Uchiha and Haruno
25 Nunca mais
Notas iniciais
Voltar para o quarto não foi difícil, desligou tudo que necessitava ser desligado e escorregou até seu local de cativeiro, fechou a porta ajoelhando-se em sua frente, precisava trancá-la para que não houvessem desconfianças.
Tentou uma
Tentou duas
Tentou três
Na quarta tentativa o grampo quebrou.
Sempre foi mais complicado trancar do que destrancar uma porta, lembrava-se vagamente disso, mas não sabia precisar porque dessa vez não conseguia. Talvez o nervosismo em demasia.
Levantou-se rodando pelo quarto, podiam não notar a porta aberta e se notassem, quem garantiria que ela havia se dado ao trabalho de abrir e mesmo assim continuar lá dentro? Teria que ser muito imbecil!
Jogou os pedaços do grampo fora pelos buracos na madeira da janela, na faculdade executava planos perfeitos, tanto que nunca haviam desconfiado, então por que preocupar-se com pessoas desprovidas de inteligência como aqueles três.
Lavou a mão e o rosto com um sabonete barato e secou-se na toalha ainda ensanguentada, se desse certo seria resgatada em pouco tempo, não estava tão longe da capital como temia.
Tinham que ser rápidos.
Com os dias de cativeiro perdeu a noção do tempo, sabia apenas que era dia ou noite, nada mais que isso. Amaldiçoou-se por não olhar no relógio do computador.
Sentou e rezando, esperou o momento que a polícia chegaria.
Mas foi tudo muito diferente do que imaginou.
Como em um pesadelo as luzes se acenderam e pode ouvir a voz de Orochimaru aos gritos, o barulho de motores e os faróis ligados pareciam próximos à sua janela e ofuscaram sua visão, não dando tempo de grandes análises.
Estava salva!
Mas notou no momento seguinte que não ouvia-se sirenes e como um tiro no peito ouviu a voz de Sasuke
Seu Sasuke
Aquele maldito cabeça dura!
Levantou-se pronta para alcançar a porta, mas não teve o trabalho de abri-la, pois Suigetsu o fez por ela, um braço ainda enfaixado pelo tiro, mas o outro tão rápido que a puxou pelo pulso sem sequer saber como havia sido agarrada, ele estava furioso.
–- O que fez cadela maldita? Em? Como conseguiu ligar para eles? RESPONDA? -- Gritou a arrastando, percebeu ali que sua costela cortada ainda doía muito, e se não apressasse os passos, Suigetsu lhe partiria o pulso em dois com a força e fúria empregada em arrastá-la.
Foi jogada no chão da sala e caiu com um baque surdo no assoalho de madeira, os joelhos e cotovelos protestaram por dor, os cabelos longos espalharam-se em camadas cobrindo-lhe o rosto e com medo, voltou a sentir sua lateral quente.
–- Seus desgraçados -- Ouviu a voz de Orochimaru transtornada, não queria olhá-lo, mas o fez mesmo assim, nunca havia visto olhos tão cruéis, tentou vislumbrar a porta por onde as luzes e a rajada de vento entrava, mas deteve-se quando sentiu um chute cruel em seu abdômen, os olhos voltaram a fechar e o ar teve dificuldade em chegar aos pulmões.
–- SAKURA! -- Havia sido categórica ao falar para que ele não viesse, mas nada adiantava quando Uchiha Sasuke tinha algo em mente -- Não toque nela -- Ouviu seu rosnado e o passo em sua direção.
Karin, que havia lhe chutado agarrou-lhe pelos cabelos colocando-a ajoelhada, para seu total desagrado, em frente à Sasuke e alguns amigos que chegavam apressados e ofegantes. Se tivesse que morrer, por Deus, queria morrer sozinha, sem ninguém vendo-a ser atingida e compadecendo-se de seu estado deplorável.
As lágrimas salgadas fizeram com que os pequenos cortes no rosto ardessem, Karin desajeitadamente alcançou um canivete sobre a mesa e derrubou outros dois, sentiu a lâmina gelada em seu pescoço e pela primeira vez pensou em render-se.
–- Vocês me afundaram, me faliram, levaram tudo o que eu tinha -- Orochimaru grunhia com um revólver em mãos -- Uchihas e Harunos uniram-se e assistiram minha desgraça e agora, irei recompensá-los por isso -- O sorriso sinistro adornou-lhe os lábios -- Vão sentir o que senti e chorar o que chorei -- Murmurou -- Já ouviram falar de uma vida por outra?
Sakura sentiu quando a arma foi apontada em sua cabeça, não havia mais volta, contentou-se em fazer o possível. Fechava os olhos quando os verdes encontraram-se aos de Sasuke, desesperados, assustados, apaixonados...
Notou que nunca havia desistido de nada, por mais difícil que fosse, não podia magoar as pessoas que a amavam e ela havia aprendido amar novamente.
Sakura nunca fazia planos, as coisas sempre aconteciam do modo certo, no momento certo e com a motivação certa.
E aquilo tinha que acontecer.
Tentou soltar-se de Karin enquanto Orochimaru concluía seu discurso, ela sabia, todo assassino tinha um para esses momentos finais, quando não logrou sucesso sentindo a lâmina na carne de seu pescoço, mudou de estratégia.
Poderia até se arrepender, mas não morreria, pelo menos, não hoje.
Tateou o chão o mais rápido que pode, sentiu quando o canivete lhe cortou o pescoço pelos movimentos que fazia, mas sobreviveria a um machucado superficial. Não demorou para que encontrasse a faca de caça que Karin havia deixado cair e que vira mais cedo ao lado do computador.
No momento que seus olhos se encontraram com os do Orochimaru, sorriu de canto e o surpreendeu, na maioria das vezes a estabilidade mental era a coisa mais fácil de se ferir em um criminoso.
Nesses momento, adorava ser advogada.
Conheça seu alvo e acabe com ele!
Desistiu de grandes raciocínios quando girou a faca na mão e passou rente aos dedos de Karin cortando-os e fazendo um mar de fios rosas flutuarem pelo ambiente e depositarem-se ao chão junto a gotículas de sangue, a bala destinada a sua cabeça passou a milímetros do alvo e fincou no assoalho, ela tinha conseguido.
Escorregou sobre o cabelo cortado deslizando para próximo de Itachi que mantinha-se mudo e surpreso, levantou rapidamente, mas a respiração pesada e o corpo mole lhe alertava que não ficaria em pé por muito tempo.
–- Errou! -- Rosnou com o sangue lhe escorrendo dos lábios.
–- Vadia! -- Vociferou atirando-se para cima dela, a última bala da pistola havia sido inutilizada e agora não lhe sobrava mais que um canivete.
Antes que Orochimaru a atingisse viu uma figura maciça interpondo-se a sua frente, reconheceria aquele aroma em qualquer lugar.
Sasuke atingiu Orochimaru com um único soco que lhe fez escorregar e cair no chão, chutou-lhe as costelas em seguida, pela irá quebraria uma a uma, mas foi detido por Suigetsu que atingiu seu braço com a faca que Sakura usará. O golpe foi fraco, mas era o suficiente para cortar a jaqueta e fazer o sangue alojar-se na camiseta branca.
–- SASUKE! -- Não pode evitar o grito quando aproveitando-se da debilidade do Uchiha, Suigetsu atingiu-lhe com um soco na mandíbula. Viu Itachi indo até eles e temeu pela vida de todos.
Se qualquer coisa acontecesse a qualquer um dos dois, jamais se perdoaria. Olhou ao redor desesperada, sabia fazer apenas duas coisas, manejar um computador e uma arma.
Sua arma
Ela estava ali, inerte, ao lado de uma celulares que vira mais cedo, como poderia não tê-la notado? Não soube dizer.
Por Deus!
Correu até ela sem dar-se ao luxo de conferir quantas balas havia, lembrava-se vagamente, mas não conseguia precisar quantos tiros havia dado na sacristia... Três? Talvez quatro?
Com as pernas latejando e a visão ficando turva mirou e atirou uma única vez antes de ouvir barulhos de sirene e luzes vermelhas, quisera Deus que tivesse atingido Suigetsu, pois não teve tempo para conferir, a única coisa que precisava agora, era de um longo descanso.
***
Teve pesadelos conturbados, todos remetiam a seu último ato antes de apagar, algumas vezes era levada a crer que havia atingido Suigetsu, em outras, via-se desesperada por ter atingido Itachi, até que no pior momento dos pesadelos, sonhou ter matado Sasuke.
Em algumas vezes sonhou também com o casamento, que ele havia sido realizado e tudo corria bem, até que o sequestro acontecia e tudo recomeçava.
Houve um momento que sentiu o corpo e ouviu vozes ao redor, mas pareciam desconhecidas, os olhos não obedeciam ao seu comando e mantinham-se duramente fechados e pelo cansaço atingir-lhe tão fácil, desistiu de lutar e voltou a dormir.
Até que em uma manhã, os olhos abriram involuntariamente, fazendo-a finalmente despertar para o mundo, a primeira coisa que notou foi o ambiente iluminado, depois, os pássaros cantando animados e a imensidão de vasos e buquês de flores espalhados pelo quarto.
Por último, viu, sentado na poltrona e com o braço enfaixado seu amado Uchiha Sasuke.
Na mesma intensidade do vento, uma rajada de aliviou inundou-a, Sasuke estava vivo, ferido, todavia claramente vivo. Desejou cutuca-lo para perguntar de Itachi, mas ao mover-se sentiu a fisgada cruel em suas costelas e o monte de fios e agulhavas que a prendiam na cama.
–- Merda! -- Resmungou baixo, mas foi alto o suficiente para acordar o homem semi-adormecido a seu lado.
–- Sakura... -- Murmurou com a voz nitidamente cansada e rouca
–- Desculpe -- A voz da mulher era frágil e baixa
–- Como esta? -- Deslizou da poltrona para a cama do hospital ficando a seu lado e segurando sua mão. Era delicado e gentil, se tivesse reparado melhor, poderia ter visto pela primeira vez os olhos negros marejados
–- Bem... -- Murmurou e encarou o braço enfaixado -- Seu braço...
–- Não é nada! -- Sorriu levemente
–- Disse para não ir lá -- Resmungou -- Odeio quando não me escuta.
–- Arigato! -- Murmurou abraçando-a repentinamente
–- Pelo que?
–- Por ter voltado para mim!
***
–- Nunca mais, nunca mais mesmo nos assuste desse modo – Ino falava e gesticulava enquanto Sakura discutia com a mãe sobre tomar ou não a sopa do hospital – Esta me ouvindo?
–- Ser sequestrada não foi uma opção Ino – Murmurou por fim comendo só o pure de batatas e frango desfiado servido
–- Nunca vou poder explicar o que senti quando cheguei naquela sacristia e estava tudo revirado e ensanguentado – Temari resmungou – Quase desmaiei.
–- Desde quando você anda com armas por ai? – Sayuri murmurou
–- Desde que me formei Okaasan – Tomava o suco pelo canudinho – Vocês não deveriam estar felizes em me ver aqui? Por que estão apenas me amolando?
–- Ficamos tão preocupadas Sakura – Hinata suspirou – Foram dez dias horríveis.
–- Tudo isso? – Perguntou
–- Não sabia?
–- Perdi a noção do tempo depois de uns dois dias – Deu de ombros afastando a mesinha do almoço
–- Nem parece que você passou por um trauma desse, que calma é essa criatura? – Ino chiou aproximando-se – Tem noção de como Sasuke ficou? Chegou ao ponto de pensar que morreria caso acontecesse alguma coisa com você! – Sakura sorriu levemente
–- Então é por isso que não esta chateada – Tenten levantou-se animada – Você viu o estado de Sasuke não foi?
–- Ele estava aqui hoje cedo quando acordei – Mordeu a ponta do dedo – Não que esteja feliz por ve-lo acabado, mas fez bem ao meu ego destruído.
–- Então é isso, Sayuri, venha! – Mikoto levantou-se em um pulo – Ino, você também.
–- Hey, onde vocês vão? – Sakura perguntou quanto todas aderiram ao movimento e saíram pela porta sem explicações – Mas o horário de visitas não acabou... Ino, você não arrumou meu cabelo... Droga!
***
–- Com Suigetsu morto e Orochimaru e Karin morto, não há nada que os impeça agora, por favor, dessa vez tem que dar certo! – Mikoto murmurou
–- Precisamos deixa-la em repouso, você viu que são recomendações médicas.
–- Não estou dizendo para fazermos tudo amanha, vamos planejando aos poucos, mas precisamos de tudo novo, roupas, decorações, igreja... Não quero que ela tenha péssimas recordações – Sayuri assentiu séria.
–- Que tal algo na praia? Ou no campo – Ino agitou-se – Podíamos até mesmo ir para Jeju, uma coisa simples, pequena e privada, a cara dos dois.
–- Nada de convidados aos montes?
–- Isso, a Sakura ficaria satisfeita – Hinata sorriu – Sem grandes badalações ou imprensa, Sasuke também adoraria.
–- Então ótimo! – Raiden estalou os dedos fazendo menção a grandes ideias – O que importa no momento, são os dois felizes, não importa o nome da família ou fusão das empresas.
–- Podemos fazer algo surpresa? – Fugaku sorriu animado – Seria ótimo ver a cara de surpresa de ambos.
–- Devíamos ter feito isso desde o princípio, deixar isso a cara dos dois – Mikoto murmurou cabisbaixa, mas logo foi amparada por Sayuri.
–- As coisas aconteceram como deviam acontecer, agora, é nossa chance de fazer tudo do modo correto.
–- Tenho certeza que eles vão amar! – Tenten juntou as mãos em frente ao rosto em pura alegria.
–- Vamos começar com toda a correria e loucura novamente? – Sai murmurou para os homens que mantinham-se sentados e calados na conversa
–- Sakura merece, mas elas voltarão a nos enlouquecer.
–- Lá vamos nós de novo!
***
–- Oi... – Sasuke bateu na porta do quarto e viu a enfermeira ajeitando os medicamentos – Ela esta bem?
–- Estava com dor – Murmurou – Agora esta medicada, mas o remédio dá bastante sono, por isso, provavelmente dormirá a noite toda.
–- Hm – Sentou-se na poltrona que passará os últimos cinco dias que ela havia ficado apagada
–- Dormirá aqui Senhor Uchiha? – Sorriu juntando as mãos em frente ao corpo – A senhorita Haruno já esta consciente e bem, pode ficar sozinha.
–- Ficarei ao lado da minha noiva – Murmurou cansado, mas gentil – Obrigado por cuidar dela.
–- Qualquer coisa me chame, virei o mais rápido possível, boa noite Uchiha-san. – Curvou-se e saiu pela porta carregando a vasilha com medicamentos.
–- Você está tão linda -- Murmurou afagando os cabelos agora curtos -- Pode me ouvir? Prometo... Não vou deixa-la sozinha Sakura – Segurou sua mão e recostou-se o mais confortável que pode na poltrona – Nunca mais!
"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor com ele você conquistará o mundo."
Albert Einstein
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