Um Amor Arranjado
6 Uma História Desconhecida
Notas iniciais
Mas não era um livro. Era um simples caderno de anotações que continha uma aparência velha e apresentava-se empoeirado. Sakura abriu o caderno, deixando cair três fotos, que logo chamara sua atenção. Em uma delas encontrava-se uma família sorridente. Havia uma moça incrivelmente bela. Seus cabelos eram lisos e pretos, sua pele clara contrastava com seus olhos castanhos, seu sorriso era contagiante. Aparentava estar em uma fase de gravidez, enquanto repousava suas mãos em sua barriga. Abaixo da moça, havia um garoto bonito demais para uma criança, sorria de forma exagerada enquanto segurava a mão de um homem alto. A outra foto o garotinho estava sentado ao lado da mesma moça da primeira foto. Sakura logo reconhecera aqueles olhos âmbares. Sentiu-se mal por bisbilhotar a vida de seu jovem marido, porém sua curiosidade era tamanha, não pôde se conter. Segurou firme a terceira foto que caíra, observando cada detalhe. Diferente da primeira imagem, nesta não se encontrava nenhum sinal de felicidade. Pôde observar o crescimento do garotinho, porém em seus lábios não havia nenhum sorriso. Sakura despertara-se da triste imagem do garoto, reparando na ausência da bela moça. No lugar da mulher esbelta, encontrava-se um pequeno bebê no colo do rapaz. A ausência do homem também fora notada, causando um reboliço nos pensamentos da jovem cerejeira.
– O que está fazendo? – Questionou a senhora fitando Sakura.
– Nada. — Sussurrou a jovem para a senhora á sua frente. – Não devia ficar bisbilhotando a vida do vosso senhor.
– Sinto muito, é que… – Abaixou a cabeça, tentando justificar seu ato. A senhora apenas bufou. – É governanta? – Questionou Sakura. – Sim, trabalho aqui há anos. – Respondeu a senhora aproximando-se. – Poderia me dizer quem são? – Perguntou Sakura apontando para as fotos. – É a família Li. – Falou como se fosse óbvio. – Oh. Poderia me dizer quem é essa moça?
– É a senhorita Yelan Li, mãe do vosso senhor, Shaoran, seu marido. – Disse. Sakura assentiu fixando seus olhos nas fotos. A senhora hesitou um pouco, mas falou. – És uma jovem teimosa. Cuide-se, esta é uma família complicada. Há de fato pessoas perigosas envoltas. – Deu uma pausa reflexiva enquanto olhava para a jovem, — seu marido não responderá pelos seus atos. – Disse por fim, suspirando. Sakura engoliu essas palavras, enquanto refletia sobre acontecimentos inexoráveis dos últimos dias.
— Senhor Li, o que faremos quanto a este rapaz? – Questionou um dos seus funcionários. Shaoran contemplou o jovem á sua frente, deliciando-se com o desespero do mesmo. Passara longos segundos a pensar, mas logo dera sua resposta. – Mate-o.
Assim fora feito. O dedo do funcionário deslizou pelo gatilho, provocando um barulho aterrorizador. O jovem Li observou o acontecimento com desdém. – É uma pena. Não queria que ocorresse desta forma. – Disse fingindo certo pesar. Seus funcionários riram do comentário, ignorando o fato de encontrarem-se cobertos pelo sangue.
Já passara uma boa parte do dia. O céu demonstrava-se cansado, dando origem à escuridão total. Sakura encontrava-se sentada no sofá de sua nova casa. Como de costume, havia um livro em suas mãos, porém os seus pensamentos encontravam-se em três fotos que escondiam uma desconhecida história. Debilmente, balançou sua cabeça, afastando o seus pensamentos curiosos e procurando manter-se apenas na história que estava em suas mãos. Notara a ausência de seu marido. De fato o jovem chinês passara o dia fora, o que na verdade era um grande alívio para a jovem flor. O desconhecido a assustava, porém a tinha em mãos. Passaram-se horas e mais horas, Sakura questionava a si mesma o porquê de ainda encontrar-se na sala, talvez aguardasse a entrada de seu marido, porém a jovem fez uma careta ao pensar nesta possibilidade. Suspirou levantando-se do sofá, dirigindo-se ao seu quarto. Deitou na cama, dando espaço apenas a escuridão de um sono profundo em sua mente.
- Senhorita Sakura. – Disse a senhora, despertando a jovem. – Sim? – Questionou Sakura. A governanta estendeu sua mão, colocando um pequeno caderno de anotações no colo da jovem flor que o pegou de forma hesitante, o reconhecendo. – Fique.
- Tem certeza? – Perguntou Sakura insegura. – Tenho minha jovem. O guarde em um local seguro, leia-o todas as noites. Entenderás o teu marido. Sakura sorriu em resposta, agradecendo.
– Ah, me chame só por Sakura, por favor.
- Me chame por Chun, senhorita. – Disse a governanta sorridente. Sakura assentiu. – Boa noite, Sakura-chan. Seu marido chegará em breve. – Despediu-se Chun. Logo após a sua saída, a flor levantou-se rapidamente, escondendo o pequeno caderno embaixo do sofá próximo as janelas. Deitou-se novamente na cama, voltando aos seus sonhos.
Shaoran entrou em seu quarto, exasperado. A escuridão predominava no local, mas o escuro acalmava os seus olhos. Entregou-se a cama, da forma que estava. Sua roupa do corpo completamente suja, enquanto o próprio chinês estava impregnado com o cheiro de sangue.
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