Um Abraço

1 Um lindo começo.


Notas iniciais
Essa foi uma ideia que me apareceu de repente, e como é one-shot resolvi escrever postar. Espero que gostem.

-Argh.. eu odeio tanto vocês agora! – Gritei e bati a porta. Como.. como eles conseguiam estragar meu dia assim em apenas vinte minutos?! Eles são meus pais, deveriam querer o meu melhor e agora só consigo sentir raiva deles!

Desci do prédio e comecei a andar pelo condomínio. Eu morava num condomínio de classe média, era bem conceituado e meus pais como advogados decidiram que seria bom para a apresentação e reputação deles. É, tudo tinha que ser benéfico a eles. Enquanto andava comecei a cantarolar, peguei meu celular e coloquei meus fones bem altos, música sempre me ajudava a fugir da realidade. Continuei andando e achei um canto, bem distante de tudo, e decidi ficar lá. Era bem escondido então presumo que ninguém vai me incomodar ali. Eu não falo com quase ninguém do condomínio, mas mesmo assim, quando estamos triste, sempre tem alguém para nos incomodar. Eu sentei, abracei as minhas pernas e fechei os olhos, queria que tudo sumisse e que a calma viesse. A minha cabeça estava em conflito, lembrar ou não lembrar, eu queria lembrar para pensar em como confrontar eles depois, eu queria esquecer para não ter que chorar mais.

Decidi não pensar nisso, tentei aumentar o volume da música, mas os fones já estavam no máximo. Suspirei frustrada e ali fiquei. Acho que se passou uma hora, não tenho certeza, mas a bateria do meu celular acabou.

-Ótimo! – Murmurei. Era tudo o que eu precisava agora, o que eu vou fazer agora? Tombei a minha cabeça para trás e tentei pensar em nada. Não adiantou, tímidas lágrimas começaram a rolar pela minha face.

De repente sinto um par de braços acolhedores em volta de mim, não pensei duas vezes e me agarrei aquele abraço e comecei a chorar. Era tão acolhedor, tão convidativo, tão sereno.

Depois de uns minutos chorando me dei conta de que não conhecia o dono do par de braços.

-Oh.. me desculpe! – Falei me desgrudando da pessoa e limpando o meu rosto. Quando olhei quem era, não era ninguém que eu conhecia, na verdade me era familiar, mas eu me lembraria do nome desse anjo se eu o conhecesse. Ele deu um sorriso de canto meio sem-graça. – P-Por que você fez isso? – Eu perguntei curiosa, bastante curiosa.

-Prazer. – Ele estendeu a mão – Finn. – Claro que burra! Ele vem me ajudar e nem me dou ao trabalho de me apresentar a ele.

-Ah.. sim. Prazer Rachel. – Estendi a minha mão também e ele levou até a boca depositando um leve beijo ali. Nossos olhares estavam vidrados um no outro.

-Hm, Rachel. Bonito nome. – E ele deu um sorriso muito fofo, senti minhas pernas fraquejarem, ainda bem que eu não estava em pé. O que eram aquelas covinhas?!

-Obrigado. – Falei e abaixei a cabeça envergonhada. Eu só sabia o nome dele e já me sentia tão íntima.

-E por que chora Rachel? – Finn perguntou calmo e sentando ao meu lado, encostando na parede.

-Por que meus pais são idiotas. – Falei com rancor.

-Não é bom falar assim, e eu aposto que eles não são. – Dei uma risada irônica.

-Você não sabe o que fala, não sabe o que aconteceu. – Falei dura.

-Bom, eu posso saber se a Srt. ..

-Berry. Rachel Berry.

-Hm, filha dos Berry’s. Enfim, eu posso saber se a senhorita Berry quiser me falar. – Ele olhou para o lado me encarando, eu olhava para frente.

-Bom, eu não sei se você realmente deveria saber disso. Mas.. enfim, acho que todos nesse condomínio sabem quem são o Sr. & Sr. Berry.

-Ér.. – Finn assentiu.

-Bom, todos sabem o que tem por fora. Grandes nomes na advocacia, quase insuperáveis juntos, tem tudo de bom e do melhor, essas coisas estúpidas. Mas não sabem que estão em crise dentro de casa. Eles brigam toda vez que estão no mesmo espaço, e de uns dias para cá eles.. – Mordi o lábio nervosa, não sei se deveria falar disso para um estranho. Finn segurou e apertou sutilmente a minha mãe me incentivando a continuar. – Ah, eles tem me culpado por eles brigarem tanto. Que o nervosismo de ter uma filha os deixa fora do normal e hoje eles me disseram que eu fui o maior erro na vida deles. – Minha voz falhou na última sentença. Más lembranças, não era justo da parte deles. E do nada me deparo chorando novamente. Finn não hesita em me abraçar de novo, dei uma risada dentre o choro.

-Você tem que parar de fazer isso. – Eu disse ainda abraçada a ele. – Você mal me conhece.

-Bom Rachel, posso não te conhecer totalmente ainda, mas eu sei que quando uma pessoa está triste, não precisa de presentes, e nem de palavras reconfortantes. Dizer que ‘vai ficar tudo bem’ nem sempre é o suficiente e na maioria das vezes não é verdadeiro. Mas um abraço, um abraço acolhe a pessoa e quando eu passei por aqui hoje e te vi encolhida chorando, eu sabia, eu senti em cada fibra do meu corpo de que você precisava de um abraço. – Finn disse olhando nos meus olhos e logo depois voltou a posição sentado ao meu lado olhando para frente. Ele parecia tão perfeito naquele momento.

-Você acha que vai ficar tudo bem? – Eu perguntei olhando para ele.

-Você quer que fique tudo bem? – Ele perguntou e depois olhou para mim. Nossos olhares se encontraram e foi mágico.

-Q-Quero. – Balbuciei.

-Então Rachel, faça que tudo dê certo. Eu acredito que vá conseguir,eu acredito em você. – Ele deu ênfase no final da frase. Ele se inclinou e deu um beijo na minha bochecha. Eu fiquei surpresa e absorta ao mesmo tempo, percebendo a minha reação Finn me deu um beijo demorado que era para ser na bochecha mas intencionalmente foi no cantinho da boca. Quando eu me dei conta, minhas mãos estavam na nuca dele o puxando para um beijo. Um beijo que eu nem sei direito da onde veio a vontade. Foi um beijo calmo, sem briga de línguas, apenas uma acariciando a outra, quando o ar faltou Finn finalizou o beijo com um selinho e abriu novamente aquele sorriso extremamente fofo que só ele sabia dar. Eu sorri de volta, ele levou a mão até o meu rosto e começou a acariciar, me puxou para seus braços, e me lembro de ter passado o resto da tarde nos braços do anjo que salvou o me dia.

Notas finais
Muito obrigada, e desculpa qualquer erro. ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!