Notas iniciais
Aos que leram vindos do grupo que participo:
CURTAM
E aos que independente de onde vieram, chegaram até aqui:
APRECIEM.

O Cristão.

Desço mais duas ruas e é o fim da cidade, é aqui que começa o que meu retiro com o Senhor. Sabado passado algum guarda não agradou os colegas e acabou morrendo, a causa da morte foi a forma folgada pelo qual agiu, assim foi posto na Nota de Falecimento.Por conta disso, o portão norte está sem ninguém para avisar, nem mesmo o alarme vai servir se não tiver alguém ali para dar as ordens.

Saio sem problemas, desço alguns degraus e estou na horta da cidade, cheia de irrigação automática e logo à frente, dá para avistar um bosque. Coloco minha máscara de gás, desço mais alguns degraus de terra e minhas pernas já tremem quando a fumaça vem. É Roxa, é venenosa. O último bosque da terra que, para se adaptar contra os homens, expele veneno, como um grande animal. As copas das árvores são enormes, existem várias plantas que queimam se tocar nelas e claro, por dentro é impossivel de enxergar alguns palmos de distância, é o único lugar aonde posso estar em paz com o Senhor.

Algo apitou, é o ''Bracelete da Popularidade'', um dispositivo amarelo no braço, fazendo ser visivel o número para todos, parece que algumas pessoas sentiram a falta da minha presença e estão degostando de mim, são atualmente 5, 5 pessoas desgostam de mim oficialmente, 3 gostam e o resto são neutras. Caso a notícia do meu desaparecimento espalhe e eles não gostarem da minha atitude, não vai ser pelo gás venenoso que irei morrer, mas pelo voto das pessoas. Mas tudo bem, se eu for morrer junto do Senhor.

O Ar já começou a circular de forma mais lenta dentro de minha máscara, é melhorar eu segurar o fôlego e me sentar logo do lado duma copa, sento com as pernas cruzadas e coloco a cruz em minha frente, feita de tubos PVC. É essa a minha forma de agradar o senhor, já que a madeira é considerada sagrada. Olho para o céu, acobertado pelas folhas vermelhas da árvore, algumas caem, deve ser outono no tempo normal da terra. A folha está caindo, caindo, vai me atingir, se me atingir no cabelo não terá água apagar o fogo, eu realmente não consigo parar de admirar essa folha caindo, a fluidez... ela vai cair na máscara. A máscara pode ser que me proteja, se não, irá abrir um furo e assim morrerei pela fumaça. Quero testar.

A Folha passou pelo plástico, eu a vi tocando meus olhos e indo ainda mais para baixo, apenas me veio uma coisa à cabeça: ''Um Espirito de folha.'' E assim, começaram a cair vários espiritos de folhas, que passavam pelos meus braços como se não tivessem formas físicas, pelo meu peito, eu me senti tocado pelo Senhor com essa demonstração, eu era o homem escolha, eu poderia agarrar aquela árvore e ainda assim sobreviver. E assim o fiz. E abraçei meu próprio corpo.

Segunda metade: O Laborátorio de Dexter.

Era duma arquitetura que nunca havia visto, uma com paredes, não era vidro que cobria o lugar. Ficava no meio e duas copas, não, eram 4, Pelo que deu para ver andando ao redor quase não dava para ver, mas agora que o Senhor havia me dado a habilidade de tranpassar objetos físicos, eu passei pelas árvores e entei. Era uma sala minuscula, coisa de uma pessoa só entrar, o banco estava cheio duma poeira que parecia aquela que havia dentro das cidades, quando uma pequeno rajada de vento fazia aquelas particulas de areia entrarem em nossas casas e olhos.

Sentei naquela cadeira, era até que confortavel, mesmo que areia estivesse raspando pelas minhas calças. Um painel bem diferente, com coisas que pareciam os comandos dos portões, botões, acho, por tod'o lado. Apertei um que não apertava, puxei para frente e nada, puxei pelos lados e.. algo parecia se mover na minha frente. Empurrei mais uma vez e lá estava o mesmo vulto, achei que tivesse sido alguma ilusão, puxei para minha direção e... havia uma árvore vindo em minha direção. Uma árvore enorme correndo até mim, Por Deus, eu poderia ter a habilidade de tranpassar as coisas físicas, mas aquele lugar não, deixei a comando em um estado neutro e a árvore parou.

''Sou Um domador de árvores! Controlo a natureza'' foi o que me veio à cabeça. A animação tomou conta do meu corpo e começei a clicar em todos os botões possiveis, em pouco tempo já sabia escolher a árvore que queria e até mesmo mover várias árvores ao mesmo tempo, o estranho é que nenhuma esbarrava em nenhuma, deve ser assim a natureza: Coexistindo livremente, perante o Senhor.

Me ajoelhei e começei a rezar, botei a estátua de Nosso senhor em minha frente, ele tinha um nariz enorme e uma cara mais ainda, isso significava que ele sentia os ares de um novo tempo, as sobrancelhas juntas mostravam o homem enxergando alem do céu, além do nosso espaço. Na animação, apertei com a palma da mão um botão a mais. E dai, sumiu toda a árvore que havia. Olhei para o céu, pensando que o nosso senhor havia levado as árvores para o além mas nada havia nem no céu, nem em minha frente: só um grande bueiro daonde saia a fumaça roxa, me ergui, e tentei apertar o botão denovo, não voltava, estava emperrado eu havia desmatado todo resto de floresta da humanidade, me ergui, tinha de ir pedir o perdão para com todos.

Sai correndo de máscara, passei pela fumaça e vi coisas queimando, me assustei, poderia ser o inferno! Corri o mais depressa que pude e implorei de joelhos aos portões: ''Eu sou o desmatador! O pecador! Me perdoem, por Deus!''

Os guardar me encararam, fiquei com os joelhos formigando na grama, dois deles vieram até mim, pegaram em meus braços com força, o contador de meu braço não parava de apitar, abriram os portões comigo preso e assim berraram em todos os mega-fones:

''Esse Homem Desmatou nossa floresta! Julguem-no!''

E foi assim, com meu contador tremendo (ou era eu?) que eu, com os braços pros lados, abaixei a cabeça e nunca tornei a levantar.

Nunca mais.

Notas finais
Dependendo da recepção, continuo :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.