Ubl Unreachable
7 Luz, Câmera, Ação
Notas iniciais
Boa Leitura!
Unreachable
07 – Luz, Câmera, Ação
Como dito posteriormente, Nicky Robinson e eu estudaríamos em seu quarto naquela noite. Ele é como eu, odeia estudar em uma mesa, e sim gosta de fazer isso na cama, e é claro que outras coisas também, pelas quais eu não sabia – pensou besteira, não é? – . Dormir, por exemplo – aháh, te peguei – . O quarto dele parecia bem legal: computador de última geração, televisão de plasma, uma estante organizada com todos os seus livros prediletos e outros...
– Que quarto maneiro! Você tem um bom gosto para organização. – Reparei de mediato a sua organização, quando dei meus primeiros passos sobre seu quarto.
– Obrigado, Guillermo. – Agradeceu Nicky.
Durante duas horas ficamos fazendo o trabalho. Cada um escreveu uma parte, e aqueles artigos que consegui , foram úteis para a parte de Nicky. Reparei que ele costuma cumprir com seus deveres com muita atenção e seriedade, ao mesmo tempo com um humor leve. Isso é bom.
Logo me recordei que Anita e Paco ficaram com minha mãe fazendo companhia. Será que rolou orgia? Ok, brincadeira muito fora de hora. Mas é que eles estão com muito fogo dentro de suas calças – direto, não acha? – . A juventude é igual história, nunca descobrimos tudo.
Ainda assim, me desperta a curiosidade... Elevei minha mão até o queixo para pensar, igual naqueles filmes de ação quando o protagonista precisa fazer algo para escapar de uma encurralada.
Distante dali:
Paco e Anita estavam numa troca de carícias bem sensuais. A jovem realizava movimentos picantes deitado em cima do outro. Os beijos eram intensos e suculentos, proporcionando-lhes uma excitação prolongada.
– Paco, eu não aguento mais, apanhe o preservativo.
Finalmente Nicky terminou de escrever o desfecho da pesquisa e sua biografia. Deitou em sua cama cansado de ficar sentado. Notei que o mesmo fechou os olhos por alguns segundos. Pensei que houvesse adormecido, porém quando me aproximei dele, percebi que estava enganado. Ele, supostamente, acordou com muita energia.
– Bom, acabamos! – Eu disse, feliz por estar livre de qualquer coisa relacionada à escola pelo menos àquela noite.
– Ainda são dez horas da noite, poderá ficar mais um pouco. – Ressaltou Nicky, alegre.
– É, mas o que iremos fazer? – Perguntei, confuso.
– Já sei! – Respondeu.
Nicky foi e voltou de sua estante com dez DVDs sobre as mãos.
– Que tal assistir um filme?
– Certo.
– Pode escolher, amigo. Eres o convidado. – Ele ressaltou.
– Obrigado. – Agradeci, piscando o olho.
Pude observar uma seleção interessante dos filmes listados ali. Muitos me chamaram a atenção, mas o que mais me impressionou foi um de terror. Adoro filmes de terror, mesmo sabendo que tenho pavor.
– Jogos Mortais? – Perguntou Nicky, meio indeciso.
– Sim. – Respondi.
– Ele é muito pesado, irá ter pesadelos deste jeito. – Avisou.
– Eu sei que tenho medo, mas a curiosidade é mais forte.
– E matou o gato!
Caímos em boas gargalhadas e Nicky colocou o filme no DVD Player para assistirmos. Rapidamente desligou as luzes e deitamos. A longa-metragem teve seu início misterioso e eu a assistia atentamente. Nossa, aquelas caras são malucos de ficarem conversando no meio de uma contagem regressiva para a morte de ambos, mas talvez isto seja para eles descobrirem o motivo obscuro de estarem presos àquela armadilha. Pelo pouco que assisti, parecia um bom filme. Em algumas partes, eu me corroía de medo e tremia, mas era muito legal. Maneiro mesmo foi o Nicky rindo da minha cara com relação ao filme. Depois dos primeiros trinta minutos da longa, ele pausou o filme para que pudesse pegar algo para...
– Lanchar! Irei trazer um lanche para a gente. Pipoca Mais Refrigerante. Topa?
– Filme sem pipoca não tem emoção. Aceito!
Então Nicky foi apanhar nosso lanche noturno no meio do filme. Enquanto isso, andei pelo seu quarto observando seus itens. Guarda Roupa, Livros, Gibis, Filmes e outros. Seus gostos musicais são: Romance, Pop, Pop Rock, Japonês. Dentre eles, existem dois dos gêneros que aprecio, que são Romance e Japonês. Também gosto de músicas que falam da realidade, tudo o que passamos, o que o mundo enfrenta.
Sou um xereta, eu sei.
Havia um caderno na sua estante que me chamou muita atenção, parecia ser médico. A curiosidade, como sempre, me guiou até lá para ver o que era.
“Nicky Robinson Allen, registro médico.”
Haviam muitas consultas desde o nascimento de Nicky. Algo meio suspeito... Porém não consegui ler o diagnóstico a tempo. Ouvi o barulho de seu tênis subindo as escadas. Guardei tudo e o esperei em frente a porta.
– Desculpa pela demora, sou meio atrapalhado . – Explicou.
– Não tem problema, nem demorou tanto. Eu vi que tem um ótimo gosto para música e livros. Sou um xereta. – Sorri.
– Percebe-se. – E ele retribuiu o sorriso. – Mas não me importo... A casa é sua, sinta-se à vontade. – E passou.
– Obrigado.
– Trouxe nosso lanche.
Ele me entregou um saco de pipocas e um refrigerante. Trouxe o sabor que eu mais gosto. Agradeci e voltamos a assistir o filme, porém não deitamos, e sim sentamos. Desta vez, meu medo estava maior do que antes da pausa, ficava arrepiado a cada cinco segundos.
Meus movimentos eram feitos sem eu perceber. Eu movia minha mão em direção ao saco de pipocas e a retornava. Estava muito concentrado na película. Àquela altura da longa, estava já querendo assistir a toda a série. Um total de seis filmes.
Houve algo que nem percebi enquanto assistia ao filme. Minha mão estava ficando perto das pernas de Nicky. Olha só o que aconteceu: como eu não olhava para a pipoca quando apanhava-a, sem querer pus uma das mãos perto da virilha de meu amigo. Percebi o pano Jeans e voltei meus olhos a ele.
– Me desculpa! Eu não vi. Costumo não olhar para o lanche enquanto assisto algo. – Sorri, morrendo de vergonha. Meu rosto estava mais vermelho que a bolinha da bandeira do Japão (e acertei o mapa, não é? Sou horrível em Geografia!).
– Não se preocupe, acontece!
– Desculpa.
– Sabia que foi a quinta vez que fez isso? Você devia estar mesmo com atenção no filme para só notar isso agora. – Ele disse, sorridente.
– Caramba, como sou desastrado. E por que não me alertou? – Indaguei, ainda corado.
– Eu não sei. Só pensei que fosse sem querer, aí nem liguei.
Neste momento, ele pôs uma de suas mãos em minha perna perto do joelho. Olhei atentamente para o que iria fazer. Sua mão estava quente e macia.
Ele disse:
– Viu? Não é nada importante.
– Ah.
O que Nicky pretendia com aquilo? A cada minuto que vai passando, aquele sentimento irreconhecível aumentou gradativamente. Veio algo na minha mente... algo que eu nunca pensei... mas logo excluí esta hipótese. Nada demais.
E de repente, uma tempestade chegou em nossa cidade. Olhei para a janela, o clima estava muito feio lá fora. Havia muita lama e eu não tinha trazido guarda-chuva.
– Caramba, como poderei ir embora depois? – Olhei para meu relógio, marcavam onze horas da noite.
– Talvez tenha que dormir aqui. – Logo ele encontrou uma solução.
– Ehr... ham? – Mil pontos de interrogação surgiram na minha cabeça.
– Não poderá ir embora com o tempo nestas condições, pelo menos no me ponto de vista.
– Não vou te atrapalhar?
– É claro que não.
Então, resolvi ligar para minha mãe e avisar que não poderia voltar para casa com o clima naquelas condições. Peguei meu celular,e disquei:
– Alô, mãe?
– Guillermo, pode falar.
– Está chovendo demais! Não poderei ir para casa, Nicky disse que eu poderia passar a noite aqui.
– Está tudo bem, filho. Se cuida.
Continua...
Notas finais
Obrigado por ler!
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