Notas iniciais
Primeiro, quero agradecer a todos que estão acompanhando a fanfic e que comentaram, vocês são demais! Espero que gostem. ♥

Laurel olhou por cima do ombro de Levi e tentou esconder um pequeno sorriso que tinha começado a se formar em seus lábios. Terminou de guardar as coisas que estavam em seu armário e, após finalmente tirar o avental e soltar os cabelos, ainda assim tinha uma aparência adorável. Fechou a porta do armário e passou ao lado do amigo, ocupada demais mexendo dentro da bolsa em busca das chaves da caminhonete para notar que ele olhava para ela por tempo demais, como se quisesse dizer algo.

– Você sabe que não precisa disso, certo? Sabe, trabalhar aqui. Não precisa fazer isso. — ela disse, sem olhar para trás enquanto passava pela porta do vestiário dos funcionários. Já conseguia sentir o cheiro de café e pães de mel, o cheiro fazia o seu estômago roncar.

Ela sabia que eles eram melhores amigos, claro. Soube disso no momento em que Levi deixou de ir para uma universidade melhor em Chicago e foi com ela para Los Angeles. Mas era Laurel que tinha que trabalhar para pagar as próprias contas, não Levi. Não que o emprego na Starbucks fosse ruim, ela podia tomar quantos lattes de pão de mel quisesse e comer os melhores pães de queijo que já tinha provado na vida, mas Levi não precisava disso. Não com o dinheiro que a mãe mandava mensalmente, dinheiro que seria o bastante para sustentar qualquer estudante por mais de meia dúzia de meses.

– Acha que eu perderia esses doces? Trabalhar aqui me poupa todo o dinheiro que eu gastaria comendo quase todos os doces que tivessem na prateleira. — ela podia ouvir o riso presente na voz dele, mas estava grata por aquilo, por tê-lo ali com ela, mesmo que, enquanto Laurel tinha que dividir um quarto com uma completa desconhecida, Levi morasse em uma casa grande no outro lado do campus, casa que dividia com outros três homens que não faziam muita coisa além de fumar maconha, já que é isso que os estudantes de História fazem na faculdade.

A garota pegou o que seria o próprio jantar e alguns copos de café e, depois de conseguir equilibrar tudo a sua frente usando apenas dois braços, deixou que o amigo abrisse a porta para que ela passasse. Os dois caminharam para o estacionamento, Laurel para a sua picape e Levi, como de costume, pulou para o banco do passageiro assim que teve oportunidade.

– Quantos testes você fez no último mês? — ele perguntou, pegando a comida das mãos de Laurel e se servindo de um copo de café e um donut de chocolate que era do tamanho da mão fechada da garota.

– Só dois, um para um filme e outro para uma peça de teatro. — disse, tentando se ocupar entre dirigir e ligar o som do carro, que só pegava em duas rádios diferentes. Ela sabia que tinha se saído mal, soube assim que entrou na sala de espera e viu aquelas mulheres tão mais bonitas e experientes do que ela própria. – O filme é sobre aquele livro que você me obrigou a ler no Natal passado, sabe?

Laurel sabia que Levi deveria estar olhando para ela com aquele mesmo sorriso que dava toda vez que ela falava sobre algum teste que tinha feito, o tipo de sorriso que se dá para alguém quando você não pode fazer muita coisa além de sorrir e dizer que tudo vai melhorar em algum momento. Aquilo poderia ser verdade, se não fosse ela que estivesse ali, passando por todos aqueles testes. Se ela não tivesse que competir com garotas mais velhas, ou mais novas, mas com uma aparência superior a dela, que ainda carregava o ar da garota de Nebraska. Ela dissera isso para ele na noite anterior ao primeiro teste, ela ainda se lembrava dele dizendo que Laurel não era mais a garota de Nebraska. Era a garota de Los Angeles.

Levi acreditava mais do que qualquer outra pessoa que Laurel seria uma grande atriz. Sabia que ela não queria voltar para casa e assumir que todas as fantasias adolescentes que tinha se resumiram em um emprego de meio período e testes sem resultado. Sabia tudo sobre ela, até mesmo mais do que ela mesma. Ele acreditava que ela seria uma grande atriz e que ele poderia assisti-la fazendo o que sempre quis, enquanto as expectativas dele não iam muito além de lecionar História para o ensino médio em algum colégio do subúrbio.

Apesar da situação financeira de Laurel não ser nem um pouco extravagante, a antiga picape do irmão mais velho era a melhor aquisição que já tinha feito nos últimos meses. O Starbucks ficava perto o bastante do campus para que ninguém tivesse que sair da área da faculdade e ir ao centro, mas ainda era mais confortável dirigir do que atravessar todo o caminho a pé enquanto pensava sobre o que faria no dia seguinte.

– O que é isso? — Levi perguntou, levantando alguns envelopes brancos no ar para que ela pudesse ver.

– Minha correspondência. — sussurrou e deu de ombros, como se não se importasse. Ela sabia que o resultado dos testes estavam em um daqueles envelopes, tinha pensado naquilo durante todo o dia. Queria esperar até que chegassem na casa de Levi, até que ele pudesse abrir o resultado e ler para ela.

Suspirou ao sair do carro segurando as sacolas com a comida. Não olhou para Levi que vinha logo atrás, carregando a correspondência de Laurel em uma das mãos e balançando o molho de chaves entre o dedo indicador e o médio.

– Você tem que pagar a multa da biblioteca e o cartão de crédito.

– Primeiro eu preciso conseguir dinheiro para isso, Levi. – Laurel disse por cima do ombro enquanto abria a porta da casa do homem e a empurrava com um pontapé.

Ela passava boa parte da semana ali na casa de Levi, mas ainda não tinha se acostumado com os colegas dele. Não que fossem pessoas ruins, longe disso, mas Laurel ainda não conseguira sair do casulo desde que chegara em LA. Todos eram parecidos com Levi e costumavam dar festas todos os finais de semana, apesar de sempre ser convidada, a garota nunca comparecia, já que sempre estava ocupada demais participando de testes cada vez mais exaustivos ou tentando melhorar e aperfeiçoar todos os detalhes.

Não foram poucas as vezes que a aparência dela a impedira de fazer coisas que gostaria. Apesar de ter traços finos e delicados, Laurel não possuía nenhuma beleza completamente estonteante. O jeito calmo também não ajudava muito, já que ela dificilmente conseguia encarar os testes como um desafio ou uma competição entre ela e as outras mulheres. Como poderia? Aquilo era o sonho dela, era o que ela queria fazer, mas não se julgava no direito de passar por cima de outras pessoas para conseguir o que queria. As mulheres costumavam sabotar umas as outras nos bastidores dos testes, muitas faziam comentários maldosos. Laurel não era assim, ela era a garota que aceitava a derrota e não contestava os motivos que levaram a isso.

– Você poderia ter me pedido, eu te daria o dinheiro. – Laurel não pode evitar o revirar dos olhos ao escuta-lo dizendo isso enquanto colocava a comida sobre o balcão. Como toda sexta-feira, os dois ficariam assistindo filmes e comendo até que ela pegasse no sono e Levi tivesse que levantar, apagar as luzes e ajeitar ela na cama. Não que o homem reclamasse disso, adorava observa-la dormindo.

– Não, eu me viro. – disse e sorriu docemente para ele. Laurel colocou parte da comida na geladeira. Era a vez de Levi escolher o que comeriam e ela escolheria o filme que iriam assistir.

– Vamos assistir Encantada novamente?

– Isso mesmo, Encantada. – a garota teve que tomar certo impulso para conseguir sentar-se sobre o balcão da cozinha. Ficou balançando as pernas enquanto observava a expressão cômica que Levi fazia. Encantada era o filme favorito da garota, mesmo que ela tivesse dezoito anos. Ao menos uma vez por mês os dois deitavam-se na cama do homem e assistiam ao filme, com Laurel repetindo as falas dos personagens e Levi fazendo sempre os mesmos comentários.

– Podemos aproveitar o feriado para voltar para Nebraska e passar o final de semana por lá. Sua avó ainda sabe fazer aquele doce de canela?

– Pensei em passar o final de semana aqui com você... – ela pode notar quando Levi derrubou um dos copos sobre a pia e teve que prender o riso. O homem a olhava com a expressão que mostrava um misto de confusão e surpresa. Laurel levantou-se e pegou duas vasilhas com salgadinhos que Levi tinha deixado sobre a pia. – e assistir Encantada o dia inteiro. – completou a frase e riu da carranca que o amigo fez.

Laurel subiu a escada com degraus irregulares que levavam até o quarto do amigo. A parte que mais gostava no local era do quarto dele, ela sempre se sentia protegida ali, como se estivesse novamente em casa, junto do pai e do restante da família. Levi era a única coisa que restara desde que se mudaram para Los Angeles, ele ainda tinha o mesmo cheiro de café e canela e ainda usava blusas com estampas xadrez e dobrava as mangas até o antebraço. O cabelo ruivo dele ainda era uma verdadeira bagunça e ela ainda podia abraça-lo e se sentir como se estivesse abraçando um urso de pelúcia.

A porta do quarto dele estava aberta, como de costume. Laurel deixou o que carregava consigo sobre a cama e abriu as cortinas e as janelas, deixando o ar da noite entrar no quarto e levar embora o cheiro de pó. Ela sentou-se sobre a cama e encostou as costas na cabeceira da cama e esperou até que Levi organizasse o quarto como fazia toda sexta-feira: colocava o edredom azul, o favorito dela, sobre a cama, ajeitava vários travesseiros sobre a mesma e deixava bem ao lado deles todas as besteiras que iriam consumir.

Ela não se incomodou em pedir uma roupa emprestada, sabia onde o homem as guardava. Pegou uma camiseta dos Smiths e uma calça de moletom e se trancou no banheiro para tomar banho e se trocar. Quando voltou, Levi a esperava já deitado na cama, com o controle remoto em uma das mãos.

– Chega pra lá, fofinho. – ela disse, sorrindo para ele. Se enfiou no espaço entre as pernas do homem e deitou-se de costas para ele. Puxou o edredom para cima e pegou o controle das mãos de Levi, deixando que o filme começasse.

Não soube quanto tempo se passou até que Laurel estivesse limpando as lágrimas dos olhos por conta do final do filme e Levi estivesse ocupado demais comendo para entender porque ela ficava tão emotiva. Laurel pegou as embalagens de comida que estavam sobre a cama e se levantou, a ponta do nariz estava avermelhada por conta do choro e Levi ria descaradamente dela.

Ela desceu as escadas com calma, mesmo sabendo que ninguém além dela e de Levi estavam ali. Quando chegou na cozinha, pode ver os envelopes de correspondência sobre o balcão da cozinha. Ela sabia que em um deles estava a carta e já tinha certeza que o resultado estava longe de ser o que ela sonhava.

Com um suspiro, Laurel arrumou a bagunça da cozinha e depois de terminar ficou um bom tempo encarando o envelope sobre o balcão antes de pega-lo para ler o que estava escrito ali. Ela prendeu a respiração enquanto lia a carta e pode sentir uma leve tontura ao notar que tinha sido aprovada. Ela, entre tantas outras, tinha sido escalada para interpretar a protagonista de um filme de um livro best-seller.

Ela correu de volta para o quarto, subindo a escada de três em três degraus e tropeçando no tapete do corredor. Finalmente, finalmente tinha conseguido o que tanto sonhava. Quando entrou correndo no quarto e pulou em cima da cama, Levi começou a xingar baixinho e tentar empurra-la, mas a garota continuou em cima dele enquanto balançava alegremente o envelope que segurava.

– Laurel, Laurel! Saia de cima de mim, o que aconteceu? Conseguiu ganhar na loteria?

– Eu consegui, Levi! Consegui, consegui, consegui! – disse, caindo para o lado. Ela riu da expressão de surpresa que o amigo fez. Laurel deixou que ele a abraçasse.

Ela sabia que Levi não sabia o que falar e aquele era o jeito dele de demonstrar que estava feliz por ela. Laurel também não sabia o que dizer, ou pensar. Ainda não acreditava que tinha conseguido o papel.

Deixou o corpo cair na cama quando os dois se separaram, ainda mantinha a carta sobre o peito. Os olhos dela estavam focalizados no teto e ela mantinha um sorriso bobo nos lábios, como se fosse uma criança feliz. Levi se levantou e apagou a luz e, quando voltou para a cama, puxou Laurel para se deitar em cima do corpo dele. Ela aceitou o convite de bom grado, sempre se sentia mais protegida nos braços dele, era como se toda a confusão na cabeça dela parasse assim que ele a abraçava.

– O que vai acontecer agora, Laurel? – a voz dele não passava de um sussurro. Ela fechou os olhos quando sentiu as mãos dele passando pelos cabelos dela e os lábios dele encostados no topo da cabeça dela.

– Eu não sei, Levi. Não sei. – respondeu depois de um momento, os olhos ainda estavam fechados.

Laurel não sentia medo nenhum naquele momento, o peito estava cheio de felicidade e calma. Ela sabia que no dia seguinte estaria histérica, no mínimo, mas nada mais importava naquele momento. Ela não sabia o que faria dali em diante, não tinha certeza do que a aguardava no dia seguinte e não fazia ideia de como a vida dela seria assim que pisasse dentro do estúdio.

Mas ela tinha certeza que Levi estaria lá com ela, ele era o seu melhor amigo e nada poderia separa-los. O abraço de Levi sempre seria o que ela iria querer depois de um dia de trabalho, e ele continuaria sendo a pessoa favorita dela em todo o mundo. Ali, abraçada com ele e sentindo os movimentos que o peito dele fazia por conta da respiração calma, ela sabia que ele nunca soltaria da mão dela, sempre seriam eles dois contra o restante do mundo.

E ele era tudo que ela precisava para não ter medo do que estava por vir.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo! Até semana que vem. ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.