Ugly
1 O encontro com ele
Sabe aqueles dias que você não quer olhar para a cara de ninguém, não quer fazer nada, não quer falar com ninguém, não quer comer nem beber nada, muito menos mexer no computador e tomar banho? Você pode não saber mas é assim que eu me sinto há dias. Esse sou eu, Matt. Complicado e irrelevante, eu sou em base o que os idiotas dizem “de papel”. Apesar de ser homem, na verdade um menino ainda, pois tenho 16, um menino quase virando homem, eu sou muito frágil, qualquer coisa me derruba, estou decepcionado com a sociedade como todos odeiam, e não sei porque estou escrevendo nesse desprezível diário sendo que ninguém nunca vai ler, talvez. Meus pais me ignoram, acham que as minhas depressões é frescura, tive que quase morrer para eles deixarem eu ir ao psicólogo, e eles não pagam, eu que tive que trabalhar para pagar. O nome da minha psicóloga é Merlia, mas já que eu consegui contar o que se passa comigo a chamo de Me. Ela é meiga, é bem madura e me ajudou a parar de me cortar, eu sei que não resolve nada mas eu sou tão invisível que se eu ficasse sem braço (que é o que quase me ocorreu) ninguém ligaria, muito menos meus pais. Eu estou no segundo ano do colegial, e estou apaixonado por um pessoa que não faz a mínima idéia que eu existo. Hoje faz dois anos e meio que eu gosto, amo ele, e até hoje não tive coragem de dizer a ele, por medo de ele me rejeitar, que seria a pior coisa do mundo ser rejeitado pelo amor da minha vida. Sim, eu sou gay, mas aparentemente ninguém sabe, “ainda não sai do armário”.
O nome dele é David, tem 18 anos e está no terceiro ano do colegial, ele é mais velho do que eu, perfeito assim para me proteger. Todos os dias na escola eu olho para ele disfarçadamente, até hoje, eu acho, ninguém descobriu que eu o amo. David é líder do time de basquete, e é do tipo “machão” que tem todas as mulheres ao seu redor e mesmo assim quer sempre mais, esse é o lado ruim do meu David. Eu sempre soube que nunca conseguiria ficar com um cara desses, mas eu adoro sonhar com ele, já tentei até gostar da irmã dele, que mesmo eu sendo gay tenho que admitir que ela é muito linda. Ela é totalmente diferente dele, ela é loira com algumas mechas escuras, é alta e magra, mas tem uma cintura única e bem definida, ela poderia ser aquelas irmãs que com a fama do irmão se aproveita, mas ela não é assim, ela é meiga, doce, gentil, e está sempre tentando ajudar o próximo, ela é um exemplo de pessoas que deviam existir mais, com um coração e uma alma semelhante a dela. Uma vez até descobri que uma outra menina, que antes era umas das melhores amigas dela deu em cima dela, por tão “gata” que ela é, mas a menina não tinha nenhuma noção de realidade, a irmã de David entendeu a amiga e explicou que não é lésbica e não quer nenhum tipo de relacionamento com ela, a garota entendeu, mas uma semana depois tentou agarrá-la de novo e até hoje as duas não se falam mais, a Hendrin (irmã de David) cortou relações com ela. Mas mesmo sabendo que o certo é de meninas que eu devo gostar eu me fito por David.
Um belo dia depois da escola eu passei a casa de uma velha amiga de minha mãe, ela havia pedido pra mim ir lá e entregar uma coisa a ela. E quando eu menos esperava, eu vi David atravessando a rua com os amigos idiotas dele, eu me escondi para que ele não percebesse minha presença. Não sabia que ele tinha se mudado, ele morava perto da escola, e agora que eu estou de férias do trabalho, sei o que vou fazer todas as tardes, vir espiar David. Já tenho até um plano, vou dizer a minha mãe que conheci uma garota muito simpática na rua da amiga dela e que voltarei para vê-la, minha mãe não se importaria, pois até me empurra garotas, ela diz que tenho que viver mais a minha vida. Estava na hora de eu ir embora, mas antes de pegar o ônibus para voltar para casa eu passei no mercado e o David e seus “seguidores” apareceram na minha frente, ele disse:
- Eai , eu acho que já te vi, você é o lá da escola não é cara? Eu fiquei imóvel, apenas fiquei admirando os lindos olhos de David, aqueles lindos olhos castanhos me ganhavam.
- É aquele que não pega ninguém David. Disse um dos amigos idiotas de David. E sem me perceber eu conseguir dizer algumas palavras:
- Saiam da minha frente, tenho mais o que fazer! Disse empurrando-os.
- Ui ela ficou revoltada. – Parem de besteiras, deixem o encalhado em paz. Disse o David me cortando o coração, mas fingi não dar bola, mas minha cara não enganava ninguém. Depois eles foram embora, e eu comprei algumas besteiras para eu comer no caminho, e no caixa a empacotadora simpática me diz:
- Não de bola para esses idiotas, eu sei que você vale muito mais do que eles. Eu involuntariamente sorri e agradeci pelo consolo e fui para casa.
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