Ubl Unreachable
10 Filme de Terror: Scary Movie
Notas iniciais
Unreachable
10 – Filme de Terror: Scary Movie
O filme que nós assistiríamos era Scary Movie, ou como é conhecido no Brasil: Todo Mundo Em Pânico. Devem estar se perguntando por que nomeei o episódio na língua estrangeira. A resposta é muito simples. O nome em Português ocuparia todo o espaço de fontes permitidas por título de posts e aí ficaria escroto.
Nicky me avisou por telefone qual seria o nome do filme. Para minha surpresa era Scary Movie Three – okay, pessoas, “Todo Mundo Em Pânico Três” (faz uma cara de “WTF?!”). Já havia assistido a primeira película há alguns anos, a segunda não tive a oportunidade de assistir – sou pobre, filho! Mentira!
Abri um longo sorriso, tipo Bob Esponja. Só faltava Patrick Estrela.
– E onde te encontro, Nicky? – Perguntei, ainda na linha.
– Eu irei te buscar de moto às sete e meia! – Respondeu.
– Você tem uma moto? – Mencionei aos berros. Minha boca estava mais aberta que a de um cachorro babando esperando o dono encher a vasilha de ração.
– Tenho. – Afirmou Nicky com o tom de voz mais debochado que já ouvi nessa vida precoce.
– Você é um filho da *&$#! Nem me disse isso! – Brinquei com ele. Minhas gargalhadas eram poucas, mas meu sorriso estava domado pela felicidade. Sua voz me fazia feliz... me deixava solto. Ele conseguiu tirar a minha tristeza.
– Hum, está certo! Mas contanto que só eu seja, para mim está bom.
– Abraços, vou me arrumar!
– Abraços, Pancho! – Exclamou ele chamando pelo meu nome do meio “Guillermo Pancho Giacomet”.
Quando a conexão foi encerrada, joguei o aparelho à minha cama que estava do meu lado oposto. Fechei os olhos e a imagem de Nicky veio à minha mente. Ele havia me conquistado – eu admito! . Quando tenho como visão aqueles olhos penetrantes, brilhantes... meu coração chama por ele. Palpita como se quisesse sair do peito. Poderia estar sonhando acordado. Os abri, balancei a cabeça tentando tirá-lo e me virei.
– Hei! – Gritei caindo para trás. Tomei o maior susto quando vi Paco e Anita no meu quarto.
– Nossa. – Eles disseram em uníssono.
– Como chegaram aqui? – Indaguei sem entender e coçando a cabeça já de pé.
– Simplesmente viemos. – Replicou Anita gargalhando.
– Tá legal, alguma novidade? – Perguntei enquanto ia ao guarda-roupa selecionar as roupas que eu usaria para sair.
– Aham! Iremos no Cinema assistir “Quando Os Cavalos Se Encontram”. – Paco respondeu.
– Existe esse filme? – Estava me recuperando da queda que levei ao ouvir o nome da metragem.
– Pelo menos o Sílvio Santos disse que sim. – Alertou Anita olhando para Paco.
– Vocês são muito idiotas! Este título é uma zoação dele para uma novela antiga que passa na faixa das dez horas da noite. – Falei, já com as roupas selecionadas.
– Quando a Senhorita Clotilde Nasceu? – Perguntaram juntos.
– Talvez um pouco depois. A novela não é tão velha assim... mas a Bruxa... HHAHAHAHAH.
– Então, iremos assistir Scary Movie Três. – Disse Paco.
– Que coincidência! Nicky e eu também iremos assistir a esse filme. Ele me convidou. E também entraram na onda de falar em inglês?
Expliquei a Paco e Anita que nós estávamos muito amigos e que não existia mais a rivalidade. Desde que fizemos as pazes tudo ficou numa boa, e que a noite de estudos foi demais. Falei sobre o filme até um limite. Não mencionei o que houve pela manhã de hoje, não sei o que eles poderiam dizer sobre o acontecimento. Talvez poderiam criar alguma imagem errada a meu respeito e até perder a amizade deles! Não sei se eles têm preconceito com algo assim. Queria poder ter alguém para conversar, contar o que sinto, o que está havendo de diferente em mim. Não suportaria a dor de perder meus melhores amigos...
Eles desceram e eu fiquei no meu quarto me arrumando. Então, Nicky e eu bancaríamos os motoboys da noite. Imagine sermos aqueles caras da pesada que mastigam um palito no canto da boca demonstrando autoridade e toda a sua agressividade. Isso me faz lembrar o faroeste, filmes do gênero são muito legais e atrativos. Entretenimento garantido!
Visei meu relógio de pulso e me assustei quando vi que já eram sete horas da noite! Então, fui direto tomar banho. Ademais vesti uma calça-jeans preta recheada de bolsos, uma camisa branca sem estampa e por cima uma jaqueta preta com o zíper aberto. Terminei de fazer minha higiene bucal e desci com os tênis brancos pelas mãos. Já havia posto a meia, então só faltava os calçar. Meu pai estava na sala sentado junto com a minha mãe no sofá.
– Já estou quase saindo. – Avisei a eles enquanto calçava o tênis. Estavam contentes em ver que...
– Você e seu amigo Nicky finalmente fizeram as pazes, não? Os pais deles são amigos nossos e sempre tentamos arranjar uma forma de impedir todo esse alvoroço. – Disse meu pai.
– Digamos que sim, estamos tentando.
– Ficamos muito felizes! – Minha mãe exclamou docilmente.
– Para mim, uma nova amizade é sempre...
Não consegui terminar a frase, pois Nicky havia chegado em sua moto e estava apertando a campainha. Minha mãe caminhou até a porta e o atendeu, pediu para o mesmo adentrar à casa. Eu o vi chegar bem social. Notei que não estava usando óculos, porém havia colocado lentes de contato. Até que lhe caiu bem! Nicky Robinson trajava uma camisa preta típica de motoqueiros, uma calça-jeans parecida com a minha, porém com poucos bolsos, e tênis escuro. Havia algo de diferente em seus cabelos, estavam com um penteado diferente e parecia ter adquirido mais brilho. Até o momento não trocamos nenhuma palavra, apenas fizemos gestos e alguns sorrisos.
Me despedi de meus pais e fomos em direção à rua. A moto de Nicky é demais! Toda modernizada e brilhante. Bom, não irei tentar explicar tudo porque levaria mais de um ano – talvez séculos. Haviam dois capacetes, um era de Nicky e o outro, provavelmente, seria para mim, mas...
– Você quer colocar o capacete ou prefere ir sem ele? – Indagou Nicky já montado na moto.
– Prefiro ir sem. Pode, não é? – Repliquei logo fazendo uma nova pergunta. – Eu lá to com cara de quem gosta de segurança?
– Pode. – Ele respondeu. – Você é doido. – E sorriu. – Mas isso só me faz... (CENSURA)
Me posicionei na moto, mas não sabia onde segurar. Cocei a cabeça, estava muito confuso. Nunca alguém me levou para passear nesse veículo.
– Uma ajudinha aqui? Onde seguro? – Interroguei na maior cara de “burro”.
– Hhahahaha. – Gargalhou intensamente. – Amiguinho, você tem que segurar na minha cintura, ou se preferir se apoiar nesse metal do seu lado.
– Ah.
Então, com um pouco de timidez, entrelacei meus braços na sua cintura, os encontrando na barriga de Nicky. Meu amigo me olhou para trás com um sorriso carinhoso, me deixando com vergonha. O que significa o sorriso?
– Cinema, lá vamos nós! – E ele saiu em disparada!
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Locação – Cinema
Quando estou do lado de Nicky, me sinto seguro... protegido e feliz, pelo simples fato de estar abraçado a ele. Algo me diz: Por Que não o puxa e conversa sobre seus sentimentos? Não posso chegar e dizer a ele...
Já fomos amigos uma vez durante a infância. Nossa parceria era inigualável a dos outros amigos. Sempre um estava perto do outro quando mais precisava. Mas, o que mudou para tudo isso se transformar em rivalidade? Como isso se iniciou? É isso que vem atormentando minha mente de um tempos para cá, não me lembro do que houve.
Nos encontrávamos na lanchonete do Shopping exclusiva para o cinema.
– Que pipoca você vai querer? – Perguntou Nicky com a carteira em mãos. O resto do pessoal estava pegando pelos tickets.
– De queijo mesmo, – Repliquei, solicitando o meu pedido. – e você?
– Hum, também! – Suspirou. – Que tal pedirmos uma gigantesca pra nós dois dividirmos? – Sorri quando ele abriu os braços para mostrar o tamanho.
– Hhahah, está bem.
Ele pegou a pipoca e a pagou.
– A gente poderia ter pagado juntos... – Fui interrompido.
– Quieto. – Brincou ele, me calando com uma das mãos. Estavam perfumadas suavemente. – Como foi eu quem o convidou, acho justo pagar tudo!
– “O-i-a-u”. – Tentei falar algo, mas não podia, pois suas mãos estavam sobre minha boca.
– Oh, desculpe.
– Eu agradeci.
Entramos no grande salão nomeado de “Cine 01” e sentamos na última poltrona. Tivemos a preferência de ficar perto da porta, pois a vista era melhor. A sessão teve seu início e todos gargalhavam intensamente assistindo as palhaçadas dos personagens. Paco e Anita estavam sentados à nossa frente, caso quiséssemos nos falar durante a apresentação da película.
Olha o que aconteceu:
– Olá, amiga! – Anita atendeu o telefone nas alturas durante o filme, o que incomodou muita gente. – Estou aqui no cinema com o Paco, Guillermo e o amigo dele. – A voz da pessoa com quem ela estava falando estava num volume considerável para escutarmos o chiado. – É, é, aquele inimigo dele... o Ticky.
– É Nicky! – Disse meu amigo.
– Any! – Balancei seu ombro. – Desligue o telefone, as pessoas não estão gostando. – Murmurei para a mesma. Os expectadores estavam começando a jogar pipoca em cima dela.
– Cala boca, vadia! – Disse um rapaz da frente.
– Ô Mocreia! Toma jeito! – Disse outro da parte do lado.
– Desliga essa %$#@! – Disse uma senhora.
– O QUÊ? – Anita se revoltou.
Any levantou do lugar dela e gritou bem alto:
– Vadia é a sua mãe! Aquela miserável desgraçada! – E Nicky e eu começamos a rir, inclusive Anita.
– Como ousa chamar minha falecida mãe disso?
– Hhahahaha, não tenho culpa se a velha se escafedeu. Que pensasse duas vezes antes de me xingar. Ela deve ter morrido de desgosto por ter um filho que não vale um centavo!
– Amor, pare! – Disse Paco.
– E você, depravado? Deveria estar me defendendo desses mendigos! – Gritou ela.
– Eles estão certos, Anita. Não pode falar no telefone durante a sessão, isso atrapalha. – Nicky ressaltou.
– Oras! Os incomodados que se retirem! – Anita berrou.
Nossa! Como Anita é apeladora! Desse jeito ela vai matar o véio. Nicky estava quase morrendo de tanto rir. De meio à confusão, o filme já havia acabado.Deixamos o povo brigando com toda aquela manteiga escorrendo e saímos. Havia uma multidão de pessoas em frente ao Shopping. Os guardas estavam avisando que...
– É perigoso lá fora! Está havendo uma tempestade! Não impedirei ninguém de sair, mas estão avisados.
Uma tempestade? Aquilo não seria um obstáculo para nós já que tínhamos a moto. Poderíamos ir rapidinho que não nos molharíamos.
Sem nos importarmos com a chuva e vento misturados, saímos levando uma rajada de vento que nos jogou um pouco para trás. Quase que perdi o equilíbrio. Nossos cabelos se esvoaçavam ao ritmo do vento de forma agressiva.
– Nicky! – Eu gritei, pois o som da ventania abafava minha voz.
– Guillermo! – Ele fez o mesmo.
– Não podemos ir de moto para casa. Há muita lama no chão. Correríamos o risco de derrapar.
Com o cabelo no rosto dificultando nossa visão, concordamos em um gesto com a cabeça e corremos para um lugar onde poderíamos ficar até que a tempestade acalmasse. Corríamos pela chuva a toda velocidade, atravessando ruas escuras, áreas alagadas e tudo o que se poderia esperar de um temporal.
Molhados pela chuva, avistamos dois garotinhos que tentavam atravessar a rua, porém a força da água não deixava. Os boeiros foram entupidos e por isso a água não tinha por onde escapar, deixando tudo alagado.
– Nicky! Olhe aqueles garotos! Vamos ajudá-los!
O que estariam fazendo aqueles garotinhos na rua, naquele horário e sozinhos? Era muito perigoso. Então, o pegamos pela mão e trouxemo-nos para nossa localização posteriormente.
Depois da Meia-Noite...
[…]
Continua...
Notas finais
É o seguinte, esses meninos são suspeitos de algo que ajudará Nicky e Guillermo, vice-versa também. O papel deles será de grande importância. O capítulo não demorará a sair!
Agradeço sua leitura!
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