UP - Novissimas aventuras!
1 Capítulo 1
Era outono, as folhas já começavam a cair das arvores transformando a paisagem urbana em grandes imensidões de tons laranja e amarelo, os carros passavam pelas ruas apressados como já era costume, alguns casais passeavam de mãos dadas pela calçada, era tudo muito bonito, bonito até demais em contraste com a visão do lado de dentro da janela.
Um escritório abarrotado de documentos, onde vez ou outra passava alguém de mal humor murmurando o quanto as costas doíam ou o quanto desejavam que já fosse sexta feira, Russel via aquele cenário pela janela de sua sala que mais parecia um cubículo, e ficava imaginando o que estaria fazendo naquele lugar caótico e barulhento.
— Russel! Já terminou a papelada? – perguntou um homem entrando na sala e baixando a cortina bruscamente fazendo com que aquele mundo do lado de fora sumisse por alguns instantes – A papelada que te entreguei hoje de manhã sobre o contrato com a seguradora!
— Já terminei sim — disse entregando um monte de folhas presas a um clipe – E terminei também a papelada de ontem, anteontem, e a de amanhã, já posso ir embora pai?
Russel estava com 20 anos de idade, usava uma camisa social branca adornada com uma gravata azul que ressaltava mais ainda sua aparência asiática, era magro e esguio, completamente o oposto de sua aparência aos 10 anos quando ainda era escoteiro.
— Aqui no escritório me chame de Sr. Hamada – disse com o tom de seriedade que lhe era habitual – fez tudo direito desta vez?
— Sim pa... – ia dizer quando viu novamente o olhar frio do pai — sim Sr Hamada, está tudo certo, conferi dez vezes e ainda passei para o Bill da contabilidade dar uma olhada para mim, posso ir embora?
Depois de mais uma analise nos papeis e uma olhada demorada no relógio de bolso, Hamada fez que sim, e Russel esperou que o pai saísse da sala para começar a juntar suas coisas e ir embora.
Russel vestiu seu sobretudo e deu um longo suspiro antes de ir embora sem olhar para trás, tinha receio de ver seu pai lhe obrigando a ficar para corrigir algum espaço ou acento que eventualmente tenha ficado fora da formatação, era quinta feira, e o rapaz simplesmente não agüentaria passar sequer mais uma hora ali.
Trabalhava para o pai no conglomerado empresarial Buy’nLarge, a maior empresa multinacional do mundo, era um mero assistente, mas como era filho do presidente de operações, ser só um assistente também implicava em ser perfeito em tudo o que seu pai quisesse, e Russel simplesmente odiava tudo aquilo.
Havia chegado à entrada do prédio quando seu telefone celular tocou, mais um suspiro, pegou o telefone com desanimo esperando que não fosse seu pai furioso por ele ter feito alguma mancada.
— Alô? – disse desanimado já esperando ouvir uma bronca.
— Quem fala é Russel Hamada? – disse a voz de um homem, de maneira seria, após a confirmação ele prosseguiu – Sou Phil Higher, advogado, e falo em nome do senhor Carl Fredericsen, você poderia comparecer em meu escritório amanhã de manhã por favor? O senhor Fredericsen faleceu no asilo oak lakes hoje de manha, precisamos que o senhor tome as providencias e assine alguns documentos... meus sentimentos.
Russel estava mudo, completamente atônito, Carl Fredericsen, seu amigo que o levara na maior aventura de sua vida estava morto, anotou mentalmente o endereço do escritório do Sr. Higher e desligou.
Parecia que o dia lindo que vira pela janela do escritorio havia desaparecido, e uma nuvem negra por coincidência estacionou bem sobre os prédios do centro deixando tudo escuro, depois de uma trovoada começou a chover.
O caminho até em casa pareceu durar uma eternidade, ainda mais com os pingos de chuva caindo sobre sua cabeça, morava em um apartamento próximo ao subúrbio, não muito longe do escritório, mas perto o bastante para que as enormes letras luminosas da empresa fossem vistas tampando o sol que nascia e se punha todos os dias atrás dos enormes prédios do centro.
Ao chegar em casa foi recebido por Doug II, um cachorrinho animado que se não fosse pela coleira de fala herdada de seu pai estaria latindo alto de felicidade.
— O Mestre voltou! – dizia através do sintetizador de voz inventado por Charles Muntz,sentia arrepios toda vez que se lembrava daquele homem cruel — Mestre, por que está triste?
Russel afagou Doug II, tirou o casaco molhado e o pendurou próximo ao aquecedor e se estirou preguiçosamente no sofá.
— Mestre? Está tudo bem? – disse Doug II labendo a Mao de Russel e deitando a cabeça em seu colo.
Depois de um longo suspiro o rapaz disse em poucas palavras.
— O Sr Fredericsen faleceu hoje de manhã.
A chuva ainda caia forte do lado de fora, Doug II deitou a cabeça no colo de Russel e ressonou até adormecer, com os olhos pesados, as costas doloridas, e um enorme vazio no peito o rapaz acabou adormecendo também.
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