Ubl Unreachable
26 Me Dê Sua Mão (Primeira Parte)
Joong Gu Seong:
Unreachable
26 – Me Dê Sua Mão (Primeira Parte)
“(Se você perde) angústia no coração
Tarde demais para arrependimentos
Agarre a liberdade
Segure-a pela mão, agora”
Meu nome é Jake Phoenix. Tenho dezessete anos. Minha cor favorita é a verde esmeralda. Me considero um cara bastante eclético por não possuir um gosto bem definido – e a tendência de me chamarem de poser é bem maior, acredite.
Me assumi gay para minha família quando estava com onze anos. Como eu sou uma pessoa que gosta de compartilhar meus sentimentos e que não gosta de mentiras, falei firmemente e sem cerimônia. Você deve estar pensando: “Ah, então você disse ‘oi, eu sou gay’ de forma tão repetina?”. A resposta é... é...
SIM!
Mas no começo me arrependi de ter confirmado minha orientação sexual para minha família. Na maior inocência e sem ao menos ter tido uma relação com homens, eu me revelei homossexual, sabendo que meu pai era machista e conservador. Fui rejeitado por ele. Mas diferente dele, minha mãe me pegou pela mão e disse que não havia problemas e que me ajudaria no que precisasse. Então você também deve estar se perguntando: “Ah, então sua mãe aceitava aquilo numa boa e tal?”. Vejamos...
OH YEAH! – sem querer fazer referência a filme pornô, gente, por favor.
Minha mãe aceitava, mas sofria pra caralho... Espera, vamos tentar de novo. Minha mãe me aceitava, mas sofria muito. É, assim ficou menos vulgar. Enfim, ela sofria porque receava que minha vida fosse conturbada. Você sabe: todo o preconceito idiota, bullying e outras... Humanizes.
Meu segredo caiu na boca da puta vizinhança. Fui tão humilhado por lá que tivemos que nos mudar.
Um ano depois, meu pai morreu, restando apenas minha mãe e eu. Minha mãe fez faculdades e hoje trabalha como enfermeira no melhor hospital da cidade. Desde então, sempre após o colégio, passo lá para ficar ao lado dela em seu horário de almoço. Ficamos mais grudados desde o falecimento do pai.
Por passar tanto tempo com minha mãe e receber tantos mimos dela, com dezessete anos de idade, tenho muitos comportamentos infantis.
Houve tempos em que eu desejava minha morte por conta das humilhações que passei, mas quando minha mãe me levava para conhecer os pacientes do hospital e observá-los como lutavam para sobreviver, refleti: tenho saúde, tenho o amor e o carinho da minha mãe, então, para que me livrar da vida se ela me oferece tudo isso?
Hoje estive observando que um rapaz que, suponho, seja da mesma idade que eu, estava sob os cuidados da minha mãe. Ele estava um pouco abaixo do peso e sua palidez me intrigara.
— O que houve com ele? — Perguntei para Hanna West, minha mãe, enquanto observava o rapaz de longe.
— Anemia. Ficou dias sem se alimentar corretamente devido à depressão. A ambulância o trouxe para cá após o amigo dele, Nicky, dizer que ele havia desmaiado. Bateu a cabeça, mas tudo está bem. Que sorte.
— Coitadinho... — Lamentei.
Observei o rapaz ainda da mesma distância. Apesar de desnutrido era impossível não reparar em sua beleza. Ele tem cabelos lisos e dourados, levemente bagunçados. Sua pele é clara numa tonalidade meio abatida – acho que normal devido ao seu estado de saúde. Possui um belo par de olhos verdes – minha cor favorita.
— Ele é bonito, qual o nome dele?
Ela sorriu reparando na minha animação ao fitá-lo.
— Só não se anime tanto, heim. O nome dele é Guillermo.
— Que lindo nome!
— Okay, okay, to percebendo que quer ir falar com ele. Tá bem, vamos até lá. Eu preciso informar que terá alta em duas horas. Quando eu sair do quarto, fale com ele, mas é por pouquíssimo tempo.
Eu pareci uma criança ganhando doce quando minha mãe me deixou falar com ele.
Então, após o recado dela, tentei me aproximar:
— Olá! — Cumprimentei sorridentemente o rapaz. — Incomodo?
— Oi. — Disse ele. — Não.
Fiquei alegre ao vê-lo esboçando um sorriso. Vi as covinhas dele.
— Minha mãe me falou que você se chama Guillermo. Meu nome é Jake.
— Prazer. Você é filho da enfermeira?
— Sim. Sou o penetra que fica com ela no horário de almoço. — Ele sorriu semicerrando os olhos.
— Ninguém nunca foi contra?
— Não, justamente por eu ficar no horário de almoço. Ele terminou há cinco minutos, logo terei de ir embora. Bom, aconteceu algo para você ficar depressivo?
Ele me olhou sem entender.
— Do que está falando?
Agora sou eu quem está confuso.
— Pelo menos foi o que seu amigo disse.
— Que amigo?
Falando em amigo, ele adentrou ao quarto do hospital bem contente. Parece que a notícia de que Guillermo teria alta em duas horas chegou aos ouvidos dele antes do que eu pensava.
O rapaz chamado Nicky chamou pelo nome do Guillermo, mas...
— Gui, vim ficar contigo até você sair!
— Desculpe... — Guillermo disse para Nicky, olhou para mim por um momento e depois voltou a olhar para o amigo. — Mas quem é você?
Continua...
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