UN 2814 - Risco Biológico [Atualizada]

6 Capítulo 6: É bom ficarmos atentos


Notas iniciais
Capítulo demorou um pouco, espero que o próximo seja mais rápido.
Quero agradecer ao Thunder Pela Recomendação. o/

Acordou com a luz do sol atravessando o vidro e batendo em seu rosto. Ficou assustado após perceber que não estava mais em seu quarto. Estava no que aparenta ser o banco traseiro de um carro, e uma moto praticamente jogada estava ao banco de trás. Aos seus pés avistou uma mochila e Nanda dormindo ao seu lado juntamente com Bob.

Olho suas mãos e se viu estar com luvas pretas que deixavam a amostra seus dedos. Uma voz feminina vinda do banco do motorista fez Pedro levantar os olhos. Com um pouco de dificuldade, viu duas pessoas à sua frente que conversavam enquanto uma delas guiava um grande volante. Riam baixinho.

– Acho que ele acordou.

O motorista o olhava através do espelho vez ou outra, enquanto a ruiva se virava no banco para olhar para trás.

- Está se sentindo bem?

- Sinto uma forte dor de cabeça e bem, a última coisa que me lembro é de sentir-me bastante tonto e fraco. Provavelmente devo ter desmaiado, mas como parei aqui!?

A ruiva se voltou para frente e remexeu em algo no chão de seu banco. Retirou uma garrafa de água da sacola no chão. — Você desmaiou pela noite, um pouco de febre ocasionada pelo grande desgaste. — Passou a garrafa para Pedro, que agradeceu com um aceno de cabeça e um sorriso.

O rapaz olha para si mesmo e percebe estar vestido com roupas limpas e não mais com aquelas vestes sujas de sangue. Agora usava uma camiseta preta, sobreposta por outra esportiva, esta de um vermelho; com a manga, gola e detalhes em branco, uma bermuda jeans e tênis.

Logo após ele ter desmaiado Julia veio ver o que houve na sacada, e se deram ao trabalho de cuidar de sua febre, assim como trocá-lo, este ultimo feito pelo Pablo.

A água deslizava saborosamente pela sua garganta seca e castigada, como se fizesse anos desde a última vez que ele havia tomado. — Onde estamos? – Ele pergunta enquanto secava o buço com as costas das mãos.

- A margem da Rota 101, a caminho de sair desta cidade. – Disse Pablo enquanto jogava o cigarro pela janela.

Pablo olhou o visor digital do carro, marcava 11h23min. Já estavam na estrada há mais de 4 horas, precisavam parar em algum lugar para comer e abastecer. Estava preocupado, logo chegariam ao centro da cidade. Isto não era bom, mas era inevitável, afinal as únicas rotas que os tiravam de lá eram naquela direção.

Julia abaixou seu vidro, colocou o rosto para fora, respirou. Talvez estivesse incomodada com o cheiro do cigarro de minutos atrás que Pablo fumava, e por algum motivo decidiu não dizê-lo diretamente. Sentiu a brisa. Um vento suave bagunçava os seus longos cabelos ruivos.

– A gente vai sair da cidade. Faz tanto tempo desde que eu sai daqui... – Disse a ruiva, com os olhos voltados para a estrada.

Pedro arregalou os olhos, a idéia de sair da cidade ontem não lhe parecia tão mal, mas não tinha percebido algo muito importante nisto. Eles teriam que passar pelo centro da cidade.

– Por quê... – Sua voz saiu fraca, ele se esforçava para falar. – Você tá louco, Pablo!? – Pedro esbravejou alto, agora com os olhos pregados no outro rapaz. Assustou Julia, que desviou o olhar da estrada.

Com um gemido, Nanda abriu lentamente os olhos e se ajeitou no banco junto a Bob. Julia estava confusa, e Pablo percebeu sobre o que ele estava falando.

- Você conhece outro meio? Há alguma outra forma de sair desta maldita “Ilha” em que estamos? – Disse ele apertando seus dedos, a cada palavra que pronunciava, contra o volante. – É tudo ou nada.

- Do que vocês estão falando? – Disse ela, meio receosa.

- O centro da cidade recebe milhares de pessoas por dia. O que faremos se lá estiver completamente cheio daqueles mortos-vivos? É suicídio.

Ela se calou de súbito antes de pronunciar algo. Os outros dois também permaneceram em silêncio.

- Então... Como sairemos daqui...? – Julia franziu o cenho, enfatizando a ultima palavra.

Desviando seu olhar para o horizonte à sua frente, e evitando responder Julia, Pablo pôde avistar que mais a frente, se encontrava um pequeno prédio.

Parou a van de súbito e o rapaz saiu do carro, se dirigindo a porta de Nanda. A abriu, pegou uma grande sacola e um galão. Voltou rapidamente próximo ao volante e pegou seu rifle, o que chamou a atenção da ruiva.

Pedro bufou, irritado. Retirou seu cinto de segurança, pegou o seu arco. Murmurava pragas enquanto saia da van. A garotinha fitou o rapaz, ele estava receoso, formulava todo um plano de fuga para algo.

- Bob, vem garoto. – Disse Pedro antes de fechar a porta.

Ele estava pensando o mesmo que Pablo. Engraçado como eles pensavam de maneira parecida e mesmo assim, sempre discutiam.

Pararam em frente a van, Pedro fitou Julia dentro do carro, intrigada, não sabia o que estava acontecendo. E o que eles fariam.

- Eu vou sozinho e você fica aqui com elas, e se algo acontecer você pega a van para fugir daqui.

- Não sei dirigir. – Diz o rapaz para o outro com um sorriso irônico formado no rosto.

Pegou uma pequena haste da sua mochila e prendeu em seu bolso da bermuda, e em seguida fixou no arco. Pablo se dirigiu a Julia e se apoiou na porta do veiculo. – Julia, está vendo aquele pequeno prédio? – A garota move a cabeça positivamente. – Nós dois vamos lá e depois voltaremos. Não sabemos se há algum zumbi, por isso é melhor manter o carro aqui e desligado.

- Mas e se eles estiverem lá, e se vocês forem ata... – Ela é interrompida por Pablo antes de terminar a frase.

- Vocês duas dão meia volta e pegam outro caminho se não voltarmos em 30 minutos, entendido? – O rapaz estava sério.

- Sim...

Pablo foi indicando o caminho, seguido por Pedro e Bob. – Estamos chegando no local, é só seguir por ali. – Disse o rapaz, apontando para uma curva à direita mais adiante.

Olhou para o Pedro e seguiu. – Afinal, por que você trouxe o cachorro?

- Acho que ele pode servir de ajuda.

- Acho que só vai ferrar com tudo. – Rebate Pablo. — É bom ficarmos atentos, de qualquer forma.

Passado a estrada, seguiram a frente do prédio de dois andares. – Health Body _ Artigos Esportivos.

Os dois se olham com um sorriso no rosto, uma cena agora rara.

- Pra uma loja no meio do nada, – disse o rapaz, contemplando a suntuosa construção. – Parece muito boa!

- Achamos um lugar perfeito. – Diz Pedro.

- Acho que não. – Diz o outro enquanto girava a maçaneta e abrindo a porta, dando de ombros.

O local não estava trancado, isto não era bom sinal. Pablo entra e aponta a arma verificando se é seguro, e faz um sinal com a mão para que Pedro entre.

Localização: Health Body

- Tome cuidado... – Disse Pablo lhe dando uma das grandes sacolas, e indo a uma direção.

- A gente vai se dividir? – Perguntou Pedro.

- Juntos podemos ser pegos desprevenidos. — Ele sorri para Pedro, com o cigarro preso entre os dentes.

A loja era simples, mas era possível encontrar tudo que fosse necessário para qualquer prática esportiva. Era dividida em alas. Todas com vastas prateleiras dedicadas a um tipo específico de esporte. No teto, pediam luzes de um branco forte, o que dava uma boa iluminação ao local. Mais ao fundo, próximo a uma parede com animais empalhados, havia uma pequena escada com uma porta, provavelmente levava ao segundo andar do prédio.

- É maior do que parece. – Diz o rapaz impressionado. – Vem Bob...

Pedro se dirigiu a ala de acampamento. Se aproximou de uma estante e sorriu. Colocou seu arco na haste da bermuda e pegou coisas como Sinalizadores, lanternas, sacos de dormir, e uma caixa de primeiros socorros. Juntou tudo na sacola e seguiu a outra ala. Já Pablo, havia pego uma corda e uma bolsa com alças em uma ala e seguiu para a de caça. Este ficou impressionado, havia de punhais a facões, como também arcos e flechas. Recolheu algumas coisas e seguiu andando.

Passaram quinze minutos dentro da loja e depois voltaram à entrada. Pablo foi ao balcão, Pedro pegou os galões e foi lá fora, enche-los de água numa torneira que havia na entrada.

Pablo olhou para o balcão, pegou um maço que estava sobreposto a mesa, e se agachou. Viu uma caixa e a puxou para si. Uma pistola e munição. A única que se encontrava na loja. Voltou a entrada e abriu a porta. Pedro estava colocando os galões em outro saco. Este esperava que o saco resistisse e não rasgasse com o peso.

Olhou para Pablo. – Cadê o Bob? – E este retribuiu. – Deve estar lá dentro.

- Então irei buscá-lo. – Pedro dizia enquanto ia em direção a entrada novamente.

E logo depois um estrondo se escuta do lado de dentro da loja.

- O que foi isso? – Diz Pablo surpreso.

Notas finais
O que será que aconteceu lá dentro?
Espero comentários.