Ultrassom do Infinito
1 Capítulo 1
Notas iniciais
É meio que uma mensagem de que todos nasceram pra ser feliz, todos são bons e maus. Que toda forma de amor é aceitável, que todos podem ser felizes, que podem superar a depressão, que podem achar seu príncipe e que tudo pode dar certo. E é uma coisa meio cósmica e tals. sadoijdasjioadsjio Eu espero que se alguém ler isso, tenha feito seu dia melhor.
Obrigado pela atenção. ♥
Uma noite, onde a luz da lua não refletia no vidro de sua janela ou tampouco sua luz iluminava os ladrilhos de seu quintal, uma mulher sentia seus olhos estarem quentes em comparação à sua pele fria e molhada por lágrimas, sentindo que não podia confiar em ninguém, sentindo que nunca seria amada. Que a sua última chance no amor tinha acontecido e não iria mais aparecer ninguém. Os lençóis de algodão eram um baú para as suas lágrimas, para guarda-las. O choro perdurou até seus olhos secarem e se fecharem, involuntariamente e sua cabeça repousar e cair levemente pro lado.
No começo de seu sonho, ela sentia alguém passando as mãos pelos seus cabelos, a consolando de certa forma. Uma alma amiga em quem ela podia desabar, sem machucar. Um anjo ou espírito, que começava a sussurrar uma poética canção de ninar com sabor de camomila, em seu ouvido. Pelos seus lábios onde não saia som, mas mesmo assim você captava todas as palavras.
— No início, não havia nada, além de escuridão do colapso do Último. Esse colapso ditou tudo que acontece contigo, agora. Desde o fim, dois seres procuraram um ao outro por todo esse vazio, onde eles não enxergaram nada por milhões de anos porque a única luz que tinham, eram de um ao outro. Um dia, esses dois, sem sexo, sem linhas corporais definidas, sendo um borrão de energia, viram uma faísca em sua frente. Voaram em espiral pelo espaço oco até se encontrarem e deram as mãos, segurando-as, no que hoje é o centro de tudo. Seus corpos eram feitos de uma névoa negra condensada em certas partes, que era cortada por segmentos de diamantes triturados, tão luminosos que pareciam estar contra o mais luminoso holofote. E assim, ser corpo se intercalava entre luz e escuridão. E o toque de um no outro só trazia mais lucidez, às suas mãos, que espalhavam para o tórax, enriquecendo suas pernas com claridade até se tornarem completos, felizes por verem um ao outro depois de tanto tempo. E quando os dois se tornaram completos, funcionavam como um. Os pensamentos eram compartilhados. E logo o brilho que os dois tinham se tornou tão forte, que não podia ser contido em um espaço limitado e explodiu. Libertou-se um eco fulguroso que viajava em todas as direções, nele estava contido os sorrisos que você dará em sua vida, as coisas que já fizeram alguém feliz, fogos-de-artifício, bexigas, melodias, comédias, abraços.... Essa onda de energia era feita de memórias, das coisas que nunca seriam quebradas, que sempre ficariam dentro de cada um e que nos moldariam, era feita de fantasias que iluminavam os corações soturnos. E conforme se espalhava, cada cantinho do universo era feito, cada um com suas características, eles iluminavam tudo como um escritor dava vida á uma folha, como a eletricidade voltava para sua casa depois de um longo dia sem. Criaram a emoção primária, a alegria. E tudo foi criado com a perfeição que merecia. Como presente, um deles honrou ao outro dando ao universo a vida, e no mesmo instante, a primeira lágrima e o primeiro sorriso de um ser, deu planetas cobertos de águas puras e vívidas, onde ninfas faziam suas casas adornadas com conchas e ao chegar perto, podia-se ouvir o som de qualquer mar do universo. Deu auroras para demonstrar como se sentiria por dentro e criou vida para admirá-las, como ele admirava sua contraparte. Em retribuição, foram criados a morte, para fazer com que tudo que ele criou perdure, como seu sentimento iria perdurar. A neve, fazendo as árvores perderem as folhas, mas deixando lugares de um branco angelical, e possibilitando a alegria da chegada da primavera, como foi a chegada do outro em sua vida. E também fez os eclipses, onde um espetáculo da natureza fazem todos olharem para o céu ao mesmo momento, fazem todos se sentirem como um, como ele se sentia em sua companhia.
— E eles criaram o espírito do ser humano, nas suas mãos, cautelosamente modelaram. E com as batidas única de seus corações, deram vida. Todos à sua semelhança, todos com a possibilidade de se tornarem astros, todos feitos com escuridão e luz. Aquele breu era o ódio, a depressão, a destruição e a tirania, a parte que queria ser amada e não ser julgada. O brilho era o amor e todos os seus efeitos, a parte que amaria alguém, que iluminava. Cada um era criado com ambos, todos são capazes de amar e odiar. E ninguém nunca iria ser completamente feito de diamantes, porque todo mundo sempre pode ser amado. E não importa os obstáculos que a vida jogue, ninguém vai ser completamente opaco, sempre poderia amar e fazer um dia melhor na vida de alguém. Quando vocês são amados, a bruma começa a sair pelos seus olhos, lentamente, deixando-os leve, flutuando acima, abandonando seu espírito em paz, atravessando qualquer tipo de matéria e quando vocês amam, isso acontece com seu semelhante. E ocorre que quando começarem a se odiar, se culpar e se destruir, vocês inalam isso, parece que sua garganta se fecha e você sente medo de tudo e de todos, você não consegue apreciar as coisas e a alegria começa a ser coberta. Nosso brilho começa a desaparecer, mas nunca irá acabar. Assim como um céu pode ficar azul novamente, nós podemos inflamar novamente, cada respiração iria nos lembrar de um campo de Jasmim e cada beijo, o gosto dos muitos doces no Halloween.
— E os criadores guardaram do Último, pedaços de estrelas, entalhados com os momentos que proporcionaram a muitos com seu calor, então ambos os cristalizaram na primeira supernova que ocorreu. Cada caco, batia de uma maneira diferente, funcionava de uma maneira diferente, entendia e demonstrava também. Cada um deles, colocados em seus corações. Com seu próprio jeito de existir, adormecia. Até encontrar um que, apesar de diferente, emanava uma energia que o fazia incendiar, que te fazia sentir como se você fosse o planeta mais brilhante. Era uma energia que fará os dias cheirarem como suas flores preferidas, que reviveria faróis apagados de uma era tão distante. Todos tinham um outro, alguém que podia fazê-los brilhar em tecnicolor, que podiam fazer seu espírito dançar, flutuar e dar cambalhotas no ar. Que faram você se sentir dançando e ouvindo sua música favorita, só de se sentir evolvido por essa pessoa num dia quieto de inverno, sem troca de palavras. E essa pessoa vai ficando mais próxima a cada dia, umas mais rápidas, outras devagar, mas todas no tempo certo, porque todos merecem se sentir assim e todos irão. Essa sensação mística, podia ser forte ao ponto de cegá-los, de ser confundida com uma doença, só era incompreendida porque vocês não estavam acostumados a se sentirem completos, a encontrarem sua chance de rir com a gravidade, deitar nas nuvens, de delirar escutando a doce canção de ninar que seu coração tocava por dias, semanas, meses... E esse brilho nunca desaparece depois de ser acesso, as cores nunca mudam e seu interior fica ardente, como se um universo estivesse inteiro dentro de ti.
— Para honrar sua criação e ter certeza das promessas que fizeram, os dois partiram em direções opostas, para os extremos de sua invenção. Um passo de cada vez, sem olhar para trás, por toda a infinidade. Quando chegaram ao fim, se viraram. Seus corpos foram enrolados em um cordão, que os puxava para trás com força. Teriam que se reencontrar aonde criaram tudo, e assim deram o primeiro passo. E o segundo. E juntos, eram lançados para trás com a puxada do cordão, batendo nas paredes do infinito, que se expandia e deixando nossos criadores cada vez mais distantes. Nunca dessistiam, cada puxada só fazia eles lembrarem de como queriam estar um com o outro. A cada passo que davam, um ato de amor acontecia no universo que criaram e estavam cada vez mais próximos de se reunirem. Porque eles enfrentariam o universo por todos e que a distância nunca seria nada comparada ao seu amor. Quando começaram a sentir um ao outro, e que a distância acabava, seus pés pisavam mais rápido nos caminhos invisíveis que os conduziam até lá e o suspiros de amor eram ouvidos em todos os reinos. Cada ato, trazia sorrisos contagiantes engolfavam os planetas em eras douradas de felicidade. Eles começaram a correr e não importava a força que os cordões faziam, eles não sentiam. Quando a atração é forte, nada pode fazê-los ficar separados. Eles atravessaram os lugares mais frios, seus pés tocavam seus planetas, onde as pessoas se curavam de até as piores doenças, pegaram caronas em cometas. Fizeram de tudo, até estarem cada vez mais próximos, um palmo um do outro. As energias se harmonizavam, seus narizes se tocavam e seus quase imperceptíveis olhos, se fecharam. Ao tocarem suas mãos, o cordão desaparecia, ao segurarem-nas novamente como foi, seus corações batiam novamente depois de tanto tempo. Suas mãos passavam pela cintura e puxavam um ao outro mais para perto, até se mesclarem em seus corpos, suas cabeças se inclinavam e seus lábios se uniam. Durante o primeiro toque, eles se transformavam em humanos, dando seu beijo flutuando no céu celestial, seus corpos girando perpetuamente, os seus corpos faziam um jogo de chiaroscuro, suas energias se misturavam. Até que um deles se transformou em um homem asiático, com a pele sem marcas e alto. Enquanto o outro em uma mulher negra, com cabelos ondulados, sua cabeça atingia o peito de seu amante. E conforme os segundos passavam eles se transfiguravam. Mudavam o seu sexo, algumas horas ficavam mais baixos, outras eram alguém mais alto, viraram os mais diversos pesos, amores das mais diversas combinações e idades, passavam pelas orientações sexuais, por um momento, todos os amores eram possíveis, todos os amores eram reais ao mesmo tempo. E a mensagem era transmitida, de que todo tipo de amor era válido, que todo tipo de amor era belo e de que todo tipo merecia ser demonstrado. No pedaço mais vazio do universo, não havia ninguém para julgar e assim deveria ser, todo lugar deveria ser o pedaço mais vazio. As borboletas nos estômagos dos dois, saiam dos mais profundos lugares de seus corpos entrelaçados, uma de cada vez, em forma de luz e se espalhavam pelo universo. Cada uma pousando sobre um planeta, vibrando como instrumentos, fazendo os choros de julgamentos passar e a angústia ser aliviada com uma onda de paz. Badaladas de sinos que faziam os corações baterem em uma única frequência, amores revividos, danças concedidas. Todo mundo brilhou, todo mundo sorriu e todo mundo amou por um dia, uma utopia onde classes sociais, origem, raça, religião, sexualidade não importavam, só o puro e simples sentimento.
— Quando as flores pararem de florescer e o sol parar de brilhar, o fim estará próximo. Todos flutuaram sincronizados, os ladrões e as donas de casa. Cada alma seria perdoada pelos seus erros, todas as trevas desapareceriam. Um festival, onde por diversos dias, tudo teria o sabor das primeiras festas de aniversário, uma plenitude que muitos nunca sentiram. Uma contorção, por onde toda a dor era tirada e era substituída pela felicidade. Todos claros como cristal, enfeitando os céus com a sua claridade única, como os piscas-piscas enfeitam as árvores de natal. Seu corpo vai sentir um devaneio psicodélico, não haverá barreiras materiais para prender seu espírito. Você poderá estar em todos os lugares ou em nenhum lugar, com todos ou sozinho, poderá fazer o que sempre quis fazer. Ser feliz como sempre quis ser. E nos últimos momentos, brilharam no céu juntos como fogos de artifícios, atravessando os céus juntos, festejaram em união, a compaixão final para acabar o sofrimento coletivo. A terra e o universo serão engolidos pela mesma energia de que foram criados, recebendo a felicidade que a vida proporcionou e encolhendo, fazendo tudo se unir em um único e minúsculo ponto. Uma relíquia de contraste na galeria, para lembrar as almas arrebatadas da maravilhosa criação. E depois disso, tudo irá começar novamente, de uma forma diferente.
Ao ouvir tudo isso, a mulher acorda naquela impetuosa noite. Ela não choraria mais naquele dia, porque ela sabe que merece ser amada e que irá ser, irá achar o príncipe que sempre sonhou. Só dar tempo ao tempo, que a ansiedade irá passar e que um dia, será verdadeiramente feliz, dando cambalhotas no céu e sendo preenchida de claridade, que por mais que tudo parece mal e sem gosto agora, tudo sempre acabará bem. Um “eu aceito” vai perpetuar em sua mente. As palavras calmantes de um anjo, poderiam fazê-la relaxar. As lágrimas retrogradaram em um marcante sorriso, estava completa.
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