e puxa uma conversa curta com Ren. Eles se despedem, sorrindo.

– Sorriso falso da porra. – sussurro, já me levantando para pegar outra garrafa no bar. Levo-a até o sofá e sento-me, cruzando as pernas.

Vejo-o se sentar no sofá do outro lado do clube, de frente para mim.

Ele está diferente. Os dois lados de seu rosto estão inchados, sendo que o esquerdo está um pouco mais. Uma de suas mãos têm ataduras presas com esparadrapo.

Em certo momento, nossos olhares se cruzam. Ao invés de desviar, espero-o fazer isso. Quando ele cora e olha para o chão, desvio meus olhos. Percebo que meu coração bate muito forte.

Isso é uma droga, mas tenho plena consciência de que mesmo ele tendo feito tudo o que fez, não vou parar de amá-lo da noite para o dia. Meu peito ainda dói com esse amor. Droga. Eu queria tanto abraça-lo, beija-lo, dizer meus sentimentos...

Mas não posso. Minhas lembranças, raiva, ressentimento e tristeza não permitem.

Saio de meus pensamentos quando vejo Sakurazaki vindo em minha direção, com sua caderneta e arrumando os óculos, como sempre.

– Konbanwa, Zoro-san! – exclama, sorrindo.

– Konbanwa. – respondo, levantando-me para apertar sua mão. – Tudo bem?

– Melhor impossível. – responde, simpático. – Eu vim te avisar que, como sempre, você já tem as dez clientes da primeira hora.

– Ótimo. Pode trazê-las. – falo, dando dois tapinhas em seu ombro.

Coloco minha garrafa sobre o sofá e ponho as mãos nos bolsos da calça, olhando fixamente para a escada. A primeira que vejo é Kyouko-san.

Como sempre, está com um vestido longo vermelho sangue, com um corte até a metade da coxa. É provavelmente a mais bonita entre todas as clientes, apesar de ser mais velha.

– Kyouko-san. – falo, abrindo os braços. Ela sorri e beija meu rosto, abraçando-me. – Estou feliz pela sua presença.

– Obrigada, Zoro-kun. Você realmente sabe como agradar uma mulher, né? – pergunta, sentando-se ao lado da minha garrafa.

– Ainda mais quando é uma tão bonita quanto você. – falo, sorrindo falsamente. Ela cora.

Espero as outras nove, para então dar início ao meu turno.

A hora se passa lentamente, com todas as mulheres sempre tentando desabotoar minha camisa e tirá-la, além de ficarem acariciando meus braços.

Quando Sakurazaki volta e nos avisa que a hora acabou, sinto-me aliviado.

Espero-as ir embora e, por fim, suspiro.

– Sakurazaki, pode trazer as próximas. – peço. Ele me olha com o brilho nos olhos.

– Você foi reservado novamente, Zoro-san. Para o resto da noite. – fala.

– Sério? Quem é a cliente? – pergunto, feliz por ter faturado mais.

– Esse é o único problema. – fala. – Zoro-san, é um homem.

– E o que tem? – pergunto, confuso. – Ele é cliente e vai pagar, certo?

– Sim, mas...

– Então, sem mais delongas. Anda logo e traga-o. – peço. Sakurazaki assente e desce as escadas.

Sento-me no sofá e abro minha terceira garrafa de saquê. Que tipo de homem será?

Momentos depois, Sakurazaki volta.

– Zoro-san, seu cliente. Boa noite. – despede-se ele. Quando olho para meu cliente, quase cuspo minha bebida.

– Ren!? – exclamo, surpreso. Ele ri. – Você é meu cliente?

– Sim. – responde, corando. – Espero que não se importe.

– Não, não me importo. Mas... Enfim. – respondo. – Sente-se aqui.

Ele se senta ao meu lado, com uma postura reta.

– Quer beber alguma coisa? – pergunto. Ele nega, envergonhado.

– Quero ficar sóbrio o maior tempo que conseguir. Obrigado. – fala. O rubor de vergonha não deixa seu rosto em momento algum.

– Okay. Então, o que te motivou a querer meus serviços por hoje? – pergunto, brincalhão. Ele sorri. – Tem algum motivo especial?

Ele hesita.

– Para falar a verdade, tem sim. – fala. Ele se movimenta no sofá, de forma a ficar de frente para mim. – Mas... É um pouco vergonhoso, então quero que ouça direito.

– Claro. O que foi? – pergunto, curioso e preocupado ao mesmo tempo.

– Zoro-san, eu...

– Você? – estimulo-o. Ele fecha os olhos.

– Eu te amo. – solta. No mesmo momento, engasgo com minha própria saliva. Ele bate em minhas costas. Quando me recomponho, volto a olhá-lo.

– Desculpa, acho que não ouvi direito. – falo, confuso. – O que você disse?

– Eu disse que amo você. – repete, olhando no fundo dos meus olhos.

Por alguns segundos, ficamos encarando um ao outro.

– Você está falando sério? – pergunto. Ele cora ainda mais e assente.

– Sim. – responde.

Suspiro e me encosto no sofá, sentando-me direito.

– Não pode ser. Quer dizer... Não é possível. – falo. A dor no peito volta mais forte, e meus olhos ardem. – Eu não mereço seu amor, Ren. Guarde-o para outra pessoa.

– É impossível, Zoro-san. – fala. Ele segura minha mão fechada.

– Por quê?- pergunto, indignado. – Por que você me ama?

Ele desvia os olhos, envergonhado.

– Você é gentil, corajoso, carinhoso, responsável, extremamente bom... Além de tudo, seu coração é muito maior do que você deixa transparecer. – fala. – É mais fácil perguntar por que alguém não te amaria.

Absorvo suas palavras e sinto-me profundamente agradecido.

– Desde quando? – pergunto.

– Desde o momento em que te vi chorando com a moça de cabelo escuro. Você parecia tão triste, tão desolado, que eu senti uma enorme vontade de te abraçar e te deixar chorar no meu ombro. – murmura. – Dava para ver no seu rosto que estava sofrendo.

Eu assinto e, dessa vez, seguro suas mãos entre as minhas.

– Eu entendo seus sentimentos, Ren. Mas não posso aceitá-los. – falo. – Muito obrigado.

Ren me olha e sorri, condescendente.

– Você ama alguém, não é? – pergunta. Assinto lentamente.

– Amo. Muito. – falo. – Mas a pessoa que eu amo... Não gosta de mim.

Ele parece surpreso, e quando menos espero, começa a chorar.

– Ren? Por que está chorando? – pergunto, levantando seu rosto delicadamente.

– Porque... Isso é muito cruel, Zoro-san! – fala, entre lágrimas. – Você merece todo o amor do mundo, sabia? Não deveria sofrer por causa de sentimentos não correspondidos... Eu sinto muito...

Este homem que conheci há pouco mais de uma semana está chorando como uma criança, só por imaginar a dor que sinto.

– Ren. – murmuro, suspirando. Seguro seu corpo com meus braços e abraço-o, encostando sua cabeça em meu peito. – Droga. Você é tão frágil que me dá medo de te tocar.

– Zoro-san... – murmura, ainda chorando.

– Mais uma vez, obrigado. Você é um anjo. – falo, sorrindo para mim mesmo.

Ele abraça meu pescoço.

– Eu entendo o seu sofrimento, juro. – murmura. – Mas eu não posso controlar. É como se uma represa tivesse estourado dentro de mim, jorrando este sentimento para todos os lados. Desculpe.

– Não se desculpe. – peço.

– Se você me aceitar... Eu prometo te fazer a pessoa mais feliz do mundo. – murmura, olhando no fundo dos meus olhos. – Zoro-san, por favor, por favor... Eu te amo.

Droga.

Seguro seu rosto entre minhas mãos e junto nossos lábios, sentindo o champagne em sua boca. Chupo seu lábio inferior levemente e sinto-o arrepiar-se em meus braços. Ren segura meus cabelos e entreabre os lábios, liberando a entrada da minha língua. Sinto-o estremecer quando nosso beijo se torna mais profundo com o movimento de nossas línguas.

– Mm... – geme, entre nosso beijo. – Zoro-san...

Sua voz é suave e gostosa de ouvir.

– Ren, se você me segurar desse jeito, não vou querer te soltar. – brinco. Ele me olha, corado.

– Então não me solte, Zoro-san. – suplica. – Você é a única pessoa que eu quero sentir.

Pela primeira vez em dias, meu pênis endurece dentro da cueca.

– Venha. – falo, puxando-o pelo braço.

– Onde vamos? – pergunta, seguindo-me.

– Para o quarto. – respondo. Quando chegamos ao corredor, entro em um dos quartos e tranco a porta.

– O que você vai fazer? – pergunta, envergonhado. Começo a desabotoar minha camisa.

– O que você quer que eu faça? – pergunto. Deixo minha camisa no chão.

– Posso pedir qualquer coisa? – pergunta. Eu assinto, chegando mais perto.

– Claro.

Ren me guia até a cama e me pede para sentar. Ele começa a me despir e me deixa só de cueca. Em seguida, se ajoelha no chão.

– Ren, o que você...

– Eu quero te provar. – murmura, hesitante. – Será que eu posso?

Olho para seu rosto entre minhas pernas e coro. Não consigo definir se estou envergonhado ou excitado. Talvez os dois.

– Estou aqui para te satisfazer, Ren. Pode fazer o que quiser. – respondo. Ele sorri.

Vejo-o tirar as próprias roupas, para ficar só de cueca. Ele é magro, como eu já imaginava. Sua pele é extremamente lisa.

Então se ajoelha novamente e, com certa apreensão, tira minha cueca.

O queixo dele cai, e ele encara descaradamente meu membro ereto.

– O que foi? – pergunto, curioso.

– Ah, desculpe. – fala, corando mais ainda. – É que... Bom, acho que não vou conseguir chegar nem na metade.

Dessa vez, sinto-me envergonhado.

– Ah, isso. – resmungo, desviado os olhos. – Bom, você pode tentar. Tem mais de uma semana que eu não faço nada, então estou mais excitado que o normal. Foi mal.

– Apenas... Feche os olhos e sinta. – pede. Assinto e fecho os olhos.

Poucos segundos depois, sua língua acaricia minha glande, lentamente. Só com isto, já preciso trancar o maxilar e segurar meu clímax.

Quando ele segura meu pênis pela base e o abriga em sua boca, levo minha mão direita até seu cabelo e prendo-os entre meus dedos.

De repente, não é mais Ren que está ali. Minha mente formula a imagem de Sanji me chupando, como aconteceu da última vez em que estivemos juntos.

Sanji começa a me chupar com mais rapidez, masturbando o que não cabe em sua boca.

– Haa... – gemo, ao sentir seus dentes roçarem levemente em minha pele.

Ele para e mais uma vez começa a me lamber, para depois voltar a me chupar. Seguro seu cabelo com mais força.

– Merda... Eu já... – murmuro. A familiar sensação do prazer se alastra até minha barriga, arrepiando todo o meu corpo.

– Uau... – ouço. Vejo o rosto de Sanji sujo com sêmen, e limpo-o com a ponta dos dedos.

– Desculpe. Foi muito rápido. – falo, ofegante. Ele me olha de volta com suas íris incrivelmente azuis e sorri, malicioso.

Sorrio de volta e seguro seu corpo, colocando-o sobre a cama e posicionando-me entre suas pernas abertas.

– Esse seu sorriso me enlouquece, sabia? – pergunto. Dou-lhe um selinho e desço beijos por seu maxilar, para chegar até seu pescoço e dar uma chupada bem forte. Você é meu, Ero-Cook. Só meu.

– Aah... Zoro-san... – ouço. Meu corpo vira estátua.

“–san”.

Minha ilusão se desfaz e, embaixo de mim, vejo Ren novamente. Uma sensação de horror e arrependimento passa por mim.

O ar escapa de meus pulmões, e eu saio de cima de Ren.

– Ren... Me desculpa, eu... Realmente não posso fazer isso. – falo, vestindo minha cueca. Ele se senta e segura meus braços, tentando me impedir.

– Por que não? Zoro-san, você estava tão envolvido... – fala. Vejo a tristeza em seu rosto.

– Eu só estava envolvido porque... – começo, mas travo. Tomo coragem e continuo. – Minha cabeça formou imagens do Sanji, e você acabou virando ele. Me desculpe. Pode me bater, se quiser.

Suas mãos caem de meus braços, e ele olha para o chão.

– Se eu continuasse, não estaria fazendo amor com você, e sim com ele. – falo. Levanto seu rosto com as pontas dos dedos. – Você entende?

Algumas lágrimas escapam de seus olhos negros.

– Eu entendo. – responde. – Afinal, você ama muito o Sanji-san...

Suspiro.

– Sim, eu o amo. – concordo. – É por isso que eu disse que não mereço os seus sentimentos, Ren. Não sou capaz de respondê-los.

Ren assente e começa a soluçar em meio ao choro.

– Você pode até não poder aceitar meu amor, mas você merece sim. – discorda, passando os braços por meu pescoço. – Você merece todo o amor do mundo, Zoro-san.

Sem palavras, apenas concordo.

– Obrigado por tudo, Ren. – falo, juntando nossos lábios novamente. – Mas... Guarde o seu amor para alguém que valha a pena. Okay?

– Okay. – responde, fazendo um biquinho. – Mesmo assim, eu te amo. Não se esqueça.

– Não vou. Mas seria melhor que você esquecesse isso. – respondo, soltando-o. Coloco minha calça e meu sapato.

– Vou tentar, prometo. – responde. – Espero que sua vida dê certo, Zoro-san.

Acabo sorrindo.

– Vou tentar. – respondo. – Vai querer mais algum serviço?

Ele nega com a cabeça.

– Está dispensado, soldado. Obrigado pela noite.

Abro a porta do quarto e vejo-o sorrindo, tentando ser forte. Coloco minha camisa em meu ombro e fecho a porta.

Quando viro-me para a direita, esbarro em alguém.

– Descul... – começo, mas reconheço os cabelos louros de Sanji. Nos olhamos novamente, e percebo que ele não está com mulher nenhuma.

Pigarreio.

– Com licença. – peço. Ele dá um passo para o lado e eu vou na direção da saída do corredor.

Merda. O que era aquele olhar angustiado? E por que eu ainda fiquei preocupado, depois de tudo o que ele fez?

Meu corpo formiga pelo desejo de abraçá-lo, beijá-lo e senti-lo novamente.

Sanji me fez totalmente dependente dele, e a ausência de sua presença dói em mim. É como se ele enfiasse uma faca na minha barriga e depois jogasse álcool em cima. Como se tivesse um buraco no lugar do meu coração destruído.

Dói.

Notas finais
Então? Gostaram? Eu achei que o Ren já tá bom de aparecer aqui em casa para eu dar um trato nele u.u Que homem lindo, fofo, cheiroso, meu Deus *u* Ah, caso tenham ficado com dúvidas, eu tirei a imagem dele de um mangá chamado "Twin's Labyrinth", e eu imaginava ele exatamente assim. Quem quiser ler este mangá, está disponível para download aqui: http://addictivepleasure.forumeiros.com/t336-heart-strings Esse link vai para o mangá "Heart Strings", mas acima da postagem tem o link do Twin's. Divirtam-se! *u* Ah, mais uma coisa. Atualmente, eu tenho lindas e maravilhosas 127 pessoas que leem a fic. Alguém pode me explicar porque eu recebo 15 reviews por capítulo? KKKKKKKK. Dê pelo menos um oi, fantasminhas! KKKKK É isso. Espero você no próximo. Beijos!