Um Amor Complicado.

5 Capítulo 5 - Provando-o.


Notas iniciais
Yoooo! Nossa, gente! Quase enlouqueci quando eu vi que o Nyah! estava fora do ar! Mas que bom que voltou tudo ao normal, né? hihihi ^...^ Agradecimentos à Raquel Ohara, Yan, Lillyan Thais, Tamy, Janaina Silva, Sogequeen, Hagu, Mya Albarn, Natalia Full, OzZynhA, asamichan, Mokocchi, JkUchiha e Evellyn Wendy Taylor. Amei os reviews de cada uma de vocês! Obrigada, suas lindas! *-----* Quanto ao capítulo... Já que Nyah! ficou fora do ar e não tive como postar, deixei ele um pouco maior que o normal. Espero que não se importem, kkkkkkkkk. Acho que é isso. Sem mais delongas, o capítulo! Boa leitura! *---*

Capítulo 5

– Como você sente ao saber que você pode ver cada detalhe de mim, mas eu não posso fazer isso com você? – pergunta ele, e eu solto seu rosto, suspirando em seguida. Sento-me ao seu lado.

– Você não vê, mas enxerga. – falo, fazendo um nó em meu próprio cérebro. – Não, não foi isso que eu quis dizer... Ou foi?

– Zoro, você se enrola muito. – fala, rindo um pouco. Olho para seu rosto e vejo que seus olhos estão “focados” em mim.

– Hm... Como eu posso dizer... – começo, encarando seus olhos incrivelmente límpidos. – É como se o fato de você ser cego ajudasse a não criar um preconceito seu para com as outras pessoas. Você primeiro conhece as pessoas, para depois pensar se elas são boas ou ruins. Resumindo, não tem como você levar em conta a aparência de ninguém. Se você se apaixonar algum dia, vai ser pelo que realmente importa.

– Certamente. – murmura, olhando para outra parte do quarto. Seu olhar fica vago de repente. – Antes de fazer o almoço, tenho que aplicar a insulina.

– No braço? – pergunto.

– É. Mais ou menos nessa dobra aqui. – responde, tocando a dobra oposta ao cotovelo. – É onde eu pego as veias mais grossas.

– Não é mais fácil aplicar pelo pulso?

– Seria. As veias do pulso são mais fáceis de pegar, mas são mais finas. Então, se eu tentar furar uma delas, vou acabar arrebentando-a. Eu pego a mais grossa porque também é mais fácil de sentir. – assume.

– Você faz sozinho? – pergunto, curioso. Ele se levanta e vai até a escrivaninha, abrindo a primeira gaveta. Vejo-o pegar um elástico bem forte.

– Normalmente sim, mas a Nami-san briga muito comigo. Ela diz para eu pedir para ela, que não tem perigo de meu braço ficar roxo depois. – responde, sorrindo para si mesmo.

Sanji pega uma seringa nova dentro da gaveta e tateia por outra caixa. Ao encontrar, ele tira um vidrinho de dentro, também lacrado.

Resolvo fazer alguma coisa.

– Posso amarrar o elástico? – pergunto.

– Sabe, eu não sou um incapacitado.

– Eu sei disso. Só estou querendo ser legal, já que você vai me dar um almoço grátis. – falo, e ele assente e me entrega o elástico, que amarro um pouco acima da dobra do braço, apertado.

– Vai querer me furar também? – pergunta, irônico.

Ah, ele me diverte.

Sorrindo um pouco, ponho a mão na sua nuca, cobrindo a parte de trás de seu pescoço.

– Eu levanto quase meia tonelada de aço por dia. – falo, e aperto sua nuca suavemente. – Acha mesmo que eu tenho algum talento para furar alguém com uma coisa tão delicada quanto uma seringa?

– Cuidado. Musculação demais faz atrofiar o pau, sabia? – pergunta, devolvendo a provocação.

– Sou uma exceção muito forte, neste sentido. – respondo. – Quer experimentar?

Merda. Falei besteira outra vez.

– Cale a boca e me fala onde a veia está mais saltada, Kuso Kenshi*. – contorna.

Sorrindo um pouco, toco a veia.

– Aqui. – indico. Ele tira a seringa de dento do pacote, encaixa a agulha, e, em seguida, enfia a agulha dentro do vidro com a insulina. Quando o líquido está todo dentro da seringa, ele põe o objeto sobre a escrivaninha outra vez.

Depois de limpar o braço com algodão e álcool, ele finalmente injeta o remédio.

– Quando eu tirar, quero que você segure o algodão limpo aqui, bem forte. A agulha é grossa, e tem perigo de o sangue começar a escapar.

– Certo.

Faço o que pede, e sua feição muda um pouco. Ele parece realmente incomodado.

– Que foi?

– Eu gostaria de poder fazer tudo isso aqui sozinho, sem causar problemas para ninguém. Mas... Acho que cada um sabe o peso que sustenta.

– No seu caso, é um peso bem pesado. – respondo, e ele sorri, assentindo em seguida.

– Certo. Isso tudo aqui vai para o lixo. E agora, eu vou preparar o almoço.

– Deixa que eu jogo fora. Você pode ir para a cozinha. – falo, recebendo seu aceno de cabeça positivo.

Caminho até o banheiro e jogo todo o lixo hospitalar na pequena lixeira, ao lado do vaso sanitário. O banheiro, de louça branca e completamente limpa, também combina com ele.

Saio dali e suspiro o ar do quarto. Tudo nessa casa cheira a Sanji. É uma tentação completa para meus sentidos.

– Sanji, o que você tem para beber? – pergunto, chegando à cozinha.

– Cerveja, vinho, sakê, refrigerante, água e suco. – responde, mexendo alguma coisa na panela.

– Acho que vou beber vinho. – falo. – Faz tempo que não tomo, e não quero nada forte.

Abro a geladeira e encontro uma garrafa verde escura.

– Safra de 1972. – fala, ainda mexendo com a comida. Não faço a mínima ideia do que ele está fazendo.

– Caramba. Não sei o que você está fazendo com um vinho tão velho. Joga isso fora, Sanji. – falo. Ele começa a rir, de repente. – Que foi?

– Você é muito burro, Zoro.

Hã?

Por quê?

– No mundo dos vinhos, quanto mais velho for, maior a qualidade e o preço. – responde.

– Sério? – pergunto. – Qual é a lógica disso? Eu não vou beber um negócio vencido. Quanto você pagou?

– Não me lembro, mas foi caro. – responde. Analiso o vinho e tiro a rolha, cheirando-o levemente.

– Engraçado. Tem cheiro de vinho tinto normal. – falo. – Vou beber essa merda, vai. Me empresta um copo?

– Tem taças nesse armário. – responde, tocando o armário sobre sua cabeça. – Pode pegar.

Coloco a garrafa sobre a mesa de jantar e troco alguns passos até chegar ao armário. Estico-me e alcanço a porta, por trás do cozinheiro.

– Zoro, não encoste essa coisa nas minhas costas. – fala, e percebo que estou me inclinando sobre seu corpo.

– Não se preocupe. Não estou duro ou qualquer coisa parecida. – respondo, alcançando a taça. – Vai querer?

– Pensei que a sua “missão” era não deixar eu beber. – fala.

– Na verdade, minha “missão” era não deixar você se esquecer da injeção. Se você já aplicou, então não faz mal. Certo? – pergunto. – E não precisa encher a cara.

– Eu te acompanho. – responde, e eu assinto. Coloco vinho em dois copos e encosto meu corpo na pia, quase sentando sobre o gabinete.

– Vai demorar muito? – pergunto.

– Ah, não enche. Vai assistir um pouco de televisão, mexer no Facebook, sei lá. – fala. Analiso-o. Provoco ou não provoco? Merda, eu não aguento ele. O jeito que ele me trata, mudando o tempo todo... É muito interessante.

Ero-Cook, você jánamorou? – pergunto, sem rodeios.

– Sim, claro. – responde. – E a propósito, sou muito bom nisso.

– Como sabe? – pergunto.

– Todas as moças que namorei...- começa, fazendo uma leve pausa. – Se sentiam muito bem quando estavam comigo.

– Você fala de um jeito muito cavalheiro, Sanji. – falo, rindo. – Você quis dizer que elas se sentiam bem na transa?

– Confio no meu taco. – responde, convencido.

– Aposto que confia. – falo, bebendo mais um pouco do meu vinho. – Mas sentir é diferente de ver a coisa toda. Quando se trata de mulheres, podemos considera-las... Máquinas eróticas. Tudo no corpo delas é capaz de excitar você.

– Sim. – responde. – A maciez, o cheiro, o gosto...

– Cuidado com a ereção. – murmuro, rindo baixo.

– Que implicância. Aposto que você deve ficar duro mais rápido que eu. Por isso fica enchendo meu saco. – fala.

Tecnicamente sim, mas você não precisa saber disso.

– Você não sabe o que está perdendo. – murmuro. – Se você pelo menos quisesse enxergar, poderia ver tantos tipos e estilos de mulher...

Suspiro, bebendo mais um pouco.

– Zoro? – pergunta ele. Percebo que parou de mexer a comida.

– Hm?

– Eu quero enxergar. Quero ver! – declara, e eu sorrio um pouco.

– É assim que se fala. – murmuro mais uma vez. – Ero-Cook, eu sou agnóstico, como já te disse. Acredito que as pessoas fazem a própria força. Transforme a sua curiosidade em força e fé.

– Uau, que inspirador. – zomba ele, rindo. – Mr. Sheakspeare.

– Quem? – pergunto. – Está falando do... Romeu e Julieta?

– Esquece. – responde. – Obrigado pelo apoio.

– De nada. – respondo. Meu celular começa a tocar e eu enfio a mão no bolso para pegá-lo, deslizando o dedo sobre a tela. – Mihawk?

– Roronoa, o que você está fazendo?

– O que você acha que eu estou fazendo no meio do dia? – pergunto. Ele fica em silêncio. – Vou almoçar, Mihawk.

– Imaginei. Hoje é dia de quê?

– Hoje é dia de natação. – respondo, contando mentalmente minhas outras atividades físicas. – Porquê?

– Eu queria sair para beber um pouco de Whisky. – responde.

– Certo. – respondo, imaginando o tédio que vou suportar.

Minha mente se ilumina com uma possibilidade de divertimento.

– Mihawk, eu vou levar um amigo. – falo. – Kuro Ashi no Sanji.

– Você o conheceu como? – pergunta. – Que eu saiba, ele luta com as pernas. É quase impossível vocês terem se conhecido por meio dos esportes.

– Foram a Nami e a Robin. – respondo, e ouço sua risada alta.

– Sempre essas duas. Bom, até mais. – fala, e desliga na minha cara.

– Que puto! – xingo.

– Ele me conhece? – pergunta o louro, já começando a arrumar a mesa.

– Sim. Sinta-se honrado. Mihawk só se lembra de quem é realmente forte. Os fracos, ele simplesmente apaga da memória. – falo, andando até a mesa de jantar.

Sanji coloca várias panelas sobre suportes na mesa, e um festival de aromas deliciosos invade meu nariz.

– Como você conseguiu cozinhar tudo isso em tão pouco tempo? – pergunto, olhando para toda aquela comida maravilhosa.

– Sou um profissional. Só isso. – responde, se sentando ao meu lado. Encho sua taça com mais vinho, e faço o mesmo com a minha.

Sirvo-me e mastigo a comida com cuidado, sentindo cada gosto individualmente.

– Ero-Cook, isso é incrível. – elogio – Sem dúvida, é o melhor curry que eu já comi.

– Claro que é. – responde, e eu reviro os olhos.

– Eu quero propor um brinde. – falo, pegando minha taça.

– Agora? – pergunta ele. – Mas nós já bebemos...

– E daí? O que vale é a intenção. – argumento, fazendo-o rir. – Quero brindar à sua nova fé.

De repente, o sorriso em seu rosto some e este é tomado pelo familiar rubor de constrangimento.

– Você é sempre assim? – pergunta.

– “Assim”? Como?

– Atencioso com as pessoas. – explico.

– Não. Eu sou normal. Só gosto de ver meus amigos bem. – respondo, dando de ombros. – E apesar de ser um desgraçado, você é um cara bacana.

– Sabe... Tecnicamente, nós nos conhecemos há umas 16 horas. – diz ele.

– E daí? Eu não preciso de mais tempo do que isso para saber se quero ser próximo de uma pessoa ou não. Que besteira, Sanji. – respondo. – Vai brindar ou não?

– Vou.

Batemos as taças e tomamos alguns goles.

Minutos depois...

Que pessoa normal fica alterada com quatro taças de vinho?

Seu rosto avermelhado e os sorrisos fáceis são os primeiros sinais de sua embriaguez.

– Zoro... – chama, sua voz já um pouco arrastada. – Você é gay?

– Não. – respondo, mudando a TV de canal. – Pelo menos, não que eu saiba. Por quê?

– Você parece ser um cara que gosta do prazer propriamente dito, mas não se importa com o sexo. – fala.

– No sexo, eu gosto de mulheres. Mas se um dia eu me apaixonasse por algum homem, não me importaria. Afinal, é amor. – respondo, bebendo mais um pouco de sakê.

Estou começado a me sentir meio tonto. Acho que já bebi umas seis garrafas de sakê, e mais aquela de vinho. Estou com sono.

Sentado ao meu lado, Sanji se estica e coloca os pés sobre a mesa de centro. Termino a garrafa e me recosto, começando a pegar no sono.

Então, ouço-o enfiar a mão no bolso.

Num reflexo, seguro sua mão e coloco um pouco de meu peso sobre seu corpo, assustando-o.

– Sanji... – sussurro. – Não fume. Isso fede.

– Você pesa. – fala, ignorando-me.

– Você está bêbado. – respondo.

– Não. Estou só um pouco tonto. Rá. E por “tonto”, quero dizer que não estou conseguindo localizar muito bem as coisas.

– Não. Você está bêbado. – contrario, e vejo sua expressão de irritação.

– Você é muito chato, Zoro! – exclama, me empurrando.

Suspiro, relaxando no sofá.

– Sobrancelha de Bigode. – xingo.

– Ah, agora eu te pego! – ele grita, e de repente, se joga em cima de mim. O sofá tomba para trás e nós dois acabamos caindo de costas. Minhas pernas ficam jogadas para cima e Sanji está agarrado em meu pescoço.

– O que você pensa que está fazendo? – pergunto, entediado.

– Só... Propondo alguma diversão. – fala, rindo. – Né, Zoro... Vamos brincar de Judô?

– Hã? Está maluco? – pergunto, sincero. – Eu não tenho 12 anos, Sanji.

– E desde quando idade é desculpa para não se divertir? – pergunta ele. Olho para seu rosto e fico preso em seu sorriso de rosto corado. É cativante e ao mesmo tempo triste.

E eu sou um desgraçado por ser persuadido por um bêbado maluco e tarado, mas não vou dizer “não” a ele.

– Está certo. – cedo. Meu sangue já se enche de adrenalina. – Mas eu vou considerar isso uma competição de força. Beleza?

– É assim que se fala! – responde. Ele se levanta e estende a mão, puxando-me.

Em pé, me alongo.

– Onde? – pergunto.

– Eu vou arrastar essa mesa aqui. – responde, começando a empurrar o joelho. Porém, ao fazer um pouco de força, ele cai para frente, de cara na madeira.

Sua risada divertida ecoa em meus ouvidos.

– Ah, merda. Eu caí! – fala ele, rindo mais ainda. – Eu estou completamente bêbado, cara...

– É, percebi. – respondo. – Deixa que eu tiro essa mesa daí, vai.

Também estou um pouco bêbado, mas não é suficiente para me fazer cambalear. Só estou... Feliz demais.

Pego a mesa e levanto-a facilmente, tirando da sala e colocando-a perto da mesa de jantar.

– Pronto.

– Você... Levantou essa mesa? – pergunta.

– Levantei. – confirmo. – Por quê?

– Essa mesa é muito pesada, Zoro. É madeira maciça. – responde, e depois de alguns segundos, dou de ombros.

– Nada demais.

– Certo... – murmura, hesitando. – Vamos lutar aqui, no tapete.

– Entendi. – respondo, ficando do lado oposto ao seu. – Devemos começar juntos?

Seu sorriso se alarga.

– Sim. – respondo, dobrando um pouco os joelhos. – Vamos apostar alguma coisa?

– Se eu ganhar, você me conta o seu maior segredo. Se você ganhar, pode fazer o que quiser comigo. – proponho.

Ele fica sério, de repente.

– Claro que n... – começa, mas se interrompe. Então, um sorriso travesso ganha seus lábios. – Okay. Vamos nos divertir.

– É assim que se fala.

– Preparado? – pergunta.

– Sim.

Então, quando pisco os olhos, Sanji me agarra e quase me leva ao chão.

O que foi isso? Velocidade da luz? Puta que pariu!

– Oi, oi. Você é muito precoce, Ero-Cook. – brinco, abraçando-o num aperto forte. Seguro-o pelas costelas, sentindo seu corpo tão quente quanto o meu.

– Eu vou ganhar, Zoro. – sussurra em meu ouvido, o que me causa uma série de arrepios até a base das costas. Acabo me concentrando na sensação e ele consegue me levar ao chão, num golpe rápido e decisivo. – E a primeira rodada é minha!

Merda. Se eu não lutar sério, vou acabar perdendo. Tenho que desconsiderar sua fraqueza. Ou melhor... Acho que ser cego já não lhe é uma fraqueza há muito tempo.

Ele sai de cima de mim e se apruma, sorrindo alegremente. Levanto-me também e limpo um pouco do suor que se acumulou em minha testa.

– Certo. A próxima é minha. – declaro, arrancando minha camiseta.

– Só que não. – responde. – Acho que esses seus músculos são só enfeite, afinal de contas.

– Na vida, eu aprendi a não subestimar adversários. É uma ótima dica para você, Sanji. – respondo. – Vamos para a próxima?

– Claro.

Avanço em sua direção, enquanto ele faz o mesmo. Acabamos novamente abraçados e, dessa vez, aperto-o com um pouco mais de força. Pele contra pele. Droga, isso é um problema.

Para acabar logo, tenho sucesso em lhe dar uma rasteira, e ele cai de costas no tapete macio.

– Ei! Isso não foi um golpe de judô! – reclama, rindo. Ele me solta e eu me sento sobre seu corpo.

– O que importa é o divertimento. – respondo. Em seguida, me abaixo até a altura de seu ouvido.

– Zoro?

– E mais uma dica: não sussurre desse jeito no ouvido de um homem em abstinência e faminto por sexo. Idiota. – murmuro. Solto um suspiro. – Não crie problemas para mim, Ero-Cook.

Sento-me novamente e focalizo seu rosto, vendo-o extremamente corado, envergonhado. Saio de cima de seu corpo e me sento no tapete.

– Zoro.... Isso quer dizer que... – começa, gaguejando um pouco. – Você está excitado?

– Sim. Mas não estou duro. Ainda. – asseguro, observando suas reações. Ele se senta.

– Desgraçado. – responde. – Mas eu não estou muito diferente. Você lembra do efeito que a bebida causa em mim, certo?

– Sim.

– Eu gostaria de poder fazer agora. – solta, encostando a parte de trás da cabeça no sofá.

Minha mente começa a imaginá-lo se masturbando, com o rosto corado, o cabelo meio bagunçado, a respiração descompassada, aqueles gemidos deliciosos escapando por seus lábios...

– E porque não faz? Nós dois somos homens, sabe? – pergunto, apenas brincando.

Ele pensa por uns cinco segundos.

– Tem razão. Tem razão! – responde, e eu me assusto. Era brincadeira. Ah, espera. Ele está completamente bêbado. Não entenderia que eu estou brincando.

Vejo Sanji começar a abrir as calças e abaixá-las. Só de cueca, posso ver o contorno de seu corpo, agora coberto só por uma peça.

– Sanji, espera...

– Sh! Cala a boca! – manda, tampando minha boca com a mão. – Eu preciso de concentração, matraca.

Calo-me diante de sua embriaguez e viro uma espécie de estátua.

Ele suspira e, de olhos fechados, desliza a mão direita lentamente do peito até o começo da cueca, tocando-se por cima dela. Sanji começa a soltar algumas respirações mais pesadas e lentas.

Merda. Não dá. Não posso vê-lo fazer isso. Pelo menos, não fora de si desse jeito.

– Ero-Cook, chega. – falo, segurando sua mão ativa. – Pare com isso. Você está bêbado.

– Não me perturbe. – pede. – Não use essa voz perto de mim... Não agora.

– O quê?

– Cala essa boca, Zoro. – suplica. – Eu posso bater punheta em paz?

– Não. Não pode. – respondo, completamente ciente do que pode acontecer se eu realmente vê-lo fazer isso.

– Por quê? – pergunta, abrindo os olhos e direcionando-os a mim.

Observo aqueles olhos e seu profundo azul. Olhos inocentes das coisas horríveis que podem existir no mundo, mas também privados de todas as belezas. Perco todo o ar de meus pulmões ao perceber sua guarda extremamente baixa e os lábios levemente entreabertos por conta da respiração pesada, além do rosto corado de excitação.

Tiro minha mão da sua e seguro seu rosto, tempo o suficiente para apenas encostar nossos lábios levemente.

– Por isso. – respondo, num sussurro apreensivo. Merda. Merda. Merda. Merda. – Se você continuar, eu vou te foder. Com muita força.

Me afasto dele e vejo-o abrir os olhos, focalizando-os em mim.

E então, só tenho tempo de sentir o impacto em minha bochecha esquerda. Caio para trás, atordoado. Ainda com a perna um pouco levantada, ele se recupera do chute.

– Saia da minha casa. – pede, sério como nunca vi antes. – Agora.

– Ero-Cook...

– Agora! – exclama, e eu me levanto, segurando o rosto.

Solto um suspiro longo, andando em direção à porta. Eu e meus impulsos maravilhosos. Que porra. Eu sou muito idiota.

Por algum motivo, não quero sair. Sinto que, se eu abrir aquela porta e sair dali, nunca mais vou voltar a conversar com ele desta forma. Não quero... Deixá-lo sozinho, sem ninguém.

– Não tenho culpa se você me deixa tão excitado, Ero-Cook. Como você acha que eu me sinto? Você é um homem, e mesmo assim, eu sou mais atraído por você do que por qualquer outra mulher, na minha vida inteira.

– Eu não ligo de você se sentir atraído por mim. – fala, se firmando nos próprios pés. — Eu não quero que você chegue perto de mim, com essa sua voz. Não quero que você me abrace, não quero sentir o calor do seu corpo, não quero sentir seu cheiro... Porque quando você chega perto de mim, eu me sinto bem. E é por eu me sentir bem, que é estranho. Eu não me sinto assim perto de homens.

– Então, o que...

– E é por isso que eu estou pedindo para você sair. – diz ele, interrompendo-me. – Eu gosto de mulheres.

– Eu também gosto de mulheres. – afirmo.

– Só... Saia. – pede, fechando os olhos. Assinto e abro a porta.

– A sua camiseta está no sofá. – aviso. – Até mais, Sanji.

Saio para o corredor e fecho a porta atrás de mim. Aperto o botão para chamar o elevador e, quando entro, começo a me xingar mentalmente por ser equivocado.

– Você é adulto, Zoro. Se controle. – murmuro, sozinho. – Espera um pouco...

Começo a pensar em nosso curto diálogo.

“Não quero que você me abrace, não quero sentir o calor do seu corpo, não quero sentir seu cheiro... Porque quando você chega perto de mim, eu me sinto bem.”

Sorrio com minha própria conclusão. Posso estar sendo precipitado, mas...

– Ele se sente como eu? – pergunto a mim mesmo, cruzando os braços em frente ao corpo.

Quando chego ao térreo, entro no saguão e saio do prédio, à procura do meu carro.

–----X-----

À noite...

– Amanhã é segunda-feira, Roronoa. – fala Mihawk, insistindo para eu parar de beber.

– Dane-se. Eu quero ficar bêbado. – respondo. Meu rosto está ardendo, por causa da bebida.

– Certo. Só que para isso, você precisa beber o estoque inteiro do bar. – diz ele. – Se bem que... É, acho que você já está totalmente fora de si.

– Tem certeza? – pergunto. – Eu só me sinto meio tonto, alegre.

– Para você estar tonto e alegre ao mesmo tempo, você tem que estar muito bêbado. – observa, e depois de considerar, concordo. – Eu nunca te vi desse jeito. Aconteceu alguma coisa?

Até parece que vou te contar. Você vai me atormentar pelo resto da minha vida.

– Encontrei uma pessoa da qual meu corpo não quer desgrudar. – encurto. Normalmente, eu não diria nem isso. Mas como estou bêbado, então...

– Ela te rejeitou? – pergunta.

– Sim. – respondo.

– Entendi. Então, tenho o lugar perfeito para irmos. – declara, se levantando. Deixa o dinheiro em cima da mesa e chama o garçom, dando-lhe uma gorjeta. – Vamos, Roronoa.

Levanto-me também, dando os primeiros passos. Tenho uma leve tontura e me apoio na parede.

– É, eu devo estar muito bêbado. Estou quase caindo.

– Imagino quem seja a pessoa que te deixou assim.

– Cala a boca. Vamos logo para esse lugar que você disse. – falo, me ajeitando e andando para fora do bar. – Onde é?

– Não adianta eu te explicar. – responde. Ei!

Mihawk me guia até a parte “escura” da cidade.

– Nós vamos num clube? – pergunto, curioso.

– Sim. Mais especificadamente, o melhor da cidade. – fala. — Acho que você está precisando.

Ele me leva até um beco escuro e bate numa porta de aço. Quando é aberta, vejo uma escada comprida e um segurança gigante.

– Boa noite, senhor. Por favor, aproveite. – diz ele.

– Obrigado. Venha, Roronoa. – chama. Sigo-o e nós dois subimos as escadas.

Ao chegar ao estabelecimento, fico surpreso com a grandeza do lugar. Mulheres e mais mulheres fazem danças sensuais usando um poste como base (o Sanji saberia o nome dessa dança). Elas usam somente roupas bem pequenas, e há várias delas também circulando pelo salão.

Porém, há um pequeno detalhe: também há homens. Em quantidade menor, alguns homens tiram a roupa, coisa que eu evito olhar.

– Mihawk, você me trouxe num clube bissexual? – pergunto, e ele ri. – Só pode ser zoeira.

– Não é só um clube bissexual. Também é um clube de Hosts. – responde, e eu suspiro.

– Melhorou alguma coisa? – pergunto.

– Bom, divirta-se. Você pode usar as mãos, olhos, boca, qualquer coisa. Pode até pagar para ter sexo num dos quartos. – explica. – Mas você precisa estar pronto para ir embora às duas horas, no máximo.

Assinto e ele se separa de mim. Em segundo, perco-o de vista.

Ando até o bar e peço mais álcool, bebendo mais ainda. Começo a observar as mulheres que dançam nos postes. Certo. Eu deveria estar excitado com isso, mas não consigo parar de pensar na cena que o Ero-Cook me proporcionou, na sala do apartamento.

– Ah, merda. – murmuro. Então, passo meus olhos pelo clube. Encontro velhos gordos e magros, além de muitos tarados tentando tirar vantagem das dançarinas.

E é quando, por uma fração de segundo, passo os olhos por cabelos louros inconfundíveis. Procuro-o novamente e encontro Sanji rodeado de mulheres, usando óculos escuros e uma roupa simples, completamente básica. Sendo mais específico, camiseta, calça jeans e tênis.

Levanto-me, deixando o copo sobre o balcão. Com dificuldade, tento passar pelo mar de pessoas que se estende entre mim e ele. Quando estou quase chegando, fico estático.

Sanji está com a boca moldada nos lábios de uma das mulheres, num beijo profundo e bem longo.

Filho de uma puta.

Com mais alguns passos, chego ao meu destino. Toco no ombro de uma das mulheres, pedindo passagem.

O beijo termina, e ele não percebe minha presença. Me seguro para não agarra-lo ali mesmo e mostra-lo como se beija de verdade.

– Com licença. Ero-Cook? – chamo. Ele se assusta um pouco. – Então... Você é um Host?

– Não devo satisfações da minha vida a você, Zoro. – responde, o que acende uma raiva dentro de mim.

– Ótimo. – respondo. Puxo o dinheiro do bolso da calça e entrego-lhe. – Eu quero um tempo com você num dos quartos. Agora.

Ele assente, devagar. Em seguida, devolve meu dinheiro.

– Não preciso disso.

– Melhor ainda. – respondo, sem deixar de sorrir minimamente.

– Venha. – chama, e agarra meu braço. – Zoro, você está bêbado.

– Depois do que aconteceu hoje, você queria que eu estivesse o quê? Feliz?

Não recebo resposta.

Em instantes, estamos numa suíte, quase tão grande quanto a de seu apartamento.

– Então? O que você tem para me dizer? – pergunta, fechando a porta.

– Você é um grande filho da puta, Sanji. – solto. Ele tira os óculos e joga na cama. Então, agarra a minha camisa.

– Não ouse xingar a minha mãe.

– Ah, você está irritado? – pergunto, sarcástico. – Se coloque na minha situação.

– N-Não sei do que você está falando. – responde, soltando-me.

– Vou refrescar sua memória. – aviso. – Hoje eu te dei um selinho e você chutou minha cara.

– Isso é normal.

– Sim, é. Só que você estava beijando uma mulher que conhece há três minutos. Você sabe se ela tem HPV*? Ou... Sei lá, Sífilis*? – pergunto. – Irônico, não?

– Eu beijo quem eu quiser! – grita, com raiva. – A vida é minha!

– Chega a ser até engraçado. – falo. – Você rejeitar um selinho meu, mas trabalhar num clube bissexual, onde com certeza recebe muitas propostas para vir a esses quartos.

– Eu sou um Host, não um prostituto. – fala. – E sim. Eu já recebi propostas de homens, mas nunca encostei em nenhum deles, e nunca deixei nenhum encostar em mim. Eu jamais deixaria alguém tocar em mim como você fez quando estava me ajudando a tomar banho.

– Ajudando a tomar banho? – pergunto. – Espera... Você se lembra daquilo!?

Seu rosto cora por inteiro, e ele vira o rosto.

– Droga.- murmura, e um sorriso se estende em meu rosto.

– Sanji, você é um ótimo mentiroso. – elogio. A raiva que sentia antes se esvaiu completamente.

– Eu não menti. Eu realmente não me lembrava. –confessa. – Mas minhas memórias voltaram depois de eu ter desmaiado, por causa da febre.

– Então, você se lembra de tudo? – pergunto. Ele assente. – Então se lembra que ficou me tocando, não é?

– Aquilo não foi intencional! – exclama, e eu rio.

– Ah, cacete. Estou completamente bêbado. – falo. – Você é tão fofo.

– Não me chame de fofo! – manda, já desferindo um chute. Desvio e seguro sua perna, puxando seu corpo para perto de mim.

– Desculpe. – murmuro. Usando um pouco de força, encosto suas costas na parede.

“Não quero que você me abrace, não quero sentir o calor do seu corpo, não quero sentir seu cheiro... Porque quando você chega perto de mim, eu me sinto bem.”

– Zoro, o que você... – começa. Calo seus lábios com um beijo leve. Ótimo. Nenhum chute.

– Sh. Só... Sinta. – sussurro. Pouso minha mão em seu pescoço e seguro sua nuca. Com o braço esquerdo abraço sua cintura, juntando-nos.

– Não... Zoro... – murmura. – Eu não quero.

– Seu corpo está me dizendo outra coisa. – respondo, sentindo sua pele quente sob a camiseta.

Vencendo sua resistência, grudo nossos lábios mais uma vez. Não recebo resposta.

– Sanji, se você não me beijar agora, eu vou fazer uma maldade bem grande com você. – aviso. Beijo a linha de seu maxilar e desço para seu pescoço, mordendo-o. Com a mão direita levanto a barra de sua camisa, sentindo sua barriga com meus dedos. Deslizo a mão até suas costas. — Quer sentir a maciez da cama? Faço questão.

– Você é um filho da puta. – fala. Sinto sua mão subir por minhas costas e segurar meus cabelos.

Sorrio e volto ao seu rosto.

– Eu nunca disse que não era. – respondo.

Aperto-o ainda mais contra mim e beijo-o, conseguindo um espaço para chupar seu lábio inferior levemente. E para minha surpresa, Sanji começa a corresponder.

O desejo que me possui é avassalador.

Deslizo minha língua por entre seus lábios, encontrando a sua. Provo seus lábios o máximo que consigo, além de mordê-los levemente uma vez ou outra. Aproveito para abraça-lo, sentindo seu corpo por inteiro.

Ele faz o mesmo, passando os braços por meu pescoço. Inesperadamente, Sanji, solta um gemido. Aprofundo ainda mais nosso beijo, deslizando minha língua com a sua. Sua língua... Tão bom de beijar...

– Zoro, espera... – geme, interrompendo. Troco sua boca por seu pescoço, dando-lhe um chupão forte. – Espera um pouco...

– Uhum... – murmuro de volta, sentindo a pele macia com meus lábios. Aproveito para dar alguns beijos longos naquela pele macia, sentindo também seu gosto e o cheiro de seu perfume.

– É sério... – geme, apertando meus cabelos entre os dedos. – Zoro!

Recebo seu empurrão e focalizo seu rosto, percebendo seus lábios totalmente vermelhos e inchados. Ele está ofegante e até um pouco suado.

– Estou completamente duro. – comento. Ele tenta se recompor. – E parece que você também.

– Cale a boca. – manda – Isso é normal, dada as atuais circunstâncias.

– Que bom que você sabe. – respondo.

– Agora, vá embora. Eu tenho que trabalhar. – pede.

– Certo. – respondo. Seguro seu rosto novamente. – Mas não antes disso.

Beijo-o novamente, fazendo uma pressão um pouco mais forte contra sua boca.

– Não se esqueça de comparar esse beijo com os outros que você ganhar hoje, Ero-Cook. – murmuro.

– Você é muito convencido.

– Vou te ligar. – aviso, saindo dali.

Certo. Acho que não vou conseguir pensar em mais ninguém, a partir de hoje.

Notas finais
HPV: HPV ou Papilomavírus humano (Human papillomavirus) é um vírus de transmissão preferencialmente sexual, considerado como a DST (doença sexualmente transmissível) mais freqüente no mundo. São vírus da família Papilomaviridae, capazes de induzir lesões de pele ou mucosa, as quais mostram um crescimento limitado e habitualmente regridem espontaneamente por ação do sistema imunológico. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV, dos quais cerca de 45 infectam a área ano-genital masculina e feminina. A transmissão do HPV se faz por contato direto com a pele ou mucosa infectada. A maioria das vezes (95%) são transmitidos através da relação sexual, mas em 5% das vezes poderá ser através das mãos contaminadas pelo vírus, objetos, toalhas e roupas, desde que haja secreção com vírus vivo em contato com pele ou mucosa não íntegra. Sífilis: A sífilis é uma doença de transmissão sexual causada pela bactéria Treponema pallidum. Esta bactéria penetra no organismo através das membranas mucosas, como as da vagina ou da boca, ou então através da pele. Horas depois chega aos gânglios linfáticos e em seguida propaga-se por todo o organismo através do sangue. _____________________________________________________________________________ Então, finalmente! KKKKKKKK' Eu já não aguentava mais, e parece que o Zoro também não, né? KKKKKKKKKK' Eu vi um conjunto de três imagens no tumblr e resolvi fazer uma montagem rapidinho, juntando as três. Olha só que coisa mais linda esses dois! Piro muito! >///////< https://24.media.tumblr.com/802a31c772af6e126928dd4ac0a3860b/tumblr_n67jf4ADp61spqmxco1_1280.jpg A gora que eu percebi, mas... Até que parece um pouco com a cena que escrevi, kkkkkkk. Qualquer semelhança é mera coincidência, juro pra vocês! kkkkkk Enfim. Espero que tenham gostado! O próximo pode demorar um pouco pra sair, pois é fim de bimestre e eu sempre fico mergulhada em estudos. É isso. Pessoal, até o próximo! Adoro vocês demais! *-----*