Um Último Suspiro

29 Capítulo Final - O Fim do Começo


Notas iniciais
Desculpa a demora pra postar esse capítulo, andei tendo alguns problemas para resolver e uma grande falta de criatividade, esse será, talvez, o mais comovente que já escrevi, portanto, espero que gostem.

E peço desculpas novamente pela demora ^^'

Toda minha vida passou diante de meus olhos... O zumbi na praça... A morte de Roberto... Quando encontramos Léo e Mônica... Quando encontramos Aléxia e... E quando eu pude beijar os lábios de Carol... Espero que ela fique bem... Espero que todos em Keryon fiquem bem... O chão está ficando mais próximo, sinto um alívio nos ombros e no peito... Será isso a paz?

Logo tudo escurece e eu ouço um grito, parecia com Carol. Eu me sentei e vi que estava em meu quarto, Carol estava de pé na frente de minha porta com uma arma apontada para mim, eu não pude entender o que estava acontecendo até olhar para baixo... Vi meu corpo tomado por completo por uma pele verde e estranha, em meus braços haviam enormes bolhas amareladas que pulsavam e eu sentia como se tivessem três corações batendo dentro de meu peito... Carol arfava de medo e eu me levantei, minha cabeça tocou o teto e tive que me dobrar para ficar de pé ali dentro... Eu estava muito mais alto do que o normal...

Quando me pus de pé, Caro gritou e atirou contra mim, as balas acertavam minha pele e a queimavam, a dor era mínima mas, por medo, empurrei ela para o lado e corri para fora dali... Todos os sobreviventes... Todos os soldados... Todos ali olhavam para mim e corriam de medo... Eu podia ouvir os passos dos soldados ecoando de um lugar distante, precisava chegar no elevador... Mais rápido do que nunca corri antes, fui até o elevador, me deparando com dois soldados desavisados ali... Joguei os dois para o lado e acionei o elevador... Enquanto subia recebi uma saraivada de tiros em meu corpo, um passou zunindo por cima de minha orelha...

Logo que sai do elevador me encontrei na escuridão da cidade... Senti o elevador começar a descer e sai dali, correndo pela rua... Sabia que não tinha outra escolha além de fugir e fugir... Eu me transformei num monstro e eles iriam me matar... Mas eu estava consciente ainda... O que eu sou agora?

Corri sem parar por um único instante até que comecei a me sentir cansado... Podia ver tudo naquela escuridão, então resolvi entrar num prédio abandonado e já saqueado... Subi pelas escadas e, sentindo um extremo cansaço nas pernas, cai com o rosto no chão... Senti algo quente se esvair de mim e, ao olhar, vi que era uma gosma estranha... Aos poucos as bolhas em meus braços se estouravam, liberando um pus que corroía o chão, a pele verde se descascava e saia de mim, mostrando minha pele pálida a luz da lua... Minha visão se escurecia e, lentamente, se acostumava com a escuridão... Sentia dores por todo meu corpo, principalmente onde as balas haviam me acertado... Arfante e dolorido corria novamente escadas acima, ainda deviam ter 3 ou 4 andares para subir mas eu já não aguentava mais correr... Entrei na primeira porta que encontrei e me vi num pequeno apartamento abandonado, com as janelas quebradas e sangue no chão, e corpos também... Vi um sofá e um armário ali e tentei puxar e colocar os dois na frente da porta... Os soldados devem ter ouvido o barulho dos móveis se arrastando pois ouvi um tiro do lado de fora, informando que eles estavam em frente ao prédio... Eles provavelmente iriam me matar, mesmo eu estando na 'forma humana', por isso preciso escrever tudo o que vi e vivi nesses meses... Corri por todo o apartamento, procurando algum tipo de caderno e caneta quando ouvi um barulho que fez meu coração parar de bater... Ao olhar para trás vi que os corpos caídos estavam se levantando... Eles grunhiam e se viravam na minha direção, eu não tinha nada para me defender além de minhas mãos nuas... A porta estava bloqueada e o único jeito de fugir seria pular pela janela...

Talvez tenha sido o destino ou pura sorte mas, ao olhar pela janela, via que a varanda era conectada com a varanda do apartamento vizinho... Sem pensar duas vezes corri por ali e disparei na direção da porta... O prédio devia estar infestado pois, nesse apartamento novo, haviam outros dois ou três zumbis que se levantavam conforme eu corria. Quando sai do quarto voltei a subir as escadas, e me lancei na primeira porta entre-aberta que vi. O apartamento estava vazio agora e, na mesa de centro, vi vários cadernos e lápis e canetas... Peguei eles e me sentei com as costas coladas na porta, não devia ter tanto tempo assim pois ouvia os grunhidos dos zumbis já perto e o som de portas sendo abertas com tiros alguns andares para baixo... Esse diário talvez me deixe ficar distraído até eles chegarem aqui...

Devo ter demorado alguns minutos, ou talvez horas, para escrever apenas metade do que eu queria quando ouvi os grunhidos se aproximarem, eles pararam em frente a porta em que eu estava, prendi minha respiração e continuei a escrever, mais rápido agora... Logo eles se afastaram de onde eu estava, talvez tenham resolvido procurar em outro lugar por mim... Os tiros estavam mais perto de onde eu estava e logo eu ouvi gritos e mais e mais tiros, os zumbis que estavam atrás de mim estavam mortos agora... Mas não era razão para eu ficar despreocupado...

Continuei a escrever, ouvi os passos lentos e cautelosos dos soldados andarem pelo corredor e pararem em frente o apartamento em que eu estava... Rezei para Deus por apenas mais alguns minutos, apenas para eu terminar de escrever o diário, o primeiro, último e único diário da minha vida... Logo ouvi um deles assoviando mais para frente e os passos se distanciaram, talvez eles tenham encontrado algo útil no apartamento próximo...

Essas serão minhas últimas palavras... Por favor, você que achou esse diário, espero que continue vivo e que repasse este caderno para Carol... Ela deve ter sido o primeiro e único grande amor da minha vida...

Minha vida vai terminar com um último suspiro e o som de projéteis sendo atirados contra mim...

Rafael, fechando o diário, o segurou firme e suspirou, logo ele se levanta e abre a porta. Os soldados que estavam alguns metros à frente se viraram de súbito, engatilhando e preparando as armas, era em momentos como esse que a tensão e adrenalina subiam pelas veias e o corpo se preparava para o pior.

Enquanto os soldados mantinham-se firmes, vendo uma sombra começar a sair de um dos apartamentos, Rafael sentia-se tranquilo e em paz... Ele sabia que tinha deixado um grande legado para trás, que tinha salvado muitas vidas e que tinha feito uma mudança, mesmo que singela, no mundo devastado que estava agora... Quando ele saiu do apartamento viu as miras laser apontarem todas para seu peito, o tempo parecia correr devagar enquanto os soldados se preparavam para abrir fogo quando, talvez por um golpe de sorte ou escolha do destino, Eduardo surgiu e empurrou Rafael para dentro do apartamento novamente. Eduardo tinha um sorriso no rosto e, antes que os tiros pudessem acertá-lo, Rafael apenas pode ouvir as últimas palavras de Eduardo: "Você não é um monstro". O sangue jorrou do braço, perna e ombro de Eduardo quando os tiros o acertaram, ele gritou de dor e caiu no chão, os passos corridos dos soldados ecoavam na direção dele enquanto Rafael ficava sem reação, sentado no chão, vendo corpo de Eduardo ali.

Quando os soldados chegaram eles viram Eduardo e Rafael, o líder daquele pequeno grupo avisou a base, por rádio, que não haviam encontrado o monstro que havia invadido Keryon e estavam retornando com dois sobreviventes.

Rafael entregou o diário para Carol, aquela noite havia mudado toda a sua percepção de mundo... Carol simplesmente não pode acreditar nas últimas páginas do pequeno livro mas, quando terminou de lê-las, com lágrimas nos olhos, apenas abraçou forte Rafael e chorou em seu ombro, ela tentava, em vão, falar por entre os soluços mas ele sabia o que ela queria dizer...

Rafael: -Está tudo bem, Carol... Você não precisa pedir desculpas...-

Retribuindo o abraço, Rafael ficou apenas imaginando por que tudo aquilo acontecerá... Por que, diferente dos outros, ele havia se transformado num monstro e continuado consciente? Sua cicatriz pulsava e ardia ao pensar nisso e logo ele resolveu apenas esquecer desse detalhe por um tempo.

Eduardo passou alguns dias na enfermaria de Keryon e, ao sair dela, fez alguns exames com o sangue de Rafael... Os resultados ficaram guardados num lugar secreto onde apenas Eduardo e Rafael poderiam e saberiam como abrir... Talvez, num futuro próximo, o resultado daquele teste seja a forma de recuperar e reviver toda a raça humana...

Nossa Vida é curta demais para se desperdiçar... Num momento podemos estar nervosos com um vaso que se quebra e, no outro, mortos por um motorista embriagado... Ame quem te ama, cuide de quem importa para você. Seja feliz e deixe os outros felizes, faça a diferença na vida de uma pessoa e você mudará todo o mundo...

Nosso mundo não vai se acabar com uma explosão ou com o som de tiros e gritos de dor desde que nós nos importemos e cuidemos dele.

Num último suspiro e com mais algumas palavras, apenas peço que apreciem a vida, cada pequeno momento conta, sejam felizes e cultivem apenas aquilo que faz bem para você.

Notas finais
Pois é, chegamos ao fim, demorei mas escrevi tudo, talvez eu continue com essa história mas pela visão de outros personagens... Não prometo nada, é apenas um pensamento...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!