Um Amor Complicado.
6 Capítulo 6 - Pequena explosão.
Notas iniciais
Capítulo 6
– Zoro, clientes! – grita Nami, do andar de baixo da loja. Suspiro e, vencendo minha preguiça, desço as escadas.
– Cheguei. – aviso.
A mulher dentro da loja admira as katanas, perfeitamente entretida com todos os diversos cabos, tamanhos e fios das espadas.
Ajeito meu kinagashi* e as katanas ao lado do corpo.
– Eu já disse para você trocar de roupa! Teimoso! – sussurra Nami.
– Eu estou confortável assim, mulher. – resmungo. – E não enche o saco. Estou de mau humor.
– Vê se faz dinheiro! – sussurra novamente, recebendo meu olhar fulminante como resposta.
– Alguma vez eu deixei algum cliente escapar? – pergunto. Ela nega. – Ela é amante de espadas, Nami. Com certeza vai comprar.
– Como sabe que ela gosta?
– Pelo jeito como olha. – respondo. – Percebe como ela parece querer tocá-las?
– Hm... Pode ser verdade. – murmura.
– Eu vou falar com ela.
Aproximo-me da mulher a passos lentos. De perfil, ela parece bonita. Tem os cabelos compridos escuros, pele bem branca, usa óculos e tem um corpo totalmente modelado.
– Com licença? – peço, e ela se vira. Um olhar desconfiado toma sua expressão. – Gostou de alguma?
Só então observo seu rosto de frente. Quase engasgo com minha própria língua.
– K-K-Kuina!? – exclamo, tampando a boca em seguida. Como é possível? Está viva? Mas... Não, impossível! – Quem é você?
– É educado se apresentar antes de sair perguntando o nome da outra pessoa, sabia? – pergunta a mulher. Igual. Idêntica. Até no jeito de falar. – Bom, deixa para lá. Sou Tashigi.
Ah, não é ela.
– Roronoa. – apresento-me, e coloco a mão por cima de minhas katanas. – Então? Gostou?
– Impossível não apreciá-las. São lindas. Todas. – admira ela. – Sabe... Em toda a minha vida, eu nunca vi katanas tão bonitas e bem cuidadas. Vocês tem alguma sociedade com uma empresa especializada?
– Bom, não... – começo, sem jeito. – Quem cuida delas sou eu. Minha sócia nunca gastaria dinheiro com isso. E eu nunca deixaria essas maravilhas em mãos desconhecidas.
– São só vocês dois? – pergunta Tashigi. Eu assinto. Por que estou falando tanto com essa estranha? Será que é porque parece a Kuina? Me sinto familiarizado com ela?
– Sim. Eu consigo os clientes e vendo as katanas. Ela cuida da parte financeira. – explico.
– Ela deve ser muito boa, para administrar tudo sozinha.
– É, pode acreditar que sim. – assumo, sorrindo um pouco. – Mas não conte isso para ela. Nami tende a ser muito chata quando elogiada.
A mulher ri.
– Enfim. Quer experimentar alguma? Ou saber mais? – pergunto. Ela pensa por alguns segundos.
Seus olhos param num dos quadros.
– Quero saber sobre aquela ali. – aponta.
– Aquela é a Yubashiri*. Ela era uma das cinquenta Ryo-Wazamono. – começo.
– “Era”? – pergunta.
– É. Eu a “perdi” numa luta. – falo. – Arrependo-me por não ter tomado cuidado. Yubashiri era extremamente leve e forte. Uma boa Katana, pois era muito fácil de manusear. Sua leveza me permitia ações e reflexos rápidos, e mesmo assim, o corte era feito com nitidez. Não era a melhor espada de todas, mas eu até gostava dela.
– Então você a achava “mais ou menos”? – pergunta.
– Não. Quem vacilou fui eu. – esclareço. – O que faz a diferença é o espadachim, não a espada. Digo que não era a melhor espada porque eu tenho uma preferida.
– Entendo. Você é competidor? – pergunta, e eu assinto. Novamente, ela pensa por alguns segundos. – Qual é o seu primeiro nome?
– Zoro. Roronoa Zoro. – respiro. Seus olhos brilham.
– Você... – começa. – Você é o Melhor do Mundo!
Sorrio diante de sua afobação.
– É, de acordo com as regras. Eu conheço espadachins tão bons quanto eu, mas por não competirem, não ganham o título.
– Quem, por exemplo? – pergunta.
– O Taka no Me*. – respondo.
– Ah, sim. Mas o Taka no Me manteve o título por muitos anos. Ele era competidor. Quero um exemplo de fora. – pede. Exigente como a Kuina.
– O Vista, Comandante da Quinta Divisão do Barba Branca. – cito. Ela sorri.
– Posso ver suas Katanas? – pergunta. Olho para trás e flagro Nami nos encarando.
– Venha.
Coloco duas katanas sobre o balcão.
– Então, é como eu pensava. – fala. Suas mãos acariciam a bainha branca da Wadou. – Uma Meitou, né? Tão linda!
Ao desembainhar a espada, ela parece se hipnotizar.
– Quanto quer por esta aqui? – pergunta.
– Não. Essa não está à venda. – falo. – Ela é minha preferida. Um dos meus tesouros mais preciosos, Wadou Ichimonji*.
– Entendo... Acho que eu também não teria como pagar por ela. Está avaliada em quanto?
– Vinte milhões de berries. – responde Nami.
– Uau. – exclama ela, colocando-a de volta na bainha. – E essa?
– É a Shuusui*. Eu a adquiri numa luta. Também é uma Meitou. – falo. – É uma das vinte e uma Wazamono. O maior atributo da Shusui é a sua dureza. Mesmo se um dinossauro passar sobre ela, a lâmina não se dobra um milímetro.
– Seu antigo dono?
– Samurai Ryuuma do Reino Wano. – respondo. Tashigi, depois de admirar a cor preta na lâmina, coloca-a de volta no balcão.
– E a na sua mão? – pergunta ela. Quando estende a mão para pegá-la, tiro-a de seu alcance. – O que foi?
– Eu prefiro que você não toque nesta. É a Sandai Kitetsu*. – falo, tirando-a da bainha. – Ela é uma das Wazamono e é extremamente sedenta por sangue. Quando eu a empunho, sinto uma coisa diferente. É como se ela realmente fosse amaldiçoada. Sinto sua presença.
– Hm...
– Quando queremos cortar, ela corta. Quando queremos só defender, ela corta também. – explico. – E a sua?
Ela tira sua Katana da cintura.
– Esta é a Shigure*. – apresenta. Estendo a mão para experimentá-la, e ao empunhar, sinto que é uma boa espada.
– Uma Wazamono. – concluo. — É uma ótima espada.
Vejo-a guardar a lâmina com cuidado.
– Então? Vai querer alguma? – pergunto.
– Bom, eu vinha em busca de uma Wazamono Saijo*, mas acho que vai ser meio difícil encontrar. – brinca ela.
– A única que já experimentei foi a Kokutou Yoru*, a mais afiada do mundo. É realmente uma lâmina poderosa. – solto.
– Certo. – fala, olhando as katanas expostas. – Eu quero aquela.
Sigo seu dedo e vejo uma das Ryou-Wazamono.
– É a Kashu*. – diz Nami. – Zoro, pegue para ela.
– Você não manda em mim. – respondo, e recebo um cascudo. – Eu pego.
Alcanço a espada e entrego-a.
Depois de pagar, Tashigi pega a espada de minha mão.
– Uma coisa que eu quero perguntar: vocês estão admitindo? – pergunta.
– Não oficialmente. Você gostaria de trabalhar conosco? – pergunta Nami. Tashigi responde com um sorriso gigantesco.
– Sim.
– Certo. Está contratada. – falo, bocejando.
– Assim? Sem entrevista, nem nada? – pergunta ela.
– Depois de tudo o que conversamos, eu não preciso de entrevista nenhuma. – respondo. – Você pode começar amanhã.
– Amanhã você traz o número da sua conta bancária e a sua agência. E não se esqueça dos dados para preencher o contrato. – fala Nami. Tashigi assente, sorrindo.
– Até amanhã! – despede-se, saindo da loja. Solto outro bocejo.
Um silêncio se segue, e percebo que Nami está me olhando de um jeito suspeito.
– Que foi? – pergunto.
– O que achou? Ela é bonita, vocês gostam das mesmas coisas... – começa.
– Não. Nem vem. – corto. Sem chance, Nami. Não tenho cabeça para pensar em qualquer pessoa além dele. – Ela é idêntica à Kuina. Sem chance. Nem pensar.
– Está bem, está bem. – fala. Ela apoia os cotovelos no balcão e o rosto nas mãos. – Então? O que você e o Sanji-kun fizeram depois do hospital?
Fodeu.
– Hm... Nós almoçamos. – falo, nervoso e gaguejando um pouco. – E fomos num clube à noite. Só.
– Entendi... – responde, desconfiada. – Bom, é horário de almoço. Pode ir.
– Ok. Volto às 14:00. – aviso, saindo da loja.
Procuro pelo restaurante que gosto e entro, já alugando minha mesa. Pego meu celular dentro da roupa.
Deslizo o dedo pela tela e procuro por “Ero-Cook”, nos contatos.
Ele demora exatos quatro toques para atender.
– Moshi Moshi?
– Ohayo*. – respondo.
– Quem fala? – pergunta. Ouço barulhos por trás da ligação.
– Estou magoado por você não ter reconhecido a minha voz, Ero-Cook. – respondo, baixo. Ele demora alguns segundos para responder.
– Zoro. – murmura, suspirando em seguida. – Me ligou para pedir desculpas?
– Desculpas? Do que? – pergunto, confuso. – Eu não me lembro de ter feito nada errado.
– Aquilo que fez ontem à noite. À força. – resmunga. Consigo imaginá-lo corado, envergonhado.
– Eu e você sabemos que não foi à força, Sanji. – respondo, rindo um pouco. – Você estava quente.
– Não estava. – responde, e eu rio mais.
– Onde você está? – pergunto. Em seguida, junto o telefone à boca. – Quero te encontrar.
Ele demora mais alguns segundos para responder.
– Estou trabalhando. – fala.
– Qual é o restaurante? – pergunto.
– Não vou te falar, esperto. Tenho muitos pedidos. – responde, e eu suspiro.
– Okay. Bom trabalho, Ero-Cook. – encerro, desligando a chamada.
Em seguida, ligo para a Nami.
– Que foi, encosto? – pergunta, impaciente.
– Quero o endereço do restaurante do Sanji. – falo.
– Você não vai chegar lá nunca. – responde. – Eu te levo. Venha até o estacionamento.
– No seu carro? – pergunto.
– É. Você paga o abastecimento depois.
– Não. Eu te sigo com o meu, espertinha. – proponho, e ela aceita.
Minutos depois, estou seguindo seu Veloster Prata. Paramos num estacionamento caro: doze dólares meia hora.
– Eu tenho que pagar em dólares? Que merda é essa? – pergunto, pelo telefone.
– É o melhor restaurante de Tóquio, Zoro. Queria o quê? – pergunta ela, passando direto pela entrada. – Bom, estou indo. Bom almoço!
– Obrigado por me trazer. Cuide da loja! – peço, desligando o celular. Entro com o carro no estacionamento e coloco-o numa vaga, deixando a chave com o manobrista.
Atravesso a rua e admiro a fachada do restaurante, incrivelmente fino demais para o meu gosto. Entro no lugar e uma mulher me recepciona.
– Mesa para um? – pergunta ela.
– Não. Para dois. – respondo. Ela me leva até uma mesa e me entrega um livro de poucas páginas.
– O Menu. Aceita uma taça de champagne?
– Aceito. Obrigado.
Assim que ela sai, percebo que virei o centro das atenções do lugar. Não se pode mais usar roupas tradicionalmente japonesas, no Japão? Fodam-se vocês.
Pessoas ricas, vestidas com roupas chiques e frescurentas. O restaurante também não foi projetado para receber pessoas vestidas como eu, apesar de a recepcionista ter sido muito educada. Parece um restaurante europeu. E não duvido nada que grande parte dos fregueses realmente sejam estrangeiros.
Há alguns músicos tocando música clássica num pequeno palco, junto com seu maestro e smokings.
Quando o garçom chega e me serve a taça, a música para e o maestro vai ao microfone.
– Boa tarde. – cumprimenta, recebendo algumas respostas. – Hoje é segunda-feira, e temos um evento semanal. Deem as boas vindas ao nosso Chef!
De repente, todos começam a bater palmas e, vindo cozinha, Sanji sobe no palco com facilidade. Ele toca o braço do maestro, que lhe passa o microfone.
Sua roupa está diferente. Está vestindo uma coisa branca com muitos botões, além de uma calça também branca. Parece aqueles cozinheiros de filme, só que sem o chapéu. E é claro – seus óculos escuros não saem do rosto.
– Boa tarde. – cumprimenta. Sua voz ecoando pelos autofalantes faz várias mulheres soltarem gritinhos espalhafatosos. – Meu nome é Sanji, e eu sou o Chef.
Mais palmas e gritinhos.
– Gostaria de agradecer a todos por terem escolhido este restaurante hoje, e espero que apreciem a refeição. – começa. – Honestamente, ficaria honrado se todos se servissem do nosso champagne. Para alegria geral, é cortesia da casa.
Risadas e mais palmas.
– Se quiserem fazer alguma pergunta sobre a comida, estarei satisfeito em responder.
Uma mulher levanta a mão.
– Por favor, Senhorita. – fala ele. Como ele sabe que ela levantou a mão? – Muito bonita, por sinal.
Algumas pessoas riem.
– Eu gostaria de saber se é verdade que o caviar é afrodisíaco! – diz ela, e Sanji sorri de um jeito exageradamente sedutor.
– Sim, é verdade. Caviar, assim como as ostras, wasabi, baunilha e a maioria dos temperos que uso, são afrodisíacos. – responde, causando algumas risadinhas. – Dizem ser “afrodisíaco” tudo o que melhora o desempenho sexual e o caviar – que é uma enorme fonte de energia benéfica, além de rico em fósforo — é também um ótimo estimulante para os nervos genitais. Se quiser saber, seus efeitos são ainda mais fortes quando ele é ingerido com vodka.
Levanto a mão, e neste momento, percebo que o maestro toca em seu ombro. Provavelmente para avisar se é homem ou mulher.
– Sim?
– Você disse que o efeito é mais forte com vodka. – começo, e percebo que ele ficou surpreso por ouvir minha voz. Dou continuidade à minha provocação. – Com sakê também serve, certo?
Ele hesita.
– Sim, com sakê é ainda mais forte. – começa. – Mas quase ninguém aguenta beber algo tão forte, puro. Claro, há algumas exceções.
Deixo um sorriso malicioso tomar meu rosto e assinto.
Depois de mais algumas perguntas insinuantes vindas das mulheres, Sanji decide puxar uma delas para dançar valsa, o que faz com que vários outros casais se levantem.
Depois de um tempo, já terminei de comer e começo a beber muito champagne.
– Senhor, você passou do limite de taças grátis. – avisa o garçom.
– Quantas já foram? – pergunto.
– Doze. – responde.
– Não é minha culpa. Esse negócio não tem gosto. – falo, e o garçom sorri.
– Perdão, não trabalhamos com sakê. – responde, e eu dou de ombros.
– Sem problemas. – falo. – Eu gostaria de falar com o Chef. Quero elogiar a comida.
– O Senhor quer conhecer a cozinha? – pergunta ele, e eu nego com a cabeça.
– Não, não precisa. Eu gostaria que o Chef viesse ao meu encontro. Pode ser? – pergunto.
– Eu vou verificar sua disponibilidade. Com licença.
Assinto e começo a acariciar o cabo da Wadou com a ponta dos dedos, uma de minhas manias mais idiotas.
Vários casais ainda rodam na pista, na valsa mais chata que já ouvi na minha vida.
– Você não tem o que fazer, Zoro? – pergunta, se sentando na cadeira à minha frente.
Sanji apoia os cotovelos na mesa e cruza os dedos em frente ao rosto.
– Sim, tenho. – respondo. – Bom, eu vim aqui para saber se você se lembrou de aplicar a injeção.
– Já apliquei, sim. – avisa, suspirando. – Faça o favor de ir cuidar dos seus assuntos.
Ignoro sua grosseria.
– E os cigarros? – pergunto. Seu sorriso desaparece. – Ero-Cook, você fumou?
– Não é da sua conta, me deixe em paz. – manda, se levantando. Levanto-me junto e agarro seu braço. Uso minha outra mão para tirar seus óculos.
– Prefere me dar os cigarros ou quer que eu saia te apalpando até achá-los? – pergunto, baixo. – Eu não ligo se estivermos em público, sabe?
Sua expressão muda totalmente, e ele parece irritado.
– Devolva meus óculos. – pede, e coloco sou acessório de volta no rosto cuidadosamente. – Venha comigo.
Sanji me guia até o vestiário, onde há vários armários. Ele encosta as costas na parede, respirando fundo.
– Ero-Cook. – chamo. Vejo que o lugar está vazio e seguro seus ombros. – Não fume. Lembra? O Chopper disse que faz mal.
– O Chopper disse que muita coisa faz mal, Zoro. – argumenta. – Eu devo deixar de aproveitar a vida por causa disso?
– Não. – respondo, imediatamente. – Só que desse jeito, você não está curando a diabetes. Está só controlando-a.
Ele não responde.
– Sanji, você realmente quer enxergar?
– Sim, claro.
– Então não deixe essa doença tomar conta de você. Faça com que ela desista de você e vá embora. Ganhe essa guerra. – motivo-o.
– Eu estou tentando... – responde. – Mas... É difícil. Eu fumo desde os treze anos, Zoro. Eu sou tão acostumado ao cigarro, que não consigo mais viver sem. Ele me distrai.
Passo as mãos no rosto, procurando uma solução. Não adianta. Não consigo pensar em nada.
Tiro seus óculos e pouso a mão em seu rosto, mergulhando no azul límpido de seus olhos.
– Eu acredito em você na sua determinação. – falo. – E sei que, algum dia, poderei olhar para você, e você vai estar me olhando de volta.
Colo minha testa na sua e sorrio.
– Isso foi muito gay. – resmungo, rindo de mim mesmo. – Desculpe. Venha cá.
Passo meus braços ao seu redor e abraço-o.
– Isso sim, é gay. – reclama ele, correspondendo meu abraço. Em seguida, solta um sussurro que mal consigo ouvir – Tudo por causa dessa sua atitude esquisita.
– Disse alguma coisa?
– Não. – responde, e eu o solto.
E uma felicidade me possui quando uma ideia brota em minha mente.
– Sanji, eu tenho um ótimo substituto para os seus cigarros. É saudável e você vai se distrair muito rápido. – falo.
– Ah, meu Deus. Lá vem. – resmunga, mal-humorado – O que é?
Levo minha mão até seu pescoço e deslizo maus dedos até sua nuca, onde os infiltro em seus cabelos. Levanto seu rosto com a outra mão.
– Eu. – respondo, com os olhos vidrados em seus lábios. – Se vicie em mim, Ero-Cook.
– C-Como é? – gagueja, com as mãos em meu peito. Ele está tentando me empurrar. – No que você está pensando, Zoro!?
– Estou pensando no seu bem. – respondo, sorrindo maliciosamente. – Claro que vou tirar minhas casquinhas, óbvio.
– Eu não sou uma mulher, caso você não saiba. – fala, tão ignorante quanto antes. – E não quero ser tratado como uma.
– Eu sei, e não pretendo te tratar como uma mulher. – asseguro, descendo minha mão até seu peito. Começo a desabotoar sua roupa. – Com mulheres eu sou completamente... “Receptivo”.
Sanji suspira quando ponho a mão sobre sua camisa. Tiro o casaco branco e jogo no chão.
– O que quer dizer? – pergunta.
Encosto minha boca em seu ouvido.
– Eu vou usar toda a força que outro homem pode suportar. – asseguro, sentindo seus arrepios contra as palmas de minhas mãos em seu peito. Guio meus dedos até o primeiro botão, devagar. – Mas antes de qualquer coisa...
Encosto meus lábios em seu pescoço e faço uma leve pressão.
– Eu preciso saber uma coisa importante. – falo, com a voz mais séria que consigo.
– O quê? – pergunta, irritado.
– Fez o que eu pedi? – pergunto.
– Não me faça pergunta “o que é” outra vez. Seu lerdo. – responde, alimentando minha provocação sem perceber.
– Comparou meu beijo com os outros que recebeu ontem à noite? – pergunto, e por um momento, ele fica sem resposta. Então, seu rosto assume o familiar rubor de vergonha.
– Mas o que... – começa, engasgando sozinho. – Pare de me zoar! Qual é o seu problema!? Quer saber? Pode me soltar.
– Não. – falo, sorrindo. – Responda.
– Não.
– Ero-Cook, responda. – repito.
– Me obrigue. Babaca. – retruca, acendendo um fogo a mais dentro de mim.
Abraço sua cintura e aperto-o sem muita força.
– Se você responder, eu te solto. – falo, e ele para de se debater.
– Devo acreditar nisso? – pergunta, e eu assinto.
– Claro. Eu nunca mentiria para você. – falo. Sanji suspira e pigarreia, corando em seguida.
– Ontem, eu... – começa. Por algum motivo, ele desvia os olhos para longe de meu rosto. – Não senti vontade de beijar mais ninguém.
Seu sussurro é tão baixo que mal consigo ouvir.
– O quê? Não entendi nada. – falo, confuso. Vejo Sanji se irritar mais ainda.
– Eu disse que, ontem à noite, não senti vontade de beijar mais ninguém. – repete, rude. – Satisfeito? Agora me solte.
– Não. – respondo, feliz.
– Como assim!? Você disse que...
– Eu disse que ia soltar, mas não disse quando ia soltar. – eu digo, encostando nossos narizes.
– Você é um canalha. Mentiroso da porra. – reclama, tentando me empurrar.
– Uhum. Como se eu me importasse... – murmuro, capturando seus lábios com os meus.
Sanji continua tentando me empurrar, mas para quando aperto seu corpo em meus braços. Puxo seu lábio superior, moldando sua boca com a minha. E então, Sanji abre espaço entre os dentes, deixando-me sentir sua língua.
Ele agarra minha roupa e inverte nossas posições, encostando-me na parede. Sinto suas mãos subirem por meu tronco até o pescoço, e ele segura meus cabelos, tomando o total controle da situação.
– Não vai me dizer nada? – pergunta, no meio do beijo. Dou-lhe um selinho longo.
– Não. Eu até gosto. – respondo, tirando-lhe um sorriso malicioso. – E parece que você também.
– Eu não disse que gosto. – fala. Com meus braços já ao seu redor, coloco minha perna direita entre as suas, sentindo sua quase-ereção com a coxa.
– E nem precisa. Seu corpo é honesto. – respondo.
Quando vou beijá-lo novamente, ouço a porta do vestiário se abrindo e várias vozes misturadas.
Rapidamente Sanji abre a porta de um armário de ferro e me empurra para dentro, pegando seu próprio casaco no chão. Então, ele se enfia na minha frente e nos tranca.
– Que ideia genial foi essa? – ironizo, num sussurro.
– Tinha alguma melhor? – pergunta. Pelas três aberturas na porta de ferro, consigo ver o que se passa do lado de fora. Pelo menos seis homens entraram e estão envolvidos em suas trocas de roupas.
– É o fim do expediente? – pergunto.
– Não. Esses devem ser os garçons do turno da tarde. Estão começando o expediente. – explica.
– Ah, entendi. – continuo olhando pelas frestas e, ao visualizar meu próprio ombro, percebo que, na hora que ele me empurrou para dentro do armário, rasguei minha roupa. – Ótimo.
– O quê foi?
– Rasguei meu kinagashi. – falo.
Olho para ele e suspiro, analisando nossa situação. Estamos um de frente para o outro, minha perna esquerda no meio das suas. Entre nós dois, há um espaço de mais ou menos cinco centímetros.
– Até que sua ideia não foi tão ruim, Sanji. – elogio, subindo minhas mãos por sua camisa. Termino de desabotoa-la e deslizo-a por seus ombros, deixando-o nu da cintura para cima. – Realmente, não foi ruim.
– O que você está pensando em fazer? – pergunta, apreensivo.
Coloco um dedo sobre seus lábios.
– Sh. Só... Sinta. – falo, relembrando o que disse na noite anterior. – Feche os olhos.
Ele faz o que peço.
Coloco minhas mãos em seus ombros e começo as descê-las devagar, passando por seu peito e costelas, até a barriga. Subo-as novamente e, sorrindo por antecipação, belisco levemente um de seus mamilos.
Sanji morde o lábio inferior e aperta meu braço. Aproveito seu momento de fraqueza e me inclino para frente, dando uma boa chupada em seu pescoço.
– Ei! – sussurra, repreendendo-me. Belisco o outro e mordo seu ombro ao mesmo tempo. – Hm...
– Tente não fazer barulho, Ero-Cook. – sussurro.
– Falar é fácil. – murmura, encostando a cabeça na parede do armário. – Merda, minha cueca...
– Sua cueca? – pergunto, divertindo-me. Merda, estou tão duro...
– Está apertada... – murmura, ofegando um pouco.
Essa oportunidade... Ah, Sanji. Você não perde por esperar.
– Vou dar um jeito para você. – aviso, desabotoando sua calça. Ele segura minha mão, quase desesperado.
– Ei, Zoro! O que você...
– Vou fazer o que você quer que eu faça. – interrompo, já enfiando a mão dentro de sua cueca.
Seguro seu pênis e abaixo sua cueca, o suficiente para libertá-lo.
– Estou com calor. – murmura, com a testa em meu ombro.
– Imagino. Estamos num lugar muito apertado. – respondo, começando os movimentos com a mão, bem devagar.
Segundos depois intensifico um pouco os movimentos, aumentando também a força.
– Zoro... Espera... – pede, mordendo a pele do meu pescoço. – Hm...
– Está bom? – pergunto, sentindo-o estremecer.
– Cale a boca. Não fale. Não posso ouvir sua voz. – sussurra, e uma onda de confusão invade minha mente.
Entre mais gemidos em meu pescoço, entro em meu modo pensador.
– Sanji... – sussurro. – A minha voz te excita!?
– Eu não... Disse isso... – sussurra, com o rosto corado.
– Interessante... – murmuro, sorrindo por dentro.
Os movimentos ficam mais lentos e eu, sorrindo, mordo sua orelha.
– Ero-Cook, você é muito sexy. – murmuro, deixando minha voz sair completamente rouca.
– Cale a boca... Haa! – geme, e seus dentes se afundam em meu ombro. Aumento mais uma vez a velocidade da minha mão. – Eu estou...
Sua respiração se torna cada vez mais forte.
– Isso. Goze para mim. – sussurro. Tiro seu rosto de meu ombro e beijo-o, fazendo-o chegar ao ápice.
– Droga. – sussurra, arfando.
– Você sujou minha roupa. – falo, rindo.
– Depois de tudo o que você fez... — começa, mas se interrompe para respirar. – Acha que eu vou me desculpar ou coisa parecida?
Ele começa a se vestir novamente, mas se interrompe outra vez.
– Sanji?
– Eu estou passando mal. – sussurra. – Preciso de ar.
Olho pelas frestas da porta. Afinal, quanto tempo passamos aqui dentro? Uns cinco minutos?
– Parece que não tem mais ninguém aqui. – falo, já normalizando minha voz.
– Ótimo. Deixe-me abrir... Merda. Quando a gente bate a porta desse armário, ele tranca por fora. – fala. – O que nós vamos fazer?
– Não se preocupe. Eu arrebento essa porta rapidinho. – respondo. – Só um segundo.
Uso o peso do meu corpo e empurro a porta com força, de um vez só. Ela se amassa e estoura o trinco.
– Pronto. – aviso, já saindo do armário. Sanji sai em seguida. Vejo-o vestir sua camisa e o casaco.
– Você é muito folgado. – reclama.
– Você gosta desse folgado. – afirmo. Ele fica tão erótico corado assim...
– Além de folgado, é convencido. – responde, emburrado. – Eu vou voltar ao trabalho. Os outros cozinheiros devem estar enlouquecendo sem mim.
– Boa sorte. – desejo. – E obrigado pela sobremesa, se é que me entende.
Sanji suspira, põe os óculos e se dirige para a porta. Ainda corado, vira o rosto na minha direção.
– Se você seguir nesse corredor, vai sair pela entrada de funcionários, na rua ao lado.
E então ele sai rapidamente, deixando-me sozinho .
Merda. Eu ainda estou duro, sabia?
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