Ultima esperança
8 07
Não tive muitas escolhas. Obrigada por Rodrigo, fui para casa. Logo que cheguei, me deparei com uma mensagem de Sara me mandando boa noite, mas resolvi não responder porque depois que havia dito a ela sobre não sermos amigas, melhor não termos mais nenhum contato.
Era para o bem dela, afinal de contas..
E Rodrigo havia levado realmente a sério o assunto de que me vigiaria durante final de semana por medo de Nico fazer algo. De vez ou outra, quando olhava pela janela do quarto, o via me vigiando.
Isso por que a oficina que trabalhava não era tão longe daqui, o que facilitava.
Sábado acabou sendo um dia mais ou menos, tentei dar uma saída, mas Rodrigo me seguir pelo caminho todo praticamente, porque só saí depois que seu expediente acabou.
Mas, domingo não era qualquer dia.
Além do meu aniversário, era aniversário de Clara.
Hoje ela faria dezessete anos, como eu estou fazendo.
Nesse dia, Rodrigo não soube de fato se eu sairia, até mesmo nesse caso não ficaria esperando a sua aprovação. Sábado só foi uma mera exceção por não ter nada para fazer.
Tratei de ir logo a uma floricultura e com dinheiro que havia pego com minha mãe, que aliás reclamou muito, comprei um buquê.
Dessa vez, ainda mais nessa data, não iria com as mãos vazias, logo o resto do dinheiro que sobrou usaria para outra coisinha mais tarde.
E lá estava ela, me ajoelhei do lado da lápide após colocar o buquê em cima do túmulo. Parecia que sua família já tinha passado por ali, pois havia mais flores, talvez outros colegas, apesar de que Clara não era de ter muitos amigos.
Doía tanto olhar aquilo, era impossível não sentir o aperto no peito. Aquela dor que nunca me abandonaria e estava fadada a sentir para o resto de minha vida.
A culpa.
E o "E se..." me acompanhava toda vez que pensava nela.
― E seu eu tivesse feito diferente, será que você ainda estaria aqui comigo? – acabei pensando alto enquanto meus dedos passavam pelo cimento na esperança de poder sentí-la novamente.
Aquele momento era impossível não lembrar de algumas coisas.
Como quando comemoramos nosso aniversário juntas, em um campo que ficava no alto de um morro, na verdade, era um terreno abandonado com uma casa caindo aos pedaços.
"Nossa base secreta", Clara dizia.
Naquele dia, levamos tantas besteiras para comer lá que seria bem capaz de ainda ter alguma embalagem de doce espalhada por ali. Foi um dos dias mais divertidos da minha vida. Conversamos sobre tantas coisas, falamos tanto sobre nossas vidas, eram tantos sonhos, tantas vontades, lembro de uma coisa que Clara me disse:
" ― Quando eu ficar mais velha, quero me tornar uma médica.
― Logo médica? Você nem gosta de estudar. – eu disse rindo, mas Clara estava tão séria que acabei acreditando no que dizia.
Ela estava deitada ao meu lado, olhando para o céu que estava em um azul cintilante. Continuou falando sobre seu grande sonho.
― De fato, eu não gosto, mas eu quero muito ser médica, eu quero muito cuidar das pessoas, trazer conforto, tranquilidade, uma esperança para prosseguir, entende? – no final, ela se virou e olhou para mim sorrindo.
Falar sobre o futuro a empolgava totalmente.
― Acho que entendo...
― Quero salvar as pessoas, igual um salvou a minha mãe naquele acidente que ela sofreu.
― Sua mãe ficou bem mal. – eu comentei.
― Sim! Mas hoje ela esta aqui, sã e salva.
― Clara, tenho certeza que você vai se tornar uma ótima médica, só espero não ter que ser tratada por você.
Ela deu aquela gargalhada que eu poderia reconhecer de longe que era sua e disse.
― Idiota! Vou ser uma ótima médica sim... Você vai ver."
Eu não vi e nem ela viu.
Clara tinha tantas vontades e eu aqui, sem um único objetivo na vida.
Era totalmente cheia de vida, boa com qualquer um, apesar de ser extramente teimosa, seria incapaz de fazer mal até uma formiga, não havia uma pessoa que não ficasse encantada com sua presença.
Não seria mais fácil ela ficar no meu lugar?
Quando percebi, já estava chorando, as gotas começavam a cair rapidamente no chão a medida que eu percebia o quão insignificante eu era.
E se naquela noite eu tivesse acreditado nela? Seria diferente?
Meus pensamentos foram interrompidos quando escutei passos atrás de mim, até onde eu sabia, o pequeno cemitério estava vazio quando cheguei, e não havia nenhum sinal de outras famílias por aqui.
Me levantei rapidamente e perguntei em voz alta.
― Tem alguém ai?!
Nenhuma resposta, é claro.
Olhei em volta e nenhum sinal de vida também.
Foi quando senti uma mão tocar o meu ombro.
Senti um calafrio percorrer meu corpo. Poderia ser Nico atrás de mim. Me arrependi um pouco de não ter avisado Rodrigo.
Foi quando senti uma mão tocar o meu ombro.
Dei um tapa na mão e olhei para trás, qual foi meu susto quando vi quem era.
―Rodrigo!
― Ai! Seu tapa dói. – ele reclamou tirando a mão do meu ombro.
― O que esta fazendo aqui? – perguntei ainda tremendo, logo me senti meio idiota por ter sentido medo de encontrar com Nico.
― Vim atrás de você, não me avisou para onde iria direito, fiquei preocupado. Mas lembrei que dia era hoje então imaginei que estivesse aqui.
Mais calma, baixei a guarda e voltei a olhar a lápide de Clara.
Rodrigo continuou falando.
― De alguma forma sabia também que não me perguntaria se "poderia sair", quero dizer... como se precisasse disso.
― Tinha que ficar um pouco aqui com ela...
― Vou te esperar ali fora, tenho um presente para te dar.
Me voltei para Rodrigo e disse.
― Sem presentes.
― Mas é seu aniversário também.
― Eu já estou festejando.
― Bem legal festejar em um cemitério.
Desviei meu olhar e voltei a sentar do lado do túmulo, não adiantaria discutir alguma coisa com ele. Rodrigo não entendia o que era esse sentimento, não havia feito nada de errado com ela. Logo não valia a pena contestar.
― Vou te esperar lá fora. – foi a única coisa que ele disse antes de sair.
Não sentia vontade de comemorar meu aniversário, pois sempre havia ali um vazio, a droga de um vazio que nunca mais seria preenchido. Fora um sentimento de ingratidão, ou melhor, que não era digna de nenhum sorriso ou presentes quando uma pessoa se foi por conta da minha negligência.
De qualquer forma, não era como se eu sentisse vontade de fazer alguma coisa para mim nesses tempos.
Fiquei ali mais alguns minutos, um pouco na esperança de Rodrigo desistir disso de presente, mas do jeito que era teimoso, não desistiria.
Em seguida levantei para sair, tinha bolado um plano do que fazer no resto do dia. Quando sai, estava Rodrigo encostado em sua moto me esperando.
― Você é mais teimoso que uma mula. – eu disse andando, não iria embora com ele.
― Ei,ei, espera ai. – ele veio atrás de mim segurando meu braço. – Vai embora comigo pelo menos.
Virei o rosto para olhá-lo, ir andando seria um saco. Pensando melhor,acabei mudando de ideia.
― Tudo bem.
Rodrigo então foi puxando meu braço até sua moto para irmos embora.
No caminho, ele comentou:
― Quer nem saber o que iria te dar?
― Não.
― Ai, primeiro um tapa físico, agora um tapa emocional, hoje você está meio afiada.
―Desculpe, hoje meu humor não é dos melhores.
Pude sentir Rodrigo dando um suspiro, em seguida, falou:
― Eu sei... Queria te dar algo para ver se animava, não sei.
―Rodrigo, você sabe que o que me animaria hoje é impossível de me dar.
― Hm...Eu sei.... Como sei.
Rodrigo era, praticamente, a única pessoa que sabia de toda a história realmente. Acompanhou tudo de perto, afinal, era irmão de Clara. Quero dizer, não irmão de fato, mas primo, porém como viviam na mesma casa, se tratavam como irmãos.
Como atualmente nos tratamos.
Depois do falecimento de Clara, por algum motivo, Rodrigo optou por não se mudar. Encontrou um kitnet para ficar e começou a trabalhar em uma oficina para poder pagar a faculdade, já que as despesas sua tia ainda o ajudava. Sempre que lhe perguntava porque não foi morar coma família, afinal, teria mais conforto e facilidades, ele desconversava ou dizia "Não me acostumaria, gosto dessa cidade". A cidade não era ruim, mas não dava nenhum futuro promissor a um futuro publicitário.
Olhar para ele era lembrar de Clara um pouco, apesar de serem primos, os dois tinham realmente coisas em comum e não digo sobre a aparência, a personalidade de ambos. Os dois eram tão esforçados, bons e perseverantes no que queriam que chegava a me invejar.
Rodrigo sentiu bastante quando soube da morte de Clara, mas tentou se manter forte ao máximo para ajudar o resto da família e eu diria que até a mim, mas eu sabia que ele constantemente vinha visitar o túmulo dela, e que de vez em quando chorava por uma morte tão prematura.
Era um machucado difícil de cicatrizar, não é atoa que seus familiares não quiseram continuar no lugar onde qualquer canto lembrava Clara.
E novamente o pensamento de que tudo poderia ser diferente voltou, que raiva sentia de mim mesma. Tanta dor poderia ter sido evitada naquela noite.
Só que logo meus pensamentos foram interrompidos de novo por Rodrigo.
― O presente era nada demais, uma pulseira. Sei que você anda com várias no pulso... E um anel também, só que no dedo. – Por fim, ele deu uma risadinha da piada sem graça.
Sem muita empolgação sobre o assunto, respondi.
― Hm... Obrigada, Rodrigo. Se quiser me dar, acho que é falta de educação negar um presente de alguém.
―Suponho que sim.
Quando eu vi que Rodrigo passaria direto pelo bar que eu sempre comprava bebidas fiado, além de ser o único que vendia para mim, pedi para que parasse.
― Para ai, por favor!
Rodrigo parou imediatamente e perguntou.
― Pra quê?
― Quero comprar uma coisa. – Respondi saindo da moto.
― Ah, Ramona, você vai beber hoje?!
― Irei beber no meu quarto, fique tranquilo. – Eu o respondi, saindo antes que ele contestasse com mais alguma coisa.
Como dinheiro que eu tinha, deu para comprar bastante coisa, quero dizer, o bastante para que eu esquecesse o meu próprio nome.
Logo que voltei, Rodrigo me perguntou preocupado, enquanto olhava as sacolas.
― Não sei como esse velho te deixa comprar essas coisas.
― Nem eu, mas não fico questionando, também é falta de educação.
― Aiai, você é muito grandinha para eu ficar brigando, já falei sobre isso, né? Vamos embora. ― Ele disse reclamando.
Rapidamente já estava na minha casa, sai da moto e Rodrigo pegou o pequeno pacote que estava em seu bolso.
―Também não consegui um embrulho decente, mas o que importa é o que está dentro.
Peguei da sua mão e guardei no bolso do meu casaco que estava amarrado em minha cintura.
―Obrigada, na hora mais oportuna irei usar.
― Não vou ganhar nem um beijo?
Revirei os olhos e dei um beijo rápido em seu rosto que estava tomado por uma barba mal feita, quando me afastei, Rodrigo comentou.
― Nada mal, já é um começo.
― Vá à merda, Rodrigo. – disse rindo do seu comentário.
Ele se despediu e logo sua moto já estava a metros de distância da minha casa. Dei uma olhada rápida para o céu, estava no entardecer, hora de "festejar" meu aniversário.
Quando entrei em casa, minha mãe estava assistindo televisão e meu pai lendo jornal, subi rapidamente, antes que eles fossem reclamar da bebida e entrei no meu quarto. Mas quando escutaram meus passos no segundo andar, me chamaram.
Não podia ser alguma bronca, afinal, me comportei o final de semana inteiro, coisa que raramente fazia.
Cheguei na sala e minha mãe veio com mais um embrulho.
― Feliz aniversário! – Ela não parecia muito empolgada, eu diria que estava fazendo aquilo de má vontade.
Meu pai nem ao menos se deu trabalho de levantar, apenas disse.
― Feliz aniversário, Ramona. Espero que com dezessete anos, você tenha mais juízo.
Peguei a sacola da mão dela e agradeci pelo presente.
―Obrigada... Eu acho.
E minha mãe se virou e voltou a ir assistir televisão sentando no sofá.
Quando comecei a subir as escadas, pude escutar meu pai comentar.
― Acho que a gente não deveria dar mais nada para essa garota, ela não merece, fica agindo que nem uma vagabunda por ai. Merecia uma surra de presente.
Foi nada muito fora do normal esse comentário, no fundo, estava já acostumada com esse "sentimento" do meu pai. Poderia dizer que de uma certa forma, ele só me "amava" por que era sua filha, ele querendo ou não, sabia que seu sangue passava pelas minhas veias.
Gostar por obrigação, era o que achava de ambos os dois.
Mas havia me acostumado com eles, como agiam, de certa forma também não os culpava, apesar de ainda sentir um pouco de raiva. Porém, passava logo quando eu lembrava o que eu realmente era.
Quando entrei dentro do quarto, tratei de pegar logo as garrafas de cerveja, eram mais de cinco ali. E sem nenhuma cerimônia, comecei a beber deitada na minha cama ao som de uma música qualquer que tocava em meu notebook.
Não tinha forma melhor de comemorar o meu aniversário do que ficando bêbada, pelo menos não ficaria pensando nas merdas que fiz e faço.
Após algumas garrafas, levantei da cama, já estava cambaleando um pouco. Resolvi dar uma olhada em uma gaveta do meu quarto, queria achar uma foto. Acabei encontrando um quadro do tamanho médio que eu havia pintado a muito tempo.
Por incrível que pudesse parecer, eu pintava quadros, de todos os jeitos e formas. Pintava paisagens ou até mesmo aquelas bem abstratas, o importante era pintar e me divertir. Uma vez, quando Clara estava em meu quarto, pediu para que eu aprendesse a pintar rostos de outras pessoas. E por causa dela eu aprendi e cheguei até pintar um de seu rosto e lhe dei de presente.
Sua mãe deve ter guardado ou jogado fora, não sei, mas antes, ficava pendurada em seu quarto.
Após a morte de Clara, não tive mais coragem de tocar nos pincéis, pois a lembrava absurdamente, tantas vezes ela me ajudava a pintar alguns quadros, que ficavam tão feios quanto qualquer coisa no final. Vendo esse quadro, chego a pensar que talvez nem pintar eu saiba mais, se nem vontade eu tinha, ao menos.
Joguei aquele quadro para o lado e peguei o que realmente queria.
Era uma foto revelada de mim e Clara.
Havia sido tirada no dia de nosso aniversário, ela havia me dado como presente mesmo. Clara estava tão feliz, seu sorriso ia de ponta aponta na foto enquanto eu, timidamente posava atrás dela com um sorriso meio sem graça, aquilo nunca foi meu forte.
Esbarrando em alguns móveis voltei a deitar na cama e olhando a foto, resolvi conversar.
― Faz tempo que a gente não conversa, não é, Clara? Muitas coisas aconteceram desde quando você se foi... Sabia que minhas notas vão de mal à pior? Era tão mais fácil quando você me ajudava e eu te pagava levando a qualquer lugar de bicicleta... Falando nela, você ainda não cumpriu com o trato de colocar o nome para minha bicicleta... Que idiota, né? Você queria algo mais especial...Esses dias conversei com uma menina, o nome dela é Sara, ela me ajudou a me vingar de Nico, espero que onde você esteja, tenha ficado contente com isso, mas a vingança ainda não acabou, amanhã vai ter muito mais...
Quando eu percebi, novamente estava chorando, só que mais descontrolada.
A bebida me deixava tão sensível, por isso era tão bom beber sozinha.
―Clara... Eu me sinto tão sozinha... Existem tantas pessoas a minha volta, até mesmo com Rodrigo cuidando de mim, não consigo não me sentir sozinha, abandonada seria uma palavra melhor... Queria tanto que me perdoasse, queria tanto voltar no tempo e acreditar em você... Se pelo menos a força da nossa amizade tivesse impedido de acontecer aquilo, eu...
Mas antes que eu terminasse a frase, o meu celular começou a tocar. Coloquei a foto na mesa ao lado da cama, bebi mais um pouco da cerveja e fui ver quem que estava me importunando, espero que não seja Rodrigo querendo planejar algo ou sei la o quê.
Só que para minha surpresa, era Sara.
― Mas o quê?! O que ela quer agora? – Murmurei comigo.
Deixei tocando um pouco, mas como ela insistia, atendi o celular.
― Alô?
―Ramona?!
Minha voz estava nada agradável, queria muito que ela não reparasse nisso.
― Achoque sim.
― Ér...Pensei que não me atenderia... Você não tem respondido minhas mensagens.
― Eu te falei, a gente não pode ser amigas, você é muito boazinha,muito fofa, procura alguém melhor, entende?
― Mas Ramona...
― Se me ligou para falar sobre isso de novo, melhor eu desligar, não é?Boa noite.
―Espera! Eu soube que era seu aniversário, queria te desejar parabéns.
Como ela sabia do meu aniversário? Deve ter descoberto em alguma rede social, agora você não consegue esconder nada com elas.
― Hm, obrigada.
―Queria te dar um presente, pode ser amanhã na aula?
― É pra você nem tocar meu nome na sala amanhã. Não precisa de presente, está de boa. – Eu disse me levantando da cama e andando pelo quarto, foi impossível me manter em pé e andar em linha reta. Acabei sentando em um canto do chão.
O silêncio se instaurou na chamada, achei que Sara tivesse desligado o celular, mas logo ela voltou a falar.
―Ramona, por que acha que você não pode ser minha amiga?
―Porque eu sou uma bosta, ninguém quer ser amiga de uma bosta em sã consciência.
― Mas eu quero! Você é tão legal. Naquela festa, você poderia ter me deixado ir sozinha ou deixar eu me ferrar, mas me protegeu... Nossa, quantas vezes você me protegeu. Ramona, você é a pessoa mais legal que eu já conheci!
― Você não sabe o que está falando, se me conhecesse bem...
― Eu quero! Seu coração é enorme, Ramona, eu acredito nisso. Você é uma super-heroína.
"Você é uma super-heroína". Era exatamente o que Clara dizia para mim,quando eu a ajudava em algo.
Aquilo foi tão forte no meu coração que novamente não pude segurar minhas lágrimas.
E novamente voltei a chorar, tentei me segurar para que Sara não me escutasse, então apertei meu nariz com uma mão, Clara dizia que isso ajudava parar de chorar.
―Ramona, você está chorando? – Sara perguntou parecendo preocupada.
Com nariz apertado, eu respondi.
― Não! E eu preciso desligar. Boa noite, Sara!
E antes que ela pudesse responder, eu desliguei o celular e o taquei longe.
Como nariz ainda preso com a mão, peguei mais uma garrafa e voltei a beber.
Ali passei a noite, bebendo e chorando.
Patético,não?
Mas eu era patética mesmo.
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