Notas iniciais
Mais uma pequena novidade nessa temporada! Confira logo abaixo! Boa leitura.

Joong Gu Seong:

Unreachable
22 – Refletindo

:: Dias depois ::

[POV. Nicky Robinson] Uma imensa vontade de vomitar me domou e não fiz cerimônias para chegar logo ao banheiro e me livrar das impurezas que provocavam aquela aflição. Senti um reboliço insuportável no estômago.

Quando terminei, escovei os dentes para livrar minha boca daquele gosto terrível. No espelho do banheiro, notei minha palidez e observei que estava zonzo, um pouco desnorteado nos passos ao sair do banheiro. O pior é que o Gui me viu naquele estado, não era para ter acontecido.

— Nicky! O que houve? — Indagou ele, vindo ao meu encontro na sala.

Observei pela janela como estava chuvoso naquele sábado.

— Não se preocupe... Só estou um pouco tonto. — Repliquei levando minhas mãos ao rosto e perdendo o ritmo de meus passos. Quase fui ao chão. Droga!

Por sorte, Gui me segurou pelo ombro, intervindo na queda dolorosa que eu teria.

— Obrigado, meu amor...

Minha fala estava tão inanimada e forçada. De qualquer maneira, precisaria falar aos meus pais. O médico poderia me passar um remédio extra.

Ainda preciso encontrar uma forma de contar para ele o quanto antes. Tenho medo de que isso possa se agravar e ele descobrir da pior maneira. Gui não merecia. NÃO!

Não sabia o que e como dizer a ele. Não poderia deixar que a relação se aprofundasse ainda mais. Qual solução era cabível? Tirá-lo da dúvida cruel e fazê-lo decidir se ainda continuaria comigo, ou então manter tudo em sigilo e arriscar.

Eu sabia que ele tinha em mente de que eu escondia algo a respeito da minha saúde. Há alguns meses, ele moveu alguns papéis do diagnóstico sobre uma estante. Preferi não comentar que sabia de seus atos, logicamente o entendia. Eu faria o mesmo.

Gui, com todo o carinho, me deitou na cama, tendo dificuldades, pois eu era muito pesado. Pegou o cobertor e me cobriu direitinho. Sorri ao ver seu gesto de preocupação.

Logo mais, sentou à beirada da cama e me observou. Deslizou suas mãos macias em meus cabelos e perguntou:

— Posso chamar seus pais? Você não está bem, Nicky...

— Não é necessário. Isso acontece às vezes.

— Fiquei relembrando da situação dos meninos. E se acontecer com a gente algo semelhante?

— Para que complicar sua cabeça com besteira! Pare agora! E não diga mais essas coisas. Por que falar isso?

Fiquei muito nervoso. Aparentava ser uma tática para tentar me fazer falar algo de que ele desconfia. Mas me frustei ao refletir que Guillermo era ingênuo, inapto para tais engenhos. Sua inocência... seu jeito atrapalhado... mas um bom coração e não merecia viver à base da insegurança. Isso era um martírio contra mim!

— Apenas sinto medo... — Gui falou.

— Por favor... pare.

Ele assentiu, mas ainda contrariou minhas palavras.

— Não fique aí sentado. Venha... Deite-se ao meu lado. Seu carinho... seu calor me fortalece. Você não sabe o quanto!

— Tá bom. — Ele o fez.

Guillermo fez questão de me envolver num abraço e continuar me fazendo carinho.

— Hum...

— Guillermo, te amo demais... — Mesmo me sentindo mal, não deixei de dar atenção à aquele menino de quem eu tanto amava.

— Eu amo você!

Sorrimos.

— Ah, já estou me sentindo melhor! — Eu falei o abraçando depressa. Aproveitei para enchê-lo de beijos.

— Mas não abuse. Vou descer para a cozinha e trazer um lanche para você.

— Para quê?

— Pensa que não notei? Você vomitou. Precisa comer alguma coisa, afinal isso causa desidratação. Simplesmente fique aqui.

Guillermo se retirou do quarto rapidamente e eu continuei deitado, porém não tanto, pois logo levantei para abrir a janela. A chuva cessou, mas o céu continuava nebuloso. O vento soprava com bastante intensidade. Propositalmente fiquei por ali por alguns minutos deixando a brisa passar pelo meu rosto.

Fiquei cabisbaixo por um tempo, pensando no que eu iria fazer dali por diante. Não podia prosseguir à aquela relação sem esclarecer certos pontos. Seria injusto para os dois.

Guillermo retornou ao quarto com um sorriso contagiante. Nas mãos, um pequeno lanche. Um amor!

— Aqui está! — Ele pôs sobre a mesa. — Aproposito, sua mãe lhe ordenou repouso e comentou que poderemos visitar o Átila amanhã. Thales irá conosco.

— Isto é uma ótima notícia, Gui!

— Ele aparenta estar respondendo bem ao tratamento. Porém ainda não sabemos a previsão de sua alta.

Ficamos o restante do dia em minha casa. Não saímos por conta da chuva. Fiquei me martirizando por tamanha irresponsabilidade. Não tive coragem de dizer a ele toda a verdade. De uma coisa eu sabia: não poderia sustentar aquele segredo por muito tempo. Meu medo era de ele saber por outra pessoa, talvez não pelos meus pais, mas por meus amigos do colégio, afinal eles sabem. E também sabem da minha relação com Guillermo.

Continua...

Notas finais
Obrigado por ler *_*