Notas iniciais
Espero que gostem!

Preparamos o acampamento há pouco mais de uma hora, e agora que esta esfriando, todos foram dormir, exceto eu. Ultimamente tenho tido uns sonhos estranhos, e a insônia tem sido cada vez mais frequente.

Meu nome é Thalia, sou tenente das caçadoras de Ártemis há 1800 anos, desde que a antiga tenente, Zoë Doce-Amarga, morreu.

O mundo mudou bastante desde então. A terceira guerra mundial eclodiu no ano de 3027, destruindo cidades, às vezes países inteiros. Mas a guerra teve seu lado bom. A população diminuiu drasticamente, e não voltou a crescer. Isso resultou em um aumento de todas as florestas do mundo, o que deixaria Grover muito feliz. Mesmo depois de todos esses anos eu não esqueci nenhum rosto. Annabeth, Percy, Jason, Grover, Luke... todos eles ainda na memória. Se eu dissesse que eu não sinto falta deles estaria mentindo.

Estava tão envolta com meus pensamentos que quase não percebi quando um monstro entrou no acampamento. Era um monstro que eu não pude distinguir. Nunca havia visto um igual em todos os meus anos de vida, e que não foram poucos.

Ele tinha uma cabeça ofídia, com dentes afiados que saiam da boca. De sua narina saia fumaça, como se dali fosse sair fogo. O corpo era como o de um leão gigante, porém nas patas escamas começavam a aparecer, voltando à aparência ofídia. A besta devia ter no mínimo uns cinco metros de altura, e chegava a quinze da cabeça à cauda. Era comum agora encontrar novos monstros, também depois que todos os antigos voltaram a vida na guerra contra Gaia, não é de se estranhar.

Por reflexo, levei minha mão às costas e peguei meu arco e uma flecha. Preparei e atirei no meio da cabeça do monstro. Esperava que a flecha atravessasse a carne e que o monstro se dissipasse em pó, mas nada disso aconteceu. A flecha nem sequer deixou um arranhão. Disparei outra flecha mirando o coração. A mesma decepção.

Desta vez, a besta ficou furiosa e com sua cauda me acertou com um golpe que me lançou uns 20 metros de distância. Nesse momento, Ártemis e várias caçadoras saíram de suas tendas, e ao perceberem o que estava acontecendo pegaram os arcos e começaram a atirar. Como você já deve ter imaginado, não deu certo, nem mesmo Ártemis obteve êxito. A cada saraivada o monstro ficava ainda mais furioso, batendo nas garotas com a cauda e as chutando.

Levantei desnorteada, tentando bolar um plano, mas nada me vinha em mente. A besta começou então a soltar fogo pela narina, como eu havia imaginado que aconteceria. Nenhuma de nós tinha ideia do que fazer. Atirávamos sem motivo, mas era a única coisa que lhes restavam para fazer.

A besta soltou novamente fogo, e acertou uma garota que estava conosco há apenas cinco anos. Os gritos de dor dela enquanto sua pele queimava era horrível, até que eu não os ouvi mais. Soube ali que havia perdido uma caçadora.

“O que era aquilo? Uma mistura de Drakon com Leão de Neméia?” Pensei. E era o que realmente parecia. Espera, Leão de Neméia! É isso! Já lutei com um antes, há muitos anos atrás, ao Aldo de Percy, Bianca, Zoë e Grover. Tentei me lembrar de como haviámos matado ele.


Ouvi um grito de dor novamente. Vi alguém no chão; havia sido pisoteada. Outra caçadora que perdemos.

“O que foi que fizemos? O que deuses? O que?”, gritei aos céus, esperando que algum deles me ajudasse. Então me veio a resposta. Percy perfurou o Leão pela boca. Mas para aquele monstro uma flecha seria a mesma coisa que um palito de dente. E ele raramente abria a boca. Sua defesa estava no fogo que soltava pela narina, e na cauda. Então como iria matá-lo?

Peguei uma flecha, preparei e atirei bem no olho da besta. Ela se virou, mais brava do que nunca, e a flecha ainda presa no olho. Ela rugiu e caminhou até mim. Por sorte, já tinha outra flecha preparada e atirei na boca dele. Mas eu acabei descobrindo que não era só pela narina que ela era capas de soltar fogo.


Quando a flecha estava a centímetros da boca da fera, um jato de fogo saiu de sua boca, queimando a flecha. Fiquei paralisada. As coisas acabaram de se complicar um pouquinho.

Então alguma coisa chamou a atenção da fera. Uma flecha com um fogo prata, a flecha de Ártemis, pegou em seu ombro. Não a machucou, mas fez com que mudasse seu rumo. Ela começou a ir em direção à Ártemis, que protegia as novas garotas que não tinham mais de doze anos.

Ela olhou para mim, seu olhar estava confuso e com medo, pois nem mesmo suas flechas conseguiam feri-la.

A fera estava chegando perto delas, e como tenente eu tinha que protegê-las. Comecei a correr em direção a elas. Acho que nunca corri tão rápido na minha vida. Ultrapassei a besta e fiquei ao lado de Ártemis, esperando que ela chegasse mais perto.

– Foi uma honra servi-la minha Senhora. – Disse com o olhar fixo naquele monstro desprezível.

– Espere Thalia, o que você vai fazer? — Perguntou Ártemis. Normalmente ela não faz isso, mas dessa vez deixou o desespero estampado em sua voz.

Nem mesmo respondi. A fera chegou perto, e tudo que eu precisava naquele momento era que ela abrisse a boca. Levei a mão em meu cinto, onde até hoje guardo minha lança (que raramente uso) e a peguei.

Ela passou de um cilindro prata para a lança. Eu a apontei para a besta, e a lança soltou um raio pela ponta. O raio atingiu-a no peito e ela deu um rugido de dor. Aproveitei esse momento para chegar mais perto e lancei outro raio. Desta vez, a besta fez o que eu precisava. Ela investiu com a boca aberta contra mim, como se fosse me engolir.

Deixei a lança preparada com a ponta para cima, e assim quando ela fechou a boca ao meu redor, eu espetei-a no céu da boca. Começou a ficar quente, e então um jato de fogo saiu de sua garganta e me atingiu, mas não antes deu lançar outro raio por dentro do monstro. O raio atingiu o cérebro dele e o matou. A última coisa que pude ouvir foi Ártemis gritando meu nome.

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Encontrava-me na frente de Minos, Éaco e Radamanto, os três juízes do Hades. Eles me encaravam com semblante em dúvida, fazendo o que tinham que fazer... me julgar.

– E então... O que me dizem? – Perguntou Éaco.

– Lutou em duas grandes guerras, sempre leal, e teve uma morte honrosa. Defendendo sua superior, Ártemis, e também suas inferiores, as caçadoras. – Respondeu Radamanto.

– Pois bem... – foi a hora de Minos falar. Ele daria o julgamento final. Estava paralisada por medo da resposta, mas foi o que eu esperava. – Eis o meu julgamento. Elísios.

Respirei aliviada se é que isso era possível. E foi quando me caiu a ficha. Caramba! Estou mesmo morta! Depois de tanto tempo...

Radamanto se levantou e me guiou para um portal. Assim que ele se abriu, fui contemplada pela mais bela visão da minha vida. Era realmente um paraíso. Grama verde, flores, rios de água tão cristalina que apenas sei que tem água por causa do reflexo nela.

– Seja bem vinda Thalia. – Radamanto se virou e foi embora, de volta para a “mesa de julgamento”.

Comecei a caminhar pelo Elísio, analisando tudo, inclusive as pessoas e meus olhos pararam em uma delas.

Juro que se eu não estivesse morta, eu morreria. Ele estava de costas sentado à beira do rio, mas eu reconheceria aqueles cabelos loiros em qualquer lugar, em qualquer tempo. Caminhei até ele e pousei a mão em seus ombros. Ele se virou.

Seus olhos azuis se arregalaram de espanto ao me ver. Ele me analisou da cabeça aos pés, com um sorriso se formando em seu rosto. Como senti falta desse sorriso. Ele não possuía mais a cicatriz no rosto; acho que a morta apaga as marcas.

Ele se levantou e me abraçou. Um abraço rápido infelizmente.

– Thalia! Eu... eu não acredito que... Faz tanto tempo que não...

Ele não conseguia terminar nenhuma frase. Por emoção creio eu. Eu não sei se isso é possível, mas os meus olhos, assim como os dele, estavam lacrimejando de alegria.

– Luke, o que você ainda faz aqui? Se você veio para os Elísios, por que não foi embora, ressuscitou? Já se passaram mais de mil anos e você ainda está aqui.

– Quer saber por que nunca fui embora? – fiz que sim com a cabeça – Porque eu sabia que mais cedo ou mais tarde você iria morrer. Triste, mas é a verdade. E eu sabia também que nenhum você viria para o Elísio, então eu resolvi... esperar você. Queria pedir desculpas por todas as decepções que lhe causei. E te ver é claro. Quando Zeus te tranformou em pinheiro, eu não soube o que fazer. Passava horas ali embaixo, conversando com você. E essa foi uma das maneiras que eu arrangei para falar com você, sem o risco de nos matarmos. Então, me perdoa?

Ele me olhava com aquele olhar travesso que eu tanto adorava. Como eu poderia dizer não?

Naquele momento, os votos à Ártemis não tinham mais importância alguma, então resolvi jogar tudo para os ares e fazer o que eu sempre quis fazer.

– Claro que perdoo! – disse dando um beijo nele (Sim, duas almas podem se beijar).

Foi sem duvida a melhor sensação da minha vida, não... calma! Eu não estou mais viva. A morte conta como vida? AH, enfim, tê-lo naquele momento apenas para mim, não tem preço. Não havia necessidade em recuperar o fôlego, estávamos mortos. Afastamos-nos apenas depois de um longo tempo.

– Sabe Thalia, eu esperei mais de 1000 anos só para te ver de novo. E quer saber, valeu muito a pena.

Nos beijamos novamente.

Não iria embora daquele lugar tão cedo. Passaria um bom tempo com ele, a pessoa que eu sempre amei.


Notas finais
Obrigada por ler! Deixem review!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!